sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nelita e Jerónimo

Há que tributar fortemente os lucros, afirmava ele.
Que não, porque a taxa de 42% já é excessiva e que, com taxas elevadas, ninguém investe, retorquia a Nelita. E por quatro vezes se ouviu afirmar ser 42% a taxa sobre os lucros das empresas, quando essa é a taxa máxima do IRS.
Jerónimo não aproveitou a gafe (?) da Nelita ou, sabe-se lá, também não saberia que a taxa máxima do IRC é de apenas 25%.

Os alinhamentos…

As autoridades inglesas têm provas que confirmam o pagamento de “luvas” no âmbito do licenciamento do outlet de Alcochete, noticiou ontem o Correio da Manhã.
Ainda segundo o Correio da Manhã, não foram recolhidos movimentos suspeitos nem sobre José Sócrates nem sobre os seus familiares
. (…)”
E onde se pode ler isto?
Numa coluna à esquerda e ao fundo de uma página par do Público de 09-09-2009.
E isto faz-me lembrar a ira do Pacheco Pereira contra os alinhamentos da RTP. Pacheco, que escreve no Público, não deve ter reparado nisto. Nunca repararia. O Público, fosse outra a conclusão, teria isto na primeira página, caixa alta.
E, já agora: o Público tinha antes abordado o caso na sua edição on-line, omitindo o que respeitava a Sócrates. E ainda: de forma conveniente, ninguém quis subscrever a notícia no Público. Cerejo e quejandos devem estar ainda de férias.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não quero que vos falte nada… menos ainda os milagres a céu aberto



Por isso dou conta aqui do que consta de uma isca de papel que me foi dada à entrada de uma estação do metro, hoje.
É que está marcada, para o dia 19 de Setembro, a cruzada de poder e milagres a céu aberto” (sic), na Fonte Luminosa – Alameda – Lisboa.
Como aperitivo, lê-se em tal isca de papel “A sua vida e a dos seus familiares tem sido atingida por: toxicodependência, doenças incuráveis, desejo de suicídio, alcoolismo, depressão, discussões constantes, infidelidade, desunião, falta de amor…”. As reticências dão para o que se queira acrescentar. Recorra à imaginação, à sua experiência de vida.
E é para combater tais males que é anunciada a tal cruzada.
Pormenor delicioso é que se escreve, no final da isca de papel “Escreva no verso deste folheto qual o milagre que você deseja para a sua vida e traga neste dia, onde milagres e maravilhas acontecerão”.
Milagres a pedido – mas atenção que não estão garantidos – só mesmo nesta cruzada.
E quem assina? Claro: a Universal Igreja do Reino de Deus, Deus que não terá sido ouvido nem achado, pelo que nisto não se vê que assuma qualquer responsabilidade.
Toca agora a agendar, a menos que já se dispensem os milagres, à distância de um clique, à escolha do beneficiário e a céu aberto. Quanto a este, nada se informa sobre as condições meteorológicas, não vá registar-se milagre que trame as previsões.
Boa sorte!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cooperação estratégica?

O supremo magistrado, sobre o que se diziam ser escutas feitas pelo governo aos seus assessores, preferiu despachar o caso com a afirmação de que não está interessado em que se desviem as atenções dos sérios problemas do país.
Para ele, haver ou não escutas, é coisa de somenos.
Quanto ao afastamento da Manuela Moura Guedes, já se mostrou preocupado na defesa de uma das conquistas do 25 de Abril, a liberdade de expressão ou de informação.
Ora, Cavaco tem obrigação de conhecer os temas – escutas e liberdade de expressão e informação – bem antes do 25 de Abril, época em que nada se conhece sobre as posições que sobre elas teria, embora se desconfie.
Agora, as escutas são desvalorizadas, porque não tem a coragem de as desmentir e proceder em conformidade, puxando as orelhas aos assessores. Mas não só: sabe em que sentido o mal foi feito e faz uma opção muito clara, preferindo deixar a dúvida instalada.
Quanto à defesa da liberdade de expressão ou de informação, nos termos e contexto em que o fez, apontou igualmente para o mesmo sítio. Também aqui como se pudesse invocar pergaminhos superiores aos de tantos que nada por elas fizeram no passado.

