quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

E quando a gente esperava por um número de palhaços, sai um pretenso estadista!


O director do Sol pediu um adiamento da sua audição parlamentar, agendada para hoje, alegando que "ninguém perceberia" que se dedicasse a falar de "problemas particulares" quando o país está impressionado com a tragédia da Madeira.

Público online, 23-02-2010

Bufos e seus porta-vozes...

"O caso Mário Crespo não é um problema de liberdade de informação, mas (mais) um sintoma da degradação a que chegou a comunicação social."

A. Marinho e Pinto

E continua aqui http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Ant%F3nio%20Marinho%20Pinto


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ainda não foi processado? Nem é preciso.


“O que se assistiu nesta primeira semana de audições é apenas um sinal do que nos espera nos próximos tempos: uma série de egos desorbitados, várias acusações fúteis e os previsíveis ajustes de contas de que ninguém sai a ganhar. Eu sei que, neste momento, Mário Crespo é uma das vítimas da liberdade e que nessa qualidade deve, segundo alguns teóricos, ser alvo da solidariedade de todos quantos não estão "vendidos" aos interesses do engº Sócrates. Ora, eu não estou, nem nunca estive "vendida" aos interesses do engº Sócrates, mas considero que a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República. Um exemplo, como já disse, da histeria que hoje em dia reina em Portugal.”

Constança Cunha e Sá, Jornalista

Correio da Manhã, 23-02-2010

Mas que merda é esta? Brincamos?

"Tudo se conjuga assim para que Sócrates não conste do rol dos acusados e para que se veja assim livre das suspeitas que recaem sobre ele desde 2005.Os procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães já encontraram, contudo, indícios suficientes para deduzir acusação em relação a alguns arguidos do processo relacionado com a construção do centro comercial de Alcochete.

A conclusão do despacho final será conhecida no próximo mês de Março, segundo revelou já publicamente a coordenadora do Departamento Central de Investigação de Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida.

O nome de José Sócrates tem sido associado a este caso, devido ao facto de a implantação do Freeport ter invadido a zona de protecção ambiental do estuário do Tejo, quando Sócrates era ministro do Ambiente. O projecto acabaria por ser aprovado pelo Governo de Durão Barroso, mas declarações proferidas pelos representantes dos investidores ingleses levantaram suspeitas de corrupção e tráfico de influências que envolviam o nome do primeiro-ministro.
As investigações prolongam-se há cinco anos, mas, até agora, não foram detectados indícios que permitam constituir Sócrates sequer como arguido.

Em declarações ao PÚBLICO, Cândida Almeida nota, contudo, que "ainda se está a analisar o relatório pericial da PJ" composto por "milhares de páginas". É ainda necessário "confrontar resultados com o resto da prova, ver se não há contradições ou lacunas" e "eventualmente realizar diligências". Só então o Ministério Público "dará a sua decisão relativamente a todos os suspeitos e arguidos", esclarece a responsável do DCIAP.

No âmbito deste inquérito já foram realizadas demoradas perícias aos fluxos financeiros do Freeport para o licenciamento, construção e abertura do complexo comercial. Com a colaboração da Polícia Judiciária de Setúbal, os dois magistrados constituíram seis arguidos no âmbito do processo: o inglês Charles Smith, Carlos Guerra (ex-presidente do Instituto de Conservação da Natureza), José Dias Inocêncio (antigo presidente da Câmara de Alcochete), José Manuel Marques (antigo assessor daquela autarquia), Manuel Pedro (sócio de Charles Smith na empresa Smith&Pedro) e Eduardo Capinha Lopes (responsável pelo projecto de arquitectura).

Em processos autónomos, a investigação foi realizada em cooperação com as autoridades inglesas. O Serious Fraud Office (SFO) e a Overseas Anti-Corruption Unit trocou informações com os investigadores portugueses e circularam entre Lisboa e Londres cartas rogatórias, informações e pedidos de esclarecimento. Por falta de indícios suficientes para acusar os seis suspeitos ingleses envolvidos no caso, a investigação britânica acabaria por ser arquivada. Os danos colaterais do processo afectaram o inspector José Torrão, que foi acusado de violação do segredo de funcionário e condenado a oito meses de prisão, em Julho de 2007. Mais recentemente, o procurador-geral adjunto Lopes da Mota foi punido com trinta dias de suspensão e obrigado a demitir-se da presidência do Eurojust, por denúncia de ter pressionado os magistrados titulares do inquérito Freeport."

Público de hoje.

Se assim é, vamos lá carregar no Face Oculta e, pelo sim pelo não, magicar já outra qualquer coisinha. Isto não pode ficar assim, nem que se tenha de o apanhar a roubar rebuçados aos putos ou a pisar a relva dos jardins do palácio de S Bento.
Uma dica: naquelas maratonas, não haverá doping? Huuuuummmm! Eu pegava nessa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Só à palmada...

A um bom palmarés, nada como bater palmas. E isso – palmarés - é o que não falta entre corporações, de acordo com os órgãos dos seus sindicatos ou das suas associações. Porque tais órgãos apenas teoricamente admitem poder haver entre eles uma ou outra ovelha ranhosa, como, para justificar, existirão igualmente noutras profissões ou actividades.

