quinta-feira, 21 de junho de 2012

Santana Castilho escreveu uma carta à Berta

Santa Castilho que escreveu uma carta à Berta - Público de 21-06-2012


Desta vez a Berta é o ministro Crato. De quem Castilho não gosta nem um bocadinho, do mesmo modo que odiava Maria de Lurdes Rodrigues. Aliás, Castilho é tão freneticamente trauliteiro que não me admiraria nada que um dia, sem se dar conta disso, arreasse em si próprio caso chegasse a ministro da educação.
Castilho é uma desgraça. E não se pense que escrevo isto a favor de Crato. Na verdade é bom reter que, para Castilho, Crato é mais mentiroso que Sócrates que Crato apelidava antes de mentiroso. E mais: diz Castilho que Crato atua como sapateiro, virou bruxo e que é um relapso preguiçoso político.
E nem escapa a Castilho uma bicada sobre o passado de Crato como ex-membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP.
Castilho participou, a pedido da Passos Coelho, na elaboração do programa do governo no que respeita às políticas para a educação. Há um blogue com o seu nome e a epígrafe “blogue de homenagem ao Professor Santana Castilho - uma retribuição (bem pequena) pelo muito que tem feito em defesa dos professores e da Escola Pública” mas onde ninguém ousa dar a cara pelo que ali se escreve. E nem assim foi a ministro quando da poda é ele quem sabe.
Santana é Castilho e ambos são uma desgraça. Crato que o ature pois já foi do seu clube de contestação durante os governos de Sócrates, embora tenha a sorte de ninguém ligar a Castilho, salvo a direção do Público que lhe dá guarida. Como hoje, com uma carta aberta a Crato.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Poupem o Camões, porra!


Usar a imagem do vate, nesta campanha, já deixa muito a desejar. Mas é fácil fazê-lo porque não haverá direitos a pagar. Mas provocar desta maneira ultrapassa todos os limites.
Então a marca deixa passar uma calinada destas? Custa muito saber escrever português, ainda por cima sob as barbas de Camões? Estão à espera que seja ele a corrigir o erro?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Modalidade bruta, dita desportiva.


- Socialmente, para que serve o boxe?
- Para ascender. De ignorante irlandês, de bairro italo-americano ou de escravo negro…
- Joe Louis, campeão de 1937 a 1949.
- Acabou como porteiro, sem um centavo mas com orelhas de couve-flor.
- Podemos orientar a ascensão social do crime para o boxe, cunhado?
- Passando pela guerrilha: o campeão filipino de boxe em 1923 chamava-se Pancho Villa.
- 1923: o mesmo ano em que foi assassinado o nosso Pancho Villa.
- Não tenhas ilusões, cunhado, quando se luta sem luvas, não se deve mover os pés.
In “Adão no Éden” de Carlos Fuentes

Nunca percebi o boxe como desporto. Mas a explicação acima, sobre a sua razão (?) de ser quase me convence. Com os pobres e ou ignorantes a serem utilizados para levar e dar mutuamente no focinho, com a malandragem a convencê-los de ser esta uma via, talvez a única, de promoção social ao seu alcance. Puta de vida!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Leituras em dia: "Adão no Éden" de Carlos Fuentes


Um país sem rumo, sem fé para nada, muita luta política, sem propostas capazes de afrontar a corrupção que grassa ou o narcotráfico que de tudo vai tomando conta. Não é ficção, é o México de hoje.
Que será, em tal contexto, o Éden do narrador Adão? O refúgio que lhe permite o que designa por sorte, sorte em cima de tudo quanto tem a partir de uma vida de sucesso no plano profissional e que não encontrou num casamento que ele assume ter constituído apenas um golpe de baú, mesmo se com a Rainha do Carnaval, com a filha do Rei do Biscoito. Que, de tão piedosa, escapulário sobre o sexo.

“O que ninguém sabe é que, eu sim, eu conheço a origem da minha sorte. Tem nome. Tem sexo. Tem voz. Chama-se L. Sem L, tudo o resto cairia. Ou, a existir, não teria valor. Não digo nada que os leitores não saibam. Cada um de nós entende que há um valor íntimo que atribui um preço ao valor exterior das coisas. Ter dinheiro, sucesso profissional, amigos, tudo o que é bom na vida se baseia, no fim de contas, na existência de uma relação amorosa fundamental.”

