sábado, 28 de novembro de 2009

O Exmo Juiz Dr Reticências violou o dever de zelo, de lealdade e algo mais. Lixou-se: 10 dias de multa! Leram bem: 10 dias de multa.

O Exmo Juiz Dr Reticências estava colocado no Tribunal Reticências, após o que foi transferido, como requereu, para outro Tribunal Reticências, nos termos do movimento judicial aprovado pelo por Deliberação do Plenário do Conselho Superior da Magistratura, de 15.07 do ano Reticências, tendo tomado posse em 01-09.200 Reticências.

Mas o Exmo Juiz Reticências decidiu manter e levar consigo 200 processos conclusos e que aguardavam despacho ou sentença desde 2006 (7 processos), de 2007 (86 processos) e de 2008 (107 processos). E levou ainda outros processos, em número não identificado, mas inferior a 30, e que, no entanto, fez chegar já despachados, em Setembro e Outubro de 2008 (sem Reticências).

Em Novembro de 2008, os tais 200 processos continuavam ainda na posse do Exmo Juiz Reticências.

Em 17-11-2008, o Exmo Juiz Reticências devolveu 122 processos, com despachos ou sentenças todos datados de 31-08-08, na maioria dos casos com as justificações “a.s.” ou “g.a.s”, abreviaturas de “(grande) acumulação de serviço”, pese embora os tenhas despachado depois da sua tomada de posse no novo Tribunal Reticências. Desta vez a todo o gás.

Em 28-11-08 devolveu 27 processos e, em 04-12-08, outros 49, mas sem qualquer despacho ou sentença no que respeita a 22 processos. Para os despachos e sentenças nos restantes 54 novamente é utilizada a data de 31-08-08 e a justificação já referida. Mas manteve ainda dois em seu poder: um concluso desde 07-04-08 e o outro concluso em 29-05-07, que veio a entregar em 17-12-08, com decisões igualmente datadas de 31-08-08 e com a mesma justificação.

Ora, a Circular n.º 16/2006, do Conselho Superior da Magistratura, veio relembrar aos Exmos Juízes o teor da Deliberação do Conselho Permanente de 21.12.1999, segundo a qual “ao deixarem de exercer funções num Tribunal onde estão colocados, e após a tomada de posse no novo lugar, não deverão manter em seu poder qualquer processo desse Tribunal”, instrução que o Exmo Juiz Dr Reticências declarou conhecer.

A apreciação destes factos é feita nos termos seguintes:O Sr. Juiz ….vem acusado de ter violado o dever geral de zelo, o dever de lealdade e o de criar no público confiança na adminis­tração da justiça.”

E qual a decisão? Esta: “Em conclusão, acordam os membros que constituem o Permanente deste Conselho Superior da Magistratura aplicar ao Exm. Juiz Dr…..– por violação dos deveres de zelo, de lealdade e do dever de criar no público confiança na administração da justiça - a pena de 10 (dez) dias de multa.”

Esta sanção significa aplicar quase a mínima, nos termos do Art. 87 do Estatuto dos Magistrados Judiciais, que fixa o mínimo de 5 e o máximo de 90 dias.

Texto segundo Acórdão Disciplinar publicado no Boletim Informativo III Série – nº2 – Outubro de 2009, do Conselho Superior de Magistratura, em que foi relatora a Vogal Dra. Alexandra Rolim Mendes.

Isto pode acontecer noutra profissão ou actividade? Pode.

Mas não clamam os juízes, titulares de órgãos de soberania, serem como que ungidos do Senhor? Verdade, clamam.

Noutra actividade, factos desta natureza, certamente com enormes prejuízos para tanta gente, teriam este desfecho: multa de 10 dias? Não, o mínimo seria o despedimento.

Quando se exige que o PRG seja transparente divulgando os fundamentos dos seus despachos no caso Face Oculta, sabendo-se bem o que com isso se pretende, não seria de esperar que aqui os bois fossem tratados pelo nome e não por reticências? Seria, julgo eu. Mas, como não sou juiz, posso estar enganado.

sábado, 21 de novembro de 2009

Plano Inclinado na SIC-N

Baixo o som…

O diagnóstico está feito, desde há muito. O discurso é repetitivo. O nome do programa é próprio de optimistas.

Surpreende ou teme-se a continuidade. O mestre do optimismo treina sucessor?


O seleccionador mantém-se. Por isso, não admira que os convocados para o Jornal das 9, das 21, sejam igualmente convocados para qualquer jogo crispado.

Porque há que animar, com o quanto pior melhor. Por isso, não lhe peçam nem aguardem soluções. Quando as houver, acaba-se a música e dá-lhes uma coisa má. Porque jamais serão convertidos em algo diferente.

