terça-feira, 28 de julho de 2009

Merce Cunningham (1919-2009)

"É preciso amar a dança para continuar a dançar. Não nos devolve nada a não ser aquele momento fugaz em que nos sentimos vivos. Não é para almas instáveis."
Merce Cunningham

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Graças a Peter Carey…


… cheguei a esta foto de Annie Leibovitz. Porque tentei saber se Jacques Leibovitz, referido como pintor em “Roubo – Uma História de Amor”, seria mais que uma personagem de ficção. Parece que não é. Mas dei com a realidade de John Lennon e Yoko Ono.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

À atenção da D Manuela...

“É minha convicção profunda que o próximo responsável pelas políticas educativas tem, obrigatoriamente, de assumir as intervenções que enumerei no último artigo se quiser recuperar a confiança dos professores e travar a degradação do sistema de ensino. Aquele elenco de medidas é politicamente incontornável e instrumento primeiro de uma reconstrução imperiosa. Mas deve ser complementado com uma acção segura de envolvimento da sociedade, num debate social sobre a missão da escola de massas e sobre o significado e pertinência de alguns conceitos que a condicionam definitivamente.”
Santana Castilho, Público de 22-07-09.

Uuuuuuufa!, acrescento eu.
Gosto de pessoas modestas, como é o caso. Por outro lado, atesto por minha honra que este Santana é perito em degradações e mestre trolha em reconstrução, com pastilhas dos travões substituídas semanalmente. E pessoa envolvente e pertinente, definitivamente condicionado, mas isso é um pormenor que, aliás, lhe assenta bem.
Não o considerar como porta-voz ou membro do gabinete sombra seria uma grande injustiça. E, se der para a desgraça, espero que seja o ministro da pasta das escolas de massas. Seria menos uma maçada, na leitura do Público.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Custo da militância política a suportar por todos?


Acordo no "Público" trava despedimento colectivo
2009-07-18
A Administração do "Público" anunciou ontem que 167 trabalhadores (equivalente a 92%) concordaram com a redução de salário, evitando assim o despedimento colectivo que, apesar dos gestores nunca o terem oficialmente reconhecido, pairava sobre o diário.
Mas em comunicado aos funcionários, a que o JN teve acesso, a Administração congratula-se com o acordo e diz que "esta medida permitirá uma partilha de esforços e evita uma redução de postos de trabalho".
No texto colocado no site do jornal da Sonaecom, explica-se que as reduções entre 3% a 12% vão vigorar por um ano, e que em 2008 o "Público" registou um prejuízo de quatro milhões de euros. Na segunda-feira prosseguem as negociações sobre a redacção final do acordo, que substituirá os documentos já assinados.
"Boa parte dos trabalhadores assinou ou comprometeu-se a assinar o acordo por ter a garantia da Administração em relação a algumas questões acertadas mas que ainda não estão colocadas por escrito", diz por seu lado a Comissão de Trabalhadores.
Recorde-se que na última quarta-feira, a Administração lançou um ultimato aos mais de 200 trablahadores: se 90% não aceitasse a proposta, a administração ficaria "mandatada pelo accionista para apresentar um plano alternativo de redução de custos com o pessoal".
Jornal de Notícias, online

Preconceito ou falta de jeito?

“O Governo anunciou mais de 38 mil vagas para o ensino profissional no próximo ano lectivo. Apesar do reforço, o país continua longe da realidade europeia. E tudo indica que uma parte significativa dos cursos a abrir se limite a aulas de fachada onde se acumulam alunos com dificuldades. Seja como for, é óbvio que o ensino profissional se tornou numa aposta.”
Duvidam disto?
Pois trata-se de texto no “Sobe e desce” do Público de 15-07-09, com – aleluia! – seta para cima e foto de M Lurdes Rodrigues, texto que remete para a página 11 da mesma edição.
Ora, seta para cima para aulas de fachada? Aulas de fachada numa aposta quanto ao ensino profissional?
Mas pegue-se no texto da página 11 e numa lupa, a melhor possível. Donde resultam, na notícia, as aulas de fachada? Se não é preconceito, é o quê? Apenas falta de jeito?


É preciso ter lata, muita lata…


(…)“Esta insensibilidade da ministra foi afinal a origem da sua tragédia política. Sabendo-se que uma avaliação a sério, com critérios, quotas para os mais profissionais ou mais talentosos, metodologias, etc. seria sempre rejeitada pelas áreas mais conservadoras ou retrógradas da docência, restava ao ministério um caminho: estabelecer alianças com os professores que, em surdina, se queixam da falta de exigência e do laxismo que grassam em tantas salas de aula do país. “ (…)
Público de 18-07-09, editorial de Manuel Carvalho
Quem acompanhou a matéria neste jornal consegue dizer-me quando é que foram denunciados a falta de exigência e o laxismo de que agora se fala? Se se entendia ser necessário dar voz aos professores que disso se queixam, que espaço lhes foi reservado pelo Público que, pelo contrário, foi o permanente porta-voz de Nogueiras, Santanas Carrilhos e outros que tais?
Quando é que, como agora, a direcção editorial do Público os teve no sítio para escrever o que agora escreve?
Se o descaramento borrasse, o Público ficaria ilegível.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Toca bem...

E, a teres que me lixar, prefiro que toques mal.

Saída de leão...

Ponce de Leão foi substituído como presidente do Instituto da Construção e do Imobiliário, não sei se no seguimento do tal ajuste directo com a Microsoft, com os badalados trabalhos a mais, porque primeiro se adjudica e depois é que se contratualiza e, parece, mal.
E deu e entrevista da praxe ao Público. Elucidativa.