Mas isso na teoria que, na prática, nunca há. Mesmo quando acabemos por ver uns quantos castigados, em geral com excessiva brandura, em sede em que os corporativos põem e dispõem. Seja no Conselho Superior da Magistratura, seja no Conselho Superior do Ministério Público. E, não esquecer, que um juiz é julgado, apenas, por um outro, ainda que mais graduado. Mas fica tudo em casa, com o distanciamento, isenção e independência que se imagina.

Mas, quando em cima desta caldeirada de interesses, se mete a política, então é que é o bom e o bonito. E por isso, em nada espanta as palmadas em Lopes da Mota e as que se vão despejando sobre o PGR.

E isto vem agora a que propósito?

Já ninguém acredita que nisto das fugas de informação, da infracção ao segredo de justiça, possam estar inocentes polícias de investigação e magistrados, os judiciais e os do MP. O caso recente das dicas dadas por um desembargador a alguém interessado num acórdão em que tal desembargador foi relator – e quando o acórdão ainda estava por assinar por outros seus pares – é a prova feita de que assim é.

E nas fugas do processo Face Oculta, só mesmo a ingenuidade poderia fazer sustentar que nisso nada têm a ver as polícias e os magistrados intervenientes.

Mas, onde estão as palmadas quanto a estas fugas, quando elas servem para fritar o PM e pessoas que lhe são próximas?

Eis que, no entanto, uma fuga – uma infracção ao segredo de justiça – permite concluir haver uma perseguição – com fins políticos – ao PM, ao trazer à luz do dia uma transcrição em tudo favorável ao que o PM tem declarado com insistência. Como reage, no caso, o SMMP? Pois de forma indignada, com um comunicado de que destaco isto:

“Para que outras dúvidas não se instalem, impõe-se ainda que o Procurador-geral

da República esclareça se pertencem ou não ao despacho que proferiu

sobre a denúncia que lhe foi remetida pelo Ministério Público e Juiz de

Instrução de Aveiro os excertos que alguns jornais agora divulgam, e, na

afirmativa, que, com o mesmo vigor demonstrado em recentes ocasiões,

determine a abertura de um inquérito para apurar a autoria dessa eventual violação do segredo de justiça."

Palma exige um inquérito, num comunicado patético em que os magistrados, de tão puros, tão isentos e independentes, são em tudo o oposto do que existe em qualquer um de nós que, ousadamente, teimamos em dizer que o rei vai nu, que nem todos somos tão parvos assim.

E Palma antecipa-se ao que certamente seria uma decisão do PGR porque, para Palma, este PGR merece mesmo umas boas palmadas. Pode-se lá permitir uma fuga destas, com conteúdo favorável ao PM? A ser assim, onde é que vamos parar?

E, quem se queira cultiva, que leia o comunicado aqui http://www.smmp.pt/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tá todo f...


[…]

Em primeiro lugar, nas referências, explícitas ou implícitas, feitas ao Primeiro-Ministro nos produtos das alíneas a), g), l), m), o), p), s), f), u), v), e z), do n.º 8 não existe uma só menção de que ele tenha proposto, sugerido ou apoiado qualquer plano de interferência na comunicação social. Não resulta sequer que tenha proposto, sugerido ou apoiado a compra pela PT de parte do capital social da PRISA, tal como se não mostra clarificado o circunstancialismo em que teve conhecimento do negócio. Ao invés, há nas escutas notícia do descontentamento do Primeiro-Ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da operação; "devia ter tido a cautela de falar com o Sócrates... não falei e o gajo não quer o negócio. Era isto que eu temia. Acho que o Henrique não falou com ele, o Zeinal não falou com ele... eh pá... agora ele está 'todo fodido'. 'Está todo fodido e com razão'" [n.º 8, alínea u), produto nº 5291, de Rui Pedro Soares para Paulo Penedos; v. ainda os produtos das alíneas x) e z)].

Quanto a tal negócio, é citado nas escutas um outro membro do governo, nestes termos: "o Lino diz que não quer saber, que decidam o que quiserem... ninguém se atravessa... o Zeinal faz o que quiser, se quiser faz o negócio se não quiser não faz o negócio" [n.º 8, alínea v), produto n.º 5292, de Rui Pedro Soares para Paulo Penedos].

[…]

Ler aqui parte do despacho do PGR http://dn.sapo.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1498666&seccao=Media

E afianço, na forma de apostas para perder, que Crespo vai falar nisto depois da conversa com Rangel, que o Sol fará capa a propósito na próxima edição, que M Ferreira Leite corrigirá as declarações, eu sei lá.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Crespo no formato Xerox

Facto é que tinha um jornal para as minhas crónicas. E agora tenho as crónicas e uma fotocopiadora. Por isso vos deixo uma fotocópia. A minha crónica numa fotocópia. Nada mais terrível que não ter um jornal para a minha cópia. Tiraram-me o jornal.

Mas que mal há nisso se eu até lia o Avante em fotocópias? Claro que mais adiante direi que nunca tive interesse pela política, certamente por lapso, por distracção. Mas deve ficar bem falar na leitura do Avante em fotocópias. Clandestinamente, sem o Kaulza saber.

