sexta-feira, 18 de maio de 2012

Leituras em dia - "O Demónio Branco" de Lev Tolstói


O conflito entre tchechenos e russos, entre ortodoxos e muçulmanos, numa espiral de violência, é o contexto deste conto, baseado na vida de um homem real, na sua luta contra o destino. No estilo narrativo brilhante de Tolstói que, para a época, não poderia ser Nobel da Literatura apesar dos seus muitos méritos. Porque tais méritos literários conviviam com uma postura crítica face ao Estado e à Igreja – proximidade com o anarquismo e defensor de uma religião sem dogmas – com a precursora pregação do conceito da não-violência que Gandhi, seu admirador, viria a prosseguir de modo mais evidente.
Hoje poderia ser diferente. Mas, na altura,  a um desalinhado como Tolstói restava esperar pela consagração do tempo. E está consagrado.

À mesa, com Isabel do Carmo


“[…] E podemos dizer para todos que consumam grão e feijão, alimentos muito ricos e cujo consumo vemos declinar por uma questão de moda. E conserve-se esse bom hábito português das sopas. E dos vegetais cozidos ou crus misturados no prato, à boa maneira mediterrânica, sem pratinho à parte a imitar nos da Europa do Norte o que não deve ser imitado. E multipliquem-se as hortas, mesmo que seja num barril cortado ao meio e instalado na varanda (1). […]
Isabel do Carmo – in PÚBLICO de 17-05-2012
(1)    Ou no jardim, acrescento eu.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Recantos da memória

Ecomuseu "Farinera de Casteló d'Empúries"

... já fui feliz aqui.

Mercado, Estado e Democracia - Escreve quem sabe


 “[…] Assistimos , assim, a uma verdadeira idolatria do mercado e a uma grande desvalorização Estado, da esfera pública, e da dimensão política. No limite, ao ignorar de escolhas colectivas, passou a conceber-se o mercado como um mecanismo de regulação alternativo ao contrato social, o que pode pôr em causa princípios fundamentais da democracia. O regime democrático, entre outras coisas, proporciona a expressão pública de reivindicações sociais concretas e aponta para um horizonte de equidade de conteúdo bem diverso daquele que decorre do puro funcionamento do mercado. Um caso típico é, precisamente, o do desemprego. Uma sociedade democrática dificilmente poderá conviver com elevados valores de desemprego, nem tão-pouco parece ser compatível com níveis desmesurados de precaridade laboral. Dificilmente e democracia, que não se limita apenas a uma dimensão procedimental, poderá sobreviver sem um certo grau de protecção social. O mercado pode, teoricamente, conviver pacificamente com a insegurança, a precaridade e a exclusão; a democracia não.
Há hoje quem, em nome dos desafios colocados, preconize a rendição absoluta a objectivos puramente económicos, sacrificando qualquer preocupação de equidade social. Esse caminho, que não está provado que seja o mais racional do ponto de vista económico, é certamente o mais destrutivo na perspectiva da salvaguarda da democracia.” […]
Francisco Assis – in PÚBLICO de 17-05-2012


Antes a praia...

- Mas você está com muito bom aspeto...
- Admito, doutora, mas em vez de estar na praia estou aqui.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Para uma Esquerda Livre - Manifesto

Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.
As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.
Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.
Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.
É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.
É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.
É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.
A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.
Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.
É a nós todos que cabe construir:
UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.
UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.
UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.

As novas oportunidades dos estarolas que nos governam


Para Passos Coelho – aqui é para assobiar como deve ser – há que encarar o desemprego como uma oportunidade de relançar a vida, apesar de cada dia haver mais desempregados, isto é, empregos é coisa que não há. Nem os estarolas fazem o que quer que seja para inverter a situação.
Por outro lado, as Novas Oportunidades, permitindo qualificar e certificar competências, é coisa para acabar, o que não deixa de ser uma forma original de fazer do desemprego uma oportunidade.
E com o fim do programa Novas Oportunidades temos mais umas centenas de desempregados entre funcionários e técnicos àquelas afetados. Ou seja: mais uns quantos com direito a esta original oportunidade apenas possível na boca de um filho de putin. E igualmente aldrabão, pois tinha prometido fazer avaliar as Novas Oportunidades, mas preferiu pura e simplesmente desmantelá-las.

