sexta-feira, 12 de abril de 2013

Andanças de hoje...

 Após a primeira tirada - dos Restauradores ao início da Calçada do Carmo - a primeira foto...
 A pequena mais fotografada no Largo do Carmo
 Caminhando pela Rua da Condessa
 Hora de almoço e começava a animação nas Escadinhas do Duque...
 A subir, com a ajuda de uma canadiana...
 A faca e o garfo, mais o prato, o copo, num almoço cheio de luz...
 Rua Nova do Almada - recordando este 1º andar, onde fiz formação...
 ... quando trabalhava no 100 da Rua Áurea ou do Ouro, por cima da Central da Baixa, um ícone...
 Rua dos Sapateiros, onde foi a Sede da primeira entidade patronal, a Comércio e Indústria...
 Rua de São Nicolau, onde trabalhei numa extensão da Bonança, por cima da Polycarpo...
 De vez em quando, naqueles anos, tinha que ser aqui...
 Onde se pode dizer que o que é da Nacional é bom
Fim de linha: Gastão Cruz apresenta na Barata "Fogo" o seu último livro. Cereja em cima do bolo.
 
Um dia em que se lavaram os olhos por sítios ainda quase mágicos e cheios de recordações, em silêncio. Com algum esforço físico atenuado pela canadiana de serviço. Mas havia que retomar as coisas, custasse o que custasse, e tudo numa tirada entre as 10 e as 20 horas. Um gozo!

... e do Espírito Santo. Amen!

Títulos do PÚBLICO de hoje:
“Fundição de Torres Vedras procura investidor”
Porque a fundição em causa, a Fundição de Dois Portos, precisa de comprar matérias-primas para satisfazer encomendas que valem 1,2 milhões de euros e, assim, viabilizar a empresa e manter 130 postos de trabalho.
“Acordo para despedir 37 pessoas na Talaris”
Isto porque a empresa deslocalizará para a China a montagem de máquinas de levantamento, conhecidas por ATM.
“Bancos espanhóis despejaram pelo menos 115 famílias por dia em 2012”
E disto também há por cá, ainda que, admito, com números inferiores aos espanhóis.
“Intervenção de Ricardo Salgado impediu ruptura das negociações”
E agora uma pergunta: em qual dos casos foi decisiva a intervenção do nosso banqueiro? Na Fundição de Torres Vedras, a Fundição de Dois Portos? Na Talaris? No incumprimento por parte de clientes do crédito à habitação?
Não. Foram as negociações em curso entre o BES e o Sporting, e que estavam num impasse, que obrigaram Ricardo Salgado a levantar o traseiro da cadeira. E, agora, parece que o financiamento entre 70 e 80 milhões de euros, apesar do elevado valor do passivo já constituído, será mesmo desbloqueado.
Aleluia, irmãos, que Deus é grande.
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Poemas de sempre - "A Mulher" de António Ramos Rosa

A Mulher        


Se é clara a luz desta vermelha margem
é porque dela se ergue uma figura nua
e o silêncio é recente e todavia antigo
enquanto se penteia na sombra da folhagem.
Que longe é ver tão perto o centro da frescura

e as linhas calmas e as brisas sossegadas!
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço
que no umbigo principia e fulge em transparência.
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo
que em espiral circula ao ritmo da origem.

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa.
O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.
Quase dorme no suave clamor e se dissipa
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Méeeeeeeeeeeeeeee!

Pinto Ponteiro pede indemnização de 360 mil euros porque duas cavalheiras, num pasquim da praça, fizeram uma notícia habilidosa mas suficientemente descarada para que facilmente se deduzisse que o ex-PGR era o autor de uma fuga de informação e que, assim, teria cometido um crime por violação do segredo de justiça. Habituados que estão aos desmandos, parecem surpreendidos pela atitude de Pinto Monteiro, ao ponto de Felícia Cabrita, segundo o PÚBLICO, ter lamentado a “tentativa de silenciamento dos jornais” através deste tipo de ações, acrescentando que “Estrangulam os jornais e são um rombo na liberdade de imprensa ainda mais forte nos tempos de crise que vivemos”. Habituados que estão a fazer a promoção do pasquim à conta do direito ao bom nome de terceiros – que o deles vale o que vale e isso pouco importa – parecem espantados quando alguém lhe faz frente, conduzindo-os ao local certo para dirimir os desmandos – o tribunal – local que bem conhecem por outras ousadias.
Ora, se o sol quando nasce é para todos, os tribunais também o são, faça chuva ou faça sol.

