segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A mana Graça, uma mulher de força e raça

Todos gostamos muito dela, do nosso Garçon como muitas vezes a tratamos com carinho.
Terça de Carnaval, dia da alta hospitalar, ainda foi mascarada em pleno HSM pela cunhada Maria João para espanto dos presentes. Ontem já foi à bola, com o Rui.
Um pequeno defeito: o clube que escolheu, mas ninguém é perfeito.
Mas isso de um médico te dar bilhetes para a bola quando a mim, um dia, me tratou muito mal numa zona abaixo das costas ao ponto de gritar, é de uma grande injustiça. Se é.

O Estado asfixiante ou as teorias da treta

Eu sou do tempo em que alguém, contra o que a história e a doutrina tinham já consagrado, veio com uma explicação do Estado e da sua natureza que não lembraria ao diabo, mas que ocorreu a académicos acabadinhos de chegar dos EUA.
Segundo eles, a compreensão do Estado, da sua necessidade e da sua natureza, poderia ser explicada com um suponhamos porque, quando a base é fraca, nada como um recorrer a um suponhamos. E havia que supor que existia uma ilha em que a generalidade dos seus habitantes vivia da pesca. E que para a segurança da atividade piscatória, forçoso era que fosse construído um farol. Farol que deveria ser custeado por todos. Mas como obrigar todos a suportar os custos do farol? Pois através da prévia criação do Estado. E pronto, clarinho como a água. A ser assim, o Estado era uma entidade acima de todos e, contrariamente ao que afirmavam os marxistas, jamais um instrumento ao serviço das classes dominantes e que são dominantes exatamente por começarem por dominar o Estado e, desse modo, exercerem um poder sobre as classes mais fracas ou desfavorecidas.
E vem isto a propósito de ainda hoje haver quem teorize ou queira teorizar como se o Estado fosse uma entidade mítica, ainda que se reclame a necessidade da sua reforma, da sua atualização, da sua modernização. Só que tal reforma ou modernização ainda se fará, de novo, de acordo com os interesses das classes dominantes e da sua salvaguarda. Nem valendo a pena fingir que assim não é.
E exemplo disto é o que hoje no Público vem proposto por um jurista barra gestor, certamente habilitado para o que se deve fazer em prol de um Estado de “um país prestigiado e digno não só internamente, como no plano do relacionamento com as outras nações”. Tal e qual.
Para tanto são enunciados 8 objetivos a prosseguir, interessando fixar a ordem por que são enunciados, que isto do seu ordenamento já quer dizer muita coisa.
Em primeiro lugar, o jurista barra gestor, entende se necessário “dotar o país das adequadas condições de segurança para pessoas e bens”, onde eu leio a preocupação com a proteção do costado e da propriedade. E, numa sociedade de classes, fácil é identificarmos os maiores ou exclusivos interessados na plena prossecução deste objetivo, o primeiro enunciado por este teórico.
O sétimo entre os oitos objetivos atesta claramente que há e terá que haver na sociedade um extrato de coitadinhos e quanto aos quais o Estado será magnânimo. De facto, o jurista barra gestor estipula que para eles deverá o Estado Assegurar um nível de subsistência mínimo, fornecendo gratuitamente os cuidados de saúde e o acesso à educação, apenas e só aos manifestamente carenciados e incapazes. Do que há que concluir que para estes, para os coitadinhos, bastará o assistencialismo orientado para “um nível de subsistência mínimo” e, claramente, o fartar vilanagem para os senhores.
Acontece que os coitadinhos dispensam hoje tais atos de misericórdia e caridade na forma das migalhas que caem da mesa dos senhores.
E um Estado verdadeiramente moderno é aquele que propicia a todos as mesmas oportunidades e meios de aceder ao que de mais exigente se possa ter na saúde e na educação. Para falar apenas da saúde e educação. Sem senhores e coitadinhos.
“O Estado asfixiante”, por Miguel Feliz António, Jurista/Gestor
Público de 27-02-2012
 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Leitura em dia : "Rixa de gatos" de Eduardo Mendoza


Uma intriga que diverte, apesar de estarmos nas vésperas do início da guerra civil espanhola, com a conspiração fascista em curso, cenas de espionagem com todos a espionar todos, numa Madrid já quase a cheirar a pólvora.
Este o contexto em que um especialista inglês da pintura espanhola do seu Século de Ouro é chamado para certificar a autoria de um quadro detido por um falangista, e cuja transação poderia garantir a aquisição de armas para aos inimigos da república, esta também minada por quezílias internas.
E vêm por arrasto as paixões e traições num ambiente em que parece que ninguém está certo de ninguém, a par das conjeturas que se fazem acerca do quadro em questão, seja quanto à sua autoria, seja quanto ao que está por detrás da sua criação.
Se era ou não da autoria de Velásquez, como garantia o especialista inglês, nunca se saberá, pois o quadro desaparece num incêndio.
E entre amores e desamores, retenho uma frase no final do romance, de uma ternura ambígua, ou de uma ambiguidade terna: “As mulheres são uma maçada, mas são o melhor que temos”.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