Lendo "O Preço do Dinheiro" de Ken Follett


O editor do Evening Post vivia na ilusão de pertencer à classe dominante. Filho de um funcionário dos caminhos de ferro, ao longo dos vinte anos que tinham decorrido desde que saíra da escola subira rapidamente no escalão social. Quando sentia necessidade de se reassegurar, lembrava a si mesmo que era diretor do Evening Post Ldt. e um formador de opinião; e que o salário que auferia o colocava nos nove por cento de chefes de família privilegiados. Nunca lhe ocorrera que jamais se teria tornado um formador de opinião se as suas opiniões não coincidissem exatamente com as do proprietário do jornal; nem que a sua liderança era controlada pelo proprietário; nem que a classe dominante é definida pela riqueza e não pelo rendimento auferido.”
E, por estas e semelhantes razões, muitos são os iludidos que andam por aí.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Praia de Loriga - Foto de Rui Paradinha

Zona dos mais novos

Secretas, meninos de coiro e a importância da bandeira...








Repare nestes moços tão aprumados e tente responder às seguintes questões:
Será um deles um ex-chefe do SIED – Serviço de Informações Estratégicas e que, depois de perguntar quanto valia, se passou para uma organização de meninos de coiro chamada ONGOING?
Acertou. É esse, o mais cheiinho.
E veja agora se identifica o segundo: será um muito frenético ministro do governo em funções?
Acertou, é mesmo ministro.
Repare agora num pormenor comum aos dois: aquela pose de estado, junto da bandeira, do símbolo da pátria sim que, um e outro, fazem questão de se apresentar como dois bons patriotas.
Assumido que os conhece e que os tem por patriotas, responda agora às seguintes questões:
Acha que algum deles seria capaz, depois de sair para a tal organização de meninos de coiro, de elaborar um plano para a reforma dos serviços de informação da república, plano no qual recomendava para os lugares de topo pessoas de sua confiança, ao mesmo tempo que recomendava o afastamento de outros que não lhe davam garantias?
Naturalmente que não acredita numa coisa dessas… porque a bandeira ali ao lado nos dá muitas garantias de seriedade de processos.
E seria capaz de acreditar que tal plano tenha sido enviado ao ministro quando este afirma que não tem memória disso?
Claro que não. Também neste caso a bandeira nos dá garantias e sabemos bem que a memória do ministro não se ocupa de coisas tão insignificantes.
E já agora: acredita que na ONGOING o ex-chefe de informações seria capaz de utilizar o que lhe passou pelas mãos no exercício de funções e mesmo violar o segredo de estado a que está obrigado?
É evidente. Isso é uma impossibilidade absoluta porque, mais uma vez, a bandeira ao seu lado nos descansa quanto àquilo que fosse uma eventual prática de crimes.

Claro que ficam sempre umas duvidazitas… Para que é que a ONGOING, que certamente não faz, nos termos dos eus estatutos, espionagem, quis o ex-chefe das informações da república e o paga a bom preço. E ainda porque é que o ministro não nega de forma clara que não recebeu o tal plano… mas isso são pormenores, especulações de gente muito mal-intencionada.
Porque, antes de mais, devemos ter em conta a credibilidade que a bandeira dá a qualquer filho da mãe, mesmo quando é utilizada como mero décor.

É o direito. É o direito. É o direito.


O caso é relatado na SÁBADO de hoje…
Tratava-se de operar o pé esquerdo. E quem operou foi exatamente o médico que acompanhava o doente e que lhe operou o… direito. Em 2008, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.
O médico quis desculpar-se com o facto de não ter sido ele a preparar o doente para a intervenção e que confiou na sua equipa, mas o tribunal esteve-se nas tintas para isso.
Foi condenado por ofensa corporais por negligência médica.
Para os devidos efeitos grito aqui que, no meu caso, se trata de operar o direito. Não me lixem ainda mais.
É o direito. É o direito. É o direito.

