domingo, 15 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Quem não quer ser sucata que não lhe vista a toga
Havia uma acção que opunha o sucateiro Godinho e a Refer. Aquela que ficou conhecida por Carril Dourado, com a Refer a alegar o roubo de carris da linha do Tua pelo Godinho.
A Refer ganha na primeira instância, mas Godinho recorre para a Relação.
Numa das conversas do processo Face Oculta, fica a saber-se que Godinho conheceu o desfecho favorável do recurso que interpôs para a Relação 4 dias antes de o respectivo acórdão ser assinado.
E estala a bronca.
O relator desembargador Lemos, Cândido de nome – excelente sentido de oportunidade do padrinho – estranha que tal tenha acontecido. Mas admite uma hipótese: ele costuma agrafar os projectos dos acórdãos às capas dos processos e, neste contexto, pode bem ter acontecido que as partes – os intervenientes no processo, não as partes em que por vezes se leva um pontapé - dele tenham tido conhecimento, mesmo antes de ser assinado por mais dois juízes.
Tretas, argumenta o escrivão da 2ª secção que garante que a secretaria apenas tem acesso ao acórdão depois de assinado pelos três juízes. E mais: que o documento apenas circula entre juízes até estar assinado por eles.
Reparo que, no relato feito, ninguém questionou o agrafo, eventualmente incompetente para a tarefa cometida. Mas adiante.
O desembargador Lemos lá vai adiantando que até já tinha ouvido falar das sucatas do Godinho e que conhecia mesmo o chefe da Repartição de Finanças que foi suspenso de funções, por também ter sido apanhado a sucatar. Por sua vez, os outros dois juízes preferem não se envolver nesta bronca.
O CSM, que afirma não conhecer o caso, põe-se fora. O sindicalista juiz António Martins não quer comentar a situação, talvez porque até agora, nesta história, não entrou o PM ou alguém próximo.
E agora?
A mim cabe-me apenas – e verão porquê - safar desta história quem me é próximo. E daí que tenha perguntado ao meu Pai se não estaria envolvido neste triste caso, não fosse ele, por exemplo, quem desagrafou o projecto de acórdão da capa do processo e o pôs a voar.
Que não, e que poderia jurar fosse por quem fosse.
Mas confesso que fiquei na dúvida. É que o meu Pai já trabalhou com umas máquinas de lanifícios que eram uma boa sucata. Há muito tempo, é verdade. Mas tem contra ele esta antiga proximidade à sucata. Falta-lhe a toga? Talvez não! Porque recordo que meu Pai usava uma coisa muito semelhante em funerais e procissões, como membro de uma Irmandade da Paróquia.
Melhor é ficar de atalaia que isto da sucata bem pode entra-me pela família dentro.
Ora bolas!
Gente porreira...
Um brasileiro porreiro...
“O cantor brasileiro Ivan Lins comprometeu-se ontem a desenvolver uma escola de Arte e uma orquestra sinfónica na Cova da Moura, em Lisboa, promovendo a vinda de artistas brasileiros ao bairro.
“A partir de hoje [ontem] esse vai ser o meu projecto de vida”, afirmou o cantor, na sede da Associação de Solidariedade Social do Alto da Cova da Moura (ASSACM), aonde se deslocou a convite da direcção para contactar com a realidade do bairro. (…)”
Público, 07-11-09
Foi grande o alarido com o caso Maitê Proença, quase uma convulsão nacional. Na altura escrevi que havia muitos brasileiros porreiros. Este é um deles. Que até decidiu concretizar um sonho de há muito, segundo confessou num jantar-tertúlia do Vává: ter um apartamento em Lisboa, onde vive grande parte do tempo. Mas a isto, a esta meritória iniciativa, pouco destaque se dá. Porque não vende papel, porque não nos permite assanharmo-nos contra qualquer coisa ou contra alguém.
sábado, 7 de novembro de 2009
Cavaco e Dalila…
Em 2007 o PR insurgiu-se contra o afastamento de Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga perguntando, no ser particular jeito quando se trata de atacar o governo ou um seu ministro "Poderemos dar-nos ao luxo de prescindir daqueles que revelam as suas altas qualificações e que deram provas no desempenho das suas responsabilidades?"