HOLOCAUSTO FINANCEIRO


A expressão não é minha, é recente, e vai fazendo o seu percurso. E podemos estar, se é que não estamos mesmo, perante um nova forma de subjugação dos povos a partir da sua asfixia financeira e com consequências tão trágicas como a do holocausto em que as vítimas foram, sobretudo, os judeus.
Foram acertadas as medidas tomadas no pós-guerra quanto à Alemanha no sentido de lhe ser retirado tudo aquilo em que assentava o seu poder bélico de tão trágicas consequências. Mas, por distração ou conivência de tantos, a Alemanha, a quem foi permitida a reunificação, é hoje, como por diversas vezes o foi no século XX, uma ameaça que é conveniente não menosprezar, com uma nova arma: o poder financeiro que alcançou, articulado com o euro.
A Grécia já está a experimentar o que pode ser este tipo de holocausto. E não nos iludamos com as permanentes afirmações de que Portugal não é a Grécia. Hitler também seduziu uns quantos que, idiotas inúteis, foram espezinhados sem apelo nem agravo, quando chegou a sua vez.
Asfixiar as economias periféricas para comprar os seus ativos a preços de saldo pode ser apenas o começo de um drama em que ninguém, salvo o monstro alemão, se safará.
E mais vale ser agora contra esta voracidade alemã, que mais tarde, quando não houver remédio algum.
Não deixemos o monstro engordar ainda mais. E um alerta: um novo tipo de guerra pode já ter começado, e estamos quase todos desarmados. Como que anestesiados.
 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um argumento original contra o novo Acordo Ortográfico


Somos mesmos originais. Mas alguns abusam e nada lhe acontece?
Um assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa apresentou queixa na Provedoria de Justiça reclamando que se declare inconstitucional o novo Acordo Ortográfico (AO) porque, repare-se, a Constituição foi redigida segundo a anterior ortografia. Para este ilustre professor, primeiro dever-se-ia fazer uma revisão constitucional para que a ortografia da Constituição fosse alterada e, deduzo, só depois se deveria aprovar o novo AO.
Mas como redigir a Constituição segundo um AO quando este ainda não podia ser aprovado por ser… inconstitucional? Não faz lembrar o caso do ovo e da galinha?
E se Camões se lembrasse de vir colocar em causa as modernas edições dos Lusíadas por não estarem conformes com a ortografia do seu tempo?
Claro que isso não lembraria a Camões que, mestre da língua, sabe que importante é o significado da palavra e não tanto a maneira como a grafamos ao longo do tempo.
PS. Texto provocado por notícia do Público de hoje.

PS do Tó Zé estabelece novas parcerias


O movimento Renovação Comunista (RC) existe. Desde 2003. E tem um presidente, o bem conhecido Paulo Jacinto, que eu não conheço, mas também é verdade que conheço pouca gente, mesmo que apenas de cara. Este Jacinto nem de cara.
Pois, decorridos 8 anos de existência, segundo o Público de hoje, uma delegação da RC vai encontrar-se com a direção do PS do Tó Zé, para “troca de opiniões sobre a atual situação do país e a política do atual governo”, bem como discutir “saídas para a crise”. E isto, certamente, porque a direção do PS do Tó Zé e a RC ignoram mutuamente as posições de cada um sobre tal matéria.
Agora sim, o PS do Tó Zé começa a acertar o passo.
PS. A ilustração do post não resulta de qualquer lapso ou distração.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Em defesa dos direitos adquiridos - Noronha do Nascimento