Claro que me lembro do momento do telefonema a anunciar a censura da minha crónica. Estava deitado com a minha mulher a ler o livro (desculpa, cronista, escapou-me o título, mas era livro de peso, isso juro). E decidi logo: nunca mais terás crónicas minhas. Ou eu não seja o Mário. Acabou, não quero mais.

E lembro mesmo um pormenor: no dia seguinte tinha exame para tirar a carta de patrão de costa. Um exame duríssimo de 3 horas. Como poderia esquecer isto? Já agora: passei, com excelente nota. Podem dar-me os parabéns. Voltar a isto, de ser snob, mas para falar do bife.

Nunca pensei publicá-las em livro. O quê? As minhas crónicas, claro. Pensava antes em coisa literária mais sumarenta, mas só para depois da reforma. Agora sou cronista em livro, porque me tiraram o jornal que publicava as crónicas mais lidas, desculpem a vaidade.

Mas descansem. Enquanto houver fotocópias, haverá crónicas. Sim, no tempo de Jefferson não havia fotocópias e vocês sabem que ele disse (desculpa de novo: não retive as diversas tiradas atribuídas a Jefferson).

Conhecem o conteúdo daquela emenda à Constituição dos USA segundo a qual nenhum soldado pode ocupar casas sem o consentimento do comandante? Pois, apesar de tal emenda, tiraram-me a casa, a casa das minhas crónicas que era o jornal. Mas tenho as fotocópias.

Sim. A estabilidade financeira do jornalista é importante. Doutro modo, como pagar o bife no Snob - lembram-se da carta de patrão de costa? - e poder ter aquelas conversas com jornalistas. E estabilidade para ter família. Sobre isto muito poderia falar, se me desse para aquelas opiniões sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Quando temi que vinha aí o pior? Quando recebi esta T-shirt. Olhem-na. Nunca a pus em público, mas já dormi com ela diversas vezes. É com que uma (desculpa, cronista, aqui saiu um termo caro, mas escapou-me).

Como vêem, já me habituei a este ritual. Poderia ficar aqui pela noite dentro, se não fosse o meu jornal das 9. Não fosse o jornal e juro que não seria tão selectivo a responder. Escolhendo o que me dá mais jeito.

Mas retenham isto: um tinha um jornal e, agora, restam-me as fotocópias. Que vos passo, salivando os dedos, para que seja uma para cada um de vós. Não mais, em benefício do bife do Snob.

Posso pedir um favor?

Não apaguem a gravação. Eu quero uma cópia. Antes Crespo na comissão da AR que o melhor dos Gatos Fedorentos.

Internar este tipo? Tenham juízo. Eu quero mais. Quero Crespo membro vitalício de todas as comissões da AR. E com mais tempo de antena.

E atenção, deputados. Topei que havia por ali alguns sorrisos – de gozo – contidos. Custa aguentar? Custa, mas é serviço público permitir a auto-denúncia de gente enfatuada. Com um ego de fazer saltar todos os botões da camisa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Não estou aqui para enganar ninguém". OK! Mas traz os fundos, sff.

O ex-líder parlamentar do PSD Paulo Rangel criticou hoje os “paladinos da ética” que defendem que um arguido não deve candidato a eleições, manifestando-se “totalmente solidário” com a direcção do partido no processo de constituição das listas às legislativas.

Lusa, 26-08-2009

"O PSD é o partido da ruptura em Portugal. É preciso uma ruptura para libertar o futuro. E o primeiro objectivo de um governo de ruptura só pode ser criar condições para libertar o futuro dos encargos contraídos", afirmou na sua declaração, que não deu direito a perguntas dos jornalistas no final.

Rangel falou do estado da educação, da justiça, da economia e das finanças mas também da "desagregação acelerada do Governo" para justificar a necessidade de avançar com uma candidatura à liderança. "Já não basta mudar, é preciso romper".

Sem se referir nunca aos seus opositores anunciados, Pedro Passos Coelho e José Pedro Aguiar Branco, Rangel realçou que a sua candidatura não foi construída em gabinetes ou almoços. Isto para se distanciar do chamado aparelhismo partidário.

"Somos hoje um país sem esperança. Portugal não pode ser isto e não irá ser isto. Vamos dar um novo sentido à política em Portugal", terminou Rangel.

Em 10-02-2010

"Eu digo aqui peremptoriamente que não estou nessa corrida por uma razão muito simples. Fui eleito para o Parlamento Europeu há pouco mais de quatro meses e, portanto não faria sentido neste momento que me candidatasse à liderança. Seria um mau sinal para a democracia".

Em 29 de Outubro de 2009

"Já tive oportunidade de esclarecer claramente que se trata de uma intriga baseada em factos falsos e não sei de quem, já que se trata de uma constatação objectiva. Não estou melindrado nem aborrecido com ninguém. Trata-se apenas de uma intriga que envolve o doutor Marcelo e o Presidente da Comissão Europeia e uma intriga que não vou alimentar. Portanto, sobre isso, não vou dizer rigorosamente nada".