Sobre a reestruturação, afirma Ponce de Leão:
No despacho de nomeação do novo presidente, o Ministério de Obras Públicas diz que vai avançar a reestruturação. Mas, o que é que esteve a ser feito até agora? Foi feita uma reestruturação e essa está paga. Foi executada na perspectiva de uma rápida informatização do instituto. Quando foi pensada, não teve a nossa concordância global, porque entendemos que, para além de pressupostos errados, devia levar o seu tempo a consolidar e não se coadunava com os objectivos repentistas e repentinos do programa Simplex, que coloca a importância no número e na propaganda, e não na pessoa.”

É de leão! O que não se deve sofrer a desempenhar um lugar destes. Mas por que se insiste nisso quando as divergências são deste calibre?

Mais adiante, sobre a orientação do governo, explana o ex-presidente:
Como disse, a nossa relação com o sector foi aberta e transparente. O instituto tinha uma ideia global do sector, e eu não encontrei no Governo uma única ideia para uma política de presente ou de futuro para o sector. (…) Por exemplo, fizemos a revisão da lei dos alvarás, que foi aceite como uma boa revisão (Pergunto eu: por um governo sem uma única ideia para o sector?). Quatro anos depois, aceito que deva começar a ser revista. Mas não tivemos qualquer orientação sobre como fazer…Há rumores de que uma nova lei está a ser feita num escritório de advogados e uma consulting elaborou estudos pagos pela Secretaria de Estado. Mas nunca o instituto regulador foi ouvido na matéria. Se isto não é esvaziar o InCI…”

Deve ser, claro. Se não foi ouvido, está-se a esvaziar quem se limita a esperar ser ouvido. Se a lei carece de revisão, e se já antes se tinha feito uma lei tão gabada, porque se não toma a iniciativa de elaborar uma proposta de revisão? Quem é pressuposto saber da poda, espera que lhe dêem orientações na matéria?
Mas está bem. Se houver mudanças no Outono, não esqueçam o senhor, porque amor com amor se paga. Mas que se cuide quem o acolher, com estas saídas de leão.

Ai a tola!

Escrevem Lucinda Canelas e Natália Faria que no livro “Amor” do brasileiro André Sant’Anna se destacam expressões como “o sol secando o fedor do povo” e “o pau do ayatollah do Irão”.
E isto foi notícia porque o TNSC chegou a cancelar um espectáculo baseado naquele livro, por o considerar pouco ou nada adequado para uma exibição aberta a toda a gente.
Mas terá sido por causa do fedor? Ou por causa do pau que, certamente, qualquer ayatollah é pressuposto ter?
E que não falte pau para uma boa paulada a quem escreve “Há uma 1h00 da manhã de ontem…”.
Público, 20-07-09

domingo, 5 de julho de 2009

Vou ali e já volto... daqui a uma semana

S Miguel - Açores

Tentou-me e não me enganou...

Não estava perdida, porque sabia que andava por ali, com outras mais. Não sei o ano, mas é do tempo em que os suaves 12 graus ainda estavam na moda. Quando ainda se usava o escudo. Pouco mais que 50 cêntimos hoje.
A rolha tinha cedido, mas não conspurcou o conteúdo. Abri a medo. E não sobrou nada. Porque a excelência é rara e, no caso, infelizmente, efémera.
Foi o caso. Foi-se…

sábado, 4 de julho de 2009

Basta!

Em 2006 fixou-se no Brasil e afirmou “Vim para o Brasil para me salvar dos malefícios que Portugal me estava a fazer…”. Tratava-se de “descansar de Portugal” e, à distância, continuaria a trabalhar com Belgais, o que poderia fazer mesmo “sem gostar de Portugal”.
Na altura, recordo, não conseguia explicar a aplicação de fundos públicos obtidos para o seu projecto de Belgais. Constava-se que a sua gestão era confusa e merecedora de todas as reservas. Mas teria que se aceitar que fosse assim, chantageando. Não foi bonito.
Volta agora com a ameaça de renunciar à nacionalidade portuguesa, quando já tem a brasileira, situação que a própria filha diz desconhecer.
E que há de novo agora? Maria João Pires, ainda que não refira os casos mais recentes – arresto de bens por alegadas dívidas a funcionários da Escola da Mata, dirigida pela sua filha – parece exigir que a lei não lhe seja aplicada. Que possa estar acima dela.
Por mim, fica autorizada a renunciar à nacionalidade. Aliás, a ameaça deveria, por si só, dar registo à renúncia.
Eu – porque agora já é demais - renuncio à lufa-lufa para conseguir bilhetes para os seus concertos. Ficam os discos.


Era tão pura, tão pura, tão ingénua, tão ingénua...

Os apartes são regimentais, mas permitidos apenas aos ilustres deputados. Se são eleitos, a tudo se podem permitir. Em nome de quem entendem representar?
Mas não resisto, ouvindo e vendo esta carinha de anjo – para quem a Coreia do Norte é uma democracia – a recordar uma brincadeira, como a daquela menina que era tão pura, tão pura, mas tão pura e tão ingénua… que até julgava que desabrochar era tirar a pilinha da boca.
Ó meu… quanto ao cheque, vai até Aljustrel falar com o Vairinhos.
E das duas uma: ou tens razão, ou não. Se tens, mete já um requerimento para a criação de mais uma comissão de inquérito – ao cheque de 5.000 euros da EDP - e indica o Honório para presidente. Porque experiência não falta ao Novo.
Ver aqui a excelsa candura de um representante do povo http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Bernardino-Soares-afirma-que-nao-provocou-Manuel-Pinho.rtp&headline=20&visual=9&tm=9&article=230361

Mostra o cheque, Bernardino, ou levas xeque-mate, camarada!