Nada como dizer a verdade…

“É um dos maiores atentados à liberdade de informação em Portugal depois do 25 de Abril”
disse Aguiar-Branco, segundo cita o Público.
E diz bem: “um dos”. Porque há, pelo menos, o caso ocorrido com Marcelo Rebelo de Sousa, envolvendo também a administração da TVI de então, e que é do seu tempo de ministro da Justiça de Santana Lopes. Quanto a este caso, dúvidas não existem sobre a pressão do governo santanista para que se corresse com Marcelo.
Na altura, como todos recordarão – embora a história o não registe - Aguiar-Branco esteve contra aquele atentado, com a mesma cara de pessoa séria e tom grave que agora exibe. Já então apenas a verdade o guiava.


domingo, 6 de setembro de 2009

“Chegou a Hora da Verdade” (cartaz do PSD)


Pedro Santana Lopes era orador convidado na convenção nacional autárquica do PSD. Mas faltou.
Foi devido a um problema que teve. Tem a ver com a agenda de campanha dele. Não há leitura política nenhuma a fazer. Problemas de agenda, apenas”, afirmou Castro Almeida, coordenador autárquico do PSD.
Que raio de coordenador é este que convida e inscreve como orador quem não está disponível? E foi isso? Verdade?
A presidente do partido também não foi ao Chão da Ladeira porque engripou, e logo naquele dia. Gripe que também só engoliu quem quis.


Como ir ao Mundial da África do Sul sem um milagre?


“O Ronaldo não é bom na cama. Tem um órgão sexual pequenino e nunca chegava à quarta vez. Deixava-se dormir”.
Isto afirmou Nereida Gallardo ao programa espanhol “Donde estás corazón”, onde compareceu a troco de uns míseros 100 mil euros e, ao que parece, depois de Ronaldo a ter desprezado à entrada de uma discoteca em Palma de Maiorca.
Que tem isto a ver com a ida ao Mundial da África do Sul? Talvez muito, ou não doessem os murros no ego com isso de não se ser bom na cama e de se ter um órgão sexual pequenino. Depois, se se exigem quatro ou mais na cama aos nossos seleccionados, que sobra para, no campo, levar de vencida os adversários?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os efeitos placebo dos códigos deontológicos, a começar pelo meu

Um dia, decidi estabelecer um código deontológico para mim mesmo. Não sou menos que os outros.
No seu ponto primeiro impus a mim mesmo isto: “Não utilizarei palavrões”.
Eis que, no entanto, quando nada mais me ocorria que escrever, em certa circunstância, “estou-me cagando para o assunto”, dou com a palavra cagando sublinhada a encarnado.
Olá! Que será isto? Meditei, meditei e dei comigo a concluir que estava a infringir o meu código deontológico. Mas porra, só aquela frase fazia sentido. Mas que é isto? Tenho porra também sublinhada a encarnado.
Espera lá!
E se me acomodar com a lei, será que esta me proíbe o cagando e a porra?
Maravilha!
Depois de tanto consultar verifico ter a lei do meu lado, não me proibindo o uso de palavrões.
Sendo assim, como não seguir a tal tirada do Pina Moura quando afirmou que para ele a ética republicana é a lei?
E foi assim que passei a cagar-me para o meu código deontológico. E se nem sou jornalista ou coisa assim, para que estar preocupado com certas limitações?
Ah! Mas mantenho o código em vigor, que isso dá prestígio. Não vou prescindir do meu código, tomem nota.
De facto, o Presidente do Sindicato dos Jornalistas afirma estar à-vontade para contestar a decisão da administração da TVI porque, antes, condenou a MMG por comportamento nada condizente com o estatuto deontológico dos jornalistas.
Ora, se tais condenações não têm consequências, se é possível continuar a exercer a actividade com permanentes infracções ao código, porque não me cagar eu também para o meu, ainda que insista em mantê-lo em vigor?
E vou mantê-lo mesmo. Que gente coisa é outra fina.

Código quê? Isso é para jornalistas, eu sou a MMG!


Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses

Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional. O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.
1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.
2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.
3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.
4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.
5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.
6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.
7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.
8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.
9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.
10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

Nada como lembrar, sobretudo ao Presidente do Sindicato

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera reprovável o desempenho da jornalista Manuela Moura Guedes na condução do "Jornal Nacional - 6ª", na sequência da discussão que a apresentadora teve em directo com o bastonário da Ordem dos Advogados.
"Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável", afirmou o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, em declarações à Lusa."O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional - 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão", refere o órgão em comunicado hoje divulgado. Numa reunião realizada hoje, os membros do CD analisaram a emissão de 22 de Maio do "Jornal Nacional", em que a jornalista Manuela Moura Guedes e o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, tiveram uma discussão em directo. "Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores", explicou Orlando César.Os membros do CD analisaram, de acordo com o presidente, "questões de profissionalismo e aspectos éticos da profissão, o que deve ser a função de quem é pivot de um telejornal". "Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade", refere o comunicado, acrescentando ainda que "os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de 'entertainer' ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias". Para os membros do CD, os jornalistas que conduzem telejornais, "devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação".Na nota, o CD sublinha ainda que os jornalistas "não podem substituir a acutilância pela agressividade", e devem "permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas".
A Lusa tentou obter uma reacção da jornalista que apresenta o Jornal Nacional de 6ª, mas até ao momento tal não foi possível.
Notícia publicada pela Agência Lusa