domingo, 7 de abril de 2013

Um tinto metafísico para a angústia existencial

Qual crise? Um jornal generalista faz-nos a seguinte “proposta da semana”: Legado de 2009, da Sogrape, de várias castas, com 15% volume de graduação, da região do Douro, pela módica quantia de 220€, sim, duzentos e vinte euros.
E isto porque, escreve no Fugas / PÚBLICO o crítico Pedro Garcias, que certamente bebe do bom e do fino a preços muitos diferentes dos meus, estamos perante uma pinga que “Na sua excepcionalidade, é um daqueles tintos metafísicos, para beber com a família e os amigos mais próximos e que nos colocam perante o essencial, ajudando-nos a superar a angústia existencial”.
É mesmo o que necessito já: um tinto metafísico que me ajude a superar a minha angústia existencial. Se houver uma alma caridosa que me traga uma garrafa destas eu prometo, em troca, “O Existencialismo é um Humanismo”. Porque é humano que me amparem a angústia existencial.
Feita a promoção desta pinga, será que virei a ser surpreendido com a oferta de uma garrafa?

sábado, 6 de abril de 2013

Mestre do Pensamento Contemporâneo

A cadeira que aprofundou o escândalo que rodeia a “licenciatura” de Relvas é, nem mais nem menos, a Introdução ao Pensamento Contemporâneo, cadeira premiada com a atribuição da nota de 18 valores. E como? Pois bastou a prestação de uma prova oral, com discussão de textos da autoria de Relvas – qual mestre do pensamento contemporâneo -, discussão entre Relvas e o Reitor da Lusófona que, no entanto, nem era o responsável da cadeira. E toma lá 18 valores!
Acontece que, pelos regulamentos da Lusófona, deveria ter havido lugar também a uma prova escrita, em geral prévia à prova oral. E não houve. Mas o Magnífico Reitor fez uso de um regulamento da sua exclusiva autoria para validar esta exceção, só que tal regulamento não tinha sido sancionado, como teria que o ser, pelo Conselho Pedagógico do Curso de Ciência Política e, por isso, padecia de validade.
Quando a bronca é despoletada pela intervenção da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, o que faz a Lusófona? Em Dezembro de 2012 – 5 anos depois de concluída a “licenciatura” – resolve o caso retroativamente através da ratificação do tal regulamento do Magnífico Reitor pelo Conselho Pedagógico da Faculdade de Ciência Política. E agora já não é apenas o Reitor a envolver-se na trapalhada, porque também este Conselho Pedagógico ajuda à festa. Nesta mesma reunião o Conselho Pedagógico ratificou a avaliação de Relvas, avaliação confirmada no mesmo dia pelo Conselho Pedagógico da universidade. E temos mais um Conselho Pedagógico envolvido na trapalhada.
Agora o caso fica entregue ao Tribunal Administrativo, mas não sei se alguma vez conheceremos todos os contornos do caso. É que, quando foram tantos a deixar-se queimar nesta trapalhada, alguma coisa tem explicar que se aceitem tais queimadelas de ânimo leve.
Mas a Lusófona é a principal responsável pela queda anímica de um ministro, queda ao pondo de o levar à demissão. E não sei se Relvas não será menino para vir a pedir indemnização por perdas e danos.
Fica uma sugestão para arranjar, se necessário, os meios que permitam pagar uma eventual indemnização:
a)  A Lusófona monta máquinas tipo multibanco e vende códigos de acesso a quem se candidate a um diploma;
b) O candidato, depois de aceder, escolhe o curso, sendo a nota atribuída através de um algoritmo para evitar excessos;
c)  A tal máquina liga-se uma impressora que emitirá, de seguida, o documento do curso escolhido.
Fica a ideia. Sem encargos de consultadoria, pois ainda não disponho de diploma que me permita emitir recibo em conformidade.
Os factos relatados sobre a aprovação da cadeira de Introdução ao Pensamento Contemporâneo constam do PÚBLICO de 05-04-2013.

O criador e a coisa criada

Voltar ao assunto impõe-se porque, se Relvas está morto e enterrado, a coisa por si criada não está. E hoje já não há dúvidas sobre a relação entre o criador e coisa criada, a partir da confissão do primeiro: Em termos pessoais queria, porém, relembrar que o caminho que percorri foi bem mais longo porque aos dois anos de funções governativas devem somar-se os dois anos que os antecederam. Dois anos em que acreditei e lutei no interior do meu partido pela afirmação de um novo líder que encabeçasse um projeto de mudança para Portugal.
Depois, mais um ano, em que acreditei e lutei pela eleição de um novo primeiro-ministro e pela escolha de uma nova proposta de governação que pusesse fim ao caminho para o desastre em que nos encontrávamos”. Sobre isto há mesmo quem conte que Relvas terá garantido a Passos que, querendo ser PM, ele conseguiria isso.
A intimidade que se conhece entre ambos, nomeadamente pelos negócios ligados à formação em que se envolveram e nos quais Relvas, governante, oleava os interesses privados de Passos, a confissão agora feita e a relevância do cargo governamental de Relvas, têm que ligar o destino político de um ao do outro.
E isto porque Passos sempre desvalorizou as trapalhadas do seu ministro, desde o modo como obteve o seu grau académico, às pressões sobre jornalistas, ao envolvimento com as secretas, para referir as mais sonantes. Passos, sobre a licenciatura de Relvas, chegou mesmo a dizer que era um não assunto”, pretendendo despojar o caso de qualquer relevância política e isto quanto ao ministro mais político da sua equipa, já que lhe reconhecia competência para a coordenação política do seu governo.
A solidariedade de Passos com Relvas foi ao limite do imaginável e por isso não pode agora assobiar para o lado, tratando a demissão do ministro mais uma vez como “um não assunto”, porque por detrás da demissão estão coisas bastante graves, e não venha Passos dizer que a culpa é apenas da Lusófona, como se Relvas tivesse sido “licenciado” contra vontade, à força.

