quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nos 70 anos do início da 2ª Grande Guerra

Finalmente uma novidade, ao afirmar que confessa estar farto de dizer o que diz desde há muito tempo.
E finalmente eu entendi e tremo, temendo por um futuro começado antes do presente mas que nunca mais chega, nos termos em que o pinta este profeta da desgraça.
Maldito futuro que não se conforma com as previsões há tanto sustentadas. E certamente é o futuro que está errado. Como sempre aconteceu.
Ufa!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Silly season…



Quem escreveu ou mandou que se escrevesse: “o acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”?
Se respondeu Monsieur de La Palisse, quase acertou.
Mas deveria ter tido em atenção que M de La Palisse não foi presidente da república, nem ia de férias com um jipe carregado de diplomas para analisar e promulgar, ou não. Aliás, no tempo de La Palisse, a tropa – ele era militar – andava ainda a cavalo. E parece que nem escreveu coisa alguma.
Mas a La Palisse aconteceu coisa rara: um quarto de hora antes de morrer, ainda estava vivo. E isto, que nunca poderia ter sido afirmado por ele, é que lhe deu fama eterna, sob a forma de lapalissadas.
Outros levam eternidades a dar-se conta disso, de que La Palisse é único, dando origem a grandes confusões sempre que querem passar por meras cópias de quem a história já consagrou há muito.

domingo, 30 de agosto de 2009

"Não se atrevam, não se atrevam, não se atrevam..."


... insiste ali o Xico do Bloco de Esguelha. E confesso que me assusta mais que este leão fotogrado em Port Lligat, na casa do Dali.

Se podia viver sem o Dali?

Claro que sim. Mas a paisagem, sem este ovo, não seria a mesma coisa. Talvez nem a tivesse fotografado.

Universidade de verão...

Ele até viria, para ouvir Santana, Marcelo, a D Manuela. Mas quem lhe tomaria conta dos bichinhos?
E por lá se ficou, no Parque Guell...

Mayor? Então prova...

... pois é preciso dizer a verdade aos portugueses.

Saia o prato da crise!

Foto tirada ali por S Sebastião da Pedreira...

Iberdolizou-se? Mediacapitalizou-se?

Foi delfim de Cunhal e, mais tarde, cardeal e ministro de Guterres. Com desempenhos brilhantes, reconheça-se.
Depois, foi a aquela de que a ética republicana é a que decorre da lei, uma tirada destinada a confortar-se face à sua opção empresarial, altamente contestada para quem acabava de ser ministro e nas áreas em que o foi. E iberdolizou-se…
Em geral, publicamente, tem estado calado sem que nenhum mal venha ao mundo.
Mas decidiu falar, enveredando por uma de comentador. Escolhendo bem o calendário e o tema.
Para ele, ainda membro do PS, o programa do PSD é mais “focado e clarificador” do que o do seu partido. Para ele, na área da política económica o programa do PSD "é mais duro e focado" do que o do PS.
Ainda segundo ele – tido como responsável, segundo os partidos da oposição, particularmente o PSD, pelo desvario despesista da governação de Guterres – “há um limite que decorre da escassez de recursos disponíveis, que torna incomportável a continuação do crescimento da despesa pública”. Coisa que, note-se bem, afirma a propósito das despesas sociais do governo de Sócrates.
Por que raio se terá disponibilizado para esta sacanice? Que temerá, ou que espera que lhe ponham sobre a mesa? Um convite para nova deriva?
Que seja, também de modo clarificador.

Terra que salvou os magos...

Grande é um partido com concelhia, segundo o Público, em Salvaterra de Magos, como é o caso de CDS/PP.
Pequeno é um partido que, para apresentação de candidatos autárquicos a Salvaterra de Magos, se socorre de militantes oriundos e residentes em Famalicão e Porta de Lima, a umas centenas de quilómetros de distância, como também é o caso do CDS/PP. E, tudo o indica, sem conhecimento dos voluntários à força.
Em tempos – frequentador ocasional do parque de campismo de Escaroupim - ouvi a explicação de que o nome da vila se devia ao facto de outrora, nos tempos das perseguições da Santa Inquisição, aquele lugar ter salvado os magos, equiparados a bruxos ou coisas assim, e que ali se refugiaram.
E estava tudo muito bem até esta bela trapalhada, que nem os magos conseguem evitar.
Dará isto para um cartaz como os que vemos por aí? Por exemplo: “Acha bem que, para preencher listas, um partido se socorra das páginas amarelas?”

sábado, 29 de agosto de 2009

Após longo silêncio…

... fica a saber-se que a actuação do PR se pauta por critérios acima dos interesses político- partidários, que são por ele bem conhecidos os graves problemas do país e que em nada contribuirá para a instabilidade política.
Quanto à acusação feita anonimamente por um assessor de Belém sobre escutas ou vigilâncias por parte do Governo… ficamos pelas pautas, pela música, em forma de assobiadela para o lado.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Até que enfim ganhas uma, Mano Pedro!