[…]
Por último e para terminar, a questão dos “direitos adquiridos” que renasce como a Hidra sempre que entramos em crise económica ou social.
E a sentença dos comentaristas é quase sempre unânime: em época difícil não há direitos adquiridos, o que quer dizer que se pode atingir, ou seja, baixar, sem limites definidos, as pensões de reforma fixadas, os vencimentos ou salários estabilizados e as prestações acordadas.
Não se nega que em situações excecionais possa haver soluções excecionais, mas com limites definidos, à semelhança do que sucedeu no fim da 1.ª grande guerra quando surgiu a teoria da imprevisão abrindo brecha no princípio da estabilidade contratual; mas o curioso na opinião daqueles comentaristas é o unilateralismo do seu raciocínio incapaz de perceber os efeitos jurídicos bilaterais que ele contém e que, de certeza, muita gente recusará.
Os direitos são ou originários ou adquiridos.
Originários são praticamente tão-só os direitos de personalidade, entre os quais se contêm os direitos potestativos de aquisição de futuros direitos adquiridos; adquiridos são todos os outros.
Vale isto por dizer que direitos adquiridos não são apenas aqueles de que se fala em épocas de crise, isto é, as pensões fixadas, os salários estabilizados e as prestações acordadas; são também os direitos obrigacionais dos credores, os direitos de propriedade e os direitos societários dos sócios dominantes ou não.
Defender que não há direitos adquiridos é dizer que todos eles, mas todos, podem ser atingidos, diminuídos ou, no limite, eliminados; ou seja, é admitir o regresso ao tempo das ocupações, das autogestões ou do confisco porque estamos perante direitos adquiridos alteráveis perante situações excecionais.
Será que se está preparado para aceitar todas, mas todas, as sequelas lógico-jurídicas de quem assim pensa?
Os direitos adquiridos são o produto final de uma civilização avançada que se estruturou à volta da teoria do pacto ou do contrato social que, desde o séc. XVII foi sendo elaborada por pensadores diversos desde Hobbes, Francisco Suarez, Locke, até à obra conhecida de Rousseau, que fundamentou a legitimidade do poder no pacto social que os cidadãos aceitavam delegando o seu exercício e retirando, assim, ao príncipe a titularidade originária daquele.  A evolução posterior desta teoria levou à conceção da soberania popular delegada pelo povo nos seus representantes eleitos, isto é, levou à democracia representativa; mas, nela, permanece a noção subliminar do contrato tacitamente aceite pelo povo e que contem em si, também, a ideia de solidariedade entre os cidadãos que contratualizaram o pacto.
Quando o contrato se rompe, rompe-se também a solidariedade, porque tal rutura traz sempre consigo a violação do equilíbrio das prestações contratuais com o benefício de uns em detrimento de outros.
Num artigo publicado em 1855 no Porto e que precedeu as suas “Memórias do Cárcere”, Camilo Castelo Branco escreveu isto mesmo de forma exemplar.
Veja-se esta pequena passagem desse seu texto: “A inércia da autoridade, que não se lhe perdoa, é talvez a consciência de que ninguém se deixa morrer de fome, enquanto o braço pode dedicar-se a um trabalho qualquer, embora desonroso. Ao homem desamparado não se lhe podem pedir contas do pacto  social, porque a sociedade não quis aliança com ele quando o desamparou.”
E termino aqui a citação porque o que se segue na escrita de Camilo é verdadeiramente perturbador.
No relatório de 2008 do Eurostat, Portugal é, na União Europeia, um dos países com maior desigualdade de rendimentos entre ricos e pobres, só ultrapassado pela Roménia, Bulgária e Letónia e logo seguido, entre os países mais desenvolvidos (e a fazer fé em Tony Judt) pela Grã-Bretanha.
O mesmo relatório adverte que, na União, 1 em cada 6 cidadãos está em risco de pobreza, número vermelho similar ao que existia em Paris por volta de 1788/1789, os anos do Rubicão; e a Dinamarca, país “insuspeito”, é (na União) aquele onde o endividamento individual bruto atinge maior percentagem.
O que isto significa em termos de coesão social ou – dito de outra forma – em termos de solidariedade que, psicologicamente, sustenta o contrato social pode ser devastador. Daí que falar na inexistência de direitos adquiridos num discurso unilateral e unipolar, ainda por cima num país de rendimentos tão desiguais, pode ser a abertura da caixa de Pandora que nos leve ao Inverno (ou ao Inferno) do nosso descontentamento.

Luís António Noronha Nascimento
Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
Discurso pronunciado na abertura do ano judicial 2012 (parte final)

"quando o Diabo reza"


Reze ou não, o facto é que diabo é a única palavra grafada com maiúscula no título. E já dá para sorrir.
Depois, o livro apresentado com uma fitinha para se marcar onde se vai e se recomeça a leitura, tem o subtítulo de “vadiário breve”, e não breviário, que isso é mais para os padres católicos. E de novo sorrio.
E o gozo mantém-se na leitura, sempre a sorrir. Graças às artimanhas e calão próprio de um trio de vadios apostados em roubar um idoso de supostas posses, posses cujo montante as filhas ignoram, por mais que se esforcem em convencê-lo a falar sobre o assunto.
No final, é certo que o trio não levou a melhor e que o velho acaba mais adoentado do que estava, para desespero das filhas agora limitadas ao recurso de o darem, se puderem, por incapaz. Para abreviar a ida às massas do velhote, não vá ele teimar em ficar mais uns longos, para elas, tempos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Borges quer a CGD...


"Não há razão nenhuma para que o maior banco português pertença ao Estado" diz este senhor. E porquê, pergunto eu? Não o foi sempre? O Estado é quem? Onde vai Borges e seus amigos buscar a legitimidade para privatizar a CGD? Sabemos que muitas vezes se confundem com o Estado de que se apoderam, que tratam como seu. Mas nada como porem-se fininhos. Se os amigos querem uma CGD que a criem com os seus meios e recursos.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Le CCB c'est moi!


Tem Vasco da Graça Moura (VGM) o direito de se recusar a adoptar na sua vida privada o novo Acordo Ortográfico (AO)? Claro que tem, e mais: qualquer pessoa tem esse direito.
Mas pode VGM confundir-se com uma instituição, no caso do CCB uma fundação pública de direito privado, para a qual é nomeado, ao ponto de nela se comportar como de sua casa se tratasse? Obviamente que não.