Experimentum Mundi - Giorgio Battistelli

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=1SjFoSi7zLk

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Rómulo / Gedeão e Marques da Costa

Artur Marques da Costa
Feito o 5º ano dos liceus, rumei a Lisboa, já com emprego assegurado por um primo da família e a quem muitos de nós devemos, o primo Zé Moura. Emprego no Colégio Manuel Bernardes, escola para filhos de gente fina, como preparador dos laboratórios de ciências naturais e de física e química. Eu que nada tinha a ver com tais matérias, pois o meu destino seriam as ciências económicas e financeiras, rumo ao ISCEF, agora ISEG.
As funções não eram de monta, bastando colocar sobre as mesas os instrumentos, reagentes, ácidos, sais e outras coisas mais necessárias às aulas práticas dos alunos sobre a batuta, no caso da física e química, do professor Artur Marques da Costa, pessoa que me habituei a considerar e que igualmente me estimava.
Recordo que a páginas tantas já era um expert nas matérias em questão, ao ponto de evitar algumas desgraças nas experiências a fazer pelos alunos que, à socapa, também ajudei nos exames, deixando dicas escritas embrulhadas em panos ou, então, com sinais de olhos reprovadores face ao que via fazer e que permitiam inverter, a tempo, os procedimentos em curso. Porque o preparador podia estar e circular pela sala em que se faziam as provas práticas dos exames do então terceiro ciclo dos liceus.
E foram dois anos assim. Com direito a cama, mesa e roupa lavada, a par de uma remuneração de 500$ mensais que me permitiram alguns dos vícios que me acompanham ainda hoje: os concertos, particularmente os integrados nos Festivais Gulbenkian da altura, quando vi Stravinsky a reger no Coliseu, e Margot Fonteyn e Nureyev a dançar no mesmo local o Lago dos Cisnes, livros, um jornal diário (sobretudo o Diário de Lisboa)… E recordo que até comprei um fato com letras avalisadas pelo Padre Augusto Gomes Pinheiro, fundador e diretor na altura do colégio, entre nós tratado como o senhor prior.
E tudo isto a propósito de um documentário hoje na RTP2, sobre Rómulo de Carvalho / António Gedeão, com um depoimento de Artur Marques da Costa que, sei agora pelo que consta aqui na net, também quis ser arquiteto. Mas foi como professor de física e química que o conheci. E é por ser a pessoa que foi que agora me emocionei ao revê-lo, porque nunca mais o vi depois daqueles dois escassos anos dos anos 60, os necessários para também eu concluir ali o terceiro ciclo dos liceus e partir para outra.
E tudo isto graças a de Rómulo de Carvalho / António Gedeão, por cujos livros também estudei e sobre o qual é urgente que pegue no livro escrito pela sua filha Cristina, com o justo subtítulo de “Príncipe Perfeito”. Porque o é.

Hollande versus Passos


"... o primeiro-ministro enaltece a lealdade e a dedicação ao serviço público com que o ministro Miguel Relvas desempenhou as suas funções, bem como o seu valioso contributo para o cumprimento do Programa do Governo numa fase particularmente exigente para o país e para todos os portugueses".
Cahuzac, ex-ministro do Orçamento sobre o qual se descobriu uma conta no estrangeiro, cometeu, segundo palavras de François Hollande “uma falta imperdoável. É um ultraje à República”.
Uma coisa em comum: ambos mentiram, até ao limite, sobre os casos de que eram acusados, deixando mal os chefes. Um é elogiado, outro é tratado com toda a dureza.
Ficam as diferenças, não apenas de estilo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tá quase!

Estou convencido de que será o último fim de semana neste estado e que isto irá porta fora, sem tempo para um autógrafo papal. E porta fora quero ir eu também, faça o tempo que fizer.

Declaração de amor - Clarice Lispector


Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança da língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
Clarice Lispector

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Poemas de sempre - A uma mulher amada, Safo

A uma mulher amada
Safo 

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Poemas de sempre - Ilha, David Mourão-Ferreira


Ilha
David Mourão-Ferreira

Deitadas és uma ilha. E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitas és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.