Isaltava-se com as acusações, porque era homem de morais. Um modelo, do continente, proprietário em Cabo Verde porque, se recusasse o que lhe era oferecido, poderia dar azo a trapalhadas diplomáticas. Um autêntico pingo doce.
Mas foi condenado sem provas, garante. Aliás, ele adianta que ainda não foi, porque recorreu. Agora, as sentenças recorríveis, não valem como condenações. São meros interlúdios… musicais.
Sente-se vítima do sistema, das circunstâncias. Nada mais que um bode respiratório, ainda de cabeça à tona da água, temendo que lha calquem.
Desta vez parece que o Mano Pedro, seu bem conhecido, se esmerou. E, para já, são sete de prisão efectiva e perda de mandato. Com votos que o mandem para o lugar que bem merece. Mas nunca para o Parque dos Poetas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Não havia nexexidade...

No mundo dos negócios, as partes costumam prevenir-se, na fase de negociações, com um acordo de confidencialidade, visando a protecção dos respectivos interesses. Na política, parece que também deve passar a ser assim. Pelo menos com certas pessoas. Menos confiáveis.
No caso em concreto, um interveniente quis apresentar serviço e o outro, aproveitando a ingenuidade daquele, fez questão de apresentar provas de fidelidade a um partido que o afastara de cargos no aparelho. E isso porque, antes, lhe fora ostensivamente infiel.
Estiveram bem um para o outro, com vantagens para um terceiro, um senhor de princípios que, apanhado agora no que se sabe terem serem excessos ao estilo do tal Diácono dos Remédios, prefere dar o caso por encerrado.
Princípios são isso mesmo: manter as acusações a quem nada tinha a ver com o caso. Manter a versão de que o convite também compreendia a oferta de lugares no aparelho do estado. E com um pormenor: insistir que nisto estiveram membros do governo, como se ignorasse que não é com tal capa que se intervém na formulação de convites para uma lista de deputados. Doutro modo, como se poderiam elaborar, no seu partido sem membros do governo, as listas de deputados? Diria o tal diácono que não havia nexexidade.
Já agora: com que valor acrescentado se contava a partir da colaboração de quem, certamente, melhor jus faz ao rótulo de esquerda caviar? Vá lá, sem a cara e os apelidos, que sobraria?
Não havia mesmo qualquer nexexidade.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Merce Cunningham (1919-2009)

"É preciso amar a dança para continuar a dançar. Não nos devolve nada a não ser aquele momento fugaz em que nos sentimos vivos. Não é para almas instáveis."
Merce Cunningham

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Graças a Peter Carey…


… cheguei a esta foto de Annie Leibovitz. Porque tentei saber se Jacques Leibovitz, referido como pintor em “Roubo – Uma História de Amor”, seria mais que uma personagem de ficção. Parece que não é. Mas dei com a realidade de John Lennon e Yoko Ono.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

À atenção da D Manuela...

“É minha convicção profunda que o próximo responsável pelas políticas educativas tem, obrigatoriamente, de assumir as intervenções que enumerei no último artigo se quiser recuperar a confiança dos professores e travar a degradação do sistema de ensino. Aquele elenco de medidas é politicamente incontornável e instrumento primeiro de uma reconstrução imperiosa. Mas deve ser complementado com uma acção segura de envolvimento da sociedade, num debate social sobre a missão da escola de massas e sobre o significado e pertinência de alguns conceitos que a condicionam definitivamente.”
Santana Castilho, Público de 22-07-09.

Uuuuuuufa!, acrescento eu.
Gosto de pessoas modestas, como é o caso. Por outro lado, atesto por minha honra que este Santana é perito em degradações e mestre trolha em reconstrução, com pastilhas dos travões substituídas semanalmente. E pessoa envolvente e pertinente, definitivamente condicionado, mas isso é um pormenor que, aliás, lhe assenta bem.
Não o considerar como porta-voz ou membro do gabinete sombra seria uma grande injustiça. E, se der para a desgraça, espero que seja o ministro da pasta das escolas de massas. Seria menos uma maçada, na leitura do Público.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Custo da militância política a suportar por todos?


