quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quando falam os banqueiros...

 
Carlos Câmara Pestana - Foto do PÚBLICO
Há 15 anos que não dava uma entrevista em Portugal, de tão caro que é. Mas deu agora uma ao PÚBLICO. Longa, bafienta.
Umas pérolas para que percebamos quanto se perde quando uma boca, boca santa, se cala durante tanto tempo.
“É estéril a discussão sobre se as reformas podem ou não ser alcunhadas de neoliberais. Não é seguramente o modelo socializante, agarrado ao corrimão do Estado, que deu no que deu, que conduz o país ao desejado crescimento do seu produto.”
Tinha que ser: para um membro da Opus Dei, ou o céu, ou o inferno. Para mente mentecapta não existem alternativas a isto, nem mesmo o purgatório.
Sobre a crítica feita à linha de 12 mil milhões de euros de apoio público para recapitalização da banca:
“Essa crítica parte do pressuposto errado de que os apoios são prestados para defender os interesses dos banqueiros e dos acionistas privados dos bancos. Nada de menos verdadeiro e que só é repetido por profunda ignorância ou má fé. Essas capitalizações […] não visaram proteger os banqueiros nem os acionistas dos bancos. Destinaram-se a assegurar o normal funcionamento dos sistemas bancários, essencial nas economias modernas. […]
A natureza dos lucros, exclusivamente destinados a engordar uma minoria, é privada. Mas quando se arruínam em operações especulativas, arrastando as economias nacionais com as suas jogadas de casino, aí já deve ser invocado o interesse público para socorro da corja bancária. Aqui já se justifica o "corrimão do estado".
Como o senhor é chairman do banco Itaú Unibanco, o maior grupo do Brasil e da América Latina, certamente que teria opinião sobre os investimentos feitos pelo Brasil para o campeonato do mundo de futebol e os jogos olímpicos que vêm aí:
“A verdade é que faltam infraestruturas, há carências nos portos e aeroportos, e não há, praticamente, caminho-de-ferro no Brasil. Toda a produção de commodities para exportação da área agrícola circula através de camiões. Não sei se haveria necessidade de tantos estádios de futebol. Mas o futebol é a paixão nacional.”
Chama-se a isto racionalidade económica, na sua vertente apaixonada.
Uma frase destacada pelo PÚBLICO: “A verdade é que a generalidade da população está mal informada.” A explicação é simples: este senhor, Carlos da Câmara Pestana, tido pelo primeiro banqueiro profissional português, membro da Opus Dei, entendeu andar calado 15 anos. Veja-se a falta que nos fez.
 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

... e havia a Missa do Galo


Nesses tempos muito idos, agora estaríamos ainda na Missa do Galo. Antes disso, antes de entrar na igreja, fazia-se um aquecimento na fogueira do adro, fogo alimentado com tocos de madeira, raízes de pinheiros arrancados uns dias antes e transportados até ao adro da Igreja matriz em zorras. Mas houve anos em que havia duas fogueiras, a do adro e a da Carreira, suponho que por causa de rivalidades estabelecidas entre quem habitava no Cimo e no Fundo da vila. E até se chegavam a roubar tocos, às escondidas, pela noite calada, porque havia que garantir que a de cada um era a melhor.
E só depois da missa se passava às doçarias do Natal, em geral modestas, mas nada havia como o Natal com aquelas filhós em leite quente com canela. Antes disso, da Missa do Galo,  era o bacalhau cozido, as couves, as batatas, o azeite, este a usar com parcimónia, pois era o ingrediente mais caro do repasto. Na verdade, na altura, usava-se, a desvalorizar a importância do bacalhau, o dito “para quem é bacalhau basta”. Porque de produto para pobres se tratava, antes de ser consagrado, mais tarde, como iguaria de luxo.
Depois, pela manhã, era altura de ver o que havia, nos sapatos colocados junto ao fogão, sido deixado pelo Menino Jesus, pois na altura ainda não era nascido o Pai Natal. E lá estavam as bolachas, as laranjas (luxo na Beira interior), um par de meias… coisas assim, para o corpo ou para o estômago. Porque longe, muito longe, estava o tempo das play stations e coisas aparentadas, sobretudo porque distantes disso estavam as bolsas dos pais. E ali só contavam os pais, com a ajuda do Menino Jesus, claro.
Mas éramos felizes. Ao ponto de podermos dizer que já não há Natais como aqueles.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