Na mesma altura, o insuspeito Pacheco Pereira criticou a atitude de Cavaco, porque a decisão do afastamento se devia a quebra do dever de lealdade e isenção de Dalila na sua condição de funcionária pública.
Agora, com a mera justificação de perspectivas divergentes com quem manda, Dalila é afastada da Casa das Histórias – Museu Paula Rego, para cuja direcção fora convidada não há muito. E Cavaco calou. Desta vez não se sentiu tentado a invocar as “altas qualificações”, as “provas” dadas.
O facto de na decisão do afastamento estar envolvida a CM de Cascais deve ser mero pormenor para este alheamento do PR.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Suspensão ou suspenção? Renuncia ou renúncia? Ora bolas!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Foi assim em 1847 e em 1880; é ainda assim em 2009... Eça é que é Eça!
Os inglezes estão experimentando, no seu atribulado imperio da India, a verdade d'esse humoristico logar-commum do seculo XVIII: «A Historia é uma velhota que se repete sem cessar.»
O Fado ou a Providencia, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episodios da campanha do Afghanistan em 1847, está fazendo simplesmente uma copia servil, revelando assim uma imaginação exhausta.
Em 1847 os inglezes, «por uma razão d'Estado, uma necessidade de fronteiras scientificas, a segurança do imperio, uma barreira ao dominio russo da Asia...» e outras coisas vagas que os politicos da India rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes—invadem o Afghanistan, e ahi vão aniquilando tribus seculares, desmantelando villas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; collocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornaes têm telegraphado a victoria, o exercito, acampado á beira dos arroios e nos vergeis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.
No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes energicos, Messias indigenas, vão percorrendo o territorio, e com grandes nomes de Patria e de Religião, prégam a guerra santa: as tribus reunem-se, as familias feudaes correm com os seus troços de cavallaria, principes rivaes juntam-se no odio hereditario contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da India... E quando por alli apparecer, emfim, o grosso do exercito inglez, á volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito secco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquella massa barbara rola-lhe em cima e aniquila-o.
Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exercito refugiam-se n'alguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Candahar: os afghans correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientaes: o general sitiado, que n'essas guerras asiaticas póde sempre communicar, telegrapha para o viso-rei da India, reclamando com furor reforços, chá e assucar! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou ha dias este grito de gulodice britannica; o inglez, sem chá, bate-se frouxamente.) Então o governo da India, gastando milhões de libras, como quem gasta agua, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas collinas de assucar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavallos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.
(…)
Eça de Queiroz, Cartas de Inglaterra
Vaga de atentados no metropolitano de Lisboa
A administração da empresa deve ter-se esquecido de solicitar aos artistas que, nos seus painéis, fosse disponibilizado espaço para a colocação de publicidade. Coisa que seria por eles recusada.
Mas também nada se previne com a habitual “afixação proibida”. E parece que apenas a formal proibição poderia ter evitado esta vergonha. Porque há quem goste de se dar ares com a encomenda de obras de arte, para a seguir provar que isso de arte é coisa para que se estão a… defecar. Como se pode observar nas fotos, a título de exemplo.
Se amanhã terceiros ousarem fazer coisa semelhante ou pior, bom será que se tenha em atenção que o péssimo exemplo veio de cima.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
E se a Bíblia fosse parar ao Index?
Richard Zimler é daqueles que faz questão de longamente escrever sobre a polémica criada por Saramago. Para isso, em longo artigo no Público de 27-10-09, decidiu-se por uma originalidade: apresentar as razões por que desvaloriza os comentários de Saramago. Se conseguiu tal efeito ou o seu contrário, é que duvido.Verdade que utiliza argumentos originais. Por exemplo: para ele, criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado em Crime e Castigo, ou criticar Anne Frank por escrever sobre a crueldade nazi.
Grande cabeça!
Mas será que ignora que Crime e Castigo é mera ficção, mesmo que eventualmente o autor se inspire em factos reais, que recria? E o diário de Anne Frank não é apenas isso, o repositório do que viu e sentiu a partir do seu esconderijo?
Será a esse mesmo nível que se deve colocar a Bíblia, muitas vezes apresentada como a fonte da verdade?