Acordo no "Público" trava despedimento colectivo
2009-07-18
A Administração do "Público" anunciou ontem que 167 trabalhadores (equivalente a 92%) concordaram com a redução de salário, evitando assim o despedimento colectivo que, apesar dos gestores nunca o terem oficialmente reconhecido, pairava sobre o diário.
Mas em comunicado aos funcionários, a que o JN teve acesso, a Administração congratula-se com o acordo e diz que "esta medida permitirá uma partilha de esforços e evita uma redução de postos de trabalho".
No texto colocado no site do jornal da Sonaecom, explica-se que as reduções entre 3% a 12% vão vigorar por um ano, e que em 2008 o "Público" registou um prejuízo de quatro milhões de euros. Na segunda-feira prosseguem as negociações sobre a redacção final do acordo, que substituirá os documentos já assinados.
"Boa parte dos trabalhadores assinou ou comprometeu-se a assinar o acordo por ter a garantia da Administração em relação a algumas questões acertadas mas que ainda não estão colocadas por escrito", diz por seu lado a Comissão de Trabalhadores.
Recorde-se que na última quarta-feira, a Administração lançou um ultimato aos mais de 200 trablahadores: se 90% não aceitasse a proposta, a administração ficaria "mandatada pelo accionista para apresentar um plano alternativo de redução de custos com o pessoal".
Jornal de Notícias, online

Preconceito ou falta de jeito?

“O Governo anunciou mais de 38 mil vagas para o ensino profissional no próximo ano lectivo. Apesar do reforço, o país continua longe da realidade europeia. E tudo indica que uma parte significativa dos cursos a abrir se limite a aulas de fachada onde se acumulam alunos com dificuldades. Seja como for, é óbvio que o ensino profissional se tornou numa aposta.”
Duvidam disto?
Pois trata-se de texto no “Sobe e desce” do Público de 15-07-09, com – aleluia! – seta para cima e foto de M Lurdes Rodrigues, texto que remete para a página 11 da mesma edição.
Ora, seta para cima para aulas de fachada? Aulas de fachada numa aposta quanto ao ensino profissional?
Mas pegue-se no texto da página 11 e numa lupa, a melhor possível. Donde resultam, na notícia, as aulas de fachada? Se não é preconceito, é o quê? Apenas falta de jeito?


É preciso ter lata, muita lata…


(…)“Esta insensibilidade da ministra foi afinal a origem da sua tragédia política. Sabendo-se que uma avaliação a sério, com critérios, quotas para os mais profissionais ou mais talentosos, metodologias, etc. seria sempre rejeitada pelas áreas mais conservadoras ou retrógradas da docência, restava ao ministério um caminho: estabelecer alianças com os professores que, em surdina, se queixam da falta de exigência e do laxismo que grassam em tantas salas de aula do país. “ (…)
Público de 18-07-09, editorial de Manuel Carvalho
Quem acompanhou a matéria neste jornal consegue dizer-me quando é que foram denunciados a falta de exigência e o laxismo de que agora se fala? Se se entendia ser necessário dar voz aos professores que disso se queixam, que espaço lhes foi reservado pelo Público que, pelo contrário, foi o permanente porta-voz de Nogueiras, Santanas Carrilhos e outros que tais?
Quando é que, como agora, a direcção editorial do Público os teve no sítio para escrever o que agora escreve?
Se o descaramento borrasse, o Público ficaria ilegível.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Toca bem...

E, a teres que me lixar, prefiro que toques mal.

Saída de leão...

Ponce de Leão foi substituído como presidente do Instituto da Construção e do Imobiliário, não sei se no seguimento do tal ajuste directo com a Microsoft, com os badalados trabalhos a mais, porque primeiro se adjudica e depois é que se contratualiza e, parece, mal.
E deu e entrevista da praxe ao Público. Elucidativa.

Sobre a reestruturação, afirma Ponce de Leão:
No despacho de nomeação do novo presidente, o Ministério de Obras Públicas diz que vai avançar a reestruturação. Mas, o que é que esteve a ser feito até agora? Foi feita uma reestruturação e essa está paga. Foi executada na perspectiva de uma rápida informatização do instituto. Quando foi pensada, não teve a nossa concordância global, porque entendemos que, para além de pressupostos errados, devia levar o seu tempo a consolidar e não se coadunava com os objectivos repentistas e repentinos do programa Simplex, que coloca a importância no número e na propaganda, e não na pessoa.”

É de leão! O que não se deve sofrer a desempenhar um lugar destes. Mas por que se insiste nisso quando as divergências são deste calibre?