Por outro lado, apesar do seu especial azar ao novo AO, VGM sabe muito bem que se está perante um acordo subscrito por Portugal e outros países e sabe igualmente que a instituições com tutela governamental foram dadas orientações no sentido do cumprimento do AO.
 E que faz VGM como primeiro acto de gestão no seu novo posto de presidente do CCB? Pois nada mais nada menos que elaborar um texto que se diz denso, onde expõe as sua opiniões pessoais quanto ao AO e, em função disso, propor ao CA que no CCB o AO não seja observado, mandando mesmo desinstalar os correctores ortográficos de todos os computadores e não apenas do seu, como afirmou hoje Passos Coelho na AR quando questionado sobre a matéria.
Conhecida que é a habitual postura trauliteira de VGM, isto não deve causar qualquer surpresa. O novo presidente não quis perder tempo para que saibamos qual o estilo da nova programação do CCB, agora coutada onde VGM decidirá como se pudesse ser confundido com o próprio CCB.
Há quem diga que se fez, com o novo AO, um frete ao Brasil. Mas quem não acautelou no tempo que se chegasse às variadas divergências nas ortografias foi Portugal que levou séculos a fixar a ortografia anterior ao novo AO. Não se apontem ao colonizado as culpas deste estado de coisas pois, para além da inexistência de um dicionário consensual na altura em que a corte fugiu para o Brasil, está também na origem desta situação a profunda iliteracia que serviu de pasto à vertente da oralidade da fala em detrimento da escrita. Depois, ao querer passar o oral para a escrita, é o que se sabe, no Brasil e não só no Brasil. Culpa nossa.
O Brasil está-se nas tintas para isto. Pela dimensão que tem, pelo peso que tem a sua actividade editorial no mundo, pelo que tem feito pela divulgação do ensino do português, como se pode constatar pelo sotaque dos estrangeiros que têm ousado aprender o português.
E nós fazemos o quê? Nada, e alguns assumem mesmo a postura quixotesca de admitirem que podem levar a sua adiante. Podem esperar sentados.
Já agora: tendo já lido diversos livros editados em Portugal conforme o novo AO, não vejo quais as dificuldades em assimilar, sem qualquer dificuldade, a nova ortografia.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Zé das generalidades económicas da SIC-N

Como comentador ou entrevistador, destaca-se pelas generalidades e pela postura mansa perante os poderosos e teso para com os outros, que ele sabe bem qual o lado que lhe dá melhor jeito para dormir.
Hoje, sobre uma reunião entre parceiros sociais, de novo a lenga-lenga sobre as vantagens milagrosas da liberalização da legislação laboral, particularmente dos despedimentos. Porque é isso que poderá garantir o crescimento económico e a criação do emprego.
E exemplifica com os EUA: o despedimento a qualquer momento, sem justa causa, ou a possibilidade de o trabalhador se poder igualmente despedir nos mesmo termos - como se isto significasse uma igualdade de direitos entre trabalhador e patrão - é o máximo, sendo assim que se progride.
Mas, porque será que não começa por exemplificar consigo mesmo? Não haverá quem queira este comentador independente a custo zero, já que ele está, certamente, disponível para ser corrido, sorriso nos lábios?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Heil... Merkel!


“Com a subtileza de um elefante numa cabine telefónica, Merkel irá impor, hoje, ao Conselho Europeu o seu pomposo “Tratado sobre a Estabilidade, Coordenação e Governança na União Económica e Monetária”. É pegar ou largar.
[…]
“Este fim de semana, tivemos uma aproximação ao que se pretende, com a fuga de um documento alemão que visa obrigar a Grécia a transformar-se num protectorado, governado por um Comissário, que mais parece um Gauleiter. O princípio orçamental seria: “Primeiro paga-se aos credores, e as migalhas que sobram vão para o povo.” A democracia seria suspensa, pois o parlamento e o próprio executivo de Atenas seriam meras entidades decorativas. A Europa vai a correr para uma catástrofe. O Tratado de Merkel é um copo de cicuta. Um Tratado, verdadeiramente? Já li declarações de guerra escritas com mais educação e elegância.”
Viriato Soromenho-Marques, Professor Universitário
DN de 30-01-12

Passatempo, com patrocínio de um cromo da nossa praça

Quem escreveu o texto que segue, final de uma crónica do DN de 30-01-12?
a)    O inenarrável João César das Neves
b)    O inenarrável J. César das Neves
c)    O inenarrável João C. das Neves
“O Pacto MFA-Partidos não teve consequências por ser parte da vaga marxista que já se aproximava do fim, após rugir há cem anos. Mas os ataques à família ainda crescem imparáveis para o auge. Será a tibieza do actual Governo mais parecida com os Acordos de Munique de 29 de Setembro de 1938, em que tímido Neville Chamberlain cedeu à violência triunfante de Hitler, precipitando como cúmplice a futura catástrofe?”
A onda lasciva está mais perto do fim do que parece. Já chegou à velhice a geração do amor livre, Woodstock e Maio de 68. E será a velhice mais longa e solitária de sempre. Com uma pesada herança de famílias desfeitas, filhos e netos alheios ou não nascidos, promiscuidade, traição, luxúria, enfrenta agora o teste definitivo. As gerações seguintes aprenderão depressa esta triste lição.”