... e havia o "Comércio do Funchal"

Era cor-de-rosa mas apenas no papel em que se escreviam textos que, então, apenas no Comércio do Funchal era possível ler. Um jornal feito na ilha por malta dos vinte e menos anos e que no continente se divulgava de forma militante, particularmente nos meios universitários. Jornal que se assinava e lia como ato de oposição ao regime da altura, como se fazia com o Jornal do Fundão de António Paulouro e o República de Raul Rego. Apesar de a censura ser para todos, estes eram diferentes, ousavam ser diferentes, desafiando permanente os censores, seguidos até onde era possível pelo Diário de Lisboa.
Embora com outros mais colaboradores que fizeram história no jornalismo, Vicente Jorge Silva era a sua alma. E foi no Comércio do Funchal que, certamente, adquiriu o traquejo para mais tarde ser dos principais redatores do Expresso e o primeiro diretor do então jornal de referência que era o PÚBLICO, que depois veio a ser destruído pelo Zé Fernandes de triste memória e que agora é fiel colaborador do merceeiro do Pingo Doce.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um novo coletor de dízimos

Foto do PÚBLICO
Segundo o PÚBLICO de hoje, foram dezenas os autocarros vindos de todo o país que, lotados, chegaram a VN Gaia para a inauguração de mais um coletor de dízimos da mais que próspera IURD. Uma catedral com 1.600 lugares no auditório principal, 200 lugares no pequeno, cinco pisos de estacionamento subterrâneo, estúdios de televisão e rádio, ecrãs panorâmicos, isolamento sonoro, apartamentos, em 17 mil metros quadrados. Que custou, em tempos de crise, a módica quantia 12 milhões de euros com recurso a crédito bancário – nestes empreendimentos a banca arrisca porque tem fé – crédito a amortizar através de “donativos espontâneos”.
Deus é grande! Aleluia, irmãos.
Agora é só dizimar quem se disponha ao pagamento “espontâneo” do dízimo. E aproveitar a onda. Quanto a isto, indivíduo relacionado familiarmente com alguém da IURD inaugurou no mesmo dia a Cafetaria Divinus já recomendada pelos chefes da seita aos devotos, pois a carne é fraca, e o nome do estabelecimento está conforme as Escrituras.

É a vida. Aleluia!

sábado, 21 de dezembro de 2013

O sócio 626 da SEDES

As cautelas na admissão de sócios pelos órgãos da SEDES eram muitas e compreensíveis. A criação da associação fora permitida contra a vontade dos duros do regime, pelo que todo o cuidado era pouco.
Por isso, quando batemos à porta para entrar para sócios, tivemos que confessar ao que íamos a João Salgueiro e a Magalhães Mota. E passámos no exame.
Pouco depois, no âmbito do mais participado projeto da SEDES antes do 25 de Abril – Portugal para Onde Vais? – integrámos um grupo coordenado por Rui Lopo Mendonça, à volta do cenário “Um outro Socialismo”. E por lá estivemos: eu, o Carlos Alberto Simões, o José Manuel Oliveira Antunes, o José António da Costa Manso, o Rui Branco Delgado, a Isabel Guerra Madaleno… juntamente com outros associados, em reuniões que, segundo o livro “SEDES dossier 73/75”, decorreram entre Outubro de 1973 e princípios de Fevereiro de 1974.
Como estava determinado, os grupos apresentaram um relatório sobre as discussões havidas e as conclusões a que tinham chegado. Seguiu-se uma segunda fase para elaboração das sínteses dos relatórios dos grupos e que serviriam, depois de discutidas, à redação de um relatório final que não chegou a ser submetido à aprovação dos sócios por entretanto ter acontecido o 25 de Abril.
Ficámos por lá um pouco mais, até nos metermos noutra: a revista MANIFESTO, certamente a mais longa e interessante aventura em grupo dos nossos vinte a tal anos de idade.
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um canalha na 5 de Outubro