Claro que Zimler, a título de exemplo, se interroga sobre se haverá pior que a descrição mais poderosa da traição e brutalidade humanas, como a que se encontra no Segundo Livro de Samuel.
Mas, explica: “Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.” E com esta é que me trama: porque afinal a culpa parece ser da poesia de então, e poesia ocidental, quando o ocidente era tudo, estando o oriente por descobrir.
O que me parece é que, por bem menos, muitos foram os livros registados, para os devidos efeitos, no Index, com sanção adequada a quem ousasse lê-los se para isso não fosse devidamente autorizado. Quanto à Bíblia, em muitas circunstâncias, não se foi além da sugestão da proibição da sua leitura a menores de 18 anos. E isto não bastaria para se dar, pelo menos, alguma razão a Saramago?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Boa sorte, Ministra da Cultura!

Público, 26-10-09
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Imagine... que é uma espécie de utopia
Imagine
Composição de John Lennon
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world
You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one
Vídeo aqui http://www.youtube.com/watch?v=9Q0Eyw3l3XM
Fax altamente confidencial a que a TVI teve acesso...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Saramago! Afinal havia nexexidade…

A primeira reacção sobre as declarações de Saramago era a que não havia nexexidade. E era o que pensava escrever aqui. Porque eram excessivas e desnecessariamente provocatórias. Mais: poderiam servir para a promoção do seu mais recente livro, e nada mais. E serem tidas apenas nesse sentido.
Mas Saramago teve um mérito. O de fazer saltar das tocas alguns demónios. Como é o caso deste eurodeputado.
Mário David, eurodeputado, vice-presidente do Partido Popular Europeu
Há dias, levou ao Parlamento Europeu o caso da TVI que rotulou de “flagrante violação da liberdade de imprensa”.
E que escreve agora na sua pessoal? Pois nem mais nem menos que isto:
"Saramago: Já Chega!
José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?
Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter."
Então o que, para o eurodeputado, valia para a TVI e a Madame Moura Guedes não pode valer para Saramago? Liberdade para uns, mordaça para outros?
E têm de ser de natureza religiosa os valores que definem as pessoas de bom carácter? E que bom carácter será esse?
Conhecida a bem mais serena reacção do Vaticano, há que dizer que David é mais papista que o Papa. E mais: que também é caso para se ter vergonha de se ser representado por eurodeputados deste nível.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ser de chumbo, vá que não vá. Mas chumbar?
Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivessémos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual.
Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivessémos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual. Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia. Conseguiu-o com o desenlace do caso das escutas, no mês seguinte àquele em que decidiu vir a público falar sobre o caso, à hora dos telejornais. Cavaco falou sobre o caso em 29 de Setembro. Em Outubro, em resposta à sondagem da Aximage para o Negócios e o "Correio da Manhã", 42,4% dos portugueses entende que o Presidente tem actual mal, quando questionados sobre como Cavaco Silva tem actuado nos últimos 30 dias. Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).Entre os restantes líderes, Paulo Portas é o que recebe a melhor avaliação dos portugueses, com um 12,3. José Sócrates recebeu 12,1 e Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aparecem separados por uma décima (11,5 e 11,4, respectivamente). No mesmo mês, apenas Manuela Ferreira Leite surge com avaliação negativa. Os portugueses dão-lhe um 6!"
Borda fora!
«Sou contra qualquer processo de limpeza, talvez isso dê felicidade política a algumas pessoas e ainda bem que estou a contribuir para essa felicidade, embora seja por um período de tempo curto.»Uma miséria!
“Lamento profundamente que o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) e do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) não tenha tido uma posição institucional condizente com a quarta figura do Estado que invoca e, pelo contrário, pareça ter uma postura de guerrilheiro ou de defensor de quem no associativismo dos juízes tem perdido as eleições”, declarou à agência Lusa o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP). sábado, 17 de outubro de 2009
A política de verdade de Manuela Ferreira Leite

E mal tinha entrado. Aliás, entrou na Assembleia da República apenas para anunciar a renúncia. E se ela sabia, de quem será a culpa?