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nos 70 anos do início da 2ª Grande Guerra

Finalmente uma novidade, ao afirmar que confessa estar farto de dizer o que diz desde há muito tempo.
E finalmente eu entendi e tremo, temendo por um futuro começado antes do presente mas que nunca mais chega, nos termos em que o pinta este profeta da desgraça.
Maldito futuro que não se conforma com as previsões há tanto sustentadas. E certamente é o futuro que está errado. Como sempre aconteceu.
Ufa!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Silly season…



Quem escreveu ou mandou que se escrevesse: “o acto de promulgação de um diploma legal não significa necessariamente a adesão do Presidente da República às opções políticas a ele subjacentes, nem implica o seu comprometimento institucional com todas as soluções normativas nele inscritas”?
Se respondeu Monsieur de La Palisse, quase acertou.
Mas deveria ter tido em atenção que M de La Palisse não foi presidente da república, nem ia de férias com um jipe carregado de diplomas para analisar e promulgar, ou não. Aliás, no tempo de La Palisse, a tropa – ele era militar – andava ainda a cavalo. E parece que nem escreveu coisa alguma.
Mas a La Palisse aconteceu coisa rara: um quarto de hora antes de morrer, ainda estava vivo. E isto, que nunca poderia ter sido afirmado por ele, é que lhe deu fama eterna, sob a forma de lapalissadas.
Outros levam eternidades a dar-se conta disso, de que La Palisse é único, dando origem a grandes confusões sempre que querem passar por meras cópias de quem a história já consagrou há muito.

domingo, 30 de agosto de 2009

"Não se atrevam, não se atrevam, não se atrevam..."


... insiste ali o Xico do Bloco de Esguelha. E confesso que me assusta mais que este leão fotogrado em Port Lligat, na casa do Dali.

Se podia viver sem o Dali?

Claro que sim. Mas a paisagem, sem este ovo, não seria a mesma coisa. Talvez nem a tivesse fotografado.

Universidade de verão...

Ele até viria, para ouvir Santana, Marcelo, a D Manuela. Mas quem lhe tomaria conta dos bichinhos?
E por lá se ficou, no Parque Guell...

Mayor? Então prova...

... pois é preciso dizer a verdade aos portugueses.

Saia o prato da crise!

Foto tirada ali por S Sebastião da Pedreira...

Iberdolizou-se? Mediacapitalizou-se?

Foi delfim de Cunhal e, mais tarde, cardeal e ministro de Guterres. Com desempenhos brilhantes, reconheça-se.
Depois, foi a aquela de que a ética republicana é a que decorre da lei, uma tirada destinada a confortar-se face à sua opção empresarial, altamente contestada para quem acabava de ser ministro e nas áreas em que o foi. E iberdolizou-se…
Em geral, publicamente, tem estado calado sem que nenhum mal venha ao mundo.
Mas decidiu falar, enveredando por uma de comentador. Escolhendo bem o calendário e o tema.
Para ele, ainda membro do PS, o programa do PSD é mais “focado e clarificador” do que o do seu partido. Para ele, na área da política económica o programa do PSD "é mais duro e focado" do que o do PS.
Ainda segundo ele – tido como responsável, segundo os partidos da oposição, particularmente o PSD, pelo desvario despesista da governação de Guterres – “há um limite que decorre da escassez de recursos disponíveis, que torna incomportável a continuação do crescimento da despesa pública”. Coisa que, note-se bem, afirma a propósito das despesas sociais do governo de Sócrates.
Por que raio se terá disponibilizado para esta sacanice? Que temerá, ou que espera que lhe ponham sobre a mesa? Um convite para nova deriva?
Que seja, também de modo clarificador.

Terra que salvou os magos...

Grande é um partido com concelhia, segundo o Público, em Salvaterra de Magos, como é o caso de CDS/PP.
Pequeno é um partido que, para apresentação de candidatos autárquicos a Salvaterra de Magos, se socorre de militantes oriundos e residentes em Famalicão e Porta de Lima, a umas centenas de quilómetros de distância, como também é o caso do CDS/PP. E, tudo o indica, sem conhecimento dos voluntários à força.
Em tempos – frequentador ocasional do parque de campismo de Escaroupim - ouvi a explicação de que o nome da vila se devia ao facto de outrora, nos tempos das perseguições da Santa Inquisição, aquele lugar ter salvado os magos, equiparados a bruxos ou coisas assim, e que ali se refugiaram.
E estava tudo muito bem até esta bela trapalhada, que nem os magos conseguem evitar.
Dará isto para um cartaz como os que vemos por aí? Por exemplo: “Acha bem que, para preencher listas, um partido se socorra das páginas amarelas?”

sábado, 29 de agosto de 2009

Após longo silêncio…

... fica a saber-se que a actuação do PR se pauta por critérios acima dos interesses político- partidários, que são por ele bem conhecidos os graves problemas do país e que em nada contribuirá para a instabilidade política.
Quanto à acusação feita anonimamente por um assessor de Belém sobre escutas ou vigilâncias por parte do Governo… ficamos pelas pautas, pela música, em forma de assobiadela para o lado.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Até que enfim ganhas uma, Mano Pedro!

