segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Irregular? Ilícito? Censurável? Ó meus amigos!



Toda a compreensão do mundo para a indignada reação de José Maria Ricciardi na forma de carta que dirigiu ao PÚBLICO. Reação com intensa utilização lícito, ilícito, regular, irregular, censura, censurável, incensurável. Porque os contactos telefónicos que teve com “vários membros do Governo” se destinavam, num caso, “justamente a evidenciar a necessidade de garantir a transparência das regras do concurso a assegurar a igualdade de oportunidades facultadas aos concorrentes”. Sublinhar transparência, indispensável, sempre presente, nos negócios, com doses a dobrar nos grandes negócios.
Noutro caso, Ricciardi questionou um membro do Governo “sobre se há intenção de ceder a pressões políticas promovidas pelas lideranças europeias” e que prejudicassem a “adjudicação à proposta com melhor preço e condições mais favoráveis para o Estado português”.
Nem mais: Ricciardi, certamente mal assessorado na redação da carta, admite que o Governo é sensível a pressões que venham de fora, cabendo-lhe a ele o dever patriótico de evitar que vinguem os intentos dos maus.
Verdade se diga que, só no primeiro caso - assessoria financeira ao Estado -, estavam em causa cerca de 16 milhões, segundo os jornais, e que foram embolsados pela Caixa BI e pela Perella, esta a tal que foi escolhida à socapa, o que espantou Ricciardi, por pretensa infração da necessária transparência.
Já agora:  a Perella tem como sócios ex-quadros de topo da Goldman Sachs e da Merrill Lynch. António Borges, assessor do Governo para as privatizações, também foi alto quadro da Goldman Sachs. Mas isso é mera coincidência.
Já agora: como isto de ligar a membros do Governo se pode justificar com tanta bondade, quais os números de telemóveis dos ministros para o caso de me dar uma de patriotismo, de transparência, eu sei lá?
Em itálico excertos da carta publicada hoje no PÚBLICO.

domingo, 21 de outubro de 2012

Ciclismo sem doping



Estes não recorriam ao doping para brilharem, em tempos que lá vão, nos circuitos holandeses. Por isso fica a homenagem à Ana, ao Jorge; a modéstia impede-me de dizer o nome do terceiro, ali à direita, sem quaisquer conotações políticas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

É a dialética, estúpido...



Jornalista: Era preciso também sinalizar que o CDS não está de corpo e alma neste Orçamento, é isso?
Nuno Melo: Não. Este Orçamento é um processo dialético que ainda não está encerrado. (…)
Jornalista: Como é que há este descontentamento no CDS depois de aprovada a proposta de OE em Conselho de Ministros, onde está sentado o líder do CDS?
Nuno Melo: As reuniões do Conselho de Ministros não são públicas. O Orçamento é um processo dialético que não esta fechado. (…)
Jornalista: Está ultrapassada a crise dentro da coligação?
Nuno Melo: Numa coligação há um esforço que é muito mais do que dialético na concertação de posições que, no final, responsabilizam todo o Governo. (…)
Entrevista de Nuno Melo, vice-presidente do CDS, ao PÚBLICO de 19-10-2012.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Barretices



"Eu sei há muito tempo, por acaso, há quatro anos que sei que há cláusulas secretas nas PPP", declarou aos jornalistas o sociólogo António Barreto, à margem do 4.º Congresso Português de Demografia.
Convidado por uma comissão da AR a fazer a prova, Barreto embatucou, respondendo por escrito que não conhece nenhuma cláusula secreta, nem tão pouco contratos que tenham as referidas condições escondidas.
O mal estava feito e Barreto sabe bem que foi muito mais longe o boato, a sua canalhice, que o seu desmentido.
Como não é pessoa desinformada, resta-lhe assumir que é desonesto, um vulgar boateiro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Uma delícia...


Querido OE2013 - A unanimidade que gera

Fonte: Blog Jugular

Também temos uma troika

Fonte: Blog Câmara Corporativa

Diogo explica a Gaspar como se faz...


Diogo Leite de Campos explica aos ricos como fugir aos impostos

Lembram-se das lições deste cromo?


Na altura tratava-se de atacar Sócrates. Este senhor, Diogo Leite Campos, era então vice-presidente na equipa de Pedro Passos Coelho.
Que dirá hoje ao Gaspar das Finanças?

Poemas com história




Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

No caso de O'Neill, por detrás deste poema está um amor contrariado pela família. Ela partiu e a família de O'Neill tudo fez para evitar a concessão de passaporte que permitisse o reencontro por ambos desejado.