Sonata
Sem batuta, sem maestro. De improviso. Com uma abertura de aromas, no silêncio das vozes. Seguindo uma partitura pegada, no seu início, de apassionatos, andamentos lentos, cadência ritmada. Compasso binário.Uma melodia a quatro mãos. Dedilhando nos corpos em que identificamos claves e pautas, bemóis e sustenidos, agudos e graves. Quais caixas de ressonância. Que de facto são.
Mergulhamos nas variações e inventamos arranjos, novos acordes, suscitamos diferentes acústicas. Sempre com bis no final de cada refrão. Prolongado a coda de cada andamento.
E prosseguimos em crescendos, recusando calar os agudos e os graves, numa escala que já não dominamos. Numa fantasia em que fica à prova o nosso virtuosismo.
Em tudo a sintonia entre o desejo e a emoção. Até desaguarmos num aleggro maestoso, corpos exaustos, mas nunca rendidos.
Foi pró que deu uma estupenda imagem, encontrada por acaso.
Deixem lá a língua, não lhe cortem o pio. Que se lixe.
Parece que se quer dar representatividade a quem confunde rio com mar, não sabe o que, em Sintra, pode significar um 3 colocado ao contrário no lintel de uma porta, para quem uma ditadura de quase 50 anos fica por uma de mais de 20, como se isto de ditaduras não fosse duro. E mais: que nem nos sabe imitar a cuspir. Foi penoso vê-la a cuspir daquele jeito, sem falta de jeito.
De repente, um coro de indignação. Comentários violentos na net, exigência de pedidos de desculpa aos tugas em comunicados de estimáveis entidades luso-brasileiras. Uma jornalista tuga chega mesmo à idiotice de sugerir que se proíba a sua entrada no rectângulo, quando a coitada ainda não aprendeu a cuspir como a gente.
Estamos a ser pouco exigentes nisto, ao considerar aquilo que a senhora fez e disse como ofensas. Como se pudesse ofender-nos quem quer.
Para mim isto só teve uma pequena vantagem: conseguir ligar o nome à cara da coitada. E nem nome nem cara me seduzem. Sou exigente, ou esquisito, sei lá. Talvez porque tenhamos por cá brasileiros e brasileiras bem porreiros. E esses é que interessam.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Também quero uma máquina de calcular assim…
... que dê para tudo. Porque ela está por aí. Se não, vejamos:Nas legislativas o PS foi o partido mais votado, o vencedor. Mas o que é claro para muitos, não o é para alguns comentadores e analistas. Porque o PS perdeu a maioria absoluta, perdeu votos, perdeu deputados. Isto na comparação com os resultados das eleições anteriores. Deste modo, parecia que o PS teria mesmo perdido as eleições.
E agora, que dizem os mesmo? Que o PSD – e esqueçamos as coligações pré-eleitorais com o PP – ganhou, porque mantém mais presidências de câmaras. Agora já não interessa argumentar com os votos a mais no PS, com o saldo bem positivo entre câmaras ganhas e perdidas pelo PS. Agora porque importa a constatação que o PSD e seu aliado PP têm menos votos e que perderam bastantes câmaras. E de nada interessando ter sido este o melhor resultado de sempre nas autárquicas por parte do PS. Mais uma vez, o PS perdeu.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O povo não é parvo…
Então qual a utilidade de um voto no BE, salvo permitir a vitória de Santana? Terão percebido o sinal?
E lá se foi um negócio. O de ser vereador apenas para poder mandar vir, sempre das coisas mais fáceis do mundo. Mas para as quais alguns gostam de ser eleitos e pagos.
domingo, 11 de outubro de 2009
Zé Zé Camarinha sem seguidores à altura, decreta D Mónica

(...)
Quem seria capaz de dizer, alto e em bom som, frases como as que Rabecaz proferiu em A Capital, de Eça de Queiroz? Conversando com Artur Corvelo numa taberna de Ovar, aquele perguntou-lhe qual a sua opinião "sobre o gado" - isto é, as mulheres - explicando-lhe que, no seu caso, o que mais apreciava no "femeaço" eram "as boas carnes".
