Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Os insetos no prato, em breve...

Besouro
Lagarta
Formiga
Abelha
Gafanhoto
Cigarra
Percevejo
Hoje são já 2.000 milhões as pessoas que integram regularmente na sua alimentação o consumo de insetos e os insetos, segundo a FAO, constituem uma imensa fonte de alimentos ainda por explorar, havendo cerca de 1.900 espécies de insetos comestíveis, cabendo aos besouros e escaravelhos uma quota de 31%, seguidos das lagartas (18%), as abelhas e formigas (14%), e os gafanhotos (13%).
Ora estima-se que a população mundial atinja os 9.000 milhões em 2050. Para além disso, do ponto de vista económico e ambiental os insetos oferecem vantagens incomparáveis no confronto com a produção de carne. Criar uma vaca significa gastar dez quilos de ração ou de pasto por cada quilo de animal vivo mas, como dela apenas se aproveitam 40% para alimentação, isso significa que cada quilo custa 25 quilos em ração ou pasto. Já para um grilo bastam 1,7 quilos de alimentação por cada quilo de animal vivo, sendo que 80% do grilo é comestível. Por outro lado, os insetos produzem menos gazes com efeito de estufa, e são ricos em proteínas, cálcio, ferro, e “boas” gorduras.
Muito provavelmente teremos num futuro próximo que nos habituar a ver no prato, depois de cozinhados, bichos com os que ficam. Custa admitir? Custa… mas o que tem que ser terá muitos… insetos.
Nota: dados segundo o PÚBLICO de 14-05-2013
  
 

Um dinossauro na caixa de correio


Já tardava. Com promessas de encher olho: baixar o IMI e outros impostos e taxas municipais, promover a criação de empregos, água mais barata, melhor limpeza, mais desporto e cultura, mais segurança, mais turismo… Promessas de uma espécie de Tino de Rans dos comícios do PSD, vindo das Caldas da Rainha onde se esgotou a sua validade por imperativo legal.
Para diversas delas, segundo Costa, a CM de Loures deve exigir o empenho do governo, governo com o qual aparenta nada ter a ver. Na verdade, o patusco Costa faz apenas referência ao “apoio do Partido Social Democrata” que lhe estará assegurado. Não se apresenta como candidato do seu partido e privilegia o verde, não o laranja, no seu prospeto e no seu site. Costa sabe-a toda e ao ponto de ter criado o site www.fernandocostasabe.pt.
Também eu e outros mais, Costa.

José Rodrigues


Quando andei pelo Porto, nos anos 70, ouvia falar dele, como membro do grupo “Os Quatro Vintes”, juntamente com Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro. Ainda nessa altura, era um dos promotores da Bienal de VN de Cerveira e, mais tarde, o autor do Cubo da Ribeira.
Agora que está a ser homenageado pela Cooperativa Árvore de que foi um dos fundadores, deixo aqui o que dele tenho, com uma pequena originalidade: o peixe deveria estar fixado na parte superior da escultura, mas há azares.
 

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

No DL há 44 anos...

Havia um jornal, um jornal a sério, uma referência para muitos. Havia um grupo onde alguns liam o Diário de Lisboa todos os dias e o discutiam, particularmente o suplemento DL Juvenil animado pelo Mário Castrim. E quisemos conhecer aquele mundo por dentro, há 44 anos. E ali estou, no fundo, o primeiro à direita, quando já tombava para a esquerda.

De Amesterdão com amor...

Quando hoje muitos portugueses percorrem as ruas de Amesterdão, passa-me pela mão este postal, testemunho da primeira estada de minha Mãe na Holanda, com o pretexto do nascimento da neta Suzana.

Maura - Artista de palmo e meio

 Paisagem
 Uma casinha, assinada com verso e reverso.
Colagem

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Um desavergonhado beato...

Um canalha papa hóstias...

Prá canalha ignorante...


(…) Eis por que quem nunca viveu a experiência de administração pública ou não a estudou tende a formar perceções erradas e a não conseguir controlar a própria despesa tal como os factos evidenciam. Talvez o melhor exemplo deste desconhecimento seja pensar que o principal problema da despesa pública seja o montante pago em salários e em pensões quando aqueles já estão aquém da média europeia e abaixo dos 10%. Pelo contrário, toda a soma das despesas contratualizadas com outras entidades (investimentos, bens, serviços e consumos intermédios) totaliza cerca de 17% do PIB, pelo que gerar aí uma poupança de 10% significa poupar quase 2% do PIB.
Infelizmente, esta componente da despesa da despesa pública não tem vindo a ser analisada ou controlado pois, senão, como compreender que a despesa com aquisições de bens e serviços dos institutos públicos tivesse aumentado 10% em 2012, no ano de todos os cortes em salários e pensões, segundo os próprios dados do Ministério da Finanças? Ou compreender o aumento de mais de 50% desta rubrica na Administração Regional da Madeira? Quais os esclarecimentos do Governo para este descontrole? (…)
L. Valadares Tavares, Professor catedrático emérito do IST, ex-presidente do INA e presidente da APMEP, in PÚBLICO de 12 de Maio de 2013.