Leituras em dia: "Os Transparentes" de Ondjaki

Um retrato da Luanda de hoje, com muitas histórias, uma vasta galeria de personagens. Todos os grupos socias. Com gente que tudo tem a par de muitos a quem tudo falta, salvo a afetividade e a solidariedade. Uma cidade complexa, prenhe de encontros e desencontros. Com muitas cores reduzidas ao vermelho, o “vermelho-devagarinho”.
Um livro que se lê com um sorriso, acompanhando as façanhas, manhas e dramas de personagens como JoãoDevagar, CienteDoGrã, DomCristalino, os fiscais DestaVez e DaOutra, o assessor SantosPrancha, a MariaComForça, o cientista DavideAirosa, o Camarada Mudo, o ZéMesmo, o VendedorDeConchas… E entre todos o transparente Odonato. Numa Luanda onde abundam os cartazes da CIPEL, nada mais que a Comissão Instaladora do Petróleo Encontrável em Luanda. Num país onde o camarada engenheiro presidente decide cancelar um eclipse porque, na véspera, tinha falecido a senhora Ideologia.
Ondjaki, nascido em 1977, era, à data de Os Transparentes, um escritor já muito premiado e traduzido. Conheci-o agora num romance longo, mas que se lê de um folego.

Catraia atrevida...


“Nós entendemos que o Tribunal Constitucional deve avaliar este Orçamento tal como nós o elaborámos e aprovámos nesta câmara: tendo em consideração o contexto económico, o contexto financeiro, o memorando de entendimento, o direito europeu, o direito nacional”.
PÚBLICO de 29-03-2013
 
Mais nada, senhores juízes do TC.
Esta vice-presidente do PSD não faz as coisas por menos. E vai colecionando medalhas, desde as trapalhadas que levaram ao seu despedimento do CCB, por favorecimento a amigos, despedimento de que recorreu tenho visto o tribunal recusar-lhe razão por duas vezes. E depois de também ter sido corrida da administração da SAD do SLB onde entrou pela mão de… Vale e Azevedo, e de onde se recusava a sair depois de este ter sido apeado do lugar de presidente.

Façam o favor de entrar...

O mercado imobiliário de luxo não está em crise. Nunca o esteve, como nunca estiveram em crise os seus atores. Mas houve que animar tal mercado, com ações promocionais em países desenvolvidos como a Índia e a China, como acaba de ser feito pelo nosso MNE. Ações promocionais do tipo Visto Gold, visto de residência para os estrangeiros que comprem imóveis de valor acima de 500 mil de euros.
Reflexo ou não de tal política, no Algarve vendem-se bem casas de valor entre 10 e 12 milhões de euros, isso mesmo: entre 10 e 12 milhões de euros. E entre os clientes destas casas destacam-se os russos, gente de outro país igualmente desenvolvido e recomendável.
O preço médio das casas na Quinta do Lago e no Vale do Lobo anda pelos 3 milhões de euros.
Só a manutenção destas casas – IMI, eletricidade, água e serviços – fica entre 50 mil e 80 mil euros por ano. Bagatelas.
Com o safanão que os oligarcas russos levaram em Chipre é natural que isto anime ainda mais. Porque o país é doce, o clima agradável e, sobretudo, estou convencido que ninguém se interessa em conhecer a origem do dinheiro que está por detrás disto e quem o movimenta. Em Chipre também foi assim, com os resultados conhecidos.
PS. Valores segundo o PÚBLICO de 01-04-2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Isabel dos Santos e os ovos


Isabel dos Santos ao Jornal de Negócios de 29-03-2013: “Tive sentido para os negócios desde muito nova. Vendia ovos quando tinha seis anos”
Certamente que à conta de um galaró do Futungo de Belas, umas poedeiras fardadas, também altamente recompensadas. Apesar do regime, os lucros são tolerados desde que embolsados pelos oligarcas locais sempre envolvidos em tudo quanto seja negócio duro. Mas duvido que, apesar de tal oval sucesso, já esteja ao alcance de todos os angolanos uma simples omelete, uns ovos mexidos, um ovo estrelado, uma gemada. Porque as poedeiras devem continuar a desovar sempre para o mesmo lado.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Constituição e os raposos...