Relembrando a vida de Lisboa, disse-lhe, com ar nostálgico: "Comi tudo, mas regalei-me". Nesse dia, o garanhão começou a morrer, mas foram precisas muitas décadas de luta, por parte das mulheres, para ser remetido para uma semi-clandestinidade. Quando agora sai de casa, prefere envergar uma "burka". O macho latino agoniza, mas ainda não morreu."
A socióloga a quem falta a cadeira de retretologia
Às vezes, em júris de doutoramentos, em conselho científicos e até no Gambrinus, os homens falam como se eu me tivesse tornado invisível. É então que me familiarizei com expressões como "Ela é boa como o milho" (come-se de bom grado) ou "É de atar e pôr ao fumeiro (consome-me, mas não é nada de especial).
Por detrás deste tipo de frase jaz a concepção de que as mulheres apenas têm dois destinos, o de mães (menos importante do que já foi) ou o de putas (em obvio crescendo). Muitas destas conversas masculinas são tão infantis que custa a crer que indivíduos que, noutras áreas, são capazes de explicar como se enviam satélites para o espaço, alberguem tais ideias."
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Politólogo ao meu jeito...
“Os portugueses estão cansados da governação baseada em maiorias absolutas monopartidárias e, por isso, deram ao PS a mais pequena maioria relativa desde 1987.”André Freire, Politólogo, Público de 05-10-09
Estão cansados? Certamente que existe método para chegar a esta conclusão, embora não se diga qual.
Facto é que não sei em que encontro ou consulta, prévios às eleições, os portugueses decidiram que, desta vez, dariam apenas uma maioria relativa, combinando entre si como votar de modo a que se alcançasse tal objectivo e se evitasse uma maioria absoluta.
Para mim, quem votou PS ou PSD fê-lo desejando uma maioria absoluta para o seu partido ou, pelo menos, nada fez para evitar a maioria absoluta. A mim, por exemplo, ninguém me sugeriu que votasse neste ou naquele, de modo a que o resultado fosse uma maioria relativa. Votei por mim e, confesso, visando a vitória do partido em que votei e, se possível, uma maioria absoluta.
Fico assim sem saber como se podem fazer certas afirmações, mas isso de politólogo também deve ser actividade intelectual apenas ao alcance de alguns dotados.
Como não é o meu caso, a perda da maioria absoluta, na minha interpretação, deve-se fundamentalmente ao surto de reformas que incomodaram muitas corporações e, além disso, à exploração dos casos focados no candidato a PM, visando a sua descredibilização.
E isto desde há muito, não apenas durante a campanha eleitoral. Mas conclusões destas não estão ao alcance de certos politólogos, porque não exigem grandes elucubrações intelectuais.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
E agora, Pacheco, qual a música, melhor, qual a letra?

Viva a República!

Duarte de Bragança, 24 Horas, segundo o Público.
Ora até que enfim que se descobre um papel mais adequado. E se o recomendássemos para um reino qualquer?
“Acho que um poeta pode ser um bom Presidente da República”
Manuel Alegre, Weekend Económico, segundo o Público.
Melhor: um bom poeta pode ser um bom Presidente da República, porque poetas há muitos, num país cheio deles. E ficávamos safos de certos candidatos a candidatos.
Cuidado com vizinhos de referência
“Ás vezes aprece-me esganar o MEC, isto é, o Miguel Esteves Cardoso. Então não é que, agora que é quase meu vizinho, lhe deu para se pôr a revelar os segredos que só os verdadeiros iniciados em Colares e arredores conhecem?Para o ano, depois da propaganda que lhes fez, quanto irão custar os pêssegos rosa? E não poderia ele ficar calado sobre a boa evolução por que estão a passar os vinhos de Colares? Quem o mandou falar desses locais ainda não demasiados cheios como a Adraga e as Azenhas do Mar?
(…)
E depois, o pior é o depois. Quando se sentem remorsos de ter dito onde se podia descobrir a maravilha desconhecida e, um ou dois anos depois, verificar como é fácil tudo estar de pantanas após a passagem de hordas de vândalos. Quando me lembro, por exemplo, do que escrevi no Expresso, julgo que em 1983, sobre a Costa Vicentina, e hoje passo por lá, dói.