SÁBADO e Pingo Doce - O mal e a escaramunha


Esta é a capa da revista SÁBADO de hoje e por ela se pode imaginar a reportagem publicada, da responsabilidade de uma editora e uma redatora. Onde se denunciam os contratos leoninos que a Jerónimo Martins estabelece com os seus fornecedores – nos contratos a que a revista teve acesso há duas obrigações para a Jerónimo Martins e cerca de 20 para os fornecedores – a par de outras patifarias próprias de gente que se aproveita da sua posição de domínio para esmagar os fracos.
A reportagem não é nada simpática para o merceeiro do Pingo Doce, nada mesmo.
No entanto, na página 22, no “Sobe e Desce”, ao lado da foto do merceeiro Soares dos Santos, podemos ler esta pérola:
“Se o Pingo Doce só sobrevive por causa da exploração dos produtores, se tem lucros indecentes, se atira todas as despesas para cima dos fornecedores e se não faz nada de útil, porque é que os críticos não criam uma empresa concorrente? Deveria ser fácil.”
Pasmei e comecei por admitir que isto só poderia sair da caneta de alguém que pensa que ser cronista é sofrer de doença crónica. Mas não. O autor de tal pérola é, nem mais nem menos, que o diretor da SÁBADO.
E temos quê: ou o diretor ignora o que se publica na revista que dirige ou, coisa que não me espanta, está a apresentar um antecipado pedido de desculpas ao merceeiro posto em causa, como quem diz, foram todos contra mim e sabe que estas coisas de censura ou sua tentativa são sempre uma chatice.
Talvez com isso consiga mesmo chegar a diretor do mês de uma das muitas lojas Pingo Doce, como já aconteceu com outros.
De qualquer modo, vale a pena tentar responder às questões colocadas, dizendo o seguinte: as razões para criticar a Jerónimo Martins não têm que se fundamentar em invejas ou razões de corno relativamente ao merceeiro do Pingo Doce. Por outro lado, nem todos são capazes de ser tão canalhas nas relações com os fornecedores como parece ser a Jerónimo Martins, tendo em conta o que se lê na SÁBADO.
Ou a SÁBADO mentiu, difamando? Se foi o caso, o diretor que se cuide.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lendo "Hipátia de Alexandria" de Maria Dzielska

Hipátia de Alexandria
 "O sopro de Platão e o corpo de Afrodite", na definição de Leconte de Lisle.

Rachel Weisz, no papel de Hipátia no filme Ágora de Alejandro Amenabar

terça-feira, 8 de maio de 2012

Praia Fluvial de Loriga - Foto de Fernando Moura Pinto

Candidata a uma das sete maravilhas

Praia Fluvial de Loriga - Foto João Carreira

Candidata a uma das sete maravilhas.

Leituras em dia - "Sputnik, Meu Amor" - Haruki Murakami


Uma narrativa que acaba por se transformar num leve ensaio sobre o desejo e a especulação sobre o destino.
“E assim prosseguimos com as nossas vidas, cada um para seu lado. Por mais profunda e fatal que seja a perda, por mais importante que seja aquilo que a vida nos roubou – arrebatando-o das nossas mãos -, e ainda que nos tenhamos convertido em pessoas completamente diferentes, conservando apenas a mesma fina camada exterior de pele, apesar de tudo isso continuamos a viver as nossas vidas, assim, em silêncio, estendendo a mão para chegar ao fio dos dias que nos coube em sorte, para logo o deixamos irremediavelmente para trás. Repetimos, muitas vezes, de forma particularmente hábil, o trabalho de todos os dias, deixando na nossa esteira um sentimento de um incomensurável vazio.”

O que é a ONGOING?

Certamente refastelado no Brasil como quadro da ONGOING, este ex-deputado deve agora estar farto de saber o que é a empresa que o recrutou, passados que foram 8 meses depois de na AR manifestar a sua ignorância e tornar célebre o número feito com aquela interrogação.
E deve estar confortado e não desiludido. A ONGOING está ao nível de Agostinho Branquinho.
Poderemos nós agora perguntar a este senhor o que é a ONGOING? Já saberá responder?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Clotilde Fava

Clotilde Fava
 Tríptico - Acrílico sobre tela

Jovem de brinco de pérola

Na casa que foi e é a da gente ainda existe uma reprodução da “Jovem de brinco de pérola” e, há dias, brincando, lamentava-me de na altura não ter comprado antes o original.
A resposta foi o envio desta foto onde o meu cunhado Rui apresenta a minha mana Graça como o original da tal obra do Vermeer.
Fica registado o comovente ato de ternura do Rui.

domingo, 6 de maio de 2012

Publicidade enganosa do SPGL


Por detrás deste anúncio não estava um normalíssimo concerto a 20€ por cabeça. De facto,  quando entrados na Aula Magna, ficámos a saber que estávamos a participar nas comemorações do 38º aniversário do SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, facto que se omitia na diversa publicidade feita ao evento.
A minha e nossa convicção era a de que se tratava de uma homenagem ao Adriano e ao Zeca Afonso e nada mais. Provavelmente com finalidades mais respeitáveis quanto às receitas.
Os cantores do nosso imaginário não merecem este tratamento.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