Isaltava-se com as acusações, porque era homem de morais. Um modelo, do continente, proprietário em Cabo Verde porque, se recusasse o que lhe era oferecido, poderia dar azo a trapalhadas diplomáticas. Um autêntico pingo doce.
Mas foi condenado sem provas, garante. Aliás, ele adianta que ainda não foi, porque recorreu. Agora, as sentenças recorríveis, não valem como condenações. São meros interlúdios… musicais.
Sente-se vítima do sistema, das circunstâncias. Nada mais que um bode respiratório, ainda de cabeça à tona da água, temendo que lha calquem.
Desta vez parece que o Mano Pedro, seu bem conhecido, se esmerou. E, para já, são sete de prisão efectiva e perda de mandato. Com votos que o mandem para o lugar que bem merece. Mas nunca para o Parque dos Poetas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Não havia nexexidade...

No mundo dos negócios, as partes costumam prevenir-se, na fase de negociações, com um acordo de confidencialidade, visando a protecção dos respectivos interesses. Na política, parece que também deve passar a ser assim. Pelo menos com certas pessoas. Menos confiáveis.
No caso em concreto, um interveniente quis apresentar serviço e o outro, aproveitando a ingenuidade daquele, fez questão de apresentar provas de fidelidade a um partido que o afastara de cargos no aparelho. E isso porque, antes, lhe fora ostensivamente infiel.
Estiveram bem um para o outro, com vantagens para um terceiro, um senhor de princípios que, apanhado agora no que se sabe terem serem excessos ao estilo do tal Diácono dos Remédios, prefere dar o caso por encerrado.
Princípios são isso mesmo: manter as acusações a quem nada tinha a ver com o caso. Manter a versão de que o convite também compreendia a oferta de lugares no aparelho do estado. E com um pormenor: insistir que nisto estiveram membros do governo, como se ignorasse que não é com tal capa que se intervém na formulação de convites para uma lista de deputados. Doutro modo, como se poderiam elaborar, no seu partido sem membros do governo, as listas de deputados? Diria o tal diácono que não havia nexexidade.
Já agora: com que valor acrescentado se contava a partir da colaboração de quem, certamente, melhor jus faz ao rótulo de esquerda caviar? Vá lá, sem a cara e os apelidos, que sobraria?
Não havia mesmo qualquer nexexidade.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Merce Cunningham (1919-2009)

"É preciso amar a dança para continuar a dançar. Não nos devolve nada a não ser aquele momento fugaz em que nos sentimos vivos. Não é para almas instáveis."
Merce Cunningham

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Graças a Peter Carey…


… cheguei a esta foto de Annie Leibovitz. Porque tentei saber se Jacques Leibovitz, referido como pintor em “Roubo – Uma História de Amor”, seria mais que uma personagem de ficção. Parece que não é. Mas dei com a realidade de John Lennon e Yoko Ono.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

À atenção da D Manuela...

“É minha convicção profunda que o próximo responsável pelas políticas educativas tem, obrigatoriamente, de assumir as intervenções que enumerei no último artigo se quiser recuperar a confiança dos professores e travar a degradação do sistema de ensino. Aquele elenco de medidas é politicamente incontornável e instrumento primeiro de uma reconstrução imperiosa. Mas deve ser complementado com uma acção segura de envolvimento da sociedade, num debate social sobre a missão da escola de massas e sobre o significado e pertinência de alguns conceitos que a condicionam definitivamente.”
Santana Castilho, Público de 22-07-09.

Uuuuuuufa!, acrescento eu.
Gosto de pessoas modestas, como é o caso. Por outro lado, atesto por minha honra que este Santana é perito em degradações e mestre trolha em reconstrução, com pastilhas dos travões substituídas semanalmente. E pessoa envolvente e pertinente, definitivamente condicionado, mas isso é um pormenor que, aliás, lhe assenta bem.
Não o considerar como porta-voz ou membro do gabinete sombra seria uma grande injustiça. E, se der para a desgraça, espero que seja o ministro da pasta das escolas de massas. Seria menos uma maçada, na leitura do Público.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Custo da militância política a suportar por todos?