Domingo, 12 de Maio de 2013

Definitivamente um canalha!


Há oito dias, falou pausadamente, gasparianamente, martelando as palavras. E, em resumo, para este canalha com pretensos ares de estadista, havia uma linha vermelha que não poderia ser ultrapassada. E criou, para muitos, a expectativa de que assim seria, embora se saiba ser uma criatura medonha capaz de vender a alma ao diabo, desde que o deixem como ministro.
Antes, desde há muito, num estilo populista digno de um filho da puta, autointitulava-se o defensor dos pensionistas, elegendo os seus interesses como causa do partido, embora um partido de retintos canalhas, usando feirantes, rurais, velhos e antigos combatentes para base de apoio eleitoral e, depois, como carne para canhão, como agora se reafirma no apoio dado a uma medida bárbara.
Era tido como o mais esperto, o mais sagaz politicamente, capaz de comer as papas na cabeça do outro. Mas, espremido, é isto: um filho da puta, uma reles criatura, digno de ser o alvo de uma bala amiga. O outro, nunca escondeu ao que anda. Este quis passar por paladino dos mais fracos de que se serviu e serve apenas para manter o seu estatuto. Por isso, entre ambos, este é o mais miserável, porque o mais aldrabão e o maior canalha.
Uma coisa: continuo a admitir que este gajo está preso – condicionado – pelo negócio dos submarinos. Enquanto isto não for deslindado, por lá andará, mas apenas com direito a fazer umas fitas a fingir que tem voz e posição políticas distintas, enquanto suporta, com os votos dos incautos, um governo de farsolas.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Festival de bebedeira nonstop*


“É isto uma academia?
Um jovem foi assassinado num evento da Federação Académica do Porto e nem essa trágica ocorrência foi capaz de parar a máquina de festas em que se converteram as queimas das fitas. Onde há orçamentos de milhões de euros, não há espaço para a comoção, para a solidariedade, para a criação de um verdadeiro espaço de comunidade. Por aqui, não se espere nada desta geração universitária. O que os move é o dinheiro dos patrocínios que, em bom rigor, ninguém sabe se é ou não devidamente contabilizado e controlado. Uma academia que não para em sinal de homenagem a um dos seus membros activos baleado numa das suas festas, uma academia que gere milhões de euros sem que conheçam grandes desígnios na esfera da responsabilidade social ou no auxílio dos seus membros mais pobres é uma excrescência do verdadeiro espírito da universidade. Não tendo qualquer utilidade pública, acabe-se com as federações académicas e afins. O negócios dos agentes de concertos e das bebidas sentirá alguns efeitos; a universidade e o país, não.” in Editorial do PÚBLICO de 07-05-2013.
“(…) Não sei se o assalto resultou da actual “conjuntura difícil”. Do que não tenho dúvida é que a chocante posição da Federação Académica do Porto resulta, ela sim, desta “conjuntura difícil”, que está longe de ser apenas conjuntural, e não é alheia a uma desvalorização da vida, das pessoas, da solidariedade e dos sentimentos em geral, que constitui o cerne da filosofia neoliberal que nos governa. Cortar a pensão de uns velhos doentes ou condenar trabalhadores à pobreza é tão fácil como ir festejar para o local de um assassinato quando o sangue ainda não secou no chão. (…)" in Crónica de José Vítor Malheiros, PÚBLICO de 07-05-2013
Um apontamento de memória: quando foi das cheias de 1969, a Academia de Lisboa organizou-se para operações de auxílio e apoio às populações afetadas, mas de forma clandestina, pois estava-se perante uma enorme tragédia que o regime de então quis negar e esconder.
Hoje, em situação semelhante, não acredito que as diversas academias do país se incomodassem do mesmo modo de então.
* Expressão retirada da crónica de José Vítor Malheiros
 

Cenas da vida doméstica...