António Borges e o Império do Mal


"O impérop do mal
[…]
Desde a crise financeira de 1929 que o Goldman and Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos. Acresce que este banco tem armazenados milhares de toneladas de zinco, alumínio, petróleo, cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida de preços e assim obter lucros astronómicos. Desta maneira, condiciona o crescimento da economia mundial, bem como condena milhões de pessoas à fome.
No que toca à canibalização económica de um país a fórmula é simples: o Goldman, com a cumplicidade das agências de rating, declara que um governo está insolvente, como consequências as yields sobem e obriga-o, assim, a pedir mais empréstimos com juros agiotas. Em simultâneo impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esse país. De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização, obriga-os a abrir os seus sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais.
A estratégia predadora do Goldman and Sachs tem sido muito eficiente. Esta passa por infiltrar os seus quadros nas grandes instituições políticas e financeiras internacionais, de forma a condicionar e manipular a evolução política e económica em seu favor e em prejuízo das populações. Desta maneira, dos cargos de CEO do Banco Mundial, do FMI, da FED, etc. fazem parte quadros oriundos da Goldman and Sachs. E na UR estão: Mário Draghi (BCE), Mário Monti e Lucas Papademos (primeiros-ministros da Itália e da Grécia, respectivamente), entre outros. Alguns eurodeputados ficaram estupefactos 1quando descobriram, que alguns consultores da Comissão Europeia, bem como da própria Angela Merkel, têm fortes ligações ao Goldman and Sachs. Este poderoso império do mal, que se exprime através de sociedades anónimas, está a destruir não só a economia e o modelo social, como também as impotentes democracias europeias.”
Domingos Ferreira, Professor / Investigador Universidade do Texas, EUA, Universidade Nova de Lisboa, no PÚBLICO de 04-05-2012.
António Borges
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges (Porto, Ramalde, 18 de Novembro de 1949) é um economista português.
Biografia
Depois de se licenciar em Finanças, em 1972, no antigo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade de Lisboa, estabeleceu-se nos Estados Unidos, em 1976. Aí obteve os graus de Mestre e Doutor em Economia, o último dos quais em 1980, na Universidade de Stanford. No mesmo ano iniciou funções docentes no prestigiado Institut National Supérieur Européen de l'Administration des Affaires (INSEAD), em França.
Assumiu a função de Vice-Governador do Banco de Portugal e leccionou na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, de 1990 a 1993. Nesse ano regressou ao INSEAD, tornando-se seu Diretor, até 2000. Entre 2000 e 2008 foi Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International, em Londres[1]. Do seu currículo consta ainda a passagem pela Administração do Citibank, BNP Paribas, Petrogal, Sonae, Jerónimo Martins, Cimpor e Vista Alegre.[2]
Foi Consultor do US Department of Treasury, do US Electric Power Research Institute, da OCDE e colaborou com a União Europeia na criação da União Económica e Monetária. Em 2010 foi nomeado Diretor do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. É ainda Professor Catedrático Convidado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, Presidente do Instituto Europeu de Corporate Governance e Administrador da Fundação Champalimaud. Borges é Militante do Partido Social Democrata, onde foi Vice-Presidente da Comissão Política Nacional, entre 2008 e 2010.
É proprietário agrícola no concelho de Alter do Chão, onde é Presidente da Assembleia Municipal, e donde a sua família materna era oriunda e titular.
Presentemente, foi encarregado pelo Primeiro-Ministro de Portugal Pedro Passos Coelho de liderar uma equipa que acompanhará, junto da troika, os processos de Privatizações, as renegociações das Parcerias Público-Privadas, a reestruturação do Setor Empresarial do Estado e a situação da banca, anteriormente da competência do Ministério da Economia e de Álvaro Santos Pereira.[3]

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vamos a um manguito, Seguro?


No último debate quinzenal com o PM, Seguro fez questão de se demarcar da elaboração do agora denominado Documento de Estratégia Orçamental e quanto ao qual o PS não foi havido nem achado.
E rematou mesmo com os votos de boa viagem ao PM, garantindo que este iria só a Bruxelas.
Agora, depois de estar apresentado em Bruxelas o que se classifica de mera “base técnica e provisória”, vem o PSD clamar por contributos que ele, PSD, possa considerar como válidos e quase exigindo que o PS o faça, com indicação das despesas que ainda possam ser cortadas.
Como se estivesse apenas em causa o corte de mais despesas, para o quê daria jeito poder ter um bode expiatório e que seria o PS.
Veremos se agora, a esta interpelação do vice-presidente do PSD Moreira da Silva, o PS se decide por um manguito em forma, sem rodeios. Lembrando que foi por coisas assim, embora mentindo, que o PSD chumbou o PEC4.

Última hora: Mendes Bota é contra o novo AO...