Acordo no "Público" trava despedimento colectivo
2009-07-18
A Administração do "Público" anunciou ontem que 167 trabalhadores (equivalente a 92%) concordaram com a redução de salário, evitando assim o despedimento colectivo que, apesar dos gestores nunca o terem oficialmente reconhecido, pairava sobre o diário.
Mas em comunicado aos funcionários, a que o JN teve acesso, a Administração congratula-se com o acordo e diz que "esta medida permitirá uma partilha de esforços e evita uma redução de postos de trabalho".
No texto colocado no site do jornal da Sonaecom, explica-se que as reduções entre 3% a 12% vão vigorar por um ano, e que em 2008 o "Público" registou um prejuízo de quatro milhões de euros. Na segunda-feira prosseguem as negociações sobre a redacção final do acordo, que substituirá os documentos já assinados.
"Boa parte dos trabalhadores assinou ou comprometeu-se a assinar o acordo por ter a garantia da Administração em relação a algumas questões acertadas mas que ainda não estão colocadas por escrito", diz por seu lado a Comissão de Trabalhadores.
Recorde-se que na última quarta-feira, a Administração lançou um ultimato aos mais de 200 trablahadores: se 90% não aceitasse a proposta, a administração ficaria "mandatada pelo accionista para apresentar um plano alternativo de redução de custos com o pessoal".
Jornal de Notícias, online

Preconceito ou falta de jeito?

“O Governo anunciou mais de 38 mil vagas para o ensino profissional no próximo ano lectivo. Apesar do reforço, o país continua longe da realidade europeia. E tudo indica que uma parte significativa dos cursos a abrir se limite a aulas de fachada onde se acumulam alunos com dificuldades. Seja como for, é óbvio que o ensino profissional se tornou numa aposta.”
Duvidam disto?
Pois trata-se de texto no “Sobe e desce” do Público de 15-07-09, com – aleluia! – seta para cima e foto de M Lurdes Rodrigues, texto que remete para a página 11 da mesma edição.
Ora, seta para cima para aulas de fachada? Aulas de fachada numa aposta quanto ao ensino profissional?
Mas pegue-se no texto da página 11 e numa lupa, a melhor possível. Donde resultam, na notícia, as aulas de fachada? Se não é preconceito, é o quê? Apenas falta de jeito?


É preciso ter lata, muita lata…


(…)“Esta insensibilidade da ministra foi afinal a origem da sua tragédia política. Sabendo-se que uma avaliação a sério, com critérios, quotas para os mais profissionais ou mais talentosos, metodologias, etc. seria sempre rejeitada pelas áreas mais conservadoras ou retrógradas da docência, restava ao ministério um caminho: estabelecer alianças com os professores que, em surdina, se queixam da falta de exigência e do laxismo que grassam em tantas salas de aula do país. “ (…)
Público de 18-07-09, editorial de Manuel Carvalho
Quem acompanhou a matéria neste jornal consegue dizer-me quando é que foram denunciados a falta de exigência e o laxismo de que agora se fala? Se se entendia ser necessário dar voz aos professores que disso se queixam, que espaço lhes foi reservado pelo Público que, pelo contrário, foi o permanente porta-voz de Nogueiras, Santanas Carrilhos e outros que tais?
Quando é que, como agora, a direcção editorial do Público os teve no sítio para escrever o que agora escreve?
Se o descaramento borrasse, o Público ficaria ilegível.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Toca bem...

E, a teres que me lixar, prefiro que toques mal.

Saída de leão...

Ponce de Leão foi substituído como presidente do Instituto da Construção e do Imobiliário, não sei se no seguimento do tal ajuste directo com a Microsoft, com os badalados trabalhos a mais, porque primeiro se adjudica e depois é que se contratualiza e, parece, mal.
E deu e entrevista da praxe ao Público. Elucidativa.

Sobre a reestruturação, afirma Ponce de Leão:
No despacho de nomeação do novo presidente, o Ministério de Obras Públicas diz que vai avançar a reestruturação. Mas, o que é que esteve a ser feito até agora? Foi feita uma reestruturação e essa está paga. Foi executada na perspectiva de uma rápida informatização do instituto. Quando foi pensada, não teve a nossa concordância global, porque entendemos que, para além de pressupostos errados, devia levar o seu tempo a consolidar e não se coadunava com os objectivos repentistas e repentinos do programa Simplex, que coloca a importância no número e na propaganda, e não na pessoa.”

É de leão! O que não se deve sofrer a desempenhar um lugar destes. Mas por que se insiste nisso quando as divergências são deste calibre?

Mais adiante, sobre a orientação do governo, explana o ex-presidente:
Como disse, a nossa relação com o sector foi aberta e transparente. O instituto tinha uma ideia global do sector, e eu não encontrei no Governo uma única ideia para uma política de presente ou de futuro para o sector. (…) Por exemplo, fizemos a revisão da lei dos alvarás, que foi aceite como uma boa revisão (Pergunto eu: por um governo sem uma única ideia para o sector?). Quatro anos depois, aceito que deva começar a ser revista. Mas não tivemos qualquer orientação sobre como fazer…Há rumores de que uma nova lei está a ser feita num escritório de advogados e uma consulting elaborou estudos pagos pela Secretaria de Estado. Mas nunca o instituto regulador foi ouvido na matéria. Se isto não é esvaziar o InCI…”

Deve ser, claro. Se não foi ouvido, está-se a esvaziar quem se limita a esperar ser ouvido. Se a lei carece de revisão, e se já antes se tinha feito uma lei tão gabada, porque se não toma a iniciativa de elaborar uma proposta de revisão? Quem é pressuposto saber da poda, espera que lhe dêem orientações na matéria?
Mas está bem. Se houver mudanças no Outono, não esqueçam o senhor, porque amor com amor se paga. Mas que se cuide quem o acolher, com estas saídas de leão.