São assim, não se espere que mudem. Seria a morte deles, porque passariam a gente normal. Algo detestável.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Profissão, actividade, ocupação: EX

É pelo menos assim que se identifica, para os devidos efeitos, na crónica que escreve no Público de 14-11-09, o mais que EX José Manuel Torres Couto. Nada mais que ex-secretário-geral da UGT, ex-secretário nacional do PS, ex-deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu.

Provavelmente desempenhará hoje alguma profissão ou actividade que apenas se conhecerá quando for EX.

A direcção do Público não lê o jornal que dirige


De facto, vejamos:

Título na capa: Procurador não vê indícios de crime nas escutas a José Sócrates”.

Titulo na página 6: “Procurador-geral não viu indícios de crime nas conversas entre Vara e Sócrates”.

Ainda na página 6 faz-se destaque do comunicado do PGR, citando-se “O Procurador-Geral da República, em 23 de Julho de 2009, não obstante considerar que não existiam indícios probatórios que levassem à instauração de procedimento criminal, remeteu ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça as certidões em causa”.

Já no Editorial, na página 38, esquecendo tudo quanto fica dito, a direcção do Público permite-se isto: “(…) Mas não, o país não está a ficar surdo. Sabe que perante uma questão em que tinha direito a ser esclarecido apenas teve direito ao silêncio. José Sócrates disse que este caso estava a”passar as marcas”. Vieira da Silva disse tratar-se de “espionagem política”. Não é exacto. Este é um caso – o comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou-o ontem – em que “existiam indícios de prática de um crime contra o Estado de direito”. (…)

Tudo na edição papel de 15-11-09.

A obsessão patente no editorial “O país não está surdo” deu para atribuir à PGR o que era a convicção do Procurador Coordenador do DIAP de Aveiro, convicção de que o Procurador-Geral da República não comungou.

O país pode não estar surdo. Mas isso só poderá ser observado por quem não é cego, obsessivamente cego.

Ou o fantasma de Fernandes assombra ou é caso para dizer que a escola se mantém, tendo apenas mudado as moscas.

Citado por quem se aprecia: Blog Câmara Corporativa, em 19-11-09

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quem não quer ser sucata que não lhe vista a toga

Havia uma acção que opunha o sucateiro Godinho e a Refer. Aquela que ficou conhecida por Carril Dourado, com a Refer a alegar o roubo de carris da linha do Tua pelo Godinho.

A Refer ganha na primeira instância, mas Godinho recorre para a Relação.

Numa das conversas do processo Face Oculta, fica a saber-se que Godinho conheceu o desfecho favorável do recurso que interpôs para a Relação 4 dias antes de o respectivo acórdão ser assinado.

E estala a bronca.

O relator desembargador Lemos, Cândido de nome – excelente sentido de oportunidade do padrinho – estranha que tal tenha acontecido. Mas admite uma hipótese: ele costuma agrafar os projectos dos acórdãos às capas dos processos e, neste contexto, pode bem ter acontecido que as partes – os intervenientes no processo, não as partes em que por vezes se leva um pontapé - dele tenham tido conhecimento, mesmo antes de ser assinado por mais dois juízes.

Tretas, argumenta o escrivão da 2ª secção que garante que a secretaria apenas tem acesso ao acórdão depois de assinado pelos três juízes. E mais: que o documento apenas circula entre juízes até estar assinado por eles.

Reparo que, no relato feito, ninguém questionou o agrafo, eventualmente incompetente para a tarefa cometida. Mas adiante.

O desembargador Lemos lá vai adiantando que até já tinha ouvido falar das sucatas do Godinho e que conhecia mesmo o chefe da Repartição de Finanças que foi suspenso de funções, por também ter sido apanhado a sucatar. Por sua vez, os outros dois juízes preferem não se envolver nesta bronca.

O CSM, que afirma não conhecer o caso, põe-se fora. O sindicalista juiz António Martins não quer comentar a situação, talvez porque até agora, nesta história, não entrou o PM ou alguém próximo.

E agora?

A mim cabe-me apenas – e verão porquê - safar desta história quem me é próximo. E daí que tenha perguntado ao meu Pai se não estaria envolvido neste triste caso, não fosse ele, por exemplo, quem desagrafou o projecto de acórdão da capa do processo e o pôs a voar.

Que não, e que poderia jurar fosse por quem fosse.

Mas confesso que fiquei na dúvida. É que o meu Pai já trabalhou com umas máquinas de lanifícios que eram uma boa sucata. Há muito tempo, é verdade. Mas tem contra ele esta antiga proximidade à sucata. Falta-lhe a toga? Talvez não! Porque recordo que meu Pai usava uma coisa muito semelhante em funerais e procissões, como membro de uma Irmandade da Paróquia.

Melhor é ficar de atalaia que isto da sucata bem pode entra-me pela família dentro.

Ora bolas!