Conheci Crato de outras andanças. Como divulgador científico, como também então conheci o físico Carlos Fiolhais. Em geral em iniciativas promovidas pela Almedina. E ambos desiludiram, quando se meteram noutras águas.
A partir de certa altura Crato é já uma unha com carne com o prestigiado – não sei donde, mas pouco importa – Medina Carreira. Um daqueles que para tudo tem fel e vinagre, mas não adianta uma solução que seja, seja para o que for. E é então que temos Crato com a sua teoria do “eduquês”, contra o facilitismo, num discurso oco, igualmente sem alternativas, tal qual o compadre Medina.
Tinha que chegar a ministro de um merdas de Massamá, que só emporcou uma terra certamente simpática. E assim lixou o tal Santana Castilho que, escrevinhador do programa para a educação, não contava com menos que uma cadeira ministerial. O farsolas ganhou um inimigo, embora Castilho seja tão merdoso como ele, mas ficou com um aldrabão na 5 de Outubro.
Um matemático sem tomates que, depois de muito matutar à volta de uma equação em que interessa identificar o valor da incógnita em que ele mesmo se tornou, chegou à conclusão que 5 anos de atividade permitem a dispensa de uma prova que, dias antes, era para todos. Mas quem não tem tomates, em geral ou sai ou rende-se (vende-se). E Crato vendeu-se a uma UGT igualmente sem espinha – espinha tem a outra Central que um dia teve a ameaça, nunca concretizada, de lhe ser quebrada – e assim provou que isso do facilitismo é uma questão de mais equação, menos equação, seja qual for o número de incógnitas. E valores de solução que podem ir do mais ao menos infinito. Pouco importa.
Por outro lado, a ser verdade o que ouvi, na prova a que quis sujeitar os professores – nada tenho contra a avaliação séria de competências – seria chumbado quem cometesse 10 erros ortográficos. Fónix, mentor da exigência! Na minha 4ª classe eu chumbaria com 4 erros, e 4 sinais mal colocados – ou a sua ausência quando devida – valiam um erro.
Depois disto, ouvir este canalha afirmar que os bons resultados do PISA são consequência do seu combate contra o facilitismo, só merece uma coisa: Crato é um filho da puta, o resto é conversa. Ofensa isto? Só mesmo por facilitismo se pode assumir isso. Cada qual tem o seu eduquês, e Crato merece este meu eduquês.
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Parabéns, Maria Velho da Costa!


Na forma de anúncio, a mensagem no PÚBLICO de ontem era clara: tratava-se de uma “Sessão Pública”, na qual seria entregue a Maria Velho da Costa o prémio “Vida Literária APE/CGD”. E mais: a sessão era “Aberta à participação de todos os interessados”.
Perguntei como era o acesso, se era necessário levantar senha, como por vezes acontece em eventos abertos ao público, certamente para evitar entradas acima da lotação dos espaços. E é então que me é perguntado se tinha convite, se me tinha inscrito. Manifestei a minha estranheza e dei a saber como conheci o evento, publicitado, sem qualquer condição prévia a satisfazer. Perante a minha insistência fui conduzido a uma representante da APE, que me perguntou se era amigo ou familiar e a quem respondi que, mais que isso, era leitor de Maria Velho da Costa. E simpaticamente lá sou conduzido à sala do evento.
Percebi depois o controlo, a necessidade deste controlo. O prémio seria entregue por pessoa cuja presença, se previamente conhecida, me desmobilizaria de forma clara.
E talvez tal presença explique a pouca afluência, sobretudo de pares da escritora, quase nenhuns. Porque não vale tudo, não se aceita tudo, mesmo que o facto de o prémio ter o imprescindível apoio financeiro da CGD obrigue a que se chame ao assunto gente que só por mero protocolo naquilo têm lugar. Porque nada tem a ver com uma escritora como Maria Velho da Costa, ainda que se refiram os tempos da faculdade e a amizade entre a escritora e a presidencial consorte.
Maria Velho da Costa merecia melhor.
Foto minha.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Umas boas pisadelas nos calos de Crato