Aljustrense: Manuel Pinho «nunca deu cheque» ao clube

O clube de futebol de Aljustrel nunca recebeu dinheiro do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, garantiu hoje à Rádio Renascença o presidente da administração do Aljustrense.
Heldér Vairinhos, dirigente daquele clube, quer repor a verdade e explica que «o que houve foi um patrocínio da EDP, em material desportivo».
O Sporting Clube Mineiro Aljustrense não recebeu qualquer cheque da EDP e muito menos entregue por Manuel Pinho, esclarece.
A polémica em torno deste assunto começou em Fevereiro e esteve agora na origem do gesto que resultou na demissão do ministro da Economia, depois de a questão ter sido levantada de novo na sexta-feira à noite pelo deputado do PCP, Bernardino Soares.

Controlo da coutada em perigo?


Bernardino Soares, pela sua boca, deu conta do aparte que exasperou Pinho. Insistia em saber em que qualidade Pinho procedeu à entrega de um cheque da EDP no valor de 5.000 euros a um clube de Aljustrel: se como ministro, se como cidadão, se como porta-voz de uma empresa privada. Porque quanto a Aljustrel, no que respeitas às suas minas, o ministro ter-se-ia limitado a ir lá para deixar tal cheque.
A questão é magna mas, a ser comigo, eu teria pedido ao seu colega parlamentar José Eduardo Martins que lhe respondesse por mim, nos termos conhecidos noutra cena parlamentar. Sobretudo porque começaria por me sentir ofendido com essa de porta-voz da EDP.
Mas o caso complicou-se com as declarações de dirigente de tal clube, feitas ao Telejornal da RTP1 de03-07-09, negando a existência de qualquer cheque, porque o apoio ao clube, segundo o mesmo dirigente, se traduziu na oferta de equipamento desportivo pela EDP.
Claro que a questão não está num cheque que, pelos vistos, não existe. O que dói é que um clube de uma vila considerada uma coutada, tenha ousado relacionar-se com um ministro, a quem terá prometido a oferta de uma camisola e, parece, pedido a sua intervenção no sentido de serem conseguidos apoios. E o que o ministro tenha ousado comparecer num jogo de futebol onde foi bem recebido. Porque o que dói, no caso, é a constação de que há quem prefira estar mais próximo de quem tem soluções ou por elas se bate, do que daqueles que utilizam os mais humildes ou necessitados como carne para canhão.

A matemática elementar, segundo o Público…


… consabidamente um jornal de referência.
Título
“Minas de Aljustrel – Apenas 134 funcionários trabalham para as Pirites Alentejanas”
Final da crónica
“Actualmente, além dos 132 trabalhadores afectos à Pirites Alentejanas, trabalham mais 107 pessoas nas Minas de Aljustrel, ligadas a empresas externas como a Securitas e a Climex, o que perfaz um total de 239 trabalhadores. No entanto, estes últimos não são mineiros, mas sim empreiteiros, projectistas e consultores.”
Edição de 04-07-09

E, deste modo, se pretende contrariar a afirmação de Pinho quanto aos 230 postos de trabalho nas Minas de Aljustrel. Para o Público apenas contam os mineiros. Quem não manuseia picareta não conta. Que isto de minas é só picar, picar, picar…
Imaginemos agora o fecho das minas: quantos ficam no desemprego? Apenas os 134 – ou 132 que, entre o título e o texto citado, perderam-se dois trabalhadores pelo caminho - ou os 239?
Ou, então, quantos postos de trabalho directos, mesmo que em outsourcing, estão justificados pela laboração das Minas de Aljustrel? Apenas os 134 ou 132, ou serão 239 ?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A vantagem de ser deputado...

... de deputado para deputado... "vai pró c..."

... de deputado (o mesmo) para o PM... "palhaço"

... de deputada para ministra...

Mas, para a profanação do órgão de soberania, apenas contará o gesto de Pinho.
E quanto o gesto de Pinho delicia Crespo em profunda análise com outro insuspeito, o inefável José Gil, no seu programa das nove.

O gesto foi tudo…

E o Ministro da Economia caiu. O gesto foi mesmo lastimável, mas teve uma vantagem: a de se poder ouvir tanta virgem púdica com ouvidos moucos a “vai pró caralho” e “filho da puta” que a história recente da AR também regista quanto a um deputado do PSD que assim se dirigia a deputado do PS.
Mas órgão de soberania é isto: faz de deputados uns soberanos, apenas pelo facto de o serem.
E isto logo a seguir a uma brilhante entrevista de Manuel Pinho passada ontem na SIC N. De um ministro voluntarioso, cordato, de quem apenas as gaffes eram objecto de "sérias" análises políticas.