Nota: relato feito de acordo com notícia do Público de 12-11-09

Citado por quem se aprecia: blog Câmara Corporativa, em 15-11-09 e blog PuxaPalavra em 17-11-09.

Gostei de “Os Sorrisos do Destino” mas...

...não desta exposição do seu criador no final da exibição na pré-estreia. Alguém deveria ter tido o bom senso ou a sensibilidade suficiente para proteger Fernando Lopes. E este merecia tal atenção.

Mais um abandono

Vou ali e já venho…Até lá, organizem-se! SFF.


Gente porreira...

Que teima em cumprir a vida, gozando pequenos nadas, graças a quem sabe da poda.

Obrigado, Sr Miguel Machado.

Um brasileiro porreiro...

Ivan Lins ao lado de Carlos do Carmo, no Vává, em 31-07-09

O cantor brasileiro Ivan Lins comprometeu-se ontem a desenvolver uma escola de Arte e uma orquestra sinfónica na Cova da Moura, em Lisboa, promovendo a vinda de artistas brasileiros ao bairro.

A partir de hoje [ontem] esse vai ser o meu projecto de vida”, afirmou o cantor, na sede da Associação de Solidariedade Social do Alto da Cova da Moura (ASSACM), aonde se deslocou a convite da direcção para contactar com a realidade do bairro. (…)”

Público, 07-11-09

Foi grande o alarido com o caso Maitê Proença, quase uma convulsão nacional. Na altura escrevi que havia muitos brasileiros porreiros. Este é um deles. Que até decidiu concretizar um sonho de há muito, segundo confessou num jantar-tertúlia do Vává: ter um apartamento em Lisboa, onde vive grande parte do tempo. Mas a isto, a esta meritória iniciativa, pouco destaque se dá. Porque não vende papel, porque não nos permite assanharmo-nos contra qualquer coisa ou contra alguém.

sábado, 7 de novembro de 2009

Cavaco e Dalila…

Em 2007 o PR insurgiu-se contra o afastamento de Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga perguntando, no ser particular jeito quando se trata de atacar o governo ou um seu ministro "Poderemos dar-nos ao luxo de prescindir daqueles que revelam as suas altas qualificações e que deram provas no desempenho das suas responsabilidades?"

Na mesma altura, o insuspeito Pacheco Pereira criticou a atitude de Cavaco, porque a decisão do afastamento se devia a quebra do dever de lealdade e isenção de Dalila na sua condição de funcionária pública.

Agora, com a mera justificação de perspectivas divergentes com quem manda, Dalila é afastada da Casa das Histórias – Museu Paula Rego, para cuja direcção fora convidada não há muito. E Cavaco calou. Desta vez não se sentiu tentado a invocar as “altas qualificações”, as “provas” dadas.

O facto de na decisão do afastamento estar envolvida a CM de Cascais deve ser mero pormenor para este alheamento do PR.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Suspensão ou suspenção? Renuncia ou renúncia? Ora bolas!

Clique na imagem para a ampliar.
Já agora: "Com os meus melhores cumprimentos". Mas suspenção e renuncia? Segue-se agora a suspensão de quem? Da secretária?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Foi assim em 1847 e em 1880; é ainda assim em 2009... Eça é que é Eça!

Os inglezes estão experimentando, no seu atribulado imperio da India, a verdade d'esse humoristico logar-commum do seculo XVIII: «A Historia é uma velhota que se repete sem cessar.»

O Fado ou a Providencia, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episodios da campanha do Afghanistan em 1847, está fazendo simplesmente uma copia servil, revelando assim uma imaginação exhausta.

Em 1847 os inglezes, «por uma razão d'Estado, uma necessidade de fronteiras scientificas, a segurança do imperio, uma barreira ao dominio russo da Asia...» e outras coisas vagas que os politicos da India rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes—invadem o Afghanistan, e ahi vão aniquilando tribus seculares, desmantelando villas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; collocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornaes têm telegraphado a victoria, o exercito, acampado á beira dos arroios e nos vergeis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.

No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes energicos, Messias indigenas, vão percorrendo o territorio, e com grandes nomes de Patria e de Religião, prégam a guerra santa: as tribus reunem-se, as familias feudaes correm com os seus troços de cavallaria, principes rivaes juntam-se no odio hereditario contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da India... E quando por alli apparecer, emfim, o grosso do exercito inglez, á volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito secco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquella massa barbara rola-lhe em cima e aniquila-o.

Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exercito refugiam-se n'alguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Candahar: os afghans correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientaes: o general sitiado, que n'essas guerras asiaticas póde sempre communicar, telegrapha para o viso-rei da India, reclamando com furor reforços, chá e assucar! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou ha dias este grito de gulodice britannica; o inglez, sem chá, bate-se frouxamente.) Então o governo da India, gastando milhões de libras, como quem gasta agua, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas collinas de assucar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavallos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.