Em 30 de Janeiro de 2010, reagindo a uma manchete do Sol que o dava como candidato à liderança do PSD

Liberdade de expressão a 0.10€ o exemplar

Praticamente gratuito. Suportado pelos contribuintes, pelos cubanos do continente. Sob a tutela de Jardim e, sendo assim, com o pluralismo que se pode admitir.
E é também para isso que a Lei das Finesses Regionais dá jeito. Com o apoio, por exemplo, do BE e do PCP. Para levarem na tola.
Masoquismo. Demagogia. De que come quem gosta.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tiro de partida... com recomendação de pólvora seca...


Paulo Rangel deixou ontem a sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo e rumou ao Porto, onde esteve envolvido em intensos contactos políticos a preparar a intervenção que fará esta noite, às 20h, no Hotel Tivoli, em Lisboa.

Nos últimos dias, o eurodeputado social-democrata tem repetido em sucessivas conversas uma frase que revelava a tentação de avançar para a liderança do PSD - "Esta não é a única oportunidade, mas é uma oportunidade única".


A grande questão agora é perceber qual é a posição do líder parlamentar social-democrata Aguiar Branco, que deveria lançar a sua candidatura no Conselho Nacional do PSD, convocado para a próxima sexta-feira.


A candidatura de Aguiar Branco e de Paulo Rangel daria, com grande probabilidade, a vitória a Pedro Passos Coelho, o único candidato oficial até ao momento no PSD.

José Pedro Aguiar-Branco já decidiu que vai avançar para a liderança do PSD. O Expresso apurou que a decisão será comunicada sexta de manhã à bancada social-democrata.

In Expresso, online

Pois é, BB...


Liberdade, eis a questão

A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e falta de uso. Já me não surpreende a desvergonha de alguns daqueles que têm desfilado nas televisões a proclamar que vivemos numa asfixia. Mas indigna-me o silêncio calculado dos que se não erguem a protestar contra a ambiguidade do assunto.

O alvo, naturalmente, é e tem sido José Sócrates. O homem mente compulsivamente, denegou os testamentos da esquerda, bandeou-se com a direita procedendo às mais graves traições, não possui bússola ideológica, ignora o que são convicções, é destituído de compleição de estadista e cultiva uma mediocridade feliz dissimulada numa incontinência retórica que, amiúde, o emparelha com um vendedor de feira.

Depois disto e com o desenrolar de acontecimentos que o perseguem, porque por ele próprio provocados -, chega-se a este melancólico resultado: José Sócrates é tolo, ingénuo ou extremamente sinistro. As escutas esclarecem não só os contornos desses defeitos como no-lo dizem da desastrosa escolha das suas companhias e das relações perigosas que tem sustentado. Enfim: Sócrates não tem amigos; tem instantes de amizade.

Os documentos agora revelados e alguns esparsos factos ocorridos alinham-se como consequências uns dos outros, e apontam para o primeiro-ministro, sublinhando os defeitos por mim acima indicados com amena benevolência. Se havia um plano tenebroso para controlar a comunicação social; se a censura está instalada no cerne da sociedade portuguesa, é bom que se crie a tal Comissão Parlamentar de Inquérito, a fim de se averiguar a extensão e a natureza do crime - como será urgente que os jornalistas vítimas do fluxo censório venham à praça queixar-se das suas desventuras.

Há algo de torpe neste alvoroço. Um ex-ministro, agora protestador grave e atroz, foi, na sombria década cavaquista, controleiro da RTP. E um dos agora acusadores da falta de liberdade era o zeloso varejeiro do noticiário. Não cauciono, de forma alguma, tentativas de domínio da imprensa pelo poder político. Mas não colaboro neste imbróglio, que tem estimulado a perda do sentido das coisas e a adulteração da verdade histórica. A reabilitação de falsos fantasmas apenas serve para se ocultar a medonha dimensão do que ocorreu na década de 80. Os saneamentos, a extinção de títulos, a substituição de direcções de jornais e a remoção de jornalistas incómodos por comissários flutuantes eram o pão nosso de cada dia. Já se esqueceram?

Baptista-Bastos

In DN, 10-02-2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

3 noites e 4 dias de sufoco por 75€

A Gascan vende-me gás, mas decidiu alargar a sua actividade à arte musical. Agora quer dar-me música.

Para tal, celebrou uma parceria com a cadeia de Hotéis D Pedro e oferece isto: três noites no Aparthotel Dom Pedro Portobelo em Vilamoura, um jantar no Da Pietro’s – bebidas não incluídas – e uma visita ao Family Park Zoomarine (não seja que seja esta merda) e tudo por 75€.

Mas temos aqui umas condições a preencher.

Isto é só para casais entre os 30 e 65 anos.

Profissionalmente no activo, com óbvia exclusão de quem esteja por conta do rendimento mínimo, do subsidio de desemprego.

Os interessados não podem residir nem terem casa de férias no Algarve. E aqui é evidente o cheiro de uma fuga de gás.

E os casais terão que aceitar fazer uma visita promocional com a duração mínima de 90 minutos.

Topam isto? Um sufoco, imagino eu, até os papalvos vergarem na compra de um plano de férias ou coisa assim. Com recurso a técnicas de venda forçada, de muito duvidosa legalidade. Julgo serem mesmo ilegais.