Saúde pública versus saúde privada, segundo Sobrinho Simões


Excertos da entrevista ao Público de 29 de Janeiro de 2012.
“O caso da saúde [do SNS] é uma história de sucesso extraordinária. Nos países em que foi mudado o sistema no sentido da iniciativa privada a saúde piorou e ficou mais cara. Os EUA têm um sistema de saúde pior do que o nosso em todos os indicadores e muito mais caro. Portanto, não acho que em nenhuma circunstância seja defensável pensar em acabar com o SNS ou sequer fragilizá-lo.”
[…]
“Acho muito bem que as pessoas que queiram escolham hospitais privados para ter crianças. Agora, tinha que existir um acordo com os hospitais privados onde há partos e, quando as coisas dão para o torto e elas vão parar às maternidades e hospitais centrais, parte do dinheiro que as pessoas tinham pago revertia para o público. Às tantas, temos tudo o que é rendível nos privados e tudo o que dá despesa é pago por todos nós.”
[…]
“Sou totalmente a favor de reforçar o público, no ensino, na investigação e saúde. Se for preciso aparando as arestas, mas reforçá-lo. Continuo a achar que é criminoso acreditar que a medicina privada e a privatização é melhor. É pior em custos e em eficiência e qualidade.”
[…]
Não tenho nada contra a existência de áreas de saúde que, com regras claras, estejam privatizadas. Mas privatizar o SNS de uma forma disfarçada com a ideia de que os privados gerem melhor que o público? Não. Conheço públicos e privados que são horrorosamente geridos. Todos nós já chamámos canalizadores a casa! Todos nós já recorremos a serviços privados que são muito maus.”

domingo, 22 de janeiro de 2012

Recordando a Costa Brava...


No ípsilon / Público a recensão a esta obra de Pla atribui-lhe uma classificação de 5 estrelas, a máxima.
E, lendo o texto, eis que são referidas as localidades de Figueres, Roses, Cadaqués. Tudo numa zona de afectos naquele espaço da Costa Brava, e que nem o fantasma de Dali consegue perturbar, tal o magnetismo que lhe é peculiar.
A Roses já tinha voltado com a leitura da “A Viagem do Elefante”, pois é em Roses que, segundo Saramago, o elefante é embarcado em direcção a Itália. Agora espero voltar a experimentar antigas sensações, lendo este Pla.
 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Um ídolo com pés de barro


Ainda na condição de iniciado ou juvenil, Figo admite, na entrevista dada hoje ao Público, ter dito a um dirigente da Federação que se não houver dinheiro, não há palhaço. Depois, até ao final da sua carreira desportiva, foi o que se viu, ao ponto de em Espanha, para os adeptos da Barcelona em que foi capitão, não ser mais que um pesetero, única motivação para a sua transferência para o rival Real Madrid.
Mas, afirma Figo, isto não era mais que o regular funcionamento dos mercados.
Por cá as coisas não lhe estarão a correr bem, e esta entrevista faz-me lembrar aquela ameaça “segurem-me se não mato-me”. E vai deixando umas achegas, a primeira das quais é um ataque a Sócrates, a par da queixa de não ser reconhecido o estatuto de utilidade pública à sua Fundação que, frisa, não se destina a lavar dinheiro.
A quem interesse: Figo não tem partido e tem uma péssima opinião dos políticos, e não apenas dos portugueses.
Uma ameaça teremos que levar muito a sério: Figo vai vender todas (?) as suas empresas em Portugal. E isto vai obrigar Gaspar a rever em baixa os indicadores do quadro macroeconómico do OE de 2012.
Mas tudo bem. Vai Figo, pois se o retrato já não era favorável, agora ficou uma desgraça, coisa que bem se dispensa nos tempos de hoje.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lendo Tony Judt


“A seriedade moral na vida pública é como a pornografia, difícil de descrever mas imediatamente identificável quando a vemos. Descreve uma coerência de intenção e ação, uma ética de responsabilidade política. Toda a política é a arte do possível. Mas também a arte tem a sua ética. Se os políticos fossem pintores, tendo FDR [Franklin Delano Roosevelt] como Ticiano e Churchil como Rubens, então Atlee [Clement Atlee] seria o Vermeer da profissão: preciso, contido – e durante muito tempo subvalorizado. Bill Cliton poderia aspirar à dimensão de Salvador Dali (e julgar-se elogiado pela comparação), Tony Blair à posição – e cupidez – de Damien Hirst.”