Votou-o favoravelmente mas, confessa, “A disciplina partidária reinante no nosso sistema político-partidário pode obrigar a votar o absurdo”. Com canalhas desta estirpe, capazes de votar no absurdo, estamos bem representados na AR.
Mas nisto Botas está bem acompanhado pois, afirma, “Até hoje, não identifiquei, no meu círculo familiar e de proximidades, uma só pessoa que se manifeste favorável ao famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990”. E isto quer dizer uma coisa: há muitos mais canalhas na AR, pois certamente que entre os seus próximos se incluem outros deputados do PSD, se não todos.
Apresenta Botas um argumento que se veja no espaço dado hoje pelo Público? Não, até porque, e felizmente para nós, se recusa a discutir “as teses da etimologia ou da fonética”. Apesar disso, Botas contabiliza ganhos e perdas com esta tirada: “Podem os editores dum lado e doutro do Atlântico esfregar as mãos de contentamento negocial, mas o seu ganho é minúsculo à luz do nosso prejuízo maiúsculo”.
Uma tirada à altura de Botas. Um cromo, um impagável cromo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alan Turing (1912-1954)


Tido por pai da informática, com importante contributo no desenvolvimento da ciência da computação, na formalização do conceito de algoritmo, na criação dos modernos computadores.
Trabalhou para os serviços secretos ingleses construindo a Bombe, máquina que permitiu testar todas as posições possíveis dos rotores das enigmas - máquinas de encriptação - e, desse modo, decifrar as mensagens trocadas pelas tropas alemãs. Com o impacto que se possa imaginar no desenlace da Segunda Grande Guerra Mundial.
Contributos notáveis a todos os níveis. Mas era homossexual quando na GB os actos homossexuais eram ilegais. Turing aceitou a castração química como alternativa à prisão, sofrendo a humilhação da sua exposição pública e de ver os seus seios crescer e as suas formas tornarem-se mais femininas.
E suicidou-se aos 41 anos.

Um abaixo-assinado em 2009 pedindo a reabilitação da sua memória mereceu apenas um lamento do então primeiro-ministro Gordon Brown pelo tratamento dado a Turing.  
O governo de David Cameron recusa o pedido de perdão oficial com o pretexto de que Turing foi devidamente condenado por aquilo que então era tido por crime.
Um conservador é isto: alguém sentado na merda feita no passado. E feliz.

Cantinho dos cromos - Prof Espada


Era estudante quando, em sessões de café – recorrentes locais de estudo à época – fazia pausas olhando o DN que, de tão oficioso que era, publicava na íntegra os inenarráveis discursos do almirante Tomás (com h, eu sei), particularmente os daquelas visitas ao longo do país. E quanto não me divertia, lendo-os para os colegas presentes, tentado imitar aquele que igualmente nos enchia os ouvidos na rádio e na televisão.
Agora ainda se vai arranjando alguma coisita pelos jornais: um José Manuel Fernandes que, de tão sério, a sério ninguém o leva, a um exaltado e enraivecido Santana Castilho que parece que já nem com ele concorda. Pelo meio ficam outros, tesourinhos deprimentes, como é o caso do professor Espada que hoje me deixou perplexo com a crónica a que deu o título “Surpresa no Brasil, choque em Portugal”.
E choque e surpresa porquê?
Espada foi ao Brasil e isto quando, segundo diz, já se considerava, por razões da idade, alheio a qualquer surpresa. Há quem envelheça depressa ou quem de tão pedante já se sinta detentor ou conhecedor de tudo. Vai daí aterra em Porto Alegre e assiste à 25ª edição do Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais, parecendo-lhe, afirma, estar em Nova Iorque ou Washington, que Espada só usa como comparação cidades assim. De facto, naquele fórum, celebrava-se “democracia e liberdade, os direitos da pessoa humana e, por essas razões, o livre empreendimento, a limitação do Estado, o combate à corrupção e ao compadrio promovido pelos dinheiros públicos…”
Isto com “uma organização ultraprofissional, amaciada pela incrível simpatia brasileira” e com a presença de “milhares de pessoas aprumadas, devidamente vestidas, pontuais, alegres e bem-educadas”. Espada estava radiante, estava mesmo parvo com o que via.
E regressa de peito cheio, cabeça fresca, quando experimenta um choque logo que aterra em Lisboa. Mas não se tratava das medidas de austeridade, do mau desempenho do Benfica ou da bolsa, do aumento dos preços dos combustíveis, da seca, ou dos taxistas do aeroporto, pouco aprumados e mal vestidos. Nada disso. É que Espada, pessoa sensível, não gostou de ver numa revista de grande circulação o título “Precisamos de um novo 25 de Abril”. Ele nem queria acreditar. Que se desejasse um “golpe de Estado” quando se está em plena democracia. E admitia mesmo ter aterrado, por engano, na Guiné, não precisando de qual delas se trataria. Que, meus caros, Espada é mesmo de extremos, ou não tivesse já sido da extrema-esquerda até perceber quem é que lhe permitiria uma pose aprumada, um vestir como deve ser, uma postura pedante.
Felizmente regressaria à Polónia no dia seguinte donde nos continuará a brindar com os seus deprimentes tesourinhos que rotula de “Cartas de Varsóvia”, no Público, às segundas, numa banca ou quiosque perto de si. E bom proveito, sem esquecer que rir faz bem à saúde.