Uma empresa de transportes, que procura seduzir-me com uns papelitos na caixa de correio, é mais modesta. Oferece viagem quase gratuita, até ao Castelo de Almourol ou coisa assim, com refeições incluídas, um presunto. Mas depois chateiam e chateiam até conseguirem vender o equivalente a uma vara de porcos. É o que imagino, que o Pingo Doce, que se diz muito barato, nem uma fatia de presunto me dá de borla

Chegou agora a vez da Gascan que bebe do fino, com gás. E toca de levar a malta até ao Algarve, hotel de 4 estrelas. Pede um pouco mais, que também é uma maneira de seleccinar os incautos. Porque têm que ter graveto.

Até tu, Glorioso SLB!


Já não me bastava a aprovação da Lei das Finesses, sim, Finesses, Regionais; as novas escutas; o processo de canonização de Crespo, mártir da liberdade de expressão; os apelos do Moniz, exemplo da ética na forma de cheque com garantia; o inglês do comissário Almunia; os mais de 700 kg de explosivos em Óbidos; a “Casa de Usher” a inspirar Pacheco; a cena de pancadaria envolvendo Queiroz; o rombo na Bolsa de Lisboa; o fecho do Centro Comercial Roma…eu sei lá.

Tinhas que falhar aquela penalidade, empatar aquele jogo. Ora bolas!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As crespocanalhices


“Foi-se o “problema” que era o Director do Público”, escreveu Crespo na sua tão citada crónica, como se a saída de Fernandes do Público se devesse a Sócrates.

E que diz o dono do Público em entrevista à Visão de 28-01-2010?

Jornalista: “A saída de José Manuel Fernandes foi lida como uma cedência da Sonae ao Governo…”

Belmiro: “Errado. Não houve cedência, mas sim uma guerra entre jornalistas, com culpas para as partes. Um director pode sentir-se cansado. Terá sido uma das razões, pois José Manuel Fernandes deixou de lutar para liderar. Ele era acusado – e bem acusado – de não criar climas de consenso no jornal. Deixou-se desautorizar.”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Concurso


Quem é que se senta ao lado de Kaulza de Arriaga, durante uma entrevista?
Um dica: já então apresentava aquele biquinho de pato.
Prémio: um exemplar do livro do Mário Crespo cuja apresentação está marcada para o próximo dia 11. A promoção está de vento em popa, mas deve ser mera coincidência.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O início do plano inclinado ou inquinado, sei lá!

Clicar na imagem para aumentar
Admiro tanto Cintra Torres como Crespo. Aliás, estão bem um para o outro. Mas esta alfinetada deve ter doído. Ou talvez não. Que Crespo, lá porque não o deixaram ir para os States, não é menino para amuos, apesar daquela boquinha em forma de bico de pato.

Não lhe façam esse favor...


Não façam esse favor ao Crespo. Que não se dá conta do ridículo, tal o ego do tamanho do mundo e em forma de bico de pato.

Permitam ao Crespo o jornalismo de isenção e independência a que nos habituou. Onde cultiva o contraditório, em geral colocando frente a frente dois dos seus eleitos, qual deles mais anti-Sócrates. Como igualmente acontece no seu também isento Plano Inclinado. Sempre para um lado.

Deixem que tenha, como sendo o melhor, o seu jornalismo de causas contra o PS, onde as opiniões de Crespo ocupam o lugar das notícias.

Portugal pode bem dispensar a candidatura a mártir deste paladino da liberdade de expressão. E ficaria bem mais pobre sem este pobre de espírito. Qual bobo que nenhuma corte animada dispensa. Por isso não o metam na dispensa. O ridículo só pode ser objecto de estudo se estiver acessível a todos. E, para isso, não vejo ninguém ao nível de Crespo.

E vem isto a propósito disto http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500

Adesão às Novas Oportunidades

Afastado da direcção do Público, José Manuel Fernandes decidiu accionar o plano B: alçou-se à direcção dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme. Não se desse o caso de se fazer de morto perante as acusações de Fernando Lima acerca da inventona de Belém e o silêncio sobre a explicação de Belmiro de Azevedo para o seu afastamento do Público, poder-se-ia dizer que estávamos em presença de alguém que gosta de brincar com o fogo. Mas o quadro clínico não aponta para aí: é que tem muito juizinho para ser pirómano.

In Blog Câmara Corporativa


Leninha, respondo aqui: Eu vou!


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Uma grande superfície de distribuição de mimos...

É o facto noticioso do dia. Vou ler e já volto. Mas já sei que, segundo o distribuidor-mor, Sócrates telefona muito e manda telefonar. Mas certamente que não recorre à Optimus, para ter direito a tal mimo...

Só à palmada...

É agora sindicalista presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministérios Público, mas está colocado na IGAI - Inspecção-Geral da Admnistração Interna - há muito mais tempo. Como tal, o PGR estranha que se possa defender a autonomia dos magistrados quando o presidente do Sindicato está vinculado aos deveres e dependência de funcionário que decorrem da sua função do IGAI.
Um pormenor, para Palma, claro.
E isto veio a propósito de uma ausência ao serviço nos dias 2 e 3 de Julho do ano passado, ausência que Palma justificou em razão da sua actividade sindical.
Mas aqueles dias, uma quinta e uma sexta, até me fizeram lembrar as greves e paralisações marcadas para as... sexta-feiras.
Mas talvez seja mera coincidência.
E, porque nada impressionável, preferiu declarar não ter ouvido o discurso do bastonário da OA, apesar de proferido no mesmo local em que ouviu o do PR e de que muito gostou. Que estava distraído quando falava o bastonário, justificou-se. Como se não lhe fosse exigida postura mais séria, como se não desse conta da triste figura que faz.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Esta é a minha lista. E a sua?