Mais adiante, sobre a orientação do governo, explana o ex-presidente:
Como disse, a nossa relação com o sector foi aberta e transparente. O instituto tinha uma ideia global do sector, e eu não encontrei no Governo uma única ideia para uma política de presente ou de futuro para o sector. (…) Por exemplo, fizemos a revisão da lei dos alvarás, que foi aceite como uma boa revisão (Pergunto eu: por um governo sem uma única ideia para o sector?). Quatro anos depois, aceito que deva começar a ser revista. Mas não tivemos qualquer orientação sobre como fazer…Há rumores de que uma nova lei está a ser feita num escritório de advogados e uma consulting elaborou estudos pagos pela Secretaria de Estado. Mas nunca o instituto regulador foi ouvido na matéria. Se isto não é esvaziar o InCI…”

Deve ser, claro. Se não foi ouvido, está-se a esvaziar quem se limita a esperar ser ouvido. Se a lei carece de revisão, e se já antes se tinha feito uma lei tão gabada, porque se não toma a iniciativa de elaborar uma proposta de revisão? Quem é pressuposto saber da poda, espera que lhe dêem orientações na matéria?
Mas está bem. Se houver mudanças no Outono, não esqueçam o senhor, porque amor com amor se paga. Mas que se cuide quem o acolher, com estas saídas de leão.

Ai a tola!

Escrevem Lucinda Canelas e Natália Faria que no livro “Amor” do brasileiro André Sant’Anna se destacam expressões como “o sol secando o fedor do povo” e “o pau do ayatollah do Irão”.
E isto foi notícia porque o TNSC chegou a cancelar um espectáculo baseado naquele livro, por o considerar pouco ou nada adequado para uma exibição aberta a toda a gente.
Mas terá sido por causa do fedor? Ou por causa do pau que, certamente, qualquer ayatollah é pressuposto ter?
E que não falte pau para uma boa paulada a quem escreve “Há uma 1h00 da manhã de ontem…”.
Público, 20-07-09

domingo, 5 de julho de 2009

Vou ali e já volto... daqui a uma semana

S Miguel - Açores

Tentou-me e não me enganou...

Não estava perdida, porque sabia que andava por ali, com outras mais. Não sei o ano, mas é do tempo em que os suaves 12 graus ainda estavam na moda. Quando ainda se usava o escudo. Pouco mais que 50 cêntimos hoje.
A rolha tinha cedido, mas não conspurcou o conteúdo. Abri a medo. E não sobrou nada. Porque a excelência é rara e, no caso, infelizmente, efémera.
Foi o caso. Foi-se…

sábado, 4 de julho de 2009

Basta!

Em 2006 fixou-se no Brasil e afirmou “Vim para o Brasil para me salvar dos malefícios que Portugal me estava a fazer…”. Tratava-se de “descansar de Portugal” e, à distância, continuaria a trabalhar com Belgais, o que poderia fazer mesmo “sem gostar de Portugal”.
Na altura, recordo, não conseguia explicar a aplicação de fundos públicos obtidos para o seu projecto de Belgais. Constava-se que a sua gestão era confusa e merecedora de todas as reservas. Mas teria que se aceitar que fosse assim, chantageando. Não foi bonito.
Volta agora com a ameaça de renunciar à nacionalidade portuguesa, quando já tem a brasileira, situação que a própria filha diz desconhecer.
E que há de novo agora? Maria João Pires, ainda que não refira os casos mais recentes – arresto de bens por alegadas dívidas a funcionários da Escola da Mata, dirigida pela sua filha – parece exigir que a lei não lhe seja aplicada. Que possa estar acima dela.
Por mim, fica autorizada a renunciar à nacionalidade. Aliás, a ameaça deveria, por si só, dar registo à renúncia.
Eu – porque agora já é demais - renuncio à lufa-lufa para conseguir bilhetes para os seus concertos. Ficam os discos.


Era tão pura, tão pura, tão ingénua, tão ingénua...

Os apartes são regimentais, mas permitidos apenas aos ilustres deputados. Se são eleitos, a tudo se podem permitir. Em nome de quem entendem representar?
Mas não resisto, ouvindo e vendo esta carinha de anjo – para quem a Coreia do Norte é uma democracia – a recordar uma brincadeira, como a daquela menina que era tão pura, tão pura, mas tão pura e tão ingénua… que até julgava que desabrochar era tirar a pilinha da boca.
Ó meu… quanto ao cheque, vai até Aljustrel falar com o Vairinhos.
E das duas uma: ou tens razão, ou não. Se tens, mete já um requerimento para a criação de mais uma comissão de inquérito – ao cheque de 5.000 euros da EDP - e indica o Honório para presidente. Porque experiência não falta ao Novo.
Ver aqui a excelsa candura de um representante do povo http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Bernardino-Soares-afirma-que-nao-provocou-Manuel-Pinho.rtp&headline=20&visual=9&tm=9&article=230361

Mostra o cheque, Bernardino, ou levas xeque-mate, camarada!