"Um estranho caso", escreve Vasco, o Pulido, o Valente

“Mas de repente começaram a correr rumores (confirmados por jornais de referência) de que a PT iria comprar uma parte da Media Capital. E mais: que um dos principais fins do exercício era demitir José Eduardo Moniz, para eliminar o programa de Manuela Moura Guedes. Não havia provas públicas da veracidade destes rumores. Só que a mudança de atitude do primeiro-ministro (agora aparentemente a favor da operação) não sossegava ninguém, num ano eleitoral e durante uma campanha particularmente azeda”.
Público de 27-06-09

Ó Vasco!
Rumores confirmados por jornais de referência são mais que rumores, como se objecto de um crisma de tais jornais? E então o Moniz não tinha, antes, tentado uma candidatura a presidente do SLB? E este não veio a declarar que o negócio em causa era favorável à Média Capital? E Alberto João Jardim não gozou com o facto de, a ser verdade, se pretender, em tão pouco tempo, condicionar a TVI para as campanhas que aí vêm?
Mas, Vasco, a campanha vai ser particularmente azeda? Temos Vasco como candidato?
No final da crónica Vasco escreve:
“Os portugueses não são uma audiência inerme e muda, que o eng. Sócrates, quando lhe convém, se dá ao luxo de ignorar.”
E isto surpreende, porque jamais se esperaria de Vasco postura tão optimista quantos aos seus concidadãos. Vasco passou-se, definitivamente. Será da gripe?
Felizmente o negócio gorou-se, sobretudo para os “Contemporâneos” que nos deliciam com bonecos como este http://www.youtube.com/watch?v=AwJ2MLiekQE
Por isso voltaremos a ter Vasco e Manuela. Quem pode passar sem este humor, num país de tanto Vasco azedo?


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Inquérito ao BPN. Que há de novo?


Pelo menos isto, de pessoa insuspeita quanto a simpatias pelo PS e seu governo...
“Foi vice-governador do Banco de Portugal. Como avalia as críticas à instituição e a comissão de inquérito da AR sobre o BPN?
“Acho que é o exemplo típico do populismo. A maior parte das pessoas não sabe o que é um banco, o que é a supervisão, atira números misturando alhos com bugalhos… Foi um fórum de demagogia, com raras excepções. Fico triste, do ponto de vista da nossa democracia, não a existência da comissão mas o trabalho e a forma como o desenvolveu. Não é assim que se fazem as audições nos Estados Unidos. Sobre a actuação do Banco de Portugal, são dois casos muito diferentes. No BPP, o problema tem sobretudo a ver com a CMVM. Como, aliás, já tinha sido, no fundamental, o caso do BCP.
No caso do BPN, é um caso de fraude, de polícia. Foi feita uma ocultação deliberada do ponto de vista das instituições que têm que certificar contas e fazer auditorias. No fim da linha está o Banco de Portugal, que foi fazendo perguntas até descobrir a verdade.”
Entrevista a Campos e Cunha, Público de 27-06-09
E, de facto, quem seguiu a audição de cerca de 16 horas a Victor Constâncio percebeu bem o magno objectivo da comissão parlamentar de inquérito: a demissão do governador do Banco de Portugal. Isso sim, seria a cereja em cimo do bolo, porque foi mesmo o objectivo mais perseguido por Nuno Melo, Honório Novo e João Semedo, por entre simpatias patenteadas para com diversos prevaricadores ouvidos, prevaricadores confessos.
Ali ao lado, no programa do Mário Crespo, entre outras coisas, Honório Novo acaba de fazer referência a uma ameaça de Constâncio, afirmando que este, percebendo bem os objectivos dos inquiridores – e quem nem os percebeu? – daria uma conferência de imprensa, logo que conhecido o relatório final.
Eu ouvi – porque também ouvi - Constâncio dizer que não ficaria calado, mas sem menção a qualquer conferência de imprensa. Mas conferência de imprensa ou outra coisa, não é legítimo que reaja, dizendo, pelo menos, o que consta ali acima?
Sabemos que houve tempos em que tal não seria possível, nem legítimo. Mas isso, Honório, já lá vai. Há muito que já não é assim. Mas há tiques que ficam.

Viva Pina Bausch!

Pina Bausch - Masurca de Fogo
"O que faço não é uma arte nem uma ciência, é a vida." Pina Bausch

Há dias de sorte...


... afirma o cego para nos convencer a comprar a sua lotaria. E foi o caso, quando o primeiro, abdicando, deu o lugar ao segundo. É que o primeiro vai bem - para quem goste - como comentador e cronista. Mesmo se confuso no que diz, fugindo ao que se lhe pergunta. Como ontem na SIC N. Olha se tem sido apanhado, na qualidade de ministro, pela crise.
Há mesmo dias de sorte...


Valha-me o Galo de Barcelos...

Heloísa Apolónia
... galo ali ao lado da minha TV, em quadro do João Ribeiro, que espero me permitirá o tenha por mais adequado para a cavalgada de tanto populismo e demagogia, nesta interpelação de hoje ao ministro de Estado e das Finanças. Porque há quem não mereça um cavalo, nem uma pileca.
Mas pobre galo... coitado do galo.

Viva Pina Bausch!

"Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficamos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido; mas são os espectadores que têm de o descobrir, se não tudo seria tosco e grosseiro; são vocês que têm de o descobrir, eu não posso proceder demasiado directamente. Frente a certos valores, é preciso, acima de tudo, sensibilidade."
Pina Bausch

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coco Chanel

Com ela a roupa feminina, de muito mais prática, tornou mais fácil o acto de vestir. Já agora: também o de despir.
E está aí o relato de parte da sua vida. A fase Coco, especialmente caracterizada pela criação dos seus inovadores chapéus. Também a do grande e, parece, único amor da sua vida: Arthur Boyle que, no entanto, casou com outra e morreu cedo de acidente de automóvel. Mas foi quem financiou a sua entrada no campo da moda.
Isto e mais em “Coco avant Chanel” ou“Coco antes de Chanel”, com Audrey Tautou, a mesma de “O Fabuloso Destino de Amélie”. E parece que foi esta Amélie que me puxou para ver Coco Chanel.

sábado, 13 de junho de 2009

Antes ser coveiro que ir para a cova

O Presidente da CM de Beja ficou estupefacto por ter havido 12 candidatos a um lugar de coveiro no cemitério da cidade, posto que tem por pouco aliciante, tanto em termos remuneratórios como profissionais.
Parece-me que não lhe fica bem desconsiderar, nos termos em que o fez, uma profissão que já vem do tempo em que a vida eterna foi chão que deu uvas. De qualquer modo, se está preocupado com o facto de ser pouco aliciante, bem pode puxar os cordões à bolsa e passar a pagar melhor. E, como termo de carreira, talvez atribuir ao coveiro, xis anos passados, a promoção automática a presidente da CM, passando este a desempenhar o lugar de coveiro.