Ai a tola!

Escrevem Lucinda Canelas e Natália Faria que no livro “Amor” do brasileiro André Sant’Anna se destacam expressões como “o sol secando o fedor do povo” e “o pau do ayatollah do Irão”.
E isto foi notícia porque o TNSC chegou a cancelar um espectáculo baseado naquele livro, por o considerar pouco ou nada adequado para uma exibição aberta a toda a gente.
Mas terá sido por causa do fedor? Ou por causa do pau que, certamente, qualquer ayatollah é pressuposto ter?
E que não falte pau para uma boa paulada a quem escreve “Há uma 1h00 da manhã de ontem…”.
Público, 20-07-09

domingo, 5 de julho de 2009

Vou ali e já volto... daqui a uma semana

S Miguel - Açores

Tentou-me e não me enganou...

Não estava perdida, porque sabia que andava por ali, com outras mais. Não sei o ano, mas é do tempo em que os suaves 12 graus ainda estavam na moda. Quando ainda se usava o escudo. Pouco mais que 50 cêntimos hoje.
A rolha tinha cedido, mas não conspurcou o conteúdo. Abri a medo. E não sobrou nada. Porque a excelência é rara e, no caso, infelizmente, efémera.
Foi o caso. Foi-se…

sábado, 4 de julho de 2009

Basta!

Em 2006 fixou-se no Brasil e afirmou “Vim para o Brasil para me salvar dos malefícios que Portugal me estava a fazer…”. Tratava-se de “descansar de Portugal” e, à distância, continuaria a trabalhar com Belgais, o que poderia fazer mesmo “sem gostar de Portugal”.
Na altura, recordo, não conseguia explicar a aplicação de fundos públicos obtidos para o seu projecto de Belgais. Constava-se que a sua gestão era confusa e merecedora de todas as reservas. Mas teria que se aceitar que fosse assim, chantageando. Não foi bonito.
Volta agora com a ameaça de renunciar à nacionalidade portuguesa, quando já tem a brasileira, situação que a própria filha diz desconhecer.
E que há de novo agora? Maria João Pires, ainda que não refira os casos mais recentes – arresto de bens por alegadas dívidas a funcionários da Escola da Mata, dirigida pela sua filha – parece exigir que a lei não lhe seja aplicada. Que possa estar acima dela.
Por mim, fica autorizada a renunciar à nacionalidade. Aliás, a ameaça deveria, por si só, dar registo à renúncia.
Eu – porque agora já é demais - renuncio à lufa-lufa para conseguir bilhetes para os seus concertos. Ficam os discos.


Era tão pura, tão pura, tão ingénua, tão ingénua...

Os apartes são regimentais, mas permitidos apenas aos ilustres deputados. Se são eleitos, a tudo se podem permitir. Em nome de quem entendem representar?
Mas não resisto, ouvindo e vendo esta carinha de anjo – para quem a Coreia do Norte é uma democracia – a recordar uma brincadeira, como a daquela menina que era tão pura, tão pura, mas tão pura e tão ingénua… que até julgava que desabrochar era tirar a pilinha da boca.
Ó meu… quanto ao cheque, vai até Aljustrel falar com o Vairinhos.
E das duas uma: ou tens razão, ou não. Se tens, mete já um requerimento para a criação de mais uma comissão de inquérito – ao cheque de 5.000 euros da EDP - e indica o Honório para presidente. Porque experiência não falta ao Novo.
Ver aqui a excelsa candura de um representante do povo http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Bernardino-Soares-afirma-que-nao-provocou-Manuel-Pinho.rtp&headline=20&visual=9&tm=9&article=230361

Mostra o cheque, Bernardino, ou levas xeque-mate, camarada!

Aljustrense: Manuel Pinho «nunca deu cheque» ao clube

O clube de futebol de Aljustrel nunca recebeu dinheiro do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, garantiu hoje à Rádio Renascença o presidente da administração do Aljustrense.
Heldér Vairinhos, dirigente daquele clube, quer repor a verdade e explica que «o que houve foi um patrocínio da EDP, em material desportivo».
O Sporting Clube Mineiro Aljustrense não recebeu qualquer cheque da EDP e muito menos entregue por Manuel Pinho, esclarece.
A polémica em torno deste assunto começou em Fevereiro e esteve agora na origem do gesto que resultou na demissão do ministro da Economia, depois de a questão ter sido levantada de novo na sexta-feira à noite pelo deputado do PCP, Bernardino Soares.