(…)

Eça de Queiroz, Cartas de Inglaterra

Vaga de atentados no metropolitano de Lisboa




A administração da empresa deve ter-se esquecido de solicitar aos artistas que, nos seus painéis, fosse disponibilizado espaço para a colocação de publicidade. Coisa que seria por eles recusada.

Mas também nada se previne com a habitual “afixação proibida”. E parece que apenas a formal proibição poderia ter evitado esta vergonha. Porque há quem goste de se dar ares com a encomenda de obras de arte, para a seguir provar que isso de arte é coisa para que se estão a… defecar. Como se pode observar nas fotos, a título de exemplo.

Se amanhã terceiros ousarem fazer coisa semelhante ou pior, bom será que se tenha em atenção que o péssimo exemplo veio de cima.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E se a Bíblia fosse parar ao Index?

Richard Zimler é daqueles que faz questão de longamente escrever sobre a polémica criada por Saramago. Para isso, em longo artigo no Público de 27-10-09, decidiu-se por uma originalidade: apresentar as razões por que desvaloriza os comentários de Saramago. Se conseguiu tal efeito ou o seu contrário, é que duvido.
Verdade que utiliza argumentos originais. Por exemplo: para ele, criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado em Crime e Castigo, ou criticar Anne Frank por escrever sobre a crueldade nazi.
Grande cabeça!
Mas será que ignora que Crime e Castigo é mera ficção, mesmo que eventualmente o autor se inspire em factos reais, que recria? E o diário de Anne Frank não é apenas isso, o repositório do que viu e sentiu a partir do seu esconderijo?
Será a esse mesmo nível que se deve colocar a Bíblia, muitas vezes apresentada como a fonte da verdade?
Claro que Zimler, a título de exemplo, se interroga sobre se haverá pior que a descrição mais poderosa da traição e brutalidade humanas, como a que se encontra no Segundo Livro de Samuel.
Mas, explica: “Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.” E com esta é que me trama: porque afinal a culpa parece ser da poesia de então, e poesia ocidental, quando o ocidente era tudo, estando o oriente por descobrir.
O que me parece é que, por bem menos, muitos foram os livros registados, para os devidos efeitos, no Index, com sanção adequada a quem ousasse lê-los se para isso não fosse devidamente autorizado. Quanto à Bíblia, em muitas circunstâncias, não se foi além da sugestão da proibição da sua leitura a menores de 18 anos. E isto não bastaria para se dar, pelo menos, alguma razão a Saramago?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Boa sorte, Ministra da Cultura!


Gabriela Canavilhas
"(...) Até porque a Cultura é verdadeiramente transversal a todas as áreas de actuação da sociedade. Um povo mais culto tem uma consciência cívica mais desenvolvida. Um povo que se reconhece na sua história, através do seu património conservado, é um povo que sabe redimensionar-se para o futuro. Mas claro que, se não criarmos futuro hoje, no futuro não teremos passado."
Público, 26-10-09

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Imagine... que é uma espécie de utopia




Imagine
Composição de John Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Vídeo aqui http://www.youtube.com/watch?v=9Q0Eyw3l3XM

Fax altamente confidencial a que a TVI teve acesso...

No ponto 3 do fax, escreve-se isto:

"3. The Minister of the Environment, Eng. Jose Socrates, is considered to be one of the pillars of the PS government and the essence of integrity."

A que alguém acrescentou a nota "confirmed by others".

Alguém viu qualquer destaque a este ponto? E se fosse ao contrário?
Ver aqui o nulo destaque feito pela própria TVI no seu site:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Saramago! Afinal havia nexexidade…



A primeira reacção sobre as declarações de Saramago era a que não havia nexexidade. E era o que pensava escrever aqui. Porque eram excessivas e desnecessariamente provocatórias. Mais: poderiam servir para a promoção do seu mais recente livro, e nada mais. E serem tidas apenas nesse sentido.
Mas Saramago teve um mérito. O de fazer saltar das tocas alguns demónios. Como é o caso deste eurodeputado.

Mário David, eurodeputado, vice-presidente do Partido Popular Europeu

Há dias, levou ao Parlamento Europeu o caso da TVI que rotulou de “flagrante violação da liberdade de imprensa”.

E que escreve agora na sua pessoal? Pois nem mais nem menos que isto:

"Saramago: Já Chega!
José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?
Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter."

Então o que, para o eurodeputado, valia para a TVI e a Madame Moura Guedes não pode valer para Saramago? Liberdade para uns, mordaça para outros?
E têm de ser de natureza religiosa os valores que definem as pessoas de bom carácter? E que bom carácter será esse?

Conhecida a bem mais serena reacção do Vaticano, há que dizer que David é mais papista que o Papa. E mais: que também é caso para se ter vergonha de se ser representado por eurodeputados deste nível.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ser de chumbo, vá que não vá. Mas chumbar?