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Eden - Park - Mindelo - Daniel Blaufuks


Estava na cidade do Mindelo quando o documentário de Daniel Blaufuks, sobre o cinema Eden – Park, foi ali apresentado.
E, certamente, era este o aspecto do cinema na década de 40 inícios da 50 do século passado quando o cinema era uma paixão de muitos na ilha de S Vicente. Porque, para sair da ilha dois caminhos estavam disponíveis, como se diz no documentário: um, o mar, o outro, o cinema.
E havia mesmo produção local de filmes, mesmo que houvesse apenas um cavalo para um fita sobre cowboys e índios, obrigando a que o mesmo cavalo fosse pintado de preto, numas cenas, e de branco, noutras. E o mesmo personagem podia ser morto mais que uma vez, bastando que se aproveitasse a mudança da posição da câmara para se passar por detrás dela e surgir de novo para levar segundo ou terceiro… tiro oriundo de uma pistola que, também ela, rodava de mão em mão.
A paixão pelo cinema era tal que se punha luto pela morte de um actor preferido e eram mesmo apresentadas condolências por parte de outros amigos cinéfilos ao assim enlutado.
Na altura Mindelo tinha um outro cinema. Hoje, nenhum. E isso é que faz pena. O Eden – Park, ali na Praça Nova, lá vai resistindo, mas está agora muito mal tratado, em ruínas.
E recordei o documentário que é uma ternura a partir da Pública de 11 de Dezembro, onde Daniel Blaufuks responde ao habitual inquérito de MEC, Mexia e Diogo Quintela.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lisbon & Estoril Film Festival


Uma chuva de estrelas num diversificado leque de acontecimentos. Em dez locais, 2 no Estoril, 8 em Lisboa.
Antestreias, exibições em competição, com júris de luxo.
Mas, como antes, não se tratará apenas de cinema que terá, desta vez, a concorrência da literatura, artes plásticas e música.
E isto apenas para prestar tributo a um grande senhor, que tais coisas nos permite. A Paulo Branco, na sua qualidade de exibidor, já devíamos salas libertas de pipocas e coca-cola. Mas não fomos capazes de evitar, por falta de comparência nossa, o seu abandono das salas do Saldanha Residence.
Como produtor, muito lhe devem realizadores portugueses e estrangeiros.
E, agora, temos este alargamento do anterior Estoril Film Festival. Com a expectativa de 30 mil espectadores, mais 10 mil que no anterior festival.
E eu aqui ainda coxo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em Florença, na Galeria dos Ofícios, Galileu sorriu


Verdade, embora não se fosse a tempo de captar tão significativo momento. Especula-se agora sobre os motivos do sorriso. Um sorriso misericordioso, diz-se.
Eu tenho uma versão: Galileu, com a ameaça da fogueira da Santa Inquisição, renegou as suas convicções, perante “um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo”, segundo Gedeão.
E agora sorriu, quando ouviu um ex-professor de finanças públicas, postura hirta, ali bem perto de si, confessar, pela primeira vez, o que era pressuposto saber há muito, e sabia, claro. Mas havia que primeiramente queimar alguém, pela omissão, pelo silêncio. Cobardemente.
Um arriscou a fogueira, outro ateou o fogo, procurando não sair chamuscado. Debalde!

sábado, 17 de setembro de 2011

Não foi fácil chegar aqui...


... depois de se ter estado com um pé do lado de lá. Mas seria de todo impossível sem a competência e dedicação de diversas equipas do HSM – médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar – que me acompanharam e trataram como se fosse o único doente presente.

Mas o ânimo para aguentar e prosseguir, quando a força era pouca e a incerteza ainda bastante, veio sobretudo dos meus irmãos, cunhados, sobrinhos e tios, a par dos amigos de sempre e de colegas.

Graças a todos nunca me senti só e fui sempre encorajado a vir experimentar a luz que já tinha esquecido, os odores e sabores há muito perdidos.
Obrigado a todos por esta dívida de gratidão que jamais conseguirei pagar.

A ti, Mana Velha, uma especial referência. Pelos diversos postais que recebi no HSM, alguns acompanhados por desenhos teus e que aqui reproduzo.
Odivelas, onde tenho tratamento de rei por parte da M João, do Jorge, da Bia e do Ricardo.

sábado, 9 de julho de 2011

Um Senhor de Fontainhas - Ilha de Santo Antão


Assim estava e assim eu quis fotografar Teófilo Delgado, um Senhor das Fontainhas, 80 anos de idade.
Conhecedor de todos aqueles pormenores da História de Portugal que se aprendiam no seu tempo e também no meu, no ensino primário. Identificando quem andou por cá antes do primeiro rei, dos que a este se sucederam e seus cognomes. Dos episódios mais marcantes: a traição a Viriato, as tricas de Afonso Henriques com a sua mãe, a batalha de Ourique e o tal sinal divino aparecido nos céus, segundo se contava, as razões da perda da independência, a traição de Miguel de Vasconcelos. Pegando na narrativa, como dizia, aí iam os reis todos e seus cognomes, dinastia a dinastia. E chamou-me a atenção por estar a meter na primeira um rei que é da segunda.
Uma memória prodigiosa que lhe permite citar, com então se aprendia, as preposições simples naquela lengalenga a, ante, após, até, com… etc.
E houvesse tempo para mais…
E reforma, Sr Teófilo? Não precisa, vive bem assim, sem recorrer aos filhos. Assim quer dizer com a ajuda de uma pequena mercearia a cargo da esposa e onde pouco se vende num local daqueles.
Seis filhos: um juiz, outro a doutorar-se em matemáticas em Aveiro, um economista… apenas o mais novo ficou por ali…
Continue assim, amigo Teófilo, pois gostaria de voltar com mais tempo.

