quinta-feira, 19 de julho de 2012

Acorda, classe! Escuta, Nogueira!



“A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza. Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo. Como? Assim a classe me ouvisse. Crato vergaria num par de semanas.”

Ameaça de Santana Castilho no Público de 18-07-2012, com a sua habitual serenidade de trauliteiro e altamente convencido. Mas se a classe o não ouve, escreve ou fala para quê e para quem?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Solidariedade "canadiana"


Não nos conhecemos, mas identificamo-nos pelo uso que ambos fazemos de canadianas. Instintivamente olhámo-nos uma certa manhã e saiu um bom dia e um sorriso de parte a parte. E assim passou a ser: por volta das 11 horas este meu amigo passa, quase juro, a caminho da clínica de fisioterapia, aqui perto desta esplanada. Continuo a ler e, cerca de hora depois, trocamos o mesmo sorriso e desejamo-nos de novo um bom dia. Hoje fiz a este meu amigo uma pequena traição: fotografei-o de costas, sem que desse por isso.

sábado, 14 de julho de 2012

JP Morgan Chase - Bandidos à solta

Jamie Dimon, CEO do JP Morgan Chase

Bandido é bandido e dificilmente se converte. Por isso, depois das derrocadas de parceiros, o JP Morgan Chase insiste na atividade de banca de casino, com que acaba de perder seis mil milhões de dólares em operações de risco na sua filial de Londres. E sabe-se agora que parte das perdas foram escondidas pelos seus funcionários, o que diz bem do controlo interno de um banco que, pela sua dimensão, projeta risco sistémico à escala mundial.
Apesar disso, estes bandidos tiveram lucros de cinco mil milhões de dólares no final do semestre. E alguma coisa deve explicar que o seu CEO seja um dos principais opositores a um reforço da supervisão bancária e defenda o máximo de margem de manobra para o sistema. Serão as altas remunerações variáveis? Ou a captação do poder político pelo poder financeiro? Ou a conivência entre o poder económico e o poder político?
Mas não há mão nestes bandidos?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

W.G. Sebald em Avigon - Arenques em Scheveningen


Uma mera coincidência: o livro que se está a ler ser notícia de jornal. Hoje mesmo. E isto porque serve de base à encenação de peça apresentada no mais que prestigiado Festival de Avignon. E muita criatividade deve haver no trabalho de Katie Mitchell, a encenadora, quando se está perante uma obra difícil de qualificar quanto ao género, mas que seguramente não é um romance na sua forma clássica. Pelo que já li, há fantasmas mas não personagens. Em locais e épocas as mais variadas.
Gostaria de poder ver. Mas por agora resta-me continuar a leitura do livro, muito agradável. Já cheguei aos arenques e à praia da Scheveningen. Praia da “escrevaninha”, como diziam portugueses ali emigrados, e onde um dia conheci a arte de se comer um arenque: boca aberta em direção ao céu pela qual se fazia descer um arenque cru pegado pelo rabo, depois de passado por cebola. Recusei experimentar, até hoje.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Leituras em dia: "Navegação Ponto por Ponto" de Gore Vidal


Gosto de livros de memórias e de diários. Que nos permitem experimentar as emoções com que outros viveram tempos e circunstâncias de que foram testemunhas privilegiadas, abordando acontecimentos que fizeram história, assim como episódios da vida dos seus protagonistas.
Claro que estaremos sempre perante uma visão muito pessoal, subjetiva, incompleta, muitas vezes sem a possibilidade de a ver contraditada, relatos imperfeitos ou incompletos.
Gore Vidal, pessoa de vida cheia, deveria proporcionar-nos o prazer de nos imaginarmos lá, nos tempos que viveu, junto das pessoas com quem conviveu, muitas delas monstros sagrados nas artes, nas letras, na política. Mas ficou aquém das minhas expectativas.
Depois, na versão portuguesa foi muito mal servido pela tradução ou revisão do texto. Um desastre quanto à arte de escrever português, e não só. De facto, não lembra ao diabo designar o Concílio Ecuménico Vaticano II por “Segundo Conselho do Vaticano” ou as guerras preventivas de Bush por guerras de “preempção”. Não havia necessidade.
Vou agora passar a “Os Anéis de Saturno” de W. G. Sebald.

domingo, 8 de julho de 2012

Paul Bowles (1910-1999)

Paul Bowles


E de novo as leituras são como as cerejas. Desta vez a partir da leitura em curso – “Navegação Ponto Por Ponto” de Gore Vidal – um livro de memórias.
Gore refere Paul Bowles – escritor, compositor e viajante – entre as suas muitas relações pessoais, no caso uma relação aparentemente não isenta de mal-entendidos. Segundo Gore, Bowles odiava o seu país, os USA, e isso pode explicar, admito eu, a sua vida de nómada que o leva a instalar-se em Marrocos (Tânger) onde viveu 52 anos, o que não impediu que visse a ser enterrado em Nova Iorque. A escolha de Tânger, diz-se, deve-se muito à suavidade do ambiente, à tolerância quanto à homossexualidade e consumo de drogas, pelo menos naquela altura.
A leitura do seu livro “O céu que nos protege”, e que deu no filme “Um Chá no Deserto” de Bertolucci, foi-me sugerida como preparação de uns dias de férias em Marraquexe, por parte de quem sabe. E li com prazer uma narrativa que tem muito de autobiográfico e que é muitas vezes pesada e cruel.
Mas, tendo apenas a referência à sua atividade de escritor, estava longe de saber que, por cá, a pretexto do seu centenário, se realizou um concerto com música sua organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, com o pianista António Rosado entre outros. Uma descoberta googliana.
 

sábado, 7 de julho de 2012

Chez Léon - fritas e mexilhões

Espanhóis, franceses e belgas discutem quem primeiro as comeu, as batatas fritas. Os belgas teimam ser os melhores a cozinhá-las – são conhecidas receitas - e têm mesmo um museu dedicado à batata frita, em Bruges.
Miguel Esteves Cardoso, no Público / Fugas de hoje, no que respeita à relação dos belgas com as batatas fritas, limita-se a referi-las como acompanhamento dos mexilhões, o que é pouco para a importância das batatas fritas na Bélgica.  
Mas deu para recordar o Chez Léon, em Bruxelas, bem próximo da Grand Place, onde acredito que seja raro o comensal que ali vai que não seja apenas por causa das fritas com mexilhões. Ideia suficientemente apetitosa para, há anos, ter feito um convite para ali irmos jantar, numa rapidinha, que a distância de Roterdão até lá é um vou ali e já venho.
Anos antes, estava também em Roterdão quando uma canção com o tema das batatas fritas com maionese, amplamente vendidas nas ruas, estava no top ten dos mais vendidos.
Hoje vou mais pelas cozidas ou assadas. Mas quero voltar ao Chez Léon, para os mexilhões e as fritas. Com cerveja a acompanhar.