Chegou a época do espírito natalício. Então, deixemos de lado quaisquer miserabilismos e concentremo-nos nas coisas boas - não como escape mas como realidade. Vivi em Portugal há quinze anos. Agora, de volta, quero sugerir dez coisas, entre muitas outras, que melhoraram em Portugal desde a minha primeira estadia. Não incluo aqui coisas que já eram, e ainda são, fantásticas (desde a forma como acolhem os estrangeiros até à pastelaria). Aqui ficam algumas sugestões de melhorias:

- Mortalidade nas estradas; as estatísticas não mentem - o número de pessoas que morre em acidentes rodoviários é muito menor, cerca de 2000 em 1993 e de 776 em 2008. A experiência de conduzir na marginal é agora de prazer, não de terror. O tempo do Fiat Uno a 180km/h colado a nós nas auto-estradas está a passar.

- O vinho; já era bom, mas agora a variedade e a inovação são notáveis, com muito mais oferta e experiências agradáveis. Também se pode dizer a mesma coisa sobre o azeite e outros produtos tradicionais.

- O mar; Lisboa, em 1994, era uma cidade virada de costas para o mar; poucos restaurantes ou bares com vista, e pouca gente no mar. Hoje, vemos esplanadas e surfistas em toda a parte. Muita gente a aproveitar melhor um dos recursos naturais mais importantes do país.

- A zona da Expo; era horrível em 1994, cheia de poluição, com as antigas instalações petrolíferas. Agora é uma zona urbana belíssima, com museus e um Oceanário entre os melhores que há no Mundo.

- A saúde; muitas das minhas colegas têm feito esta sugestão - a qualidade do tratamento é muito melhor hoje em dia, apesar das dificuldades financeiras, etc. A prova está no aumento da esperança de vida, de cerca de 74 em 1993 para 78 anos em 2008.

- Os parques naturais; viajei muito este ano do Gerês a Monserrate ; tudo mais limpo, melhor sinalizado, mais agradável. O pequeno jardim está, de facto, mais bem cuidado.

- O cheiro. Sendo por natureza liberal nos costumes sociais, não fui grande fã da proibição de fumar - mas, confesso, a experiência de estar num bar ou num restaurante em Portugal é hoje mais agradável com a ausência de tabagismo. E a minha roupa cheira menos mal no dia seguinte.

- A inovação; talvez seja fruto da minha ignorância do país em 1994, mas fico de boca aberta quando visito algumas das empresas que estão a investir no Reino Unido ; altíssima tecnologia, quadros dinâmicos e - o mais importante de tudo - não há medo. Acreditam que estão entre os melhores do mundo, e vão ao meu país, entre outros, para prová-lo.

- O metro de Lisboa. É limpo, rápido, acessível e tem estações bonitas.

- As cores; Portugal tem e sempre teve cores naturais bonitas. Mas a minha memória de 1994 era o aspecto visual bastante cinzento das cidades, desde a roupa até aos carros. Hoje há mais alegria - recordo um português que me disse, talvez com tristeza, que o país estava a tornar-se mais tropical. Em termos de imagem, parece-me um elogio!

Esta é a minha lista. E a sua?

Alexander Ellis, Embaixador Britânico

18-12-2009

Aqui

http://aeiou.expresso.pt/dez-coisas-que-melhoraram-em-portugal-nos-ultimos-15-anos=f553883

E fica à atenção dos Crespos, Medinas Carreiras, Pachecos e outros que tais.

À espera de Mimo


Está pronto, melhor, quase. Um mimo a três quartos, ou coisa assim. Fundamentalmente falta um posto de transformação que permita que a electricidade entre pelo Mimo dentro. Até lá – terceiro trimestre deste ano – apenas haverá lugar a visitas diurnas, para ver as paredes do Mimo, ainda sem qualquer objecto em exibição, apesar de aberto ao público há três meses.

Projectos desta natureza têm sempre vicissitudes”, justifica-se, qual fadista, um ex-autarca. E nem o Mimo mereceu mais que isso, umas vicissitudes. E quando nem o Mimo é mimado, é caso para temer.

Mimo – Museu da Imagem e Movimento - Leiria

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Olha o Record! Olha a Bola!

- Presidente, que acha do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

- “A minha atenção está noutros problemas, no desemprego, no endividamento, no desequilíbrio das contas públicas, na falta de produtividade e de competitividade do nosso País.” (1)

- Mas consta que também é contra a batota na bola, no futebol…

- "É por essa razão que me associo ao Movimento pela Verdade Desportiva. A utilização das novas tecnologias no futebol permitirá centrar as atenções na actuação dos jogadores e no espectáculo do jogo dentro das quatro linhas, deixando de lado dúvidas que em nada beneficiam a dignidade do desporto. Justamente pela importância do jogo, e no sentido de perseguir o espírito desportivo, é necessário que clubes, atletas, árbitros e dirigentes desportivos saibam tirar partido dos avanços tecnológicos para garantir a justiça e a verdade nas competições." (2)

- Pois, Presidente… a verdade, a competitividade do nosso país. Aquilo do casamento é que não vem nada a propósito…

(1) Cavaco Silva, 18-12-09

(2) Cavaco Silva, 31-05-09


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lugar aos tontos, como forma de serviço público...