Leituras em dia:"Operação Antropóide" - Laurent Binet


Não se trata de um “era uma vez”…
Na verdade, Laurent Binet foge à tentação de inventar para ser fiel à realidade, à verdade histórica. E narra factos históricos de uma forma muito original e que lhe valeu o Prémio Goncourt de 2010 para o 1º romance. No caso as circunstâncias que rodeiam o atentado contra Heydrich que Binet descreve como “o homem mais perigoso do IIII Reich, o carrasco de Praga, o carniceiro, a besta loira, a cabra, o judeu Süss, o homem de coração de ferro, a pior criatura jamais forjada pelo fogo escaldante dos infernos, o homem mais feroz que alguma vez saiu de um útero de mulher…”
A ironia: o inventor da “solução final”, esta besta loira, era acusado de ser judeu na escola e, no entanto, fez jus ao HHhH, iniciais da frase alemã “o cérebro de Himmler é Heydrich”, porque ele suplantava, em atrocidades, o seu chefe e carrasco Himmler.
É por causa das marcas deixadas por estas bestas que Binet afirma que Daqui a 600 anos vamos continuar a falar da Segunda Guerra Mundial porque é o mal absoluto, é o heroísmo absoluto, é um reservatório de história trágico, terrível, extraordinário” (Ípsilon 06-05-2012).
E heroísmo absoluto é o de quem, encarregados de eliminar Heydrich, sabe antecipadamente de que o fazem com sacrifício das suas próprias vidas, no caso as dos paraquedistas Kubis e Gabcik, nesta obra homenageados, embora, como escreve Binet “Os que estão mortos estão mortos, e é-lhes indiferente que lhes prestem homenagem. Mas é para nós, os vivos, que isso tem significado. A memória não tem nenhuma utilidade para aqueles que ela honra, mas serve aquele que dela se serve. Com ela me construo, e com ela me consolo.”
E quando temos que nos defrontar com novas bestas loiras, por França, pela Alemanha, é de desejar que a memória não seja curta e que, sobretudo, nos seja útil.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um fdp no Bahrein

Cartoon de Carlos Latuff
Cabecinha pensadora
Penso que o desporto não se deve envolver na política”… “os problemas do Bahrein nada têm a ver com a F1”.
Pergunta de um fdp
“Imaginemos que não havia corrida no Bahrein: os problemas parariam de imediato?
Uma realidade que o fdp não desconhece
O Bahrein teve também a sua revolta árabe mas a monarquia local aniquilou-a de forma violenta e calou-a até agora.
A cabecinha pensadora é de Bernie Ecclestone que detém os altos direitos comerciais da F1. Quem é o fdp? É ele também, pois claro.

Prémios sem cacau...


Uma iniciativa louvável:
A Câmara de Torres Novas criou o Prémio Maria Lamas, no valor de 10.000 euros.
Uma miséria:
A referida autarquia não ainda não pagou o prémio nem divulgou a decisão do júri, mesmo junto dos vencedores.
Uma canalhice:
O Presidente da autarquia chegou a levar à reunião de câmara uma proposta para cancelar o prémio.
O caso não é virgem. A Câmara de Beja procedeu de modo semelhante com um prémio de pintura, não pagando o prémio de 1.600 euros ao vencedor, mas ousando expor a obra premiada sem o seu consentimento. Aqui uma seguradora resolveu o problema, adquirindo a obra pelo valor do prémio.

Um dia não haverá balas para tanto tiro nos P(e)S...

Conde Rodrigues

Depois do que se sabe, manter a indigitação deste senhor para o Tribunal Constitucional é um tiro no pé. E qualquer dia podem mesmo acabar as balas.
Errar é humano. Fazer as coisas à toa releva falta de jeito. Insistir na escolha é inabilidade política, é ser irresponsável.