Presidente, meta as sondagens na ordem!

Portas, o Paulo, vai fazer queixa ao PR das sondagens, informa o Público de 12-05-09. Porque são uma viciação da vontade eleitoral. E, quanto aos danos provocados ao CDS – quais foram? – pergunta quem vai compensar o seu partido.
Eu gostava mesmo de ser mosca para estar lá, moscamente ou anonimamente, pouco importa. Para ver a cara de Portas, o Paulo, caso o PR lhe lembrasse as patifarias do Independente no consulado cavaquista.
Boas eram outras sondagens, que até davam direito a Jaguares, lá num centro da Moderna.
Já agora: a indignação de Porta, o Paulo, foi manifestada na segunda visita à Feira Nacional da Agricultura. Onde a CAP acaba de fazer apelo a voto contra o PS. Mas isto, juro, não merecerá qualquer objecção a Portas, o Paulo. Isto não é influenciar a vontade do eleitorado, por parte de quem não vai a jogo nas eleições. Feiras são feiras. E disso sabe o Paulinho das ditas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pancho Guedes

Era o sol, as sardinhas, o Beira-Mar branco num frappé. Sobre a praia, a Grande. E a curiosidade da T, quanto a livro que na mesa em frente era folheado. Livro que tinha mesmo a ver com a obra de Pancho Guedes, aliás, Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes. E lá se ficou a saber da sua ligação a Eugaria, ali ao pé. Onde, confirmou-se, tem esta casa, a dois passos da Casa da Loja, local de afectos. E ainda uma outra. Mas esta é que vai bem com um arquitecto bizarro, contra-corrente, um modernista antes dos modernistas, como alguém escreveu.
Agora há que conhecê-lo melhor aqui.

Hoje é a noite, amanhã é o dia...

E cada qual que escolha o seu...

Antes a morte que tal sorte...


quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Pátria e os titulares dos seus mais fundamentais valores

“No dia da Pátria, Cavaco Silva, na sua qualidade de Chefe de Estado e de comandante supremo das Forças Armadas, dirigiu-se aos militares, e bem, já que é a eles que deve ser exigido incorporarem no mais elevado grau os valores que nos caracterizam como portugueses e que estão na base de podermos salvaguardar a nossa independência quando ela perigar”, escreve o General Loureiro dos Santos no Público de 11-05-09.
Mais uma corporação com valores no mais elevado grau e que, no caso, são a garantia da salvaguarda da independência quando ela perigar. Mais uns ungidos do Senhor, perceba-se lá por que razão. Seria uma sociedade militarizada, ou de militares, a ideal?
No mesma cidade onde decorreram as cerimónias do 10 de Junho – agora com cunho militar, pois, recorda o Público, o PR reintroduziu as paradas a cujas tropas passa revista em pé, num jipe – não poderia ser esquecido Salgueiro Maia. Daria muito nas vistas. Por isso foi lembrado com uma homenagem, mas “envergonhada, tímida e sem chama”, segundo afirmou o seu biógrafo.
Mas nada que admire se recordamos a recusa da concessão de uma pensão, por "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país", àquele militar de Abril. Por um governo de Cavaco Silva que, há ainda que recordar, atribuiu pensões a ex-pides. Há valores e valores.

Bonés há muitos…

... e para mim tanto se me dá. Já tenho que cheguem.
O que me incomoda é ver o que se esconde por debaixo de um boné, de uma farda. Aqueles esgares, aquela fúria de muitos que somos obrigados a reconhecer como autoridades, respeitáveis autoridades. Que, aliás, exigem ser respeitadas, muito respeitadas.
Descobrir que numa autoridade o essencial é um boné e uma farda é que dá que pensar. Porque o resto era de arrepiar naquela manifestação.
E quando bonés há muitos e fardas também, é caso para temer o pior. Por ser admissível ver vulgarizado o que seja a autoridade, a partir dos seu próprios agentes. Como aqueles o fizeram, uns valentes com eles no sítio, naquelas circunstâncias, duvidando que noutras.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Acusação nas vésperas das europeias, desculpas depois...

Investigadores admitem erro
Ministério Público atribuiu ao mandato de Sampaio casos do executivo de Abecassis

08.06.2009 - 11h39 Lusa
A equipa que investigou a entrega de casas pela Câmara de Lisboa a famílias carenciadas atribuiu de forma errada ao mandato de Jorge Sampaio casos do executivo liderado por Kruz Abecassis, revela uma nota enviada à Lusa.De acordo com uma informação da Unidade de Investigação Especial, os casos imputados ao mandato de Jorge Sampaio dizem respeito a casas atribuídas a 16 de Janeiro de 1990, quando o ex-presidente da autarquia tomou posse apenas no dia 22. “O mandato do Dr. Jorge Sampaio é cronologicamente limitado de 1989 a 1995, sendo certo que este só tomou posse a 22.01.90”, pode ler-se na nota enviada à Lusa, assinado pela procuradora Glória Alves e que acrescenta que foi apresentado um pedido formal de desculpas a Jorge Sampaio. “Atendendo que se trata de um lapso material relativo a factos cujo procedimento criminal se encontra prescrito, que não foram investigados e que não foram alvo de imputação subjectiva de responsabilidade criminal, procedeu-se à sua eliminação”, acrescenta a nota. A referência aos indícios de abuso de poder na atribuição de casas municipais no tempo do mandato de Jorge Sampaio foi feita no despacho de arquivamento tornado público na passada quinta-feira. Na ocasião, Jorge Sampaio reagiu acusando o Ministério Público de deslealdade e disse muito o espantar que o MP se pronunciasse agora, “inutilmente, sobre factos de há mais de 13 anos”. (...).