"Cavaco Silva recebe chumbo histórico dos portugueses em Outubro
Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivessémos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual.
Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivessémos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual. Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia. Conseguiu-o com o desenlace do caso das escutas, no mês seguinte àquele em que decidiu vir a público falar sobre o caso, à hora dos telejornais. Cavaco falou sobre o caso em 29 de Setembro. Em Outubro, em resposta à sondagem da Aximage para o Negócios e o "Correio da Manhã", 42,4% dos portugueses entende que o Presidente tem actual mal, quando questionados sobre como Cavaco Silva tem actuado nos últimos 30 dias. Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).Entre os restantes líderes, Paulo Portas é o que recebe a melhor avaliação dos portugueses, com um 12,3. José Sócrates recebeu 12,1 e Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aparecem separados por uma décima (11,5 e 11,4, respectivamente). No mesmo mês, apenas Manuela Ferreira Leite surge com avaliação negativa. Os portugueses dão-lhe um 6!"
Agostinho Leite, Jornal de Negócios, online, 19-10-09

Borda fora!

«Sou contra qualquer processo de limpeza, talvez isso dê felicidade política a algumas pessoas e ainda bem que estou a contribuir para essa felicidade, embora seja por um período de tempo curto.»
Narciso de Miranda à TSF
Como é que é, ó Narciso? Os auto-golos contam a favor de quem os marca? As facadas nas costa doem a quem as dá? Quem põe os palitos a alguém é que tem dificuldades em entrar no carro?
Aguenta, meu, que não basta pagar as quotas.
A foto não é do Narciso? E qual a diferença, se o objectivo é ilustar o texto de forma adequada?

Uma miséria!

“Lamento profundamente que o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) e do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) não tenha tido uma posição institucional condizente com a quarta figura do Estado que invoca e, pelo contrário, pareça ter uma postura de guerrilheiro ou de defensor de quem no associativismo dos juízes tem perdido as eleições”, declarou à agência Lusa o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP).
E porquê veio este juiz sindicalista com estes desaforos? Porque Noronha da Costa lhe deu no osso e, de certo modo, pôs a nu a miséria que lastra entre magistrados judiciais e de que este sindicalista é exemplo desbocado. Uma miséria.
E é a esta gente que se permite a aplicação da justiça? E pagamos-lhes para isso? Não há requisitos, ainda que mínimos, para se ser titular de órgãos de soberania?
Quem esteja interessado para ver quanto lhe doeu o que escreveu o Presidente do STJ, leia aqui: http://www.csm.org.pt/ficheiros/boletim/boletiminformativo2009_02editorial.pdf .

Olá Caetana, olá Tomás... Bom dia!




sábado, 17 de outubro de 2009

A política de verdade de Manuela Ferreira Leite


Deus Pinheiro: “Saí pela necessidade de descansar” (...) "Ferreira Leite sabia que estaria pouco disponível para cargos políticos quer no partido, quer no Governo, quer na Assembleia”,
Correio da Manhã online, 16-10-09

E mal tinha entrado. Aliás, entrou na Assembleia da República apenas para anunciar a renúncia. E se ela sabia, de quem será a culpa?

Sonata

Sem batuta, sem maestro. De improviso. Com uma abertura de aromas, no silêncio das vozes. Seguindo uma partitura pegada, no seu início, de apassionatos, andamentos lentos, cadência ritmada. Compasso binário.
Uma melodia a quatro mãos. Dedilhando nos corpos em que identificamos claves e pautas, bemóis e sustenidos, agudos e graves. Quais caixas de ressonância. Que de facto são.
Mergulhamos nas variações e inventamos arranjos, novos acordes, suscitamos diferentes acústicas. Sempre com bis no final de cada refrão. Prolongado a coda de cada andamento.
E prosseguimos em crescendos, recusando calar os agudos e os graves, numa escala que já não dominamos. Numa fantasia em que fica à prova o nosso virtuosismo.
Em tudo a sintonia entre o desejo e a emoção. Até desaguarmos num aleggro maestoso, corpos exaustos, mas nunca rendidos.

Foi pró que deu uma estupenda imagem, encontrada por acaso.


Deixem lá a língua, não lhe cortem o pio. Que se lixe.