Allô, allô, France! JMF vient d’écrire “Le jour de gloire… de misère est arrivé”


Topem este pensador, franceses, profundamente angustiado com o destino que vos aguarda. Mas não se limitem a topar: leiam e meditem nas suas análises. E, vá lá, sigam mesmo as suas sugestões, implícitas ou explícitas. Verdade que por aqui já não lhe ligamos, mas isso é uma afronta e, sabe-se, ninguém é profeta na sua terra. Se vos aprouver, fiquem por aí com ele para que vos ilumine. O que agora acaba de escrever num jornal que foi de referência até ele o estoirar deve obrigar-vos a pensar duro, muito duro. Se não, reparem nisto:
“É muito deprimente verificar como um país como a França parece incapaz de reconhecer os problemas”.
Mas não se preocupem com a depressão do JMF. Numa outra crónica fiquei a saber que o senhor tem seguro de saúde e, além do mais, embora dele seja crítico, pode também contar com o nosso SNS.
“Sarkozy foi mau Presidente, Hollande consegue ser um candidato com ainda piores ideias”.
Não digam nada aos visados, para que eles não perguntem quem é este nosso cromo. Digam apenas, se for necessário, que é um gaijo ali da África Central ou coisa assim, num dia em que acordou mal disposto, a ressacar de uma bebedeira.
“Perante a perspectiva de mais cinco anos de “frigideira”, os franceses parecem dispostos a saltar para o fogo. Directamente. Pela mão de Hollande, por estes dias transformado em esperança derradeira de uma esquerda europeia à procura de rumo”.
Desta tirada é que convém dar conta exaustiva aos visados, aos franceses. Que isso de frigideira, embora não seja a do Tarrafal, agora desactivada, deve doer pra burro. E que raio: haverá necessidade de estoirar com as reservas de azeite, das margarinas, do óleo fula?
E atenção: com a chamada “frigideira”, no Tarrafal havia também a “Holandinha” (estão a topar: Hollande, “Holandinha”…), cela contígua à cozinha, onde eram trancados os presos cujo castigo era não serem alimentados mas sim torturados com o cheiro que lhes chegava da cozinha.
O que é que ele sugere como alternativa? Nada, que isso já era pedir de mais a este pensador e analista que muito nos diverte, às sextas, no Público.
Mas notem: o que para nós é uma diversão pode para vós vir a ser um tormento. É que ele gosta de ter razão e tudo fará para isso, nem que tenha que ajustar as suas análises à realidade que se apresente mais tarde. Ele nunca perde o pé, como no caso da guerra, invasão, do Iraque, pelo seu ídolo Bush. O que ele não fez para demonstrar, a torto e a direito, que a razão estava com ele, a começar pela crença na existência nas tais armas que nunca ninguém encontrou e que foram o pretexto para a invasão e para a guerra que está a acabar (?) como a gente sabe.
E se ele topa aquela coincidência de Hollande, "Holandinha", não sei não...





quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um dilema

Artur Barrio - Artista Plástico

"A gente não sai da vida sem cicatizes e sem rugas. A única maneira de escapar a isso é morrer cedo."
Artur Barrio - Público 18-04-2012



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Leituras em dia: "A Visita do Médico Real" - Per Olov Enquist


Era uma corte com saberes sob a forma de dogmas e, por isso, inimiga da liberdade de pensamento, indiferente a todo o humanismo e de uma feroz intolerância. E, para além disso, com o poder, absoluto, nas mãos de um rei louco, dependente e manobrável.
Tudo no auge do iluminismo em que a Dinamarca, apesar de tudo, se chega a envolver mas que sucumbe perante um fanático religioso, aniquilado que foi um arauto do iluminismo, no caso o médico real.
Haverá no livro muito de ficção, mas esta não será de todo alheia à realidade de então. E já há muito Hamlet tinha afirmado haver algo de podre no reino da Dinamarca.
E porque nem tudo é mera ficção é que vale a pena estar livre de um regime de pacotilha, de legitimidade insustentável, como é o monárquico.

MAC - Quem responde a Correia de Campos?


“Por que razão deve a MAC ser penalizada com a sua partição e desmantelamento, com o argumento de excesso de instalações, quando o que porventura pode estar a mais são as outras duas [Magalhães Coutinho e Hospital de São Francisco Xavier], cujo rendimento, prestígio e qualidade não se lhe equiparam? Não haverá um útil destino a dar às instalações que nunca se deveriam ter construído ou reconstruído, no HSFX e na Magalhães Coutinho?
Ao visarmos a MAC para o camartelo, não estaremos simplesmente a esconder uma cupidez por recursos valiosos, esquecendo até o património arquitectónico, sem ter garantido o necessário carácter alodial do terreno e edifício, caso se destinem a fins diversos dos actuais?
Que mal virá ao mundo em deixar viva e actuante, até que o Hospital de Todos os Santos seja edificado, a melhor maternidade do país, a qual, por seus méritos, se destina a ser naquele integrada?
Que súbita onda de zelo orçamental contamina os nossos decisores, para uma suposta economia temporária de ridículo montante, face à esmagadora dimensão de tanto desperdício conhecido?
Que súbita falta de senso político afecta o nosso executivo, em se deixar envolver numa querela afectiva de onde só poderá sair perdedor sem glória?”
Parte final da crónica de Correia de Campos no Público de 16-04-2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