Aljustrense: Manuel Pinho «nunca deu cheque» ao clube

O clube de futebol de Aljustrel nunca recebeu dinheiro do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, garantiu hoje à Rádio Renascença o presidente da administração do Aljustrense.
Heldér Vairinhos, dirigente daquele clube, quer repor a verdade e explica que «o que houve foi um patrocínio da EDP, em material desportivo».
O Sporting Clube Mineiro Aljustrense não recebeu qualquer cheque da EDP e muito menos entregue por Manuel Pinho, esclarece.
A polémica em torno deste assunto começou em Fevereiro e esteve agora na origem do gesto que resultou na demissão do ministro da Economia, depois de a questão ter sido levantada de novo na sexta-feira à noite pelo deputado do PCP, Bernardino Soares.

Controlo da coutada em perigo?


Bernardino Soares, pela sua boca, deu conta do aparte que exasperou Pinho. Insistia em saber em que qualidade Pinho procedeu à entrega de um cheque da EDP no valor de 5.000 euros a um clube de Aljustrel: se como ministro, se como cidadão, se como porta-voz de uma empresa privada. Porque quanto a Aljustrel, no que respeitas às suas minas, o ministro ter-se-ia limitado a ir lá para deixar tal cheque.
A questão é magna mas, a ser comigo, eu teria pedido ao seu colega parlamentar José Eduardo Martins que lhe respondesse por mim, nos termos conhecidos noutra cena parlamentar. Sobretudo porque começaria por me sentir ofendido com essa de porta-voz da EDP.
Mas o caso complicou-se com as declarações de dirigente de tal clube, feitas ao Telejornal da RTP1 de03-07-09, negando a existência de qualquer cheque, porque o apoio ao clube, segundo o mesmo dirigente, se traduziu na oferta de equipamento desportivo pela EDP.
Claro que a questão não está num cheque que, pelos vistos, não existe. O que dói é que um clube de uma vila considerada uma coutada, tenha ousado relacionar-se com um ministro, a quem terá prometido a oferta de uma camisola e, parece, pedido a sua intervenção no sentido de serem conseguidos apoios. E o que o ministro tenha ousado comparecer num jogo de futebol onde foi bem recebido. Porque o que dói, no caso, é a constação de que há quem prefira estar mais próximo de quem tem soluções ou por elas se bate, do que daqueles que utilizam os mais humildes ou necessitados como carne para canhão.

A matemática elementar, segundo o Público…


… consabidamente um jornal de referência.
Título
“Minas de Aljustrel – Apenas 134 funcionários trabalham para as Pirites Alentejanas”
Final da crónica
“Actualmente, além dos 132 trabalhadores afectos à Pirites Alentejanas, trabalham mais 107 pessoas nas Minas de Aljustrel, ligadas a empresas externas como a Securitas e a Climex, o que perfaz um total de 239 trabalhadores. No entanto, estes últimos não são mineiros, mas sim empreiteiros, projectistas e consultores.”
Edição de 04-07-09

E, deste modo, se pretende contrariar a afirmação de Pinho quanto aos 230 postos de trabalho nas Minas de Aljustrel. Para o Público apenas contam os mineiros. Quem não manuseia picareta não conta. Que isto de minas é só picar, picar, picar…
Imaginemos agora o fecho das minas: quantos ficam no desemprego? Apenas os 134 – ou 132 que, entre o título e o texto citado, perderam-se dois trabalhadores pelo caminho - ou os 239?
Ou, então, quantos postos de trabalho directos, mesmo que em outsourcing, estão justificados pela laboração das Minas de Aljustrel? Apenas os 134 ou 132, ou serão 239 ?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A vantagem de ser deputado...

... de deputado para deputado... "vai pró c..."

... de deputado (o mesmo) para o PM... "palhaço"

... de deputada para ministra...

Mas, para a profanação do órgão de soberania, apenas contará o gesto de Pinho.
E quanto o gesto de Pinho delicia Crespo em profunda análise com outro insuspeito, o inefável José Gil, no seu programa das nove.