O Saneamento de Marcelo

por Maria Filomena Mónica, Publicado em 13 de Janeiro de 2010, Jornal i

Tenho um único hobby na vida, discutir o serviço público de televisão com o António Pedro Vasconcelos. No último fim-de-semana, não falhámos. Durante horas, debaixo da sombra tutelar de um amigo que morreu há já cinco anos, continuámos a conversa sobre as vantagens e desvantagens das televisões públicas e privadas. Educada pela BBC, sempre defendi o serviço público, ou antes, o que existia em Inglaterra durante os anos 1960 e 1970. Com a passagem do tempo, a minha posição (não a dele) foi-se alterando, ou melhor, alternando ao sabor das programações.

No ano passado, deixei pura e simplesmente de ligar a televisão, dedicando o tempo livre, a consumir DVD produzidos pelo canal americano HBO. Depois de, em 1974, ter esperado que a televisão contribuísse para melhorar o meu país, tendo até aceite o convite do Vasco Pulido Valente, para fazer um documentário, "Nados e Criados Desiguais", e de, mais tarde, ter dedicado mais de dois anos da minha vida a escrever, para "O Jornal" e para "O Independente", crítica de televisão, considerei o meu esforço inútil. Arrumei o aparelho a um canto e nunca mais o abri, com uma excepção, o programa dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, de que sou uma telespectadora fanática. Desde há cinco anos que eu, que jamais deglutira uma refeição diante de um aparelho de televisão, janto um croissant acompanhado a vodka, enquanto ouço as suas "escolhas" dominicais. Nunca falhei, nem sequer quando incompreensivelmente o futebol alterou o seu horário.

Marcelo é um génio, um dos poucos de que a nação se pode gabar, até porque consegue conciliar, numa só pessoa, as três funções que Lord Reith atribuiu, ao criá-la, à BBC: educar, informar e entreter. Alguns dos meus amigos, imagino que por ciúmes, tentaram, em inúmeras ocasiões, convencer-me de ser ele um homem irresponsável, traidor, maldoso, cruel, pernicioso, sinistro, masoquista, covarde, egocêntrico, sádico e infantil. Nada disto me influenciou. Gosto de o ouvir, ponto, parágrafo.

Não é a altura para aprofundar o que se está a passar, até porque ainda não sabemos o desfecho. Mas já podemos perceber que se trata de uma vingança do eng. Sócrates, o qual terá arranjado, dentro do PSD, uma fila de aliados.

Marcelo não é amado dentro do seu partido, o que só lhe fica bem. Isto não me espanta, o que o faz é a passividade de um povo que aceita que uma instituição tão idiota quanto a Entidade Reguladora para a Comunicação Social - a ERC - meta o bedelho, a coberto de regras absurdas, no quotidiano televisivo. Lá porque o dr. António Vitorino decidiu ir ganhar dinheiro para um famoso escritório de advogados - o seu direito - temos de ficar privados de ouvir, ao domingo, o prof. doutor Marcelo Rebelo de Sousa? O facto é tanto mais escandaloso quanto o seu programa é um sucesso de audiências.

Por que motivo a direcção da RTP não dá um coice nas quotas que a ERC criou? Se a RTP cancelar o programa do Marcelo, apelo à desobediência civil, sugerindo aos meus conterrâneos que deixem de pagar a licença que permite à instituição subsistir. O que está em risco - não tenham dúvidas - é a liberdade de expressão. Se posso escrever este artigo é porque sei que o governo não me pode tocar com um dedo e, mesmo que pudesse, digo-o sem vaidade, publicá-lo-ia na mesma. Porque não tenho alma de escrava.

Se a RTP quer ter, à força, um Marcelo de esquerda, que o arranje. Dirão que a esquerda não tem alguém com o calibre de Marcelo. Mas será que, da esquerda, desapareceram as cabeças pensantes? Como se imagina, não é nada disto que sucede. Depois da TVI ter feito o mesmo, o que, forçada pela ERC, a RTP deseja é libertar-se de uma voz incómoda. Se, após ter varrido as despensas do PS, a RTP não conseguir encontrar ninguém, ofereço-me para lhe resolver o problema. Uma coisa é certa: o Marcelo Rebelo de Sousa tem de ficar.

Socióloga e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

A senhora não se enxerga. Ou a vodka anda marada, ou os croissants deglutidos estão fora do prazo de validade. Isto para culpar inocentes que nada terão a ver com certos desmandos mentais.

Socióloga e investigadora? Chiça, penico! quando se é tanto para, mesmo espremida, sair nada, para além do arroto com cheiro a álcool.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

No que podem dar as palhaçadas de Crespo

Crespo gostaria de enfileirar entre os maiores. E julga fazer por isso em crónicas no JN. Como nesta http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo . Mas sem coragem para chamar nomes aos bois, numa escrita que apenas a censura de outros tempos justificaria. Quando então nada de Crespo se conhecia quanto a tais ousadias. Pelas quais outros amargaram, mas não Crespo.