(…)”
Carta aberta ao MEC, José Manuel Fernandes, Público de 02-10-09
Nada me incomoda a inveja mesquinha e a pretensão vaidosa do JMF que se tem como um dos verdadeiros iniciados no que respeita à região de Colares e antigo descobridor da Costa Vicentina.
Perturba sim confessar – o ego é grande – ter chamado a atenção para a Costa Vicentina que outros – os vândalos, como escreve – estragaram. E perturba porque, a ser assim, vai também azarar Colares e redondezas. Porque, está-lhe no sangue dar cabo do que é bom, como fez, por exemplo, com o Público.
Fica um alerta pelo menos quanto a Eugaria e Galamares.
Atenção Asdrúbal, Matilde, Pedro, Zé, Ana Teresa, Ricardo, Kika e Tiago. Ele anda por aí… Não lho permitam.
domingo, 4 de outubro de 2009
Acalmem a senhora, não lhe aconteça uma coisa má...
Em plena campanha para as autárquicas, está para ali a gritar, muito furibunda, porque o PS ainda não disse como vai governar. E entende ela que o deveria já ter feito, certamente porque ela o exige, como se isso bastasse.Alguém terá que informar a senhora de que o seu amigo Cavaco ainda não indigitou o PM. E que não se deve colocar a carroça à frente dos bois.
Não é fácil arranjar discurso quando nada de relevante se tem para dizer. Mas isso não pode desculpar a permanente queda para o disparate, desta vez na campanha para as autárquicas.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Entre ter uma câmara, ou ser coerente...

É a única câmara do BE. A sua presidente afirma "Sou uma aficcionada, sou uma defensora dos toiros de morte."
Você não é ingénua, pois não? Eu também não.
Transmito-vos, a título excepcional, porque as circunstâncias o exigem, a minha interpretação dos factos.
Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber o que pensou e continua a pensar o Presidente da República."
Sérias dúvidas? Como assim?
Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas."
E, no entanto, estiveram frente a frente...
E o conteúdo explosivo cede perante a antiguidade?
E vice-versa. Já agora: seja quanto a quem for, mesmo se PR, por exemplo.
Uma tampa da vizinha do 32...
"Escutá-lo não vale a pena"
E, no entanto...
Editorial - DN de 30 Setembro 2009
"O Presidente da República, Cavaco Silva, falou ontem ao País. Não esclareceu nada do que era essencial esclarecer (se desconfia ou não de que a Presidência andou a ser "espiada" por elementos do gabinete de José Sócrates, como o Público noticiou no passado dia 18 de Agosto) e atirou mais lenha para a fogueira da guerra política com "o partido do Governo".
Cavaco Silva resguardou-se no simbolismo do seu cargo para ser ambíguo no que era importante e até fazer demagogia.
A ambiguidade esteve na forma como disse que não se revia nas informações passadas por Fernando Lima. "Só o Presidente fala em nome dele", afirmou, relembrando o carácter unipessoal do seu cargo. Cavaco Silva não foi capaz de ser directo (quanto à matéria de facto), não esclareceu se o assessor continua ou não a trabalhar em Belém (apenas reconheceu "alterações na Casa Civil"), e até informou os portugueses de que acha normal que um trabalhador do Palácio de Belém não só se interrogue em público (e na qualidade de membro da Casa Civil, permitindo esta atribuição), em conversa com um jornalista, sobre qualquer matéria, como até aponte actos ilícitos ao gabinete do primeiro-ministro! "Onde está o crime?", perguntou um indignado Cavaco Silva. Ou seja, uma insensatez que não seria perdoada em qualquer democracia mundial, em Portugal é não só possível como pode ser vista como um direito de cidadania. Absolutamente inesperado.