Termo da tarefa de passar roupa a ferro, com acompanhamento, hoje, de Miles Davis e John Coltrane, e a competente supervisão e controlo de qualidade de Dona Canadiana.
Um dia uma amiga teorizava sobre o erotismo que identificava na música de jazz, e eu tendia a percebê-la, a concordar. Mas ainda hoje não sei o que me leva a preferir jazz nesta específica lide doméstica. O passar a ferro será atividade erótica? Seria irónico.
Saia agora uma bejeca!

Domingo, 5 de Maio de 2013

Uma canadiana em S Lourenço

Não é nada fácil andar pela areia com esta senhora do Canadá. Igualmente ainda não me é fácil sentar e levantar-me do lugar que ela aqui ocupa. Mas fomos lá, mais esgar menos esgar. Quatro horitas para o bronze, meu e dela. E parece que, felizmente para mim, a canadiana ficou fã de S Lourenço. Começou a nossa época balnear.

Sábado, 4 de Maio de 2013

Poupem a Primavera, carago!



Pormenor da Primavera de Botticelli
 
Eu sei que tempo é tempo. Uma medida, uma circunstância, uma época, uma marca. Mas quando se trata da Primavera eu passo-me com o que sejam as previsões ou as correções das previsões feitas pelo Banco de Portugal, o FMI, o BCE, seja quem for, quando se trata de anunciar mais desemprego, mais recessão, mais falências, o que seja desde que da mesma natureza. Se fossem previsões de Inverno, eu não daria tanto por isso, pois o frio também é duro, a época é triste. Se fossem de Outono, eu diria que já era o inverno a querer chegar antes do tempo. Claro, no Verão, uma pessoa senta-se numa esplanada, bebe uma bejeca, come uns tremoços ou umas pevides e a crise passa, o calor ajuda. Mas na Primavera? Poupem a Primavera. Ou então digam que são previsões de Maio, ou de Junho. Mas não me estraguem a Primavera com esta porra de previsões. Não me obriguem a falar mal ou a ser violento. Poupem-me!
 


Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Shahina - uma morte trágica

O corpo de Shahina é retirado dos escombros do Rana Plaza - Foto AFP
Shahina tinha migrado para Daca com o irmão Jahirul para, na altura, conseguirem pagar um empréstimo que a mãe de ambos contraira para poder ser operada à vesícula. Empréstimo no valor de 5.000 taka, o equivalente a 45 euros mas que, com os juros, tinha subido para 70.000 taka. Deixou assim os campos de Bangladesh para se instalar nos subúrbios miseráveis de Daca e encontrar trabalho nas fábricas têxteis da capital.
Shahina era uma das cerca de 3.000 pessoas que trabalhavam no Rana Plaza, um edifício de 8 pisos, construído sem licenças e que ruiu, havendo já o registo de 406 mortos e 149 desaparecidos.
Shahina tinha casado por amor, sem autorização dos parentes, mas enviuvou quando estava grávida de Robin a quem queria garantir uma via bem melhor que a sua, acalentando o sonho de o ver médico ou engenheiro. Ganhava 4.200 taka por mês, o equivalente a 40 euros, mas com as horas extraordinárias podia alcançar um extra de mais 2.000 taka. Para isso trabalhava muito, frequentemente das 8 da manhã às 10 da noite e, por vezes, a noite toda.
Shahina sobrevivia à tragédia há 110 horas, presa entre escombros e cadáveres, esperando sair dali viva para poder ir ao encontro do seu filho. Mas um acidente transformou num braseiro o local em que se encontrava. E Shahina passou num ápice ao registo dos mortos desta grande tragédia.
Entre nós, se calhar encostados aos nossos corpos, andam roupas com origem neste contexto de terror em que se trabalha no Bangladesh, em que trabalhava Shahina. Apenas porque vale tudo para quem engorda e se empanturra à custa de salários de miséria, de ausência de direitos, numa completa escravidão.
O pequeno Robin já perguntou pela mãe, sem saber que já não a verá mais.
O caso teve honras de enorme cobertura mediática mas, como sempre, certamente que apenas por uns dias. O seu esquecimento está já alinhado nos órgãos de informação. Fez notícia. Ponto final.


Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Num bem distante 1º de Maio

Uma história milhentas vezes por mim contada, por uma particular razão. Adiante. Era 1º de Maio, dos primeiros celebrados em liberdade. A caminho das celebrações, posto um pé na rua, dois suecos perguntam por um restaurante onde pudessem almoçar. Impossível então: o dia era mesmo do trabalhador e tudo fechava, mesmo na cidade tida, vá lá saber-se porquê, como capital de trabalho. Insistimos perante duas caras desesperadas: que não havia, que não encontrariam qualquer restaurante. Mas tu tinhas uma solução: um convite para subirem, porque alguma coisa se arranjaria. Um horror: dois malucos a convidarem para casa dois desconhecidos estrangeiros, bem postos, mas esfomeados. E não foi fácil convencê-los até ao definitivo: se querem comer, aceitem, caso contrário mantenham a busca do impossível. E lá acabaram por aceitar.
Sobre a mesa são colocados os panados que tinham sobrado, batatas fritas de pacote, uma garrafa de vinho e fruta, perante duas caras embasbacadas, como que tentando adivinhar o que poderia estar por detrás de tão estranha, para eles, simpatia. Mesa posta, e como que a pretexto de votos de bom apetite, pediste-lhes que depois de comerem batessem a porta, pois nós retomaríamos aquilo que estava agendado: as celebrações do 1º de Maio naquela praça frente à CM do Porto. O quê? Ficariam ali sozinhos numa casa estranha, a comer, e depois bastaria bater a porta? Que sim, respondeste, porque a nossa agenda estava feita. E, responderam: se nos roubassem? Não haveria problema, pois a polícia daria conta do recado. Teimámos e, a custo, lá ficaram os dois suecos, na altura em viagem de negócios: compras de tecidos e atoalhados no norte do país, a comercializar por uma cooperativa de grande dimensão.
Aceitámos o convite para um copo no hotel em que se hospedavam na zona da Boavista, no final da manifestação. E lá fomos. A história que envolvia dois loucos, nós, já era conhecida por outros que se encontravam no bar do hotel e foi-nos referida a reação de um escocês: cuidado, vejam com quem se meteram, porque isso é muito estranho. Durante o copo, procurámos saber onde iriam jantar. Pois já sabiam onde. Havia um restaurante aberto na zona - a Cufra, suponho - certamente o único em toda a cidade, certamente com enormes filas de espera. E desafiámos os nossos suecos para um jantar. Foi muito mais fácil agora fazer aceitar o convite.
Cozinhaste uns canelones de carne, saltou uma garrafa para a mesa e recordo que acabámos a bebericar vinho do Porto. Os nossos amigos choravam. Isto que lhe fizeste – porque foi sobretudo mérito teu – nenhum familiar o faria pois, entre eles, quando se convidam, é para um restaurante, pois não é hábito franquear o espaço privado da habitação a ninguém, mesmo se familiares. Eles que tinham boas mobílias, televisão a cores – estávamos ainda com o preto e branco - , bons carros – o Volvo, por exemplo –, boas casas, mas nunca poderiam entre eles experimentar as sensações vividas com dois modestos desconhecidos num país distante e pobre.
Nunca aproveitámos o convite feito para os visitarmos. Mas ficou este gozo enorme de, num dos nossos primeiros primeiro de Maio termos provado a dois suecos que somos capazes de méritos que o dinheiro ou o quer que seja não explica.
Já agora: a foto é do cantinho onde tal se passou. E como tinhas em tempos sugerido que contasse histórias desse cantinho, aqui fica esta. Uma dúvida: não sei se desta vez transportei aos ombros, na manifestação, a querida chatinha… mas quase juro que sim.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Poemas de sempre - "Vou-me embora para Pasárgada" de Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira
  Vou-me embora pra Pasárgada
 Lá sou amigo do rei
 Lá tenho a mulher que eu quero
 Na cama que escolherei
 Vou-me embora pra Pasárgada
 Vou-me embora pra Pasárgada
 Aqui eu não sou feliz
 Lá a existência é uma aventura
 De tal modo inconseqüente
 Que Joana a Louca de Espanha
 Rainha e falsa demente
 Vem a ser contraparente
 Da nora que eu nunca tive
 E como farei ginástica
 Andarei de bicicleta
 Montarei em burro brabo
 Subirei no pau-de-sebo
 Tomarei banhos de mar!
 E quando estiver cansado
 Deito na beira do rio
 Mando chamar a mãe-d'água
 Pra me contar as histórias
 Que no tempo de eu menino
 Rosa vinha me contar
 Vou-me embora pra Pasárgada
 Em Pasárgada tem tudo
 É outra civilização
 Tem um processo seguro
 De impedir a concepção
 Tem telefone automático
 Tem alcalóide à vontade
 Tem prostitutas bonitas
 Para a gente namorar
 E quando eu estiver mais triste
 Mas triste de não ter jeito
 Quando de noite me der
 Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
 Na cama que escolherei
 Vou-me embora pra Pasárgada

 

Heróis do nosso tempo

François Jacob, 1920-2013
"Somos feitos de uma estranha mistura de ácidos nucleicos e de memórias, de sonhos e de proteínas, de células e de palavras" - François Jacob, geneticista, combatente antinazi, prémio Nobel de Medecina e um pouco poeta.