O gesto foi tudo…

E o Ministro da Economia caiu. O gesto foi mesmo lastimável, mas teve uma vantagem: a de se poder ouvir tanta virgem púdica com ouvidos moucos a “vai pró caralho” e “filho da puta” que a história recente da AR também regista quanto a um deputado do PSD que assim se dirigia a deputado do PS.
Mas órgão de soberania é isto: faz de deputados uns soberanos, apenas pelo facto de o serem.
E isto logo a seguir a uma brilhante entrevista de Manuel Pinho passada ontem na SIC N. De um ministro voluntarioso, cordato, de quem apenas as gaffes eram objecto de "sérias" análises políticas.

"Um estranho caso", escreve Vasco, o Pulido, o Valente

“Mas de repente começaram a correr rumores (confirmados por jornais de referência) de que a PT iria comprar uma parte da Media Capital. E mais: que um dos principais fins do exercício era demitir José Eduardo Moniz, para eliminar o programa de Manuela Moura Guedes. Não havia provas públicas da veracidade destes rumores. Só que a mudança de atitude do primeiro-ministro (agora aparentemente a favor da operação) não sossegava ninguém, num ano eleitoral e durante uma campanha particularmente azeda”.
Público de 27-06-09

Ó Vasco!
Rumores confirmados por jornais de referência são mais que rumores, como se objecto de um crisma de tais jornais? E então o Moniz não tinha, antes, tentado uma candidatura a presidente do SLB? E este não veio a declarar que o negócio em causa era favorável à Média Capital? E Alberto João Jardim não gozou com o facto de, a ser verdade, se pretender, em tão pouco tempo, condicionar a TVI para as campanhas que aí vêm?
Mas, Vasco, a campanha vai ser particularmente azeda? Temos Vasco como candidato?
No final da crónica Vasco escreve:
“Os portugueses não são uma audiência inerme e muda, que o eng. Sócrates, quando lhe convém, se dá ao luxo de ignorar.”
E isto surpreende, porque jamais se esperaria de Vasco postura tão optimista quantos aos seus concidadãos. Vasco passou-se, definitivamente. Será da gripe?
Felizmente o negócio gorou-se, sobretudo para os “Contemporâneos” que nos deliciam com bonecos como este http://www.youtube.com/watch?v=AwJ2MLiekQE
Por isso voltaremos a ter Vasco e Manuela. Quem pode passar sem este humor, num país de tanto Vasco azedo?


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Inquérito ao BPN. Que há de novo?


Pelo menos isto, de pessoa insuspeita quanto a simpatias pelo PS e seu governo...
“Foi vice-governador do Banco de Portugal. Como avalia as críticas à instituição e a comissão de inquérito da AR sobre o BPN?
“Acho que é o exemplo típico do populismo. A maior parte das pessoas não sabe o que é um banco, o que é a supervisão, atira números misturando alhos com bugalhos… Foi um fórum de demagogia, com raras excepções. Fico triste, do ponto de vista da nossa democracia, não a existência da comissão mas o trabalho e a forma como o desenvolveu. Não é assim que se fazem as audições nos Estados Unidos. Sobre a actuação do Banco de Portugal, são dois casos muito diferentes. No BPP, o problema tem sobretudo a ver com a CMVM. Como, aliás, já tinha sido, no fundamental, o caso do BCP.
No caso do BPN, é um caso de fraude, de polícia. Foi feita uma ocultação deliberada do ponto de vista das instituições que têm que certificar contas e fazer auditorias. No fim da linha está o Banco de Portugal, que foi fazendo perguntas até descobrir a verdade.”
Entrevista a Campos e Cunha, Público de 27-06-09
E, de facto, quem seguiu a audição de cerca de 16 horas a Victor Constâncio percebeu bem o magno objectivo da comissão parlamentar de inquérito: a demissão do governador do Banco de Portugal. Isso sim, seria a cereja em cimo do bolo, porque foi mesmo o objectivo mais perseguido por Nuno Melo, Honório Novo e João Semedo, por entre simpatias patenteadas para com diversos prevaricadores ouvidos, prevaricadores confessos.
Ali ao lado, no programa do Mário Crespo, entre outras coisas, Honório Novo acaba de fazer referência a uma ameaça de Constâncio, afirmando que este, percebendo bem os objectivos dos inquiridores – e quem nem os percebeu? – daria uma conferência de imprensa, logo que conhecido o relatório final.
Eu ouvi – porque também ouvi - Constâncio dizer que não ficaria calado, mas sem menção a qualquer conferência de imprensa. Mas conferência de imprensa ou outra coisa, não é legítimo que reaja, dizendo, pelo menos, o que consta ali acima?
Sabemos que houve tempos em que tal não seria possível, nem legítimo. Mas isso, Honório, já lá vai. Há muito que já não é assim. Mas há tiques que ficam.