Até parece que a Pátria ficou em perigo porque uma triste decidiu exibir uma atroz ignorância ao mesmo tempo que mandava umas bocas nada simpáticas sobre os tugas.
Parece que se quer dar representatividade a quem confunde rio com mar, não sabe o que, em Sintra, pode significar um 3 colocado ao contrário no lintel de uma porta, para quem uma ditadura de quase 50 anos fica por uma de mais de 20, como se isto de ditaduras não fosse duro. E mais: que nem nos sabe imitar a cuspir. Foi penoso vê-la a cuspir daquele jeito, sem falta de jeito.
De repente, um coro de indignação. Comentários violentos na net, exigência de pedidos de desculpa aos tugas em comunicados de estimáveis entidades luso-brasileiras. Uma jornalista tuga chega mesmo à idiotice de sugerir que se proíba a sua entrada no rectângulo, quando a coitada ainda não aprendeu a cuspir como a gente.
Estamos a ser pouco exigentes nisto, ao considerar aquilo que a senhora fez e disse como ofensas. Como se pudesse ofender-nos quem quer.
Para mim isto só teve uma pequena vantagem: conseguir ligar o nome à cara da coitada. E nem nome nem cara me seduzem. Sou exigente, ou esquisito, sei lá. Talvez porque tenhamos por cá brasileiros e brasileiras bem porreiros. E esses é que interessam.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Também quero uma máquina de calcular assim…

... que dê para tudo. Porque ela está por aí. Se não, vejamos:
Nas legislativas o PS foi o partido mais votado, o vencedor. Mas o que é claro para muitos, não o é para alguns comentadores e analistas. Porque o PS perdeu a maioria absoluta, perdeu votos, perdeu deputados. Isto na comparação com os resultados das eleições anteriores. Deste modo, parecia que o PS teria mesmo perdido as eleições.
E agora, que dizem os mesmo? Que o PSD – e esqueçamos as coligações pré-eleitorais com o PP – ganhou, porque mantém mais presidências de câmaras. Agora já não interessa argumentar com os votos a mais no PS, com o saldo bem positivo entre câmaras ganhas e perdidas pelo PS. Agora porque importa a constatação que o PSD e seu aliado PP têm menos votos e que perderam bastantes câmaras. E de nada interessando ter sido este o melhor resultado de sempre nas autárquicas por parte do PS. Mais uma vez, o PS perdeu.
Quero uma máquina dessas, para perceber como funciona ou como a manuseiam analistas e comentadores.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O povo não é parvo…

O BE não queria sujar as mãos na autarquia. Recusou compromissos, entendimentos pré-eleitorais. E Fazenda fez questão de garantir que, mesmo se eleito, não aceitaria qualquer pelouro. Ficaria sim para ser oposição, para chatear. Em defesa da pureza da esquerda, da esquerda à BE.
Então qual a utilidade de um voto no BE, salvo permitir a vitória de Santana? Terão percebido o sinal?
E lá se foi um negócio. O de ser vereador apenas para poder mandar vir, sempre das coisas mais fáceis do mundo. Mas para as quais alguns gostam de ser eleitos e pagos.

domingo, 11 de outubro de 2009

Flop autárquico, salvo no concelho dos rodeos e através de uma independente...


Zé Zé Camarinha sem seguidores à altura, decreta D Mónica


(...)
"O macho latino é, na minha opinião, o nosso lince da Malcata: claro que ainda existem sinais da sua actuação, mas, no fundo, já não são o que eram.
Quem seria capaz de dizer, alto e em bom som, frases como as que Rabecaz proferiu em A Capital, de Eça de Queiroz? Conversando com Artur Corvelo numa taberna de Ovar, aquele perguntou-lhe qual a sua opinião "sobre o gado" - isto é, as mulheres - explicando-lhe que, no seu caso, o que mais apreciava no "femeaço" eram "as boas carnes".
Relembrando a vida de Lisboa, disse-lhe, com ar nostálgico: "Comi tudo, mas regalei-me". Nesse dia, o garanhão começou a morrer, mas foram precisas muitas décadas de luta, por parte das mulheres, para ser remetido para uma semi-clandestinidade. Quando agora sai de casa, prefere envergar uma "burka". O macho latino agoniza, mas ainda não morreu."
Maria Filomena Mónica, Expresso, 04-10-09

A socióloga a quem falta a cadeira de retretologia

(...)
"Curiosa desde a infância e, para mais, treinada numa disciplina, a Sociologia, que nos ensina a espreitar para dentro do mundo dos outros, gosto ouvir as chamadas conversas de homens. Tendo em conta as minhas características biológicas, não me é fácil penetrar nas casas de banho masculinas ou em clubes exclusivamente destinados ao outro sexo, mas, ao longo dos anos, tenho tido oportunidade de escutar o que dizem.
Às vezes, em júris de doutoramentos, em conselho científicos e até no Gambrinus, os homens falam como se eu me tivesse tornado invisível. É então que me familiarizei com expressões como "Ela é boa como o milho" (come-se de bom grado) ou "É de atar e pôr ao fumeiro (consome-me, mas não é nada de especial).
Por detrás deste tipo de frase jaz a concepção de que as mulheres apenas têm dois destinos, o de mães (menos importante do que já foi) ou o de putas (em obvio crescendo). Muitas destas conversas masculinas são tão infantis que custa a crer que indivíduos que, noutras áreas, são capazes de explicar como se enviam satélites para o espaço, alberguem tais ideias."
(...)
Maria Fimomena Mónica, Expresso, 04-10-09
Como não quero que lhe falte nada, recordo este livro publicado pela primeira vez em 1976 e com posteriores reedições, a última em 2007.
Pode assim ampliar os conhecimentos obtidos em conselhos científicos, em júris de doutoramentos, no Gambrinus.
Bom proveito!
Quanto aos dois referidos destinos, não é fácil escapar-lhes quem se lhes coloca a jeito. E isso digo eu que nem sou sociólogo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Politólogo ao meu jeito...