Pois é. E quantos reterão, para memória futura, o pedido de desculpas quanto a uma notícia que fez manchetes nos jornais? Se os casos estavam prescritos, não bastaria dar conta disso? Para quê imputá-los nominalmente se deles não poderiam decorrer consequências?

E, no entanto, isto evitava-se com mera consulta ao calendário, olhando datas.

O timing, para a acusação e para as desculpas, deve ser mero pormenor.

Canto dos afectos...

Sobrinhos e sobrinhos-netos.

domingo, 7 de junho de 2009

Toma lá, Zé!

Um director à beira de um ataque de nervos
O Presidente do STJ na abertura do Colóquio de Direito Penal e Processo Penal

"Retomamos, neste fim de Primavera, a sequência periódica de coloquiar sobre temas relevantes da vida judiciária portuguesa.
Desta vez, a temática escolhida não poderia ser mais chamativa: de um lado a coerência na aplicação das penas como esteio incontornável da igualdade dos cidadãos e da segurança e o papel que, nisso, cabe à jurisprudência deste Supremo Tribunal; do outro lado, os modelos do processo penal entre o inquisitório e o acusatório e/ou, no mínimo, a chancela jurisdicional do juiz na comprovação de um arquivamento que, até aí, nenhum indício jurisdicional comporta.
Mas se a temática é por si aliciante, quem sobre ela se vai debruçar traz-nos não só o conhecimento teórico como também o saber de experiência feito que é garantia antecipada da qualidade do colóquio que o Supremo organizou.
Daí que nada reste senão agradecer, desde já, a todos os que se disponibilizaram de imediato para participar nesta iniciativa da nossa Casa; iniciativa cujo sucesso se deverá exclusivamente a eles porque a qualidade do evento será a consequência directa da qualidade de quem hoje vai intervir.
Em condições normais ficaria tão - só por aqui e por sequenciais palavras de agradecimento.
Mas o editorial do "Público" de 27 de Maio da autoria do seu director (por acaso no dia em que regressávamos de Berlim onde foramos à Academia Germânica para a formação contínua dos juízes alemães explicar o modelo português de estruturação da independência do Judiciário que eles, tal como os belgas, pretendem conhecer em virtude do seu vanguardismo), tal editorial, dizia, impõe-nos obviamente que digamos algo mais.
De há meses para cá, parte da comunicação social iniciou um pressing simultâneo sobre os tribunais no sentido de os descredibilizar, nomeadamente quanto à sua eficácia, ao arrepio, aliás, do que expressamente sugerem os relatórios recentes do Conselho da Europa; e tal pressing comunicacional (de que o editorial do "Público" é o exemplo mais próximo) é um efeito directo da mudança de atitude dos cidadãos portugueses na defesa dos seus direitos de personalidade violados frequentemente pela imprensa.
Na verdade, décadas a fio, assistimos a que gente conhecida ou gente anónima, espezinhada comunicacionalmente no fundo da sua identidade, demandasse criminalmente o infractor.
Enquanto na Bélgica (com a mesma população que nós), em 1975, já ninguém pedia contas criminalmente por violações da imprensa, em Portugal foi-se seguindo o caminho romântico, canhestro e espúrio da limpeza pessoal como se de um crime de sangue se tratasse com efeitos finais inócuos em termos de afectação patrimonial.
A nossa entrada na União Europeia mudou muita coisa e o tempo fez o resto; e com isso os portugueses aprenderam que os seus direitos de personalidade, quando violados, só se devem defender indemnizatoriamente com efeitos reparadores na esfera jurídica do violador que os sente patrimonialmente na pele.
Se a lenta mudança de atitude do cidadão português iniciou este processo, a mudança de patamares indemnizatórios praticados nos nossos tribunais completou o resto como avatar previsível de uniformização comunitária.
A comunicação social vive, hoje, um tempo conturbado de tempestades anunciadas, principalmente ao nível da imprensa escrita.
Com uma concorrência intensa que leva os seus agentes a um corporativismo para o exterior e a uma guerrilha surda no interior, o aparecimento dos gratuitos predadores, uma crise estrutural rastejante, a necessidade do espectáculo permanente para processar lucros, a diminuição de qualidade dos seus agentes como efeito directo do trabalho precário, o desaparecimento das velhas redacções depositarias de velhos princípios que estruturavam a ética que, agora, ninguém controla (veja-se a confissão de João Cândido da Silva, no "Público" de 14/8/04 sobre as gravações ilícitas das conversas com as fontes sem autorização, como se de um fait divers se tratasse), o surgimento da internet que dispensa aos consumidores a intermediação jornalística, com tudo isto junto os novos conceitos indemnizatórios dos tribunais são o cabo das tormentas para jornais nos limites do equilibrismo orçamental.
Nos Estados Unidos a ética jornalística (muito acima da nossa) foi-se formando a par dos conceitos jurídicos que os tribunais elaboraram na defesa do bom nome dos cidadãos e da contenção que tiveram que impor a si mesmo por efeito das indemnizações punitivas.
E, nisso, a advocacia teve um papel fundador insubstituível que, em Portugal, virá um dia a ter necessariamente; porque com a permissão legal da quota litis, a advocacia americana, por força da solidariedade no lucro que a indemnização punitiva permite, funcionou como o travão preventivo que levou a imprensa daquele país a perceber que as violações dolosas e repetidas têm um preço que não vale a pena cobrar.
Entre nós, foi a condenação do "Público" pelo S.T.J na acção indemnizatória que o Sporting Club de Portugal lhe moveu, que funcionou como o toque a rebate de todo o jornalismo português.
O que então se escreveu, numa campanha a uma só voz, manipulando factos que não estavam na decisão, omitindo outros que lá estavam, foi o começo deste tempo novo por parte de quem percebeu que os conceitos comunitários também vão chegando a Portugal; campanha essa tão sem jeito que o escritor e jornalista Manuel António Pina a denunciou, em 17/04/2007, no Jornal de Notícias num texto arrasador e irrespondível.
É neste contexto que deve ser lido o editorial do "Público" de 27 de Maio.
Saído de um jornal com perda de audiências constantes a ponto de o acantonar ou num pretenso elitismo inconsequente ou num provincianismo sem futuro, com um director à beira de um ataque de nervos e que não teve pejo em apoiar publicamente uma das mais descaradas violações do direito internacional deste século - com tudo isto conjugado, tal editorial assume o carácter inconfundível de um requiem encomendado por uma impunidade que se vai perdendo.
Se fossemos demagógicos sugeríamos um editorial geminado subordinado ao elogio da imprensa americana e à vergonha da nossa.
Mas porque ainda nos lembramos de uma espantosa intervenção de Sousa Franco, em meados da década de noventa, quando defendia que a independência dos tribunais e a independência do jornalismo têm a mesma matriz constitucional, teremos que manter sempre aquele equilíbrio normativo que faz a grandeza das instituições a quem a sociedade confere um poder de regulação constituinte.
Minhas Senhoras e meus Senhores,
É tempo de terminar; porque o colóquio que se segue é atraente que baste e o dia não é tão longo assim quanto se pensa."
Luís António Noronha Nascimento
Lisboa, 3 de Junho de 2009