E é esta particular relação com L que leva Adão Gorozpe, o narrador, a iniciar uma feroz batalha contra o seu homónimo Góngora, político da pior espécie e ministro da Administração Interna que, ressabiado, ousara, de forma cobarde, atacar L, para se vingar de si, Gorozpe.
O livro não permite saber se tal assomo de consciência política foi consequente, isto é, se Gorozpe assumiu que não basta estar de fora da corrupção, do narcotráfico, para também se ser responsável pela sua existência.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Leituras em dia : "Cemitério de Elefantes" de Dalton Trevisan


Dalton Trevisan é um escritor escondido por Curitiba, uma das mais populosas cidades brasileiras e cuja violência perpassa este seu livro de contos, a par de um quotidiano de duras e cruéis relações pessoais.
Um escritor minimalista que com pouco diz muito ou tudo, como no início do primeiro de 23 contos deste livro com cerca de 80 páginas:
“Primeira noite ele conheceu que Santina não era moça. Casado por amor, Bento se desesperou. Matar a noiva, suicidar-se, e deixar o outro sem castigo? Ela revelou que, havia dois anos, o primo Euzébio lhe fizera mal, por mais que se defendesse. De vergonha, prometeu a Nossa Senhora ficar solteira. O próprio Bento não a deixava mentir, testemunha da sua aflição antes do casamento. Santina pediu perdão, ele respondeu que era tarde – noiva de grinalda sem ter direito.”
Dalton Trevisan, inacessível porque teima esconder-se, tem obra publicada deste 1959. Este é o seu segundo livro, premiado como outros de sua autoria. E é agora também Prémio Camões, notícia que, apesar de tudo, já lhe terá chegado.
Na introdução feita a este livro, Fernando Assis Pacheco escreve que “Otto Lara Resende diz que “ninguém sabe quem é Dalton Trevisan. Deus mesmo não sabe e nem por isso se impacienta”. Tenhamos também nós paciência.

domingo, 3 de junho de 2012

Passos & Borges: a mesma luta!

 "Eu não falo em nome da troika, falo em nome do Governo. O Governo não está a preparar nenhuma baixa de salários em Portugal."
Afirmou este senhor aqui em cima.
O senhor que se segue, com mais poderes que muitos ministros, sem que o seja, não se ficou e disse o que fica.
Haverá contradição entre o que ambos dizem sobre o mesmo tema? Não há. O segundo fala verdade, embora se não refira ao seu salário e demais mordomias. O primeiro, a exemplo do que nos habituou, mente de novo.

Nha praia, hoje...

Obrigado Ana, obrigado Pedro.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Mulher com paisagem ao fundo


Um tipo de predador à solta


Sabe-se que se pode especular conta uma dívida soberana através das chamadas vendas a descoberto (short selling), uma velhacaria consentida a pessoas e entidades da maior seriedade e fartos bolsos.
Para sucesso da operação promete-se vender o que se não tem, numa futura data, por valor estipulado com o comprador.
Depois há que fazer pela vida, isto é, ou esperar por uma baixa da cotação ou fazer o que se puder para que ela baixe mesmo, pois ao especulador o que interessa é comprar por valor inferior o que se comprometeu a vender por valor previamente acordado.
Para isso, se necessário, ou faz correr um boato ou teoriza mesmo acerca da iminente descida da cotação do título em causa.
E foi o que se passou com alguém que fez publicar artigo seu num jornal norte-americano, especulando com a dívida portuguesa, no sentido da sua desvalorização, ao mesmo tempo que se aventurava numa short selling.
Para já foi aberto inquérito por tudo apontar para um crime de manipulação da dívida portuguesa. Mas por que raio se aceita este meio de especulação em que se promete vender o que se não tem, quando se sabe que é fartamente usado para tramar um país? Porque, neste caso, o artista foi apanhado, aparentemente por ingenuidade. Mas quantos casos não ficam por deslindar?
 
Nota: Em Setembro de 2008 as vendas a descoberto foram proibidas provisoriamente na Bolsa de Nova Iorque e depois na Wall Street para evitar a descida das cotações. Por que provisoriamente quando o instinto dos predadores é permanente?