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Quem poderia ser o clube do Estado Novo?

P. Não houve um clube do regime?
R. Não, primeiro porque o mentor do regime não tem clube, ao contrário de Franco [em Espanha], que se diz que era do Real Madrid. Depois, o clube que mais ganhou durante a segunda metade do Estado Novo foi o Benfica, que era quem tinha mais oposicionistas ao regime e que, na sua direcção, teve menos pessoas ligados ao mesmo. O clube com mais personalidades ligadas ao regime foi o Sporting, onde contabilizei 12 ou 13 dirigentes com ligações ao poder.
 
P. Terá a ver com a génese mais elitista do Sporting?
R. Penso que sim. Talvez pela posição social mais elevada, esses dirigentes estivessem mais próximos do poder. Pelo contrário, na confrontação com o governo foi o Benfica quem mais se aproximou desse papel, nomeadamente por causa do hino censurado a Félix Bermudes (Avante Benfica)… Foi o clube que teve mais oposicionistas declarados.
P. E teve mesmo um presidente comunista…
R. Sim, o que é inédito. Manuel da Conceição Afonso foi o único caso de um comunista a presidir a um clube no Estado Novo.
Da entrevista ao PÚBLICO de 25-04-2013 do historiador Ricardo Serrano a propósito da publicação do seu livro “O Estado Novo e o Futebol”.

Faria um reset, diz ela.

Na edição do PÚBLICO de 25 de Abril pergunta-se a 55 personalidades “O que melhoraria na democracia portuguesa”. A artista do regime Joana de Vasconcelos, para o efeito tida por personalidade, e que tanto gasta em tampões, panelas, garrafas, panos e trapos, não foi capaz de mais que isto: “Eu melhoraria tudo na democracia portuguesa. Faria um reset.” Apenas isto e nada mais como ideia, o que a coloca bem enquanto artista do espetáculo do ridículo deste também ridículo regime.

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Cavaco da Coelha - O libertador

Porque hoje, dia da Liberdade, libertou o PS de certas amarras. A partir de hoje – e já antes houve pretextos – o PS não pode manter qualquer atitude de reverência, de consideração, de atenção para com o manequim da Rua dos Fanqueiros. Desde o discurso de vitória que este inculto, rancoroso, manhoso, raivoso e vingativo tinha feito questão em esclarecer que não era o presidente de todos os portugueses. A partir daí apenas fez questão de aprofundar a sua postura. Mas hoje, com o discurso que assustou os cravos que odeia, já não é necessário mais nada. Cavaco da Coelha fez questão de declarar o seu estado de mancebia política com Coelho e seu governo e é bom que isto seja claramente assumido por todos.
Este manhoso fez tudo para conseguir o que nenhum outro presidente seria capaz de alcançar: impopular, vaiado e odiado, desastrado politicamente, inculto, vingativo, conivente com ciladas, rasteiro de caráter, atrapalhado com bolo-rei e admirador das vaquinhas que riem.
Com o apoio da esquerda, tivemos Eanes, Soares e Sampaio; a direita ofereceu-nos um merdoso que acabará o seu mandato como mero presidente da toca: da Coelha, do Coelho e respetivos correligionários, felizmente uma minoria.
Viva o 25 de Abril.

Terça-feira, 23 de Abril de 2013

Livraria GALILEU - Cascais

 No post anterior escrevia sobre livrarias, muito raras, que ainda têm livreiros à sua frente, entre elas a Livraria Galileu, em Cascais, onde estive na passada sexta-feira, depois de um excelente almoço em Cobre.
 Como não poderia vir de mãos a abanar, escolhi este livro de Harper Lee e com ele me dirigi à caixa para pagar.
 Mas a atenta e simpática livreira tinha uma recomendação a fazer-me: esta "Djamila", que ela já tinha lido - os livreiros lêem muito - e que me recomendava, ao preço de 5€. Conheci deste modo um novo autor e, sobre o livro já lido - sessenta e poucas páginas -, é verdade o que dele diz Aragon na contracapa: "Nada disto nos explica, porém, que, algures na Ásia Central, um jovem tenha escrito, no início da segunda metade do século XX, uma história que é - juro-o - a mais bela história de amor do mundo. Uma história ao mesmo tempo breve e imensa. Uma história de amor onde não há uma palavra inútil, uma frase que não tenha eco no coração".
Saídos da Galileu, podem os olhos ser lavados neste dois belos exemplares da arquitetura urbana, do outro lado da rua. Como que um bónus.

Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Livros e livreiros

Também eu costumo dizer que livreiro não é um mero vendedor de livros, mas nos grandes espaços em que hoje se transformaram as livrarias mais badaladas não há livreiros, mas meros atendedores ou operadores de registo de vendas de livros. Muitas vezes cria-se a ilusão de que assim não é, face aos eventos que se organizam nesses espaços, como se isso não decorresse, sobretudo, do empenho e encargo de quem edita, das editoras, mas não de tais livrarias.
O PÚBLICO de 16-04-2013 dá destaque a este tema, ao mesmo tempo que informa ter sido tomada a decisão de institucionalizar o Dia da Livraria e do Livreiro a 30 de Novembro. E é de toda a justiça porque são os livreiros, no sentido nobre do termo, que amam os livros e mais se sacrificam à volta de iniciativas únicas que é a de permitirem o acesso aos livros fora das grandes cidades ou ousam, nestas, defrontar as grandes superfícies onde tudo cabe.
Pessoas que mantêm há 40 anos a Livraria Galileu em Cascais, ou a Fonte de Letras em Montemor-o-Novo, ou a Livraria Culsete em Setúbal, ou a Livraria Loja 107 nas Caldas da Rainha, ou a Centésima Página em Braga… sem deixar de referir aqueles que nas grandes cidades, e defrontando as grandes superfícies livreiras, têm à sua frente livreiros, amantes dos livros, como é o caso da Livraria Ferrin e da Pó dos Livros em Lisboa e da Livraria Lello no Porto.
Para um leitor, a vantagem dos livreiro é saber que eles, como afirma Caroline Tyssen, da Galileu, não se deixam arrastar pelas facilidades e novidades e são pessoas que leem muito, sabem o que estão a vender e, sem serem intrusivos, gostam de conversar e criar ambiente familiar com que os visita e, como eles, também gostam de livros.

Poemas de Sempre - "Seria o Amor Português", Fernando Assis Pacheco

Seria o Amor Português


Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Fernando Assis Pacheco

Sábado, 13 de Abril de 2013

De São Lourenço ao São Jorge

 O tempo compôs-se, o sol brilhou. O mar estava calmo mas, mesmo assim, ouve-se sempre este mar de São Lourenço. E já havia gente ao sol, sobretudo após o almoço, almoço numa esplanada que se prolongava por todo este mar.
O regresso tinha este destino, o cinema São Jorge, onde decorreria pelas 18h30, durante hora e meia, uma animada conversa entre Clara Ferreira Alves e Miguel Esteves Cardoso, conversa frenética e centrada nos também frenéticos anos 80. Tempos que ambos viveram de forma intensa, em privilegiados postos de observação: os jornais por onde andaram.

Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Andanças de hoje...

 Após a primeira tirada - dos Restauradores ao início da Calçada do Carmo - a primeira foto...
 A pequena mais fotografada no Largo do Carmo
 Caminhando pela Rua da Condessa
 Hora de almoço e começava a animação nas Escadinhas do Duque...
 A subir, com a ajuda de uma canadiana...
 A faca e o garfo, mais o prato, o copo, num almoço cheio de luz...
 Rua Nova do Almada - recordando este 1º andar, onde fiz formação...
 ... quando trabalhava no 100 da Rua Áurea ou do Ouro, por cima da Central da Baixa, um ícone...
 Rua dos Sapateiros, onde foi a Sede da primeira entidade patronal, a Comércio e Indústria...
 Rua de São Nicolau, onde trabalhei numa extensão da Bonança, por cima da Polycarpo...
 De vez em quando, naqueles anos, tinha que ser aqui...
 Onde se pode dizer que o que é da Nacional é bom
Fim de linha: Gastão Cruz apresenta na Barata "Fogo" o seu último livro. Cereja em cima do bolo.
 
Um dia em que se lavaram os olhos por sítios ainda quase mágicos e cheios de recordações, em silêncio. Com algum esforço físico atenuado pela canadiana de serviço. Mas havia que retomar as coisas, custasse o que custasse, e tudo numa tirada entre as 10 e as 20 horas. Um gozo!