Viva Pina Bausch!

Pina Bausch - Masurca de Fogo
"O que faço não é uma arte nem uma ciência, é a vida." Pina Bausch

Há dias de sorte...


... afirma o cego para nos convencer a comprar a sua lotaria. E foi o caso, quando o primeiro, abdicando, deu o lugar ao segundo. É que o primeiro vai bem - para quem goste - como comentador e cronista. Mesmo se confuso no que diz, fugindo ao que se lhe pergunta. Como ontem na SIC N. Olha se tem sido apanhado, na qualidade de ministro, pela crise.
Há mesmo dias de sorte...


Valha-me o Galo de Barcelos...

Heloísa Apolónia
... galo ali ao lado da minha TV, em quadro do João Ribeiro, que espero me permitirá o tenha por mais adequado para a cavalgada de tanto populismo e demagogia, nesta interpelação de hoje ao ministro de Estado e das Finanças. Porque há quem não mereça um cavalo, nem uma pileca.
Mas pobre galo... coitado do galo.

Viva Pina Bausch!

"Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficamos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido; mas são os espectadores que têm de o descobrir, se não tudo seria tosco e grosseiro; são vocês que têm de o descobrir, eu não posso proceder demasiado directamente. Frente a certos valores, é preciso, acima de tudo, sensibilidade."
Pina Bausch

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coco Chanel

Com ela a roupa feminina, de muito mais prática, tornou mais fácil o acto de vestir. Já agora: também o de despir.
E está aí o relato de parte da sua vida. A fase Coco, especialmente caracterizada pela criação dos seus inovadores chapéus. Também a do grande e, parece, único amor da sua vida: Arthur Boyle que, no entanto, casou com outra e morreu cedo de acidente de automóvel. Mas foi quem financiou a sua entrada no campo da moda.
Isto e mais em “Coco avant Chanel” ou“Coco antes de Chanel”, com Audrey Tautou, a mesma de “O Fabuloso Destino de Amélie”. E parece que foi esta Amélie que me puxou para ver Coco Chanel.

sábado, 13 de junho de 2009

Antes ser coveiro que ir para a cova

O Presidente da CM de Beja ficou estupefacto por ter havido 12 candidatos a um lugar de coveiro no cemitério da cidade, posto que tem por pouco aliciante, tanto em termos remuneratórios como profissionais.
Parece-me que não lhe fica bem desconsiderar, nos termos em que o fez, uma profissão que já vem do tempo em que a vida eterna foi chão que deu uvas. De qualquer modo, se está preocupado com o facto de ser pouco aliciante, bem pode puxar os cordões à bolsa e passar a pagar melhor. E, como termo de carreira, talvez atribuir ao coveiro, xis anos passados, a promoção automática a presidente da CM, passando este a desempenhar o lugar de coveiro.

Presidente, meta as sondagens na ordem!

Portas, o Paulo, vai fazer queixa ao PR das sondagens, informa o Público de 12-05-09. Porque são uma viciação da vontade eleitoral. E, quanto aos danos provocados ao CDS – quais foram? – pergunta quem vai compensar o seu partido.
Eu gostava mesmo de ser mosca para estar lá, moscamente ou anonimamente, pouco importa. Para ver a cara de Portas, o Paulo, caso o PR lhe lembrasse as patifarias do Independente no consulado cavaquista.
Boas eram outras sondagens, que até davam direito a Jaguares, lá num centro da Moderna.
Já agora: a indignação de Porta, o Paulo, foi manifestada na segunda visita à Feira Nacional da Agricultura. Onde a CAP acaba de fazer apelo a voto contra o PS. Mas isto, juro, não merecerá qualquer objecção a Portas, o Paulo. Isto não é influenciar a vontade do eleitorado, por parte de quem não vai a jogo nas eleições. Feiras são feiras. E disso sabe o Paulinho das ditas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pancho Guedes

Era o sol, as sardinhas, o Beira-Mar branco num frappé. Sobre a praia, a Grande. E a curiosidade da T, quanto a livro que na mesa em frente era folheado. Livro que tinha mesmo a ver com a obra de Pancho Guedes, aliás, Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes. E lá se ficou a saber da sua ligação a Eugaria, ali ao pé. Onde, confirmou-se, tem esta casa, a dois passos da Casa da Loja, local de afectos. E ainda uma outra. Mas esta é que vai bem com um arquitecto bizarro, contra-corrente, um modernista antes dos modernistas, como alguém escreveu.
Agora há que conhecê-lo melhor aqui.