“(…) E agora? Bom, agora o tribunal que bloquearia a “privatização da SS” é o mesmo tribunal que se prepara para bloquear a solução alternativa (os cortes nas pensões mais altas). Até parece brincadeira, não é? O regime não quis resolver o problema a montante devido ao fanatismo ideológico do costume e, agora, recusa enfrentar a realidade a jusante por causa dos “direitos adquiridos” de 10% dos reformados, os 10% constituídos pelos mais endinheirados do universo dos pensionistas. (…).
Henrique Raposo, Expresso, 23-03-2013
O texto parece brincadeira, não parece? Assim como coisa de crianças. E, quem leia este raposo, de uma coisa está certo: fanatismo ideológico não é com ele, apenas com os outros.
Claro que para mentes brilhantes o óbvio é muitas vezes uma dificuldade. E o que é óbvio na matéria é que o TC zela pela Constituição, tem a responsabilidade de a fazer cumprir, por muito que os raposos desejem o seu atropelamento.
E esta forma de fazer pressão sobre o TC só não resulta porque argumentos à raposo é o que mais há por aí. Como o do PM em declarações de ontem, quando ameaça que o TC deve assumir as suas responsabilidades. Como que esquecendo que a responsabilidade do TC é apenas uma: fazer cumprir a Constituição. Quem não gosta dela que a mude, a Constituição, mas que deixe o TC cumprir com o que todos lhe exigimos: que se oponha aos desmandos de certos tiranetes, que se coloque entre os raposos deste mundo e a Consituição.
 

De novo a Dona Bonifácia...


 

“Eis senão quando encontrei anteontem João Soares no ecrã da SIC-Notícias, como tantas vezes acontece. E vi-o, jubilante (o termo não é excessivo), agradecer ao Partido Comunista Português a ordem que tem presidido às manifestações de protesto em Portugal. Disse-nos que lhe devíamos estar gratos, e atribuiu esta postura cordata, “responsável”, ao “patriotismo” do PCP. Num ápice, desapareceram – esqueceram-se – os pelo menos 14 milhões de pessoas que o nazismo e o estalinismo, em partes praticamente iguais, em meados do séc. XX assassinaram no que Timothy Snyder – um historiador brilhante e respeitado, chamou os Bloodlands – onde fica hoje em dia a Ucrânia, a Bielorrússia, a Polónia, a Rússia ocidental e a costa báltica oriental.(…)
Caro dr. João Soares: puxe pela memória de tudo quanto sabe dos regimes e dos partidos soviéticos…”
M. Fátima Bonifácio, Historiadora, in PÚBLICO de 27-03-2013
E basta isto que para referir a longa bicada a João Soares, pois longo é o texto. Para isso contribui a necessidade de um pouco de erudição na referência aos Bloodlands e a um “historiador brilhante e respeitado”, que a D Bonifácia nunca faz as coisas por menos.
A senhora poderia ser uma mera cronista, com direito aos preconceitos e falta de jeito que entendesse. Mas quando se apresenta como historiadora, curial seria que puxasse por um pouco mais de exigência na seriedade dos argumentos. Mas acho não vale a pena esperar por melhor. O PCP vai ter que responder pelos milhões de assassinatos que refere e João Soares por ser seu cúmplice.

Porca miséria.
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Relvas: gestor de incertezas e de incógnitas

«Eu quis aqui estar hoje porque, num tempo em que somos confrontados diariamente com a gestão da incerteza e a gestão das incógnitas, é importante que aqueles que têm responsabilidades públicas sejam capazes em cada uma das áreas de ter respostas concretas para o que é concreto e respostas objetivas para o que é específico», afirmou Relvas em 26-03-2013.
 
Quem afincadamente treinou esta tirada improvisada merece ficar. O esforço tem que ser compensado.
 
Espremido é nada? Sejamos tolerantes que o homem está a esforçar-se. O homem far-se-á.
 
Reparem nos conceitos: "gestão da incerteza" e "gestão das incógnitas","resposta concreta para o que é concreto" e "resposta objetiva para o que é específico". A profundidade e a substância elevadas aos altares.
 
Parabéns, Mestre.
 
 

Nada como um bom currículo...


É tudo uma questão de currículo…
O ex-espião Jorge Silva Carvalho tinha deixado as suas funções públicas para ingressar na Ongoing. Na altura, constou-se que terá perguntado, para efeitos de vencimento, quanto valeria ele para a Ongoing. E qualquer pessoa sabe o que se lê nas entrelinhas de uma pergunta destas.
Hoje o ex-espião está acusado de “acesso indevido a dados pessoais, abuso de poder e violação de segredo de Estado”, segundo os jornais. Por sua vez, o patrão da Ongoing está acusado de corrupção ativa.
Mas o ex-espião decidiu regressar por conveniência sua, como por sua conveniência tinha também ingressado na Ongoing, num tolerado bailarico entre público e privado permitido a quem trabalhava numa secreta do Estado.
E o governo decide criar para ele um posto na Presidência do Conselho de Ministros, porque a lei manda, uma vez que o ex-espião “preenche os pressupostos de aquisição de vinculo definitivo ao Estado”. E lei é lei.
Com o pretexto de serem pouco ou nada qualificados, os primeiros alvos das rescisões amigáveis  que o governo quer pôr em marcha serão os motoristas, telefonistas, auxiliares de ação educativa e médica, técnicos de laboratório, administrativos ou de museu. Porque, claro, são culpados da sua pouca qualificação. Porque, claro, terão um mundo de oportunidades pela frente, talvez na Ongoing. Porque, claro, não são ex-espiões nem são acusados de crimes graves. Porque neste caso estamos perante foras-de-lei, sem lei que os proteja.
Tudo uma questão de currículo. De um bom currículo. E de ter a lei a favor ou contra.