“Os portugueses estão cansados da governação baseada em maiorias absolutas monopartidárias e, por isso, deram ao PS a mais pequena maioria relativa desde 1987.”
André Freire, Politólogo, Público de 05-10-09

Estão cansados? Certamente que existe método para chegar a esta conclusão, embora não se diga qual.
Facto é que não sei em que encontro ou consulta, prévios às eleições, os portugueses decidiram que, desta vez, dariam apenas uma maioria relativa, combinando entre si como votar de modo a que se alcançasse tal objectivo e se evitasse uma maioria absoluta.
Para mim, quem votou PS ou PSD fê-lo desejando uma maioria absoluta para o seu partido ou, pelo menos, nada fez para evitar a maioria absoluta. A mim, por exemplo, ninguém me sugeriu que votasse neste ou naquele, de modo a que o resultado fosse uma maioria relativa. Votei por mim e, confesso, visando a vitória do partido em que votei e, se possível, uma maioria absoluta.
Fico assim sem saber como se podem fazer certas afirmações, mas isso de politólogo também deve ser actividade intelectual apenas ao alcance de alguns dotados.
Como não é o meu caso, a perda da maioria absoluta, na minha interpretação, deve-se fundamentalmente ao surto de reformas que incomodaram muitas corporações e, além disso, à exploração dos casos focados no candidato a PM, visando a sua descredibilização.
E isto desde há muito, não apenas durante a campanha eleitoral. Mas conclusões destas não estão ao alcance de certos politólogos, porque não exigem grandes elucubrações intelectuais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E agora, Pacheco, qual a música, melhor, qual a letra?


Não há volta a dar a esta realidade. Sócrates recebeu uma vitória de mão beijada, que não era difícil de antever a não ser pela cegueira de muitos dos apoiantes de Santana Lopes que, no seu culto da personalidade, nunca admitiram os erros evidentes e a crise para que conduziram o PSD.
Pacheco Pereira, Abrupto, 20-02-05
Santana Lopes, mais do que ninguém, usa o nome de Sá Carneiro para se apresentar como seu herdeiro. A atitude que tomou ontem de não se demitir e insistir em aumentar o fogo e as cinzas em que deixou o partido, é o exacto oposto daquela que Sá Carneiro tomaria. É nestas alturas que se vê a dimensão dos homens.
Pacheco Pereira, Abrupto, 21-02-05
Se se pretende renovar o PSD, depois de 20 de Fevereiro, dever-se-ia lutar não apenas por um congresso extraordinário mas por um processo que implicasse uma demissão colectiva de todas as estruturas distritais e eleições simultâneas para essas estruturas pelo método das directas em conjunção com a escolha de delegados para o Congresso. Não é impossível de fazer com os actuais estatutos, e daria um abanão a todo o partido, fazendo participar o maior número de militantes numa escolha que irá ser decisiva para a sobrevivência do PSD como grande partido nacional.
Pacheco Pereira, Abrupto, 21-02-05

Viva a República!


“Cavaco Silva daria um bom rei”
Duarte de Bragança, 24 Horas, segundo o Público.
Ora até que enfim que se descobre um papel mais adequado. E se o recomendássemos para um reino qualquer?
Espero que Duarte de Bragança não quisesse dizer que Cavaco dava um bom bolo-rei.

“Acho que um poeta pode ser um bom Presidente da República
Manuel Alegre, Weekend Económico, segundo o Público.
Melhor: um bom poeta pode ser um bom Presidente da República, porque poetas há muitos, num país cheio deles. E ficávamos safos de certos candidatos a candidatos.