Cabo Verde - Ilha de Santo Antão - Fontainhas



Um monumento em sucalcos que ilustram as conquista do homem a uma natureza muitas vezes madrasta. E digno de ser classificado como Património da Humanidade.

Cabo Verde - A propósito de cabras

Na caminhada para Fontainhas. Cabra abandonada não tem dono? Pois experimentem.

Cabo Verde - De Ponta de Sol a Fontainhas

Uma caminhada que vale pelo espectáculo da paisagem, mesmo se agreste aqui ou ali. Ao fundo, Ponta do Sol - Ilha de Santo Antão.

Miragem

Cabo Verde - Ilha do Sal - Julho 2011

Fenómeno possível em dias ensolarados e em áreas desérticas, mas também noutros locais e circunstâncias.
E fenómeno real, embora... miragem. E irónico também pois, neste local, bem falta faria a água que se ali no mesmo plano das árvores. Mas que não está lá.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Tadinha da Moody´s

São tantos os ex-amigos a baterem na menina que decidi levá-la ao cinema. Depois do cinema se verá que mais fazer para a animar.
Era tão boa pequena há tão pouco tempo que custa a acreditar no que lhe estão a fazer.
Anda daí, Moody´szinha. Vamos ao nimas. Não ligues ao Guerreiro, ao Camilo, ao Marcelo, ao Cavaco, ao Gomes Fininho da SIC, ao Coelho e outros que tais. E menos ainda ao Jardim.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

De acompanhantes de luxo a meras… meretrizes



As agências de rating sempre foram umas meretrizes. Desculpem: umas putas.
Mas há quem, em tempos recentes, as tivesse por acompanhantes de luxo. Por isso:
  •        O PR pedia para não que não se diabolizassem os mercados e as suas agências, porque isso era feio;
  •        O agora secretário Moedas garantia uma subida do rating se fosse um governo social-democrata a aplicar o acordo com a troika;
  •        Por seu lado, PPC garantia que se tal acordo fosse aplicado pelo PS rapidamente chegaríamos à situação da Grécia…
Mas, repito, as agências são mesmo umas meretrizes. E agora o PR exalta-se e clama por intervenção europeia; PPC queixa-se de um murro no estômago, ele que deu um com o chumbo do PEC IV; Gomes Fininho, da SIC, enquadra isto na guerra entre o dólar e o euro e também numa estratégia que leve a que as próximas privatizações se façam ao desbarato; o presidente da CIP pergunta o que é que as agências querem mais; Duque sugere que não se ligue ao assunto; os banqueiros estão enfurecidos…
Concluindo: uma meretriz pode passar por acompanhante de luxo, sobretudo diante de quem pense que estamos a falar de coisas diferentes.
Mas a acompanhante de luxo de outrora é a meretriz de agora. Nem mais.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O bronco Silva…


Depois de exaltadas catilinárias contra a decisão da Moody’s – e as agências de rating em geral -, este Silva acaba por justificar, no frente a frente do Crespo, o corte do rating da dívida portuguesa. Para ele, a Moody’s teve em atenção a execução orçamental, o aumento da dívida. Isto é: a Moody´s, para ele, tem razão.
Sendo assim, por que raio se exalta tanto?
Já agora: quando é que afastam este bronco de filmes sérios e dramáticos? Espera-se pela independência da Madeira, que o ministro Álvaro tão bem justifica, para o recambiar para o Chão da Lagoa?

Chulos, agências de rating e os amigos destas…



São umas meretrizes as agências de rating. Reparem que não escrevo putas, porque isso seria ofensivo, e meretriz tem mesmo raiz no latim de Cícero: meretrice. Coisa fina, pois então.
Mas, embora finas, ainda não têm estatuto que lhe permita um trabalho independente, com ou sem recibo verde, pelo que preferem o trabalho precário, através do encosto na chulice: os tais mercados, os fundos de investimento, a banca, o sistema financeiro em geral, o que de mais asqueroso existe no que se insiste ser a mais antiga profissão do mundo, estando por saber quem primeiro apareceu: se o chulo, se a puta. Desculpem: a meretriz.
Nas suas análises para a chulice as meretrizes informam sobre o desempenho dos seus clientes: as negas (default), a ejaculação precoce (risco de bancarrota), o nível de rigidez do membro (robustez das medidas em curso), a irregularidade da erecção (solidez do apoio político aos programas), a resposta à estimulação erótica (impacto das medidas), marca dos preservativos (risco de derrapagem) …
Por equívoco, nos relatórios das meretrizes não pode ser usado o termo teso, não se fosse confundir a falta de massa com qualquer notação AAA+. Para isso já basta a barraca com o Lheman Brothers.
Mas as meretrizes não dispensam os amigos que são verdadeiras antenas de informação sobre os clientes a classificar: duques, medinas, camilos, guerreiros, cavacos, leites, cantigas, marcelos e tantos mais. Mesmo que opinem apenas de acordo com as suas preferências ideológicas e partidárias. E há que dizer que as putas – sabem que quero dizer as meretrizes – até são mais objectivas, porque os interesses dos chulos não variam de acordo com as circunstâncias. Chular sempre foi isso mesmo: chular. Até ao tutano.
Uma coisa diverte as meretrizes – ou as putas? : a indignação dos seus amigos quando os seus relatórios ou notações passam a ser inconvenientes, em determinado contexto. Idiotas inúteis, admitem, tais amigos, que têm mais poder que os chulos ou mesmo que as meretrizes (ou serão mesmo putas?).
E assim se explicam coisas muitos simples aos pequeninos. Porque este jogo de putas e chulos não é para todos. E é mesmo negócio muito perigoso, cobiçado por máfias e outras seitas.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Burrice