terça-feira, 26 de março de 2013

A artista do regime


Tenho ouvido, encaixado num texto de promoção da segunda exposição palaciana da Joana Vasconcelos isto: “a mais prestigiada artista portuguesa”.
Como tudo se vulgariza e menoriza quando a arte espetáculo, como é o caso, é a arte do regime que temos. E como se demostra tanta ignorância quanto a artistas firmados e esses sim prestigiados e consagrados.
Mas parece que temos que conviver com este gosto ao nível das músicas do Tony Carrera, das encenações do Lá Féria, dos figurinos estilo Luís Goucha, das análises à Marques Mendes, da moral à João César das Neves, do vinho a martelo, da política à Relvas…

domingo, 24 de março de 2013

O ridículo na arte do regime

Coisas há que nunca haveria se a criatividade parasse às portas do ridículo. Mas isto é o nosso fado: a arte espetáculo e sua artista alcandoradas a arte e artista do regime, deste regime, naturalmente, fatalmente.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Quem tem medo de Sócrates?


Para mim foi dos melhores dois ou três primeiros-ministros da nossa democracia.
Corajoso a incomodar interesses corporativos instalados, como ninguém o tinha feito antes: professores, magistraturas, médicos, indústria farmacêutica...
Voluntarioso e perspicaz na persecução das reformas necessárias no ensino, na saúde, na segurança social…
Por isso, ninguém como ele foi tão longamente perseguido nas instâncias judiciais, no julgamento de caráter na praça pública, mesmo com intromissões inaceitáveis na sua vida privada.
Foi cilindrado pelo impacto que teve a crise financeira mais grave depois dos anos vinte nas dívidas soberanas. Crise que agora já se aceita ter igualmente atingido a Irlanda, Grécia, Espanha, Itália… mas entre nós a culpa era dele e apenas dele.
Caiu em consequência dos resultados eleitorais. E afastou-se.
Mas continuou a ser o alvo preferido para bombo da festa de alguns, fosse porque vivesse num pretenso luxo parisiense, fosse porque tivesse aceitado uma oferta de trabalho. Porque a ele nada se poderia permitir, salvo ser o objeto das calúnias de sempre, do preconceito ignorante e atrevido.
Mas isso era pouco. Quem sempre foi objeto das mais negras e caluniosas campanhas deveria aceitar ouvir e calar. Falar não, menos ainda defender-se.
E isto diz bem de certa gente para quem bastaria um cheirinho à pólvora do antigamente para calar, no mínimo calar, um adversário político. Porque esta é a mesma mentalidade dos responsáveis por uma longa ditadura.
Finalmente:
Todos têm direito a pensar de modo bem diferente de Sócrates e não é isso que está em causa. O que questiona é a mordaça pretendida. O que questiono é que, para justificar tal mordaça, se insista naquilo que designo por conversa de taxista ou de salão de cabeleireiro: retomar a acusação de prática de crimes a que os tribunais não deram seguimento, estando os longos, muito longos, processos encerrados, sem recursos pendentes. Porque isso já não é opinião. É a acusação da prática de crimes por quem se julga juiz encartado pelo preconceito e pelo atrevimento canalhas próprios.
Com algumas pessoas estou habituado a coisas destas pois sempre misturaram as coisas – a opinião e o facto - do alto da sua saloia pedantice. Outros surpreendem-me, e muito, por esperar mais deles.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Síria - A linha vermelha

Foto de Goran Tomasevic / Reuters
Já se usam armas químicas na Síria segundo a imprensa. Ora Obama tinha definido ser essa a linha vermelha que não podia ser ultrapassada.
E agora?
 
Mortos serão pelo menos 70 mil. A par de centenas de milhares de deslocados. Falta ainda o quê para ter a Síria completamente destruída?