Cuidado com vizinhos de referência

Ás vezes aprece-me esganar o MEC, isto é, o Miguel Esteves Cardoso. Então não é que, agora que é quase meu vizinho, lhe deu para se pôr a revelar os segredos que só os verdadeiros iniciados em Colares e arredores conhecem?
Para o ano, depois da propaganda que lhes fez, quanto irão custar os pêssegos rosa? E não poderia ele ficar calado sobre a boa evolução por que estão a passar os vinhos de Colares? Quem o mandou falar desses locais ainda não demasiados cheios como a Adraga e as Azenhas do Mar?
(…)
E depois, o pior é o depois. Quando se sentem remorsos de ter dito onde se podia descobrir a maravilha desconhecida e, um ou dois anos depois, verificar como é fácil tudo estar de pantanas após a passagem de hordas de vândalos. Quando me lembro, por exemplo, do que escrevi no Expresso, julgo que em 1983, sobre a Costa Vicentina, e hoje passo por lá, dói.
(…)”
Carta aberta ao MEC, José Manuel Fernandes, Público de 02-10-09

Nada me incomoda a inveja mesquinha e a pretensão vaidosa do JMF que se tem como um dos verdadeiros iniciados no que respeita à região de Colares e antigo descobridor da Costa Vicentina.
Perturba sim confessar – o ego é grande – ter chamado a atenção para a Costa Vicentina que outros – os vândalos, como escreve – estragaram. E perturba porque, a ser assim, vai também azarar Colares e redondezas. Porque, está-lhe no sangue dar cabo do que é bom, como fez, por exemplo, com o Público.
Fica um alerta pelo menos quanto a Eugaria e Galamares.
Atenção Asdrúbal, Matilde, Pedro, Zé, Ana Teresa, Ricardo, Kika e Tiago. Ele anda por aí… Não lho permitam.

domingo, 4 de outubro de 2009

Acalmem a senhora, não lhe aconteça uma coisa má...

Em plena campanha para as autárquicas, está para ali a gritar, muito furibunda, porque o PS ainda não disse como vai governar. E entende ela que o deveria já ter feito, certamente porque ela o exige, como se isso bastasse.
Alguém terá que informar a senhora de que o seu amigo Cavaco ainda não indigitou o PM. E que não se deve colocar a carroça à frente dos bois.
Não é fácil arranjar discurso quando nada de relevante se tem para dizer. Mas isso não pode desculpar a permanente queda para o disparate, desta vez na campanha para as autárquicas.
Talvez por isto Marcelo admita pensar no assunto, quando chegar a altura...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Entre ter uma câmara, ou ser coerente...


É a única câmara do BE. A sua presidente afirma "Sou uma aficcionada, sou uma defensora dos toiros de morte."
E vai adiantando que isso não constitui problema algum nas suas relações com o BE. Porque se trata de cada um respeitar as opções do outro.
E, já agora: ali na zona, naquele concelho, também temos rodeos. Como sobre estes Louçã não quis, prudentemente, indicar os locais onde pudessem ocorrer, fica aqui a notícia. Pelo menos para que ele saiba que a gente sabe o que ele não quer que se saiba.

Você não é ingénua, pois não? Eu também não.

"Porquê toda aquela manipulação?
Transmito-vos, a título excepcional, porque as circunstâncias o exigem, a minha interpretação dos factos.
Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber o que pensou e continua a pensar o Presidente da República."
Cavaco Silva, na sua solene comunicação de 29-09-09

Igualmente a título excepcional dou a minha opinião. O Público está bem enterrado nesta tramóia. Fernando Lima está citado no e-mail trocado entre dois jornalistas, como instigador. Agora que se desunhem. Como muito bem entenderem. Aposto que ficarão calados, talvez remetendo a verdade para consultas a documentos a arquivar na Torre do Tombo. Mas já não há dúvidas sobre quem caíu a borrasca. E quanto a isso existe uma quase unanimidade.

Sérias dúvidas? Como assim?

"E a mesma leitura fiz da publicação num jornal diário de um e-mail, velho de 17 meses, trocado entre jornalistas de um outro diário, sobre um assessor do gabinete do primeiro-ministro que esteve presente durante a visita que efectuei à Madeira, em Abril de 2008.
Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas."
Cavaco Silva, na sua solene comunicação de 29-09-09
O assessor é Fernando Lima, ali na foto. E é quem pode garantir ser verdade ou mentira o que, sobre a sua actuação, é referido no e-mail trocado entre dois jornalistas.
E ficam sérias dúvidas? Se ficam, é porque não acredita nele, ou não será assim? E, como prémio, mantém-se o assessor no Palácio de Belém?

E, no entanto, estiveram frente a frente...

"Não conheço o assessor do Primeiro-Ministro nele referido, não sei com quem falou, não sei o que viu ou ouviu durante a minha visita à Madeira e se disso fez ou não relatos a alguém."
Cavaco Silva, na sua solene comunicação de 29-09-09
"O espião (mesmo em frente a Cavaco) na sala do Palácio de São Lourenço em que Cavaco está reunido com empresários e agricultores da Madeira: terá o espião (cujo nome de código não é conhecido) passado por um homem da lavoura ou por um próspero industrial da ilha?"
Foto e texto rapinados do blog Câmara Corporativa

E o conteúdo explosivo cede perante a antiguidade?

"A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: "porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses?"

Cavaco Silva, na sua solene comunicação de 29-29-29