Controlo da coutada em perigo?


Bernardino Soares, pela sua boca, deu conta do aparte que exasperou Pinho. Insistia em saber em que qualidade Pinho procedeu à entrega de um cheque da EDP no valor de 5.000 euros a um clube de Aljustrel: se como ministro, se como cidadão, se como porta-voz de uma empresa privada. Porque quanto a Aljustrel, no que respeitas às suas minas, o ministro ter-se-ia limitado a ir lá para deixar tal cheque.
A questão é magna mas, a ser comigo, eu teria pedido ao seu colega parlamentar José Eduardo Martins que lhe respondesse por mim, nos termos conhecidos noutra cena parlamentar. Sobretudo porque começaria por me sentir ofendido com essa de porta-voz da EDP.
Mas o caso complicou-se com as declarações de dirigente de tal clube, feitas ao Telejornal da RTP1 de03-07-09, negando a existência de qualquer cheque, porque o apoio ao clube, segundo o mesmo dirigente, se traduziu na oferta de equipamento desportivo pela EDP.
Claro que a questão não está num cheque que, pelos vistos, não existe. O que dói é que um clube de uma vila considerada uma coutada, tenha ousado relacionar-se com um ministro, a quem terá prometido a oferta de uma camisola e, parece, pedido a sua intervenção no sentido de serem conseguidos apoios. E o que o ministro tenha ousado comparecer num jogo de futebol onde foi bem recebido. Porque o que dói, no caso, é a constação de que há quem prefira estar mais próximo de quem tem soluções ou por elas se bate, do que daqueles que utilizam os mais humildes ou necessitados como carne para canhão.

A matemática elementar, segundo o Público…


… consabidamente um jornal de referência.
Título
“Minas de Aljustrel – Apenas 134 funcionários trabalham para as Pirites Alentejanas”
Final da crónica
“Actualmente, além dos 132 trabalhadores afectos à Pirites Alentejanas, trabalham mais 107 pessoas nas Minas de Aljustrel, ligadas a empresas externas como a Securitas e a Climex, o que perfaz um total de 239 trabalhadores. No entanto, estes últimos não são mineiros, mas sim empreiteiros, projectistas e consultores.”
Edição de 04-07-09

E, deste modo, se pretende contrariar a afirmação de Pinho quanto aos 230 postos de trabalho nas Minas de Aljustrel. Para o Público apenas contam os mineiros. Quem não manuseia picareta não conta. Que isto de minas é só picar, picar, picar…
Imaginemos agora o fecho das minas: quantos ficam no desemprego? Apenas os 134 – ou 132 que, entre o título e o texto citado, perderam-se dois trabalhadores pelo caminho - ou os 239?
Ou, então, quantos postos de trabalho directos, mesmo que em outsourcing, estão justificados pela laboração das Minas de Aljustrel? Apenas os 134 ou 132, ou serão 239 ?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A vantagem de ser deputado...

... de deputado para deputado... "vai pró c..."

... de deputado (o mesmo) para o PM... "palhaço"

... de deputada para ministra...

Mas, para a profanação do órgão de soberania, apenas contará o gesto de Pinho.
E quanto o gesto de Pinho delicia Crespo em profunda análise com outro insuspeito, o inefável José Gil, no seu programa das nove.

O gesto foi tudo…

E o Ministro da Economia caiu. O gesto foi mesmo lastimável, mas teve uma vantagem: a de se poder ouvir tanta virgem púdica com ouvidos moucos a “vai pró caralho” e “filho da puta” que a história recente da AR também regista quanto a um deputado do PSD que assim se dirigia a deputado do PS.
Mas órgão de soberania é isto: faz de deputados uns soberanos, apenas pelo facto de o serem.
E isto logo a seguir a uma brilhante entrevista de Manuel Pinho passada ontem na SIC N. De um ministro voluntarioso, cordato, de quem apenas as gaffes eram objecto de "sérias" análises políticas.