Foi há 10 anos a invasão do Iraque

Foto de Goran Tomasevic / Reuters
“A invasão que, há dez anos, derrubou o regime de Saddam Hussein em Bagdad representou um sério revés para a lei internacional, para a ONU e para a ordem mundial. E foi o maior fiasco de política externa dos EUA desde o Vietname.”
PÚBLICO de 20 de Março de 2013
Ainda segundo o mesmo jornal:
- 200 mil iraquianos civis mortos e 40 mil americanos mortos ou feridos
- um custo de três milhões de milhões de euros suportados pelos EUA com a operação
- deslocações em massa, violência persistente, tensões confessionais acrescidas e violência entre sunitas e xiitas, atentados suicidas frequentes
- um país arrasado, nas suas estrutura físicas, institucionais e políticas.
Um hediondo crime contra a paz da responsabilidade de Bush e Blair, acompanhados de outros idiotas menores, mas igualmente responsáveis, como é o caso do Japão.
Hoje pode perguntar-se quem mais mal fez ao Iraque e ao seu povo, se Saddam ou se Bush e Blair.
O caricato foi o primeiro ter sido julgado e executado e os segundos andarem por aí gozando a vida, impunes.
Tudo, recorde-se, sustentado numa mentira: as terríveis armas jamais encontradas.

terça-feira, 19 de março de 2013

O canalha merceeiro


É o mais velho de oito filhos de um carpinteiro e agricultor e de uma costureira.
A formação em química sustenta certamente a sua tendência para pirómano e as tiradas de fogo-de-artifício com que que nos distrai, desde há muito, das suas habilidades e canalhices. Que são muitas.
Mas também é artista ao ponto de convencer muitos de ser um empresário modelo, ele que passou da indústria – e sabe-se com que artes lá chegou – para o imobiliário e a distribuição alimentar, ou seja, arriscar, mas pouco, mas sempre a falar grosso, estilo pedante.
Agora saiu-se com mais uma da sua lavra de pateta, de tonto, de canalha: quanto menos se pagar mais emprego haverá. Talvez convidando a que outros façam como ele fez ao longo da vida, porque não foi o suor que o levou ao terceiro lugar entre os mais ricos do país.
Sabemos para que se engorda um porco. Este canalha, esquecendo as origens, empanturra-se para levar a exploração dos outros aos limites do insustentável. Se o primeiro vai à faca, este que se ponha em frente da bala amiga, pois tresanda mais que o outro, ao ponto de não se poder aguentar.

Que se lixe Chipre?


Uma ilha, menos de um milhão de habitantes, não pesando mais que 0,2% do PIB europeu. Bem ajustado para uma canalhice de  tipo novo por parte da EU e de quem nela manda, nada mais que quem nos lembra os piores horrores do nosso passado recente e para quem devem cansar os 60 anos de paz entre os povos.
Quando se impôs o perdão à Grécia, a canalha conhecia perfeitamente a exposição de Chipre à dívida grega, exposição que implicou a perda de cerca de 4,5 milhões à banca cipriota e a que, certamente, se juntam as habituais patifarias dos banqueiros.
Claro que o perdão à Grécia, se tramou Chipre, safou os bancos alemães intoxicados igualmente com dívida grega, pelo que o perdão não foi uma ação de misericórdia para com os gregos, mas um favor aos bancos de quem manda na Europa.
E como resolver agora o problema de Chipre? Pois nada como, pela calada da noite, como é próprio dos bandidos, ir às poupanças dos cipriotas na forma de depósitos bancários, num confisco que se estima em 5,8 milhões de euros.
O resgate de Chipre faz-se sob a “ajuda” de um valor acima de 10 milhões de euros. A perda com o perdão à Grécia mais o roubo dos depósitos é de mais ou menos aquele valor. Estamos quites, dirão, à conta dos mesmos, sempre os mesmos.
Por cá, já temos novo slogan: Portugal não é Chipre, durmamos descansados. Como se a canalha que já nos lixou até onde sabemos, sem acertar uma, não seja capaz de nova canalhice, como agora aconteceu com Chipre.
Claro que se poderia falar de princípios atraiçoados, de atitudes inqualificáveis, de falta de solidariedade, de quebra de confiança. Mas isso só faria sentido se não estivéssemos perante os maiores canalhas da história, já a rivalizar com Hitler, mesmo que os métodos sejam outros. Porque há muita maneira de ocupar ou anexar um país e de estrangular povos.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Feitos num oito...


Lembro-me de ver a minha Mãe a desenhá-los sobre um tabuleiro untado. A seguir era aquele cheiro que inebriava, quando quentes saíam do forno do fogão a lenha.
Gostava e gosto destes oitos, mas não de estar feito num oito, de continuar feito num oito, depois da sétima avaliação da troika. Que oitos nos virão com a oitava avaliação?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Falou a Dona Bonifácia...