Extratos do editorial do PÚBLICO de hoje sobre o relatório PISA da OCDE e seus resultados:
O relatório da OCDE mostra que uma escola inclusiva não é necessariamente facilitista” (…) “Em Portugal, prefere-se a ideologia ao pensamento a longo prazo. Algumas das práticas seguidas no período em que em que os indicadores portugueses subiram mais foram abandonadas [pela canalha no poder e em particular por Crato]. No entanto, a evolução dos resultados mostra que o que vinha de trás não era a escola “facilitista” [como Crato teima afirmar], mas uma escola inclusiva e capaz de conduzir a bons resultados. Quando assumiu a pasta da Educação, Nuno Crato contestou as opções do passado em nome de um regresso à exigência. Sendo certo que o PISA não é a única medida de avaliação de um sistema de ensino, ele mostra que as políticas anteriores foram capazes de satisfazer ao mesmo tempo os critérios de exigência e de inclusão”.
Ainda no PÚBLICO de hoje, escreve Rui Tavares: (…) “Na verdade, enquanto Crato e seus acólitos verberaram um suposto “facilitismo” do ensino em Portugal, os nossos resultados PISA melhoravam. Enquanto lamentavam a “terra queimada” na educação, Portugal passava a ser um país que não só aumentava o número de “melhores alunos” como diminuía a distância entre os alunos com melhores e piores resultados. E agora, desde que os inimigos do “eduquês” pegaram nas rédeas da educação, a tendência estagnou-se ou inverteu. Ainda mais expressivo foi o resultado num país que o Governo  costuma citar como seu exemplo, por ter iniciado processos de privatização das escolas: a Suécia. Pois bem, entre os países ricos, a Suécia foi aquele que deu um maior tombo na classificação. O resultado foi recebido com consternação naquele país, e até um ministro liberal teve de conceder que “devíamos ter nacionalizado as escolas quando estivemos no poder”.
Mas o elitista Crato não ligará a estes resultados, a estas conclusões, pois não é mais que um ministro para a sua classe, para os privilegiados. Até que uma pedrada na testa o ponha no sítio, na rua.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Que falta nos faz a Natália...

Há frases que a história não registará, mas que integrarão sempre o curriculum de quem as profere. Muitos já esqueceram quem foi o deputado Morgado que Natália Correia transformou num capado em poema que lhe dedicou, e outros esquecerão facilmente Marinho Pinto, mestre da verborreia, reacionário como poucos, que de tanto gritar já se ensurdeceu.
Tudo isto porque em entrevista ao PÚBLICO de hoje, este canastrão tem uma saída digna do tal Morgado, mas com a sorte de agora se poder safar de uma reação à altura por parte de Natália Correia. Afirma ele:
“Os filhos não se fazem por download, está a perceber? Para mim é tão contranatura dizer que o sexo só serve para procriação como usá-lo só para prazer.”
Marinho é casado, pai de apenas duas filhas e já avô. Assim sendo, e pegando nas suas palavras, ou é um completo desnaturado, um contranatura, ou desde há muito que aquilo só lhe serve para mijar, ou então o truca-truca não é mais que o cumprimento de um dever conjugal e para o quê a ereção terá que ser conseguida a ferros. Ou teremos mais um capado?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

1966 - Eu estive lá...







Estávamos em 1966 e a FCG ainda não tinha as instalações e auditórios sitos na avenida de Berna. Daí a importância em ter um primo que fazia um biscate como porteiro e arrumador no Tivoli, sala onde se realizava a maior parte dos concertos que integravam os festivais Gulbenkian. O de 1966 era a décima edição, e 1966 era o meu primeiro ano em Lisboa, trabalhador-estudante no Colégio Manuel Bernardes, o que me permitia ter, para além da cama, comida e roupa lavada, 500$ por mês que me permitiram vícios que ainda hoje me acompanham.
Mantenho desde então o programa de um festival que saía da capital para Mafra (os concerto de carrilhão), Coimbra, Setúbal, Leiria, Santarém, Aveiro, Guimarães, Covilhã, Évora, Beja, Braga e Faro. Na altura o resto não era apenas paisagem.
Esta facilidade do acesso ao Tivoli, onde então nunca pagava concertos ou cinema, tinha ainda a vantagem permitir ir até aos camarins e sacar um ou outro autógrafo recordando, em especial, o de António Pedro que, como declamador, participou na 1ª audição absoluta de “O Encoberto” com que Maria de Lourdes Martins ganhara o Prémio Calouste Gulbenkian de Composição em 1965. Era o mês de Maio e António Pedro faleceria no mês de Agosto do mesmo ano.
No dia 1 de Junho estou no Coliseu, suponho que a troco de 7$50, para ouvir “A Sagração da Primavera” e o “Oedipus Rex”, este dirigido pelo próprio Stravinsky. E recordo o modo como foi efusivamente ovacionado por uma sala cheia, em contraste com umas ligeiras palmas para Tomás que na altura o condecorou.
De pequenas coisas se faz a vida e as que nos marcam revivem-se como se fossem de hoje, por terem lá o seu que de eternas, permanentes.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Fala quem sabe para o surdo Crato