“(…) Estas experiências terão-lhe permitido adquirir um profundo conhecimento da economia portuguesa, da economia europeia, bem como das instituições europeias com as quais vai ter agora que lidar numa outra posição. (…)”
João Loureiro, Professor da Faculdade de Economia do Porto, em comentário no Público de 18-06-2011

Caldas 1 - São Caetano 0


Para alguns há que repetir. Nobre tinha como vocação, segundo declarações muito claras, utilizar o púlpito da AR, enquanto presidente, para desenvolver não sei que projecto, como se tal lhe pudesse ser consentido. Depois disto e de antes ter afirmado que não seria deputado, caso não fosse eleito presidente da AR, PPC manteve-o como candidato ao posto, provocando toda a gente.
Claro que Nobre já era indigesto antes disso, quando fez uma campanha como candidato a PR contra a classe política, os políticos, porque o que era bonito era lutar por aquilo que designava como cidadania, seja isso o que for. Mas o meio milhão de votos cativou PPC, por mero oportunismo eleitoral.
E seguiu-se para bingo.
Uma votação e nada. Uma segunda votação e pior ainda. Nobre nem sequer fez o pleno dos votos do PSD.
Se Nobre fosse eleito, PPC teria uma vitória estrondosa e, particularmente, perante o manhoso político do Caldas. Só que não foi assim. E, no meio disto, PPC permitiu o achincalhamento do seu candidato e este não foi capaz de ler os sinais ou, se leu, não foi capaz da nobreza de se retirar, poupando PPC a uma derrota em toda a linha.
Face ao desastre, vem o Relvas apontar baterias aos partidos da oposição, quando os votos da coligação PSD/PP eram mais que suficientes para impor a aberração de um presidente da AR com o perfil como o de Nobre. E parece que ninguém lhe terá dito que colegas da sua bancada não votaram favoravelmente.
Crespo, por sua vez, ainda não entendeu que isso de eleições é assim mesmo: quem tem um voto utiliza-o como melhor entende sem que tenha que seguir a sua opinião, ou atender aos seus anseios.
E agora teremos um São Caetano despojado da auréola por manifesta incapacidade para milagrar e, no Caldas, um Zé Povinho sobre um pedestal legendado com o “ora toma!”.
E, para já, Caldas 1 – São Caetano 0, com a procissão no adro.
PS. Nobre, face aos resultados, declarou ficar como deputado enquanto se sentisse útil. Quem lhe suceda na lista que se vá preparando.

Já o bisavô era do Chelsea, carago!


"Que foi, pá? Já o meu bisavô era do Chelsea desde pequenino..."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Me bateram a cláusula, Nandinha!


Nandinha
Me bateram a cláusula de 15 milhões do André Villas Boas mas você vai continuar a bater-me coisas boas e gostosas, né, Nandinha?

sábado, 18 de junho de 2011

Dar-se ao respeito não se decreta


Consta por aí que são muitos os sinais de satisfação por parte dos professores pela escolha de Nuno Crato para ministro. Porque isso significa que os professores recuperarão a autoridade que perderam.
Pois, por mim, quem não se dê ao respeito apenas exercerá a autoridade com a ajuda do cacete. E dar-se ao respeito não se atinge por decreto.

"Da ambiguidade às linhas vermelhas"

  (...) “A palavra de ordem “democracia real, já!” contém uma perigosa ambiguidade. Implica uma crítica dos sistemas políticos que deixaram de funcionar eficazmente e reflecte um problema de representação política, sobretudo na Europa do Sul. Mas o carácter vago da reivindicação não aponta nenhuma reforma precisa. Limita-se a adjectivar – uma vez mais de forma ambígua – o termo democracia. Designa a vontade de participação dos cidadãos, um factor de renovação do sistema político ou uma utopia anarquista? As reportagens sobre os “acampados” indiciam mais uma praça em catarse de frustrações do que um fórum de debate político.













Por uma curiosa ironia da história, os movimentos “indignados” inspiram-se nos jovens árabes de Tunes ou da Praça Tahrir. Mas como ironizou Felipe González, os jovens árabes querem votar como nós e nós proclamamos a inutilidade de votar. (…)
É quase automático o deslize para um populismo à moda de Ross Perot, quando sonhou substituir o pesado (e dispendioso) processo de decisão do Congresso pela deliberação instantânea dos cidadãos. Os “indignados” são um sintoma, não dão uma resposta.”
Jorge Almeida Fernandes, Público, 16-06-2011