… no seu habitual estilo, agora entrevistada por São José Almeida, no PÚBLICO de hoje. A “insuspeita” entrevistadora teria que embrulhar, na mesma pergunta à Dona Bonifácia, o Miguel Relvas e o ex-PM. O primeiro por ser quem é, o segundo por ter aceite o convite de uma farmacêutica para trabalhar. E que diz a propósito do segundo a Dona Bonifácia? Pois que a sua contratação permite estabelecer uma relação com o seu papel político, o que, acrescenta a Dona Bonifácia, diz muito da falta de brio e respeito por si próprio do ex-PM. Mas qual será a relação? Dona Bonifácia dispensa-nos de saber. A bicada está dada, é tudo. Explicar ou provar dá trabalho.
Claro que a Dona Bonifácia pode agora ser membro do conselho científico da fundação do merceeiro. Mas aqui nenhuma relação deve ser estabelecida, dada a assumida competência da pedante para quem a preocupação por cultura começa no limiar mínimo da “Guerra e Paz” de Tolstoi, “O Vermelho e o Negro” de Stendhal, o “D Quixote” de Cervantes e um trio de Schubert, a par da filosofia. Ser culto só daí para cima.
Na resposta à questão “Vivemos um fim de época histórica?” a Dona Bonifácia arranjou artes para meter o António Costa. Porque este terá afirmado, cito a Dona Bonifácia, que “nós gastámos na exata medida em que fomos estimulados para isso”. “Irresponsabilidade”, clama Dona Bonifácia, que certamente nunca se apercebeu da instigação ao consumo e ao endividamento por parte da banca, esta sim altamente responsável pela dívida privada bem mais pesada que a pública. E era a isto que Costa se referia.
Da extrema-esquerda a conservadora assumida, a D Bonifácia surpreende sempre. De forma superior.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Emérito foi às papas e falou...

O Emérito foi hoje à moagem dos cereais para as papinhas. E, aleluia!, falou. O Emérito existe e fala. E diz que trabalha 10 horas por dias, mas outras aos sábados e domingos. Que está atento e que, quando necessário, fala com o primeiro. Aliás vinca a sua grande experiência como primeiro e presidente. Que lhe permite saber muito bem ao que anda. Por isso se dispensa de falar ao país, aos que o elegeram. E se sai pouco é porque tem uma agenda sempre muito sobrecarregada, o tempo muito ocupado intramuros. A vida é cá fora, mas isso pouco importa ao Emérito que nunca perceberá o nosso azar em o ter como presidente escondidamente ausente.
O presidente foi à moagem e continua a moer-nos o juízo com trivialidades rascas e uma completa inação. Restam-nos as papas, apesar dele.

"O Dia Seguinte" (SIC-N) é uma vergonha

A SIC-N tem um programa de agressão desportiva às segundas-feiras e que se pretende seja um programa de informação desportiva. Com 3 senhores moderados (?) por um jornalista. Senhores licenciados, advogados, falhados ou dispensados de coisas a que se aventuraram, como seja o dirigismo desportivo ou o exercício de cargos autárquicos, ou mesmo de governante. Uns sem vergonha.
Um deles, o Gomes, é o pior entre eles. E como me custa escrever isto de alguém que ali grita na qualidade de adepto do Glorioso. Mas os outros dois não estão longe dele: em gritaria, em mútuas ofensas, na elaboração de delirantes teorias para verem justificadas as decisões de arbitragem que lhes convenha, ou proscrever as que não lhes interessam. Uns criativos à conta de muita baixeza, de muita desonestidade intelectual, de muita gritaria.
Isto é assim há muito, sendo por isso o pior, aliás não comparável, entre programas com o mesmo formato, mas onde os comentadores comentam, respeitando-se a si e a quem os escuta ou vê.
Um dos assuntos que por vezes aborda este trio de imbecis é a violência no desporto, sem se dar conta de que a instigam com o modo como entre eles se comportam. Porque ali já só falta ir à cara uns dos outros, com ontem se viu nas cenas entre o Gomes e o Ferreira, com ofensas que não lembram ao diabo, ao mesmo tempo que cresciam um para o outro.
E a SIC-N vai manter aquilo? A linha editorial da estação consegue rever-se naquilo? Pagam a estes imbecis – parece que bem – para obrigarem os telespectadores a gramar cerca de 2 horas de uma palhaçada sem nome?
Mandem lá à vida Aguiar, Ferreira e Gomes. Por razões de decência e higiene. E a bem do ar que queremos respirar.
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

E vão 10...

… dez jornalistas da redação do Diário de Notícias, cujos nomes são citados pelo jornalista João Miguel Tavares numa crónica que publica no PÚBLICO de 01 de Março de 2013.
Dez jornalistas que transitam para os mais variados cargos de nomeação direta do governo de Passos Coelho, mas sempre com lugar garantido na redação do jornal a que foram requisitados quando o governo estoire ou quando entendam recuar.
Jornalistas para qualquer serviço: assessores, administradores, diretores-gerais. Um fartote de largas e insuspeitadas competências.
Para quem não acredita que o DN é um laranjal, fica a prova. E, no entanto, nunca um governo comunicou tão mal.
Por outro lado, esta é a nova forma de fazer política de que fala e abusa Passos Coelho.

"Água - Operação Secreta": UE Promove a Privatização da Água