Uma menina mal educada, mas deputada...

... que faz bem a prova de que a educação tem que levar reformas profundas e, quanto a esta menina mimada e birrenta, com urgentes efeitos retroactivos.
Como se pode ver e ouvir aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ZgqJ79KYMHc

terça-feira, 2 de junho de 2009

Rigor e credibilidade? Pffff!

“O Jornal da Noite de Manuela Moura Guedes tornou-se o alvo preferido dos moralistas do jornalismo. O Jornal das sextas à noite vale o que vale – muito pouco do ponto de vista do rigor e da credibilidade. Mas mais incómodo do que as suas notícias que só vê quem quer são os raspanetes da ERC, cujas sentenças têm tanto valor como as legítimas opiniões de Arons de Carvalho”.
Público de 29-05-09, no sempre surpreendente Sobe e desce, a cargo da direcção, desta vez do adjunto Manuel Carvalho.

Um espanto!

Então, Manuel Carvalho, o Jornal da Noite tem muito pouco do ponto de vista do rigor e da credibilidade, mas apelida de moralistas os que o contestam ou criticam? Mas será que o jornalismo já nada tem a ver com rigor e credibilidade? E aquele argumento de que só vê quem quer significa o quê? Pirou, foi?
Eu sei que a direcção do Público não está muito à-vontade para pôr em causa o Jornal da Noite. Mas não seria melhor disfarçar? Se calhar era… mas como é que depois se dava mais uma bicada no Arons e na ERC? E bicadas, politicamente orientadas como tem feito saber o Provedor do Leitor do Público, é a especialidade do Sobe e desce. Neste caso particular, o que se escreve é também uma tentativa da absolvição do Público. Mas frustrada, que o pecador não se pode auto-absolver, por muito que se arrependa.

domingo, 31 de maio de 2009

Pensamento da noite...

"O meu grande sonho é ser pobre um dia porque ser todos os dias é ... tramado!"

Obrigado, cidadãs!

Há dias, a propósito da sugestão de Vital Moreira quanto à criação de um imposto europeu, ouvi a Miguel Portas isto, quase certo de que transcrevo bem: "... é fazer cair sobre os cidadãos o orçamento comunitário."
Matutei, matutei, e só posso concluir que o orçamento, sendo assim, está a ser alimentado pelas cidadãs.
Que seja, mas espero que não me acusem de estar por conta, para não utilizar o vernáculo mais adequado. É que eu julgava que algum me saía do bolso, mas não, segundo Portas.