A demagogia esteve à vista no caso do e-mail, há poucos dias divulgado pelo Diário de Notícias. Primeiro disse que tinha dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas (coisa que só Fernando Lima e o jornalista do Público podem um dia esclarecer, se quiserem) e a seguir serviu-se desse mesmo e-mail para falar da segurança das comunicações na Presidência. Como se uma coisa tivesse a ver com a outra! É lamentável que o mais alto magistrado da Nação possa atrever-se a tentar jogar com a possível ignorância das pessoas, quanto ao processo ou quanto aos saberes, para fazer valer as suas necessidades políticas. Ou seja, quando se esperava, por declarações recentes, que o PR estivesse preocupado com questões importantes de Estado, ligadas a eventuais escutas ou, pelo menos, de coordenação do SIRP e do trabalho do secretário-geral de Segurança Interna, Cavaco Silva mostrou precisar de um antivírus no seu computador. Se o problema era esse, o informático deveria ter sido chamado há mais tempo, e não só ontem, sem dúvida, para lhe resolver "as vulnerabilidades" na máquina que motivaram o irónico fim da reacção oficial do PS, lida por Pedro Silva Pereira.
Não há memória de um discurso tão pobre de um Presidente da República Portuguesa.
Cavaco Silva fez o pleno das críticas logo a seguir em todos os canais de televisão e fragilizou-se ainda mais. Bem pode dizer que "Portugal está primeiro" e tentar justificar-se que não consegue iludir o essencial: esta polémica resulta apenas de o PR não ser capaz de desfazer sem tibiezas nem artifícios um problema montado por um dos seus assessores que depois mudou de lugar, mas não foi deixado cair. Isso está à vista de toda a gente.
Nesta conjuntura, com um Governo provavelmente minoritário e um PR em crise de credibilidade, incapaz de assumir os erros, Portugal não está bem. José Sócrates ficou com uma enorme vantagem de capital pessoal e político para gerir no imediato sem o contraponto que um Presidente de todos os portugueses poderia, e deveria, estabelecer. Cavaco Silva vai perceber isso nos dois anos que lhe restam de mandato. E, entretanto, também vai ter de pensar se tem condições para se recandidatar."
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O imperativo cívico e político de uma...
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.
Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte. É timbre das boas maneiras felicitar o vencedor, mas aqui eu encontro-me perante um conflito de deveres: esse, das felicitações na hora do acontecimento, que é um dever de cortesia, e o de dizer o que penso numa situação como aquela que atravessamos, que é um dever de cidadania.
Opto pelo segundo. Por isso, quando profiro estas e outras afirmações, faço-o obedecendo ao imperativo cívico e político de denunciar também neste momento uma situação de catástrofe agravada que vai continuar a fazer-nos resvalar para um abismo irrecuperável.
Entendo que o Governo que sair destes resultados não pode ter tréguas e tenciono combatê-lo em tudo quanto puder. Sabe-se de antemão que o próximo Governo não vai prestar para nada!
É de prever que, dentro de pouco tempo, sejamos arrastados para uma situação de miséria nacional irreversível, repito, de miséria nacional irreversível, e por isso deve ser desde já responsabilizado um eleitorado que, de qualquer maneira, há-de levar a sua impudência e a sua amorfia ao ponto de recomeçar com a mais séria conflitualidade social dentro de muito pouco tempo em relação a esta mesma gente inepta a quem deu a maioria.
O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo. Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo. O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.
Mas as empresas continuarão a falir, os desempregados continuarão a aumentar, os jovens continuarão sem ter um rumo profissional para a sua vida. Pelos vistos a maioria não só gosta disso, como embarcou nas manipulações grosseiras, nas publicidades enganosas, nas aldrabices mediáticas, na venda das ilusões mais fraudulentamente vazias de conteúdo.
A vitória foi dada à força política que governou pior, ao elenco de responsáveis que mais incompetentemente contribuiu para o agravamento da crise e para o esboroar da sustentabilidade, ao clube de luminárias pacóvias que não soube prevenir o desemprego, nem resolver os problemas do trabalho, nem os da educação, nem os da justiça, nem os da segurança, nem os do mundo rural, nem nenhuma das demais questões relevantes e relativas a todos os aspectos políticos, sociais, culturais, económicos e cívicos de que se faz a vida de um país.
Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas. A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.
O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.
A partir de agora, só haverá mais do mesmo. Com os socialistas no Governo, Portugal não sairá da cepa torta nos próximos anos, ir-se-á afundando cada vez mais no pântano dos falhanços, das negociatas e dos conluios, e dentro de pouco tempo nem sequer será digno de ser independente. Sejam muito felizes."