Hoje é a noite, amanhã é o dia...

E cada qual que escolha o seu...

Antes a morte que tal sorte...


quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Pátria e os titulares dos seus mais fundamentais valores

“No dia da Pátria, Cavaco Silva, na sua qualidade de Chefe de Estado e de comandante supremo das Forças Armadas, dirigiu-se aos militares, e bem, já que é a eles que deve ser exigido incorporarem no mais elevado grau os valores que nos caracterizam como portugueses e que estão na base de podermos salvaguardar a nossa independência quando ela perigar”, escreve o General Loureiro dos Santos no Público de 11-05-09.
Mais uma corporação com valores no mais elevado grau e que, no caso, são a garantia da salvaguarda da independência quando ela perigar. Mais uns ungidos do Senhor, perceba-se lá por que razão. Seria uma sociedade militarizada, ou de militares, a ideal?
No mesma cidade onde decorreram as cerimónias do 10 de Junho – agora com cunho militar, pois, recorda o Público, o PR reintroduziu as paradas a cujas tropas passa revista em pé, num jipe – não poderia ser esquecido Salgueiro Maia. Daria muito nas vistas. Por isso foi lembrado com uma homenagem, mas “envergonhada, tímida e sem chama”, segundo afirmou o seu biógrafo.
Mas nada que admire se recordamos a recusa da concessão de uma pensão, por "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país", àquele militar de Abril. Por um governo de Cavaco Silva que, há ainda que recordar, atribuiu pensões a ex-pides. Há valores e valores.

Bonés há muitos…

... e para mim tanto se me dá. Já tenho que cheguem.
O que me incomoda é ver o que se esconde por debaixo de um boné, de uma farda. Aqueles esgares, aquela fúria de muitos que somos obrigados a reconhecer como autoridades, respeitáveis autoridades. Que, aliás, exigem ser respeitadas, muito respeitadas.
Descobrir que numa autoridade o essencial é um boné e uma farda é que dá que pensar. Porque o resto era de arrepiar naquela manifestação.
E quando bonés há muitos e fardas também, é caso para temer o pior. Por ser admissível ver vulgarizado o que seja a autoridade, a partir dos seu próprios agentes. Como aqueles o fizeram, uns valentes com eles no sítio, naquelas circunstâncias, duvidando que noutras.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Acusação nas vésperas das europeias, desculpas depois...

Investigadores admitem erro
Ministério Público atribuiu ao mandato de Sampaio casos do executivo de Abecassis

08.06.2009 - 11h39 Lusa
A equipa que investigou a entrega de casas pela Câmara de Lisboa a famílias carenciadas atribuiu de forma errada ao mandato de Jorge Sampaio casos do executivo liderado por Kruz Abecassis, revela uma nota enviada à Lusa.De acordo com uma informação da Unidade de Investigação Especial, os casos imputados ao mandato de Jorge Sampaio dizem respeito a casas atribuídas a 16 de Janeiro de 1990, quando o ex-presidente da autarquia tomou posse apenas no dia 22. “O mandato do Dr. Jorge Sampaio é cronologicamente limitado de 1989 a 1995, sendo certo que este só tomou posse a 22.01.90”, pode ler-se na nota enviada à Lusa, assinado pela procuradora Glória Alves e que acrescenta que foi apresentado um pedido formal de desculpas a Jorge Sampaio. “Atendendo que se trata de um lapso material relativo a factos cujo procedimento criminal se encontra prescrito, que não foram investigados e que não foram alvo de imputação subjectiva de responsabilidade criminal, procedeu-se à sua eliminação”, acrescenta a nota. A referência aos indícios de abuso de poder na atribuição de casas municipais no tempo do mandato de Jorge Sampaio foi feita no despacho de arquivamento tornado público na passada quinta-feira. Na ocasião, Jorge Sampaio reagiu acusando o Ministério Público de deslealdade e disse muito o espantar que o MP se pronunciasse agora, “inutilmente, sobre factos de há mais de 13 anos”. (...).

Pois é. E quantos reterão, para memória futura, o pedido de desculpas quanto a uma notícia que fez manchetes nos jornais? Se os casos estavam prescritos, não bastaria dar conta disso? Para quê imputá-los nominalmente se deles não poderiam decorrer consequências?

E, no entanto, isto evitava-se com mera consulta ao calendário, olhando datas.

O timing, para a acusação e para as desculpas, deve ser mero pormenor.