Pois há quem lhe tenha respondido a jeito. Dando-lhe no osso, com muito mais talento. Em cheio.

O Pulha

O pulha é um invertebrado que procura na ofensa a catarse do ódio e da frustração, que, adorando a ditadura, se serve da democracia, que molda com o esterco de que é feito os contornos dos bonecos que cria, que usa adjectivos para substituir as vértebras que lhe minguam e se antecipa a chamar aos outros o que é.

O pulha diz dos outros o que sabe de si próprio. O pulha coloca opiniões nos jornais a fingir que são notícias e é pago pela baixeza própria através das baixezas que imputa aos outros. O pulha adora que o acreditem e que as mentiras se transformem em dúvidas e as calúnias em incertezas.

O pulha é um serventuário que evita denunciar as avenças de que vive, o biltre que usa a liberdade para a atacar, que atribui aos outros o nojo que é, fazendo passar por factos as intrigas que tece e por verdades as calúnias que divulga.

O pulha é um professor dispensado da docência para insultar a mãe de um ministro ou o escriba em comissão de serviço num órgão de comunicação para corroer a democracia.

O pulha não nasce pulha. Faz-se, cresce e engorda com os detritos que bolça. Regurgita insultos criando retratos à sua imagem, acoimando de patifes os que inveja. É um filho de uma nota de cinco euros e da lascívia do acaso. O pulha é invejoso e vingativo.

O pulha vive na clandestinidade de um grupo partidário, nos meandros das máfias, nas estrebarias da insídia, aproveitando a calada da noite para arremessar a quem odeia as pedras de que se mune. Pode levar vida normal, aparecer na televisão e ter guarida num jornal; atira pedras e garante que está a ser agredido, incapaz de esquecer a sinecura que lhe negaram ou o cargo com que sonhou.

O pulha escuta os outros e diz que está a ser escutado. É um alcoviteiro e mentiroso. O pulha necessita de plateias cheias. Absolutas. O pulha é totalitário. O pulha é quem nos causa vómitos. O pulha leva-nos a descrer da democracia. O pulha escreve nos jornais e fala na televisão. O pulha torna-nos descrentes. Um pulha é sempre igual a outro pulha. E a outro. E são todos iguais. O pulha assusta porque é omnipresente e ataca sempre que pode. Seja a dar facadas nas costas dos eleitos, seja a criar ruídos de fundo, processos de intenção ou julgamentos sumários. O pulha é ruído de fundo e gosta de ser isso. E baba-se de gozo. Por narcisismo. Por ressentimento. Por ódio. Sabendo-se impune.

O pulha é um cobarde impiedoso. É sempre perverso, quando espuma ofensas ou quando ataca políticos. O pulha não tem vergonha. O pulha ouve incautos úteis e senis raivosos e tira conclusões. Depois diz que não concluiu e esconde-se atrás do que ouviu. O pulha porta-se como um labrego no jornal, como um boçal na televisão e é grosseiro nas entrevistas. O pulha é um mestre da pulhice. O pulha não tem moral. Por isso, para ele, a moral não conta. Tem a moral que lhe convém. Por isso pode defender qualquer moral. E fingir que tem moral. Ou que não a tem. O pulha faz mal aos outros. E gosta. E depois faz-se de sonso. O pulha rouba a honra que não tem e que dispensa.

O pulha é um furúnculo que há-de acabar como todo o mal. É uma metástase de um cancro que vive para corroer a democracia. É um conjunto de células malignas que se multiplicam no papel impresso e o esgoto que circula pela Internet a céu aberto.

O pulha é o talibã que fere e mata mas larga os explosivos depois de esconder o corpo. O pulha não é monárquico nem republicano, de esquerda ou de direita, ateu ou crente, é o verme que se alimenta da baba que segrega, do ódio que destila e das feridas que escarafuncha.

Um dia habituamo-nos ao pulha.

Aqui http://ponteeuropa.blogspot.com/


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O deputado Bacelar, enquanto tal, não representa ninguém, salvo a ele mesmo


O senhor é crescido, mas quanto a isto é tudo uma questão de tempo. Mérito do calendário.

E é professor catedrático? Também há muitos: uns bons e este Bacelar Gouveia.

Constitucionalista? Mas na variante de bitaites e graçolas. Cada um nasce pró que dá, ou dá pró que nasce, sei lá.

Deputado? Nas condições de funcionamento do sistema, nem sempre podemos evitar o pior.

Não é que agora argumenta que 90.000 subscritores da petição contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo são mais que o total de deputados da AR, como se os deputados, entre os quais ele, se representassem apenas a si mesmo? Como se a questão fosse meramente numérica?

Esta já é de mestre da mais velhaca desfaçatez. Mas assenta-lhe bem.

Mas facto é que já é crescido, professor catedrático, constitucionalista, deputado e o que mais queiram aqui acrescentar. Aposto que vai longe, apesar de a distrital de Lisboa do PSD o ter brindado com chumbo clamoroso quando, recentemente, se candidatou à sua presidência. Pelo menos aqui, apesar dos apoios dos habituais notáveis, reinou o bom senso.