A educação, um dente de profundas raízes e a curva de Gauss


No dia da manif dos 50 ou 70 mil – isto parece que está em quarto minguante, apesar da mobilização feita na blogosfera – a SIC-N convidou a sua especialista para a educação. Havia que ouvir quem sabe.
Mas, coitada, desta vez não esteve lá para fazer mais uma reportagem. Tinham acabado de lhe arrancar um dente, deu conta. Dou por certo que isto terá capítulo próprio na próxima reedição do seu best-seller Bilhete de Identidade.
Claro que ela é pela avaliação, nisto não está com os sindicatos, antes mais a favor da curva de Gauss e não sei quê. Ou pensam vocês que ela faz a coisa por menos? Curva de Gauss, registem.
Mudou logo de assunto, mas a curva de Gauss dá um toque de classe.
Mas está tudo errado. Porque isso da avaliação com fichas a preencher, nem pensar. Para a Madame Mónica a avaliação é subjectiva e assim terá que ser. Não é que discorde dela em absoluto, que isso da objectividade, nesta matéria, é coisa do domínio da metafísica. Mas fosse a ministra ou os secretários de estado a afirmá-lo, e teríamos o Nogueira a esgrimir mais que os conhecidos argumentos contra.
Mas, pergunta a entrevistadora – parece que ainda atordoada com a curva de Gauss – será que isto, esta crise, é uma fatalidade?
Que sim, afirma Madame Mónica que invoca para o efeito Afonso Henriques para concluir que a crise tem razões tão profundas como as do dente que lhe tinham arrancado. Por isso é absolutamente pessimista. Aqui nem a curva de Gauss lhe valerá.
Cereja em cima do bolo em que, como regra, se transformam as análises de Dona Mónica: para ela, há uma questão de fundo, de legitimidade. A ministra não foi eleita pelo Parlamento quando, segundo ela, os ministros deveriam ser recrutados entre os deputados eleitos. E fosse assim - deduzo eu - todas as políticas seguiriam sem qualquer contestação legítima. Ministro eleito é que é.
D Mónica não desenvolveu o tema. E foi pena. Aguardemos pela extracção do próximo dente, que não será nenhum do siso. Onde já vão eles!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Vai fermoso mas não seguro...

Estava no programa do Mário Crespo e eram 21.48 quando afirmou que Oliveira e Costa nada responderia na sua audição na AR, considerando-a desnecessária. Oliveira e Costa estava então a responder e continuou a responder, longamente, até às 00.19 horas. Mas António José Seguro tinha já a sua certeza quanto ao desfecho.
E quanto à irrelavância da audição de Oliveira e Costa estava bem acompanhado pelo seu parceiro de debate, José Luís Arnaut. E como se percebe isso, quando anda por lá um conselheiro e um comendador. Mas que maltratados que ficaram!
Mas que a audição vai dar que falar, isso vai. E quem inquiriu está ali na SIC-N a considerar úteis as declarações.
Azar para quem fala antes do tempo e, sobretudo, se arma em bruxo. Apesar do estafado ar institucional do eterno candidato a candidato.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Vade retro!

Quando as coisas correm mal, temos sempre um messias, um salvador. Já foi assim antes, com um não vale e azedo. Esta até me saiu bem.
Larga o Glorioso, pá! Vai à vida.
PS. Já era altura de vir aqui a propósito do maior clube do mundo. Quem estranhava vai reagir, ou não?

domingo, 17 de maio de 2009

Contrapoder ou antipoder? pergunta o Provedor do Leitor do Público

[…] “É certo que o Público tem o direito, e até o dever, de assumir uma atitude de contrapoder, mas neste caso parece estar reunida a massa crítica para se considerar que o jornal passou de uma posição de isenção para um pendor claramente anti-governamental. Verifique-se, por exemplo, que Cavaco Silva apresenta um saldo de 16 notas a favor contra sete negativas e que a principal figura da oposição, Manuela Ferreira Leite, apesar de um balanço negativo (nove a favor e 12 contra), é objecto de uma apreciação muito mais equilibrada, como se, aos olhos dos directores deste jornal (a cargo de quem costuma estar a secção [Sobe e desce]), a líder dos sociais-democráticos fosse, mesmo assim, preferível a Sócrates à frente do governo.
Não viria mal ao mundo, não fora o facto de o Público nunca se ter assumido editorialmente como oposição ao governo, contrariando assim o princípio da ‘relação rigorosa e transparente’ com os leitores que é enunciado no seu estatuto editorial. Estes números mostram que entre os responsáveis da redacção se estabeleceu como politicamente correcto deitar abaixo o executivo, e que uma opinião diferente terá muito mais dificuldade em ver a luz do dia. O provedor não diria que existe uma intenção deliberada nesse sentido, mas que se pode ter instalado um espírito que desemboca nessa consequência. […]
Mas as tendências que se detectam nas notas atribuídas sugerem a possível existência de uma agenda oculta na redacção do Público e que, a bem do contrato do jornal com os leitores, seria bom que se clarificasse. Bastará que não se deixe escapar nenhum deslize e que, em contrapartida, se ignore os aspectos positivos na carreira de uma figura pública para lhe criar uma imagem desfavorável (e deturpada) – aquilo que se designa como ‘ter má imprensa’.Para trás, ficam os padrões da objectividade que muitos órgãos da informação fazem questão, mesmo assim, de continuar a apregoar”. […]
Joaquim Vieira, Provedor do Leitor – Público de 17-05-09
Basta isto de tão claro que é. E de pessoa insuspeita. O que não deve custar a JMF ter que publicar coisas assim...

Nova modalidade olímpica: dar ao dente em Oeiras

Jantar é o ponto alto do centenário do COP (Comité Olímpico Português) ”, titula o Público de 16-05-09. E “não é um jantar qualquer”, afirma o presidente do COP Vicente Moura. Mais: “É um evento que não se pode comparar só a um jantar, do bacalhau com as batatas e o vinho e que também não podemos confundir com o apoio a atletas e aos clubes”, acrescenta o vereador do Turismo Carlos Oliveira (PS).
Por isso a CM de Oeiras contribui com 130 mil euros, vai encomendar monumento ao COP até 500 mil euros, para além da cedência dos jardins do Palácio do Marquês e o necessário apoio logístico.
Pormenor: os convites deverão fazer referência ao presidente da CMO como co-anfitrião da gala que terá mais de 800 convidados.
Veremos quem sobe ao pódio.