CASO PORTUCALE - UMA VERGONHA


A dois meses das eleições legislativas de 2005, enquanto arrumam papéis, três ministros  assinam despacho que permite o abate ilegal de mais de dois mil sobreiros, a favor de um empreendimento turístico de empresa do BES.
Meses antes, o mesmo BES, por imperativo legal, deu conta de 115 depósitos em numerário num valor superior a um milhão de euros numa conta do CDS, em que como doador aparece mesmo o tal Jacinto Leite Capelo Rego, porque isto dava mesmo para gozar com o pagode.
A partir daí temos 11 arguidos, incluindo dirigentes do CDS, acusados, entre outros crimes, de tráfico de influências, abuso de poder e de falsificação.
Passados sete anos, nem uma só acusação provada, de acordo com sentença cujo acórdão foi lido a alta velocidade, sem pontuação, por vezes de forma impercetível, como se a vergonha queimasse. Isto é: crimes zero. E desculpem o incómodo.
Prova-se assim que pelas malhas da justiça não passa o pequeno furto do sem-abrigo num supermercado. Aqui o MP é eficaz e consegue convencer o tribunal. Quando há graúdos ao barulho e muita massa pelo meio, é o que se vê: não houve abate ilegal de sobreiros, nem financiamento ilegal a partidos, chegando-se ao ponto de se pôr em causa a honra e o bom nome de uns quantos anjinhos que a esta hora já devem ter estoirado umas boas garrafas de champanhe.
Nas escutas feitas a este caso surgiram as suspeitas sobre eventual corrupção no caso da aquisição dos submarinos, igualmente com proximidades a governantes de então. E podem fazer já apostas sobre o seu desfecho, caso chegue a tribunal.
 

domingo, 8 de abril de 2012

As angústidas de D Mena Mónica


D Mena Mónica passeou-se pelos jardins de Lisboa e ficou abismada com o que viu num jardim próximo de sua casa: os homens jogavam às cartas, as mulheres entretinham-se a acabar um infindável napperon. E o drama consistia na angústia de D Mena Mónica não ter como possível uma “conversa séria” com tal gente porque, com a D Mena Mónica, só mesmo conversas a sério. Pela sua crónica no Expresso de 06-04-2012 não se sabe se tentou conversar seriamente. Mas admito que perante homens que jogam às cartas – que horror – e mulheres entretidas com um napperon, falou mais alto o preconceito da nossa socióloga: aquilo não era gente para ela. E ainda bem para os jogadores da sueca e da copa e as senhoras do napperon pois, interroga-se D Mena Mónica “Mas como falar das minhas angústias a compatriotas que nunca leram Camilo, Eça ou Cesário, que nunca ouviram a música de Mozart, de Schubert ou de Verdi, que nunca olharam uma estátua de Bernini, um quadro de Turner ou a nave de Alcobaça?”
Sim, que estes analfabetos vindos do campo, afirma ela de forma algo contraditória, apenas terão lido “ o livro de São Cipriano que ensinava a conquistar moçoilas, combater o demónio e amontoar uma fortuna”.
É muito exigente a D Mena Mónica quando trata de abordar as suas angústias. Mas que interesse podiam ter tais pessoas nas angústias de D Mena Mónica, quando o importante era ter o maior número de trunfos possível ou não apanhar copa alguma, consoante o jogo, ou, então, despachar o napperon?
D Mena Mónica não se enxerga e está muito longe disso. Até parece que refina com a idade. E, assim, lá teve que voltar com as suas angústias e, desta vez, com a certeza de que existe um abismo entre uma pedante e a gente simples. E uma coisa deveria deixá-la a pensar: aqueles “ainda de boné na cabeça” e “ainda de lenço na cabeça”, como os descreve, conviviam entre si, ao seu modo e jeito. D Mena Mónica entrou e saiu com as suas angústias. Quem teria, de facto, pachorra para a aturar?
E pagam à senhora para escrever estas bacoradas no semanário de maior circulação? Por que raio?