"Um estranho caso", escreve Vasco, o Pulido, o Valente

“Mas de repente começaram a correr rumores (confirmados por jornais de referência) de que a PT iria comprar uma parte da Media Capital. E mais: que um dos principais fins do exercício era demitir José Eduardo Moniz, para eliminar o programa de Manuela Moura Guedes. Não havia provas públicas da veracidade destes rumores. Só que a mudança de atitude do primeiro-ministro (agora aparentemente a favor da operação) não sossegava ninguém, num ano eleitoral e durante uma campanha particularmente azeda”.
Público de 27-06-09

Ó Vasco!
Rumores confirmados por jornais de referência são mais que rumores, como se objecto de um crisma de tais jornais? E então o Moniz não tinha, antes, tentado uma candidatura a presidente do SLB? E este não veio a declarar que o negócio em causa era favorável à Média Capital? E Alberto João Jardim não gozou com o facto de, a ser verdade, se pretender, em tão pouco tempo, condicionar a TVI para as campanhas que aí vêm?
Mas, Vasco, a campanha vai ser particularmente azeda? Temos Vasco como candidato?
No final da crónica Vasco escreve:
“Os portugueses não são uma audiência inerme e muda, que o eng. Sócrates, quando lhe convém, se dá ao luxo de ignorar.”
E isto surpreende, porque jamais se esperaria de Vasco postura tão optimista quantos aos seus concidadãos. Vasco passou-se, definitivamente. Será da gripe?
Felizmente o negócio gorou-se, sobretudo para os “Contemporâneos” que nos deliciam com bonecos como este http://www.youtube.com/watch?v=AwJ2MLiekQE
Por isso voltaremos a ter Vasco e Manuela. Quem pode passar sem este humor, num país de tanto Vasco azedo?


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Inquérito ao BPN. Que há de novo?


Pelo menos isto, de pessoa insuspeita quanto a simpatias pelo PS e seu governo...
“Foi vice-governador do Banco de Portugal. Como avalia as críticas à instituição e a comissão de inquérito da AR sobre o BPN?
“Acho que é o exemplo típico do populismo. A maior parte das pessoas não sabe o que é um banco, o que é a supervisão, atira números misturando alhos com bugalhos… Foi um fórum de demagogia, com raras excepções. Fico triste, do ponto de vista da nossa democracia, não a existência da comissão mas o trabalho e a forma como o desenvolveu. Não é assim que se fazem as audições nos Estados Unidos. Sobre a actuação do Banco de Portugal, são dois casos muito diferentes. No BPP, o problema tem sobretudo a ver com a CMVM. Como, aliás, já tinha sido, no fundamental, o caso do BCP.
No caso do BPN, é um caso de fraude, de polícia. Foi feita uma ocultação deliberada do ponto de vista das instituições que têm que certificar contas e fazer auditorias. No fim da linha está o Banco de Portugal, que foi fazendo perguntas até descobrir a verdade.”
Entrevista a Campos e Cunha, Público de 27-06-09
E, de facto, quem seguiu a audição de cerca de 16 horas a Victor Constâncio percebeu bem o magno objectivo da comissão parlamentar de inquérito: a demissão do governador do Banco de Portugal. Isso sim, seria a cereja em cimo do bolo, porque foi mesmo o objectivo mais perseguido por Nuno Melo, Honório Novo e João Semedo, por entre simpatias patenteadas para com diversos prevaricadores ouvidos, prevaricadores confessos.
Ali ao lado, no programa do Mário Crespo, entre outras coisas, Honório Novo acaba de fazer referência a uma ameaça de Constâncio, afirmando que este, percebendo bem os objectivos dos inquiridores – e quem nem os percebeu? – daria uma conferência de imprensa, logo que conhecido o relatório final.
Eu ouvi – porque também ouvi - Constâncio dizer que não ficaria calado, mas sem menção a qualquer conferência de imprensa. Mas conferência de imprensa ou outra coisa, não é legítimo que reaja, dizendo, pelo menos, o que consta ali acima?
Sabemos que houve tempos em que tal não seria possível, nem legítimo. Mas isso, Honório, já lá vai. Há muito que já não é assim. Mas há tiques que ficam.

Viva Pina Bausch!

Pina Bausch - Masurca de Fogo
"O que faço não é uma arte nem uma ciência, é a vida." Pina Bausch

Há dias de sorte...


... afirma o cego para nos convencer a comprar a sua lotaria. E foi o caso, quando o primeiro, abdicando, deu o lugar ao segundo. É que o primeiro vai bem - para quem goste - como comentador e cronista. Mesmo se confuso no que diz, fugindo ao que se lhe pergunta. Como ontem na SIC N. Olha se tem sido apanhado, na qualidade de ministro, pela crise.
Há mesmo dias de sorte...


Valha-me o Galo de Barcelos...

Heloísa Apolónia
... galo ali ao lado da minha TV, em quadro do João Ribeiro, que espero me permitirá o tenha por mais adequado para a cavalgada de tanto populismo e demagogia, nesta interpelação de hoje ao ministro de Estado e das Finanças. Porque há quem não mereça um cavalo, nem uma pileca.
Mas pobre galo... coitado do galo.

Viva Pina Bausch!

"Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficamos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido; mas são os espectadores que têm de o descobrir, se não tudo seria tosco e grosseiro; são vocês que têm de o descobrir, eu não posso proceder demasiado directamente. Frente a certos valores, é preciso, acima de tudo, sensibilidade."
Pina Bausch