Sobrinho Simões
P. Os anteriores governos do PSD seguiram a linha iniciado por [Mariano] Gago. Este não fez o mesmo?
R. Este governo fez uma ruptura, que não foi só na ciência. Mas na ciência foi mais grave, porque é um tecido relativamente novo. Fez uma espécie de destruição criativa: rebentou com tudo, esperando que, das cinzas, nasça algo de novo. Na ciência, não nasce.
P. Como vê a proposta do Orçamento do Estado para o sector?
R. É péssima, porque corta de uma forma cega. Não reforça as instituições que merecem e deviam ser premiadas. Ao mesmo tempo, deveria reformular as instituições que não merecem. Do lado da ciência, há uma ideia de que um investigador muito bom pode juntar dois amigos e vai ali para o pátio do Hospital de S. João fazer um projecto de investigação.
P. É aplicar à ciência a cartilha do empreendedorismo?
R. A ciência, antes de mais, precisa de um tecido de suporte. O empreendedorismo é criminoso, porque tem estimulado perversões. O cientista que é muito empreendedor deve ser um empresário. Os estímulos deste tipo podem acabar por ser um convite ao chico-espertismo.
P. Como vê as alterações que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) introduziu ao financiamento da ciência?
R. A FCT está de uma incompetência como eu nunca vi. Está a mudar permanentemente as regras e os prazos. Não há coisa mais difícil do que alguém planear a sua vida sem um mínimo de estabilidade.
P. E concorda com os critérios de avaliação, baseados na produção científica e obtenção de patentes, por exemplo?
R. São terríveis. Primeiro, porque coloca os investigadores das ciências sociais e humanas numa situação de dificuldade. E a sociedade portuguesa precisa, como de pão para a boca, de ciências sociais. Depois, parece-me que é mais importante a repercussão da nossa actividade no mundo científico e na sociedade do que o facto de se publicar numa revista com muito impacto. A FCT não pensa o mesmo.
Extratos da entrevista de Sobrinho Simões ao PÚBLICO de 22-11-2013

APRe!

Maria do Rosário Gama
Tenho para com esta senhora uma mala-pata desde que a conheci enquanto cúmplice destacada na contestação a Maria de Lurdes Rodrigues liderada pela Fenprof e seu Nogueira, fazendo então questão de se apresentar, para se dar ares de independência, como militante socialista.
Na altura, alinhava mesmo publicamente com Crato que agora, em entrevista à Antena 1, confessa ser pior que a antiga ministra de um governo liderado pelo partido em que milita.
E estava para mim esquecida até que a vejo presidente da APRe!, e pasmei, sobretudo pela falta de jeito e de substância no desempenho das funções para que foi catapultada.
Aquela entrevista à Antena 1 foi uma prova triste disso. Nada, mas nada, para além de banalidades. Mas chocou-me uma brincadeira, uma foleirice própria de gente tonta. Na verdade, comentando as linhas do seu recibo de pensão, reparou a senhora que descontava para a ADSE sobre 14 meses de retribuição, quando não pode estar doente mais que 12 meses por ano. Ora, com esta graçola tonta, nem se dá conta de que assim dá argumentos aos que põem em causa haver 14 retribuições mensais para 12 meses de trabalho, pois também não se trabalham 14 em 12 meses que o ano tem. E bastaria que lhe ocorresse uma coisa comezinha: se uma contribuição está fixada numa percentagem da retribuição, pouco importa o número das frações em que a retribuição é paga. Mas como ela gozava com aquilo que para ela, certamente para mais ninguém, seria uma aberração.
Os reformados e pensionistas que se cuidem e escolham melhor logo que possível, pois não será difícil, longe disso, encontrarem melhor. Além de que merecem melhor.
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Leituras em dia: "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta


Natália Correia pediu a Fernando Dacosta que contasse a história do seu Botequim, razão porque temos “O Botequim da Liberdade” dez anos decorridos sobre a morte da poeta, também notabilizada noutras áreas.
Nunca fui ao Botequim e, se por lá passaram muitos ilustres, não vejo no livro as revoluções que por lá se congeminaram, nem que governos lá se fizeram ou desfizeram, nem que movimentos cívicos se criaram naquele ambiente. Mas é para isso que chama a atenção a contra capa e que foi, em grande parte, a motivação que me levou a comprar as mais de trezentas páginas.
Uma desilusão… salvo a confirmação dos excessos de Natália Correia que impunha respeito (ou medo?) a muita gente, os seus odiozinhos de estimação, as suas fraquezas.
Mas fica a impressão de que se tratou de despachar uma encomenda, de satisfazer o pedido feito. De facto, para quem se descreve quase como secretário particular de Natália Correia, é imperdoável que a) se não tenha referido corretamente o nome do livro da marquesa de Jácome Correia, amiga de Natália – “Amores da Cadela ‘Pura’” e não “Memórias de Uma Cadela Pura”-, dando de barato a explicação para o título do livro, para o que tenho outra bem mais atendível e que foi recolhida em tempos junto de um sobrinho da marquesa, na ilha de São Miguel, e b) se tenha amputado o poema suscitado pelo deputado Morgado dos seus versos finais, essenciais para se perceber aquilo que até se apresenta como algo “da nossa melhor poesia satírica”.
De facto, Fernando Dacosta transcreveu apenas até “parca ração” o poema que se segue
Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
Pena, até porque haveria que saber que o Morgado ficou capado!
 

Nem que seja a tiro












Foi há pouco, há poucos dias, a caminho da Bica, numa vadiagem, pois num vadio ando transformado, talvez irremediavelmente, que dei com este par de portas, gémeas na origem, bem diferentes no momento em que capturei as fotos. Salvo erro, em frente da Escola David Mourão-Ferreira, na Rua das Chagas.

E tudo vem a propósito: uma escola, as chagas, as chagas consequência desta política canalha que nos rouba a esperança.
Porque isto me fez matutar no seguinte: as portas, na origem, seriam iguais mas, sei lá por que razões, hoje são bem diferentes: uma bem tratada mas com sinal a prevenir que ali não se brinca, outra com ares de maus tratos e acorrentada.
Ora isto ilustra, pode ilustrar, o futuro das políticas que vão contra a coesão social, coesão só possível por uma escola que, mais que a liberdade de escolha, garanta a igualdade de acesso ao ensino, a par de um SNS para todos, independentemente da sua condição e uma Segurança Social que para todos consagre condições dignas, ainda que não necessariamente iguais.
Mas estas não são preocupações da canalha que nos governa. Por isso, amanhã, poderemos ter uns protegidos por uma porta em que basta um sinal a garantir os privilégios de uns quantos, enquanto a maioria ficará trancada atrás de uma porta acorrentada, para evitar incómodos aos primeiros.
Até quando? Até que a raiva exploda e a justiça se faça. Nem que seja a tiro.
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Margarida Alforreca com cara de Couve, ou vice-versa.

Devo a Margarida Rebelo Pinto uns momentos de gozo, de grande gozo, na leitura deste livro logo que editado em 2006.
Valeu bem a pena a leitura, certamente penosa, que João Pedro George fez então de 8 livros desta indigente mental, para concluir que a dondocas é, por exemplo, mestre do copy & paste de livro para livro, sempre na expectativa, admito, de que ninguém dê por isso, tal a consideração que tem por quem a lê.

Na altura, quando se anunciou a publicação do livro, a dondocas quis impedir a sua publicação, invocando um curioso argumento: o seu nome seria uma marca registada, logo a sua utilização no título do livro significaria uma violação dos direitos de autor, de personalidade, de propriedade industrial. Só mesmo de uma tonta que não se enxerga. De facto não é para qualquer um escrever “impotente como um peixe”, “cara inchada que parece um bolo”, “com a cara feita num croissant amassado”, “duas loiras bem cheias, com cara de couve”, “o Pedro era uma couve”, "fico aqui fechada em casa (…) em frente à televisão, como uma couve”, “cara de ovo cozido”, “mirrada como uma batata velha”…
Ó meus amigos: isto não é para qualquer um, a par de deslizes de ortografia e erros gramaticais. Só mesmo ao alcance de uma alforreca com cara de couve, ou vice-versa.

 

 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Uma cadela, de nome Pura.


Na minha segunda ida aos Açores, mais exatamente a São Miguel, fiquei alojado numa cottage que os proprietários da casa senhorial de que era anexa alugaram. E levei comigo um dos dois volumes de “Amores da Cadela ‘Pura’”, de Margarida Victória, Marquesa de Jácome Correia.
O atual proprietário, apercebendo-se do livro, ficou curioso e quis saber se sabia onde me encontrava. E não é que me encontrava numa propriedade que foi da Marquesa Jácome Correia e que agora pertencia a um seu sobrinho?
O livro relata as memórias, particularmente as de carater amoroso, da marquesa, mulher de fortuna e cosmopolita, cuja vida escandalizava a sociedade local, vida também com muito de trágico, sobretudo no seu final.
Na altura foi-me explicado o título do livro, título claramente equívoco mas que se devia ao facto de a marquesa ter então uma cadela chamada Pura, razão por que no título Pura se escreve entre parêntesis.
Ora, em “O Botequim da Liberdade”, Fernando Dacosta, parecendo desconhecer o que atrás relato, escreve que foi Vitorino Nemésio, por quem a marquesa teve uma grande paixão, “quem deu o estrambólico nome ao livro”, livro para o qual, erradamente, Fernando Dacosta dá o título de “Memórias de uma Cadela Pura”.
Mas tudo indica que assim não foi. Pelo menos existia uma cadela e que era pura de nome, e apesar do contexto da relação vivida entre Nemésio e Margarida Victória, bem expressa nos sensualíssimos e eróticos poemas de Nemésio em “Poemas para Marga” (Marga de Margarida) e que estipulou que só vissem a luz do dia após a sua morte.
 

Lendo "Alfabetos" de Magris


“Kafka dizia que um livro deve atingir-nos como um soco, abalar com violência o leitor e a sua habitual visão das coisas. Receber um soco não é agradável; segundo Kafka, uma autêntica literatura deve pois conter – além do jogo, do prazer, do sabor do mundo e da sua reinvenção – também um certo desagrado, algo de chocante que desconcerta e cria mal-estar.
Poucos livros conseguem lidar com esse lado desagradável, por vezes insuportável, da vida que é uma sua verdade e não pode ser iludida ou atenuada. São esses livros que obrigam o leitor a atravessar os desertos da existência, sem levá-lo pela mão e sem ajudá-lo a esquivar-se às areias movediças – como faz a literatura bem-intencionada e tranquilizadora -, mas obrigando-o a refazer o mesmo caminho do escritor e a atolar-se na angústia e no lodo desse caminho, em vez de  lhe oferecer uma varanda panorâmica da qual ele possa tranquilamente admirar os infernos e os abismos sem se sentir ameaçado ou sorvido no remoinho.”
Claudio Magris, in “Alfabetos”

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Claudio Magris: Utopia, Desencanto e Ironia


“A literatura do desencanto não é a destruição do encanto, é a consciência melancólica mas necessária da realidade. Quando Dom Quixote fantasia numa coisa aquilo que ela não é, tem razão, contra Sancho Pança, porque as coisas não se reduzem à sua dimensão prática. O desencanto, que nos faz ver o mundo como é, torna verdadeira e não falsa a consciência da vida, que é uma consciência dolorosa, mas não retira o encanto. Creio fortemente na força criativa do desencanto. Mesmo politicamente, sinto o desencanto como positivo: se uma visão política do mundo pretende ter uma receita absoluta, naturalmente que é falsa. Moisés não tem ilusões e sabe que não alcançará a terra prometida, mas não desiste de caminhar para ela.”

“… basta pensar em Musil, que dizia que no nosso mundo pode suceder que um génio seja tomado por um imbecil, mas nunca um imbecil será visto como um génio. Ou a história da imperatriz Sissi que escrevia poemas que dizia ser o resultado de um contacto mediúnico com Heine. Um conselheiro imperial da corte comentou: vê-se bem que Heine, depois de morto, piorou imenso como poeta.”
Claudio Magris, vencedor do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do património cultural, de 2013, em entrevista ao ípslon / PÚBLICO.

A solidão, lendo Arthur Schnitzeler


Defende-te das más companhias, mas não te esqueças que se escolheste a solidão, essa não será sempre a melhor companhia.
Afasta-te cem passos do caminho balizado e eis-te sozinho. E se encontras alguém, não sabes se procura a solidão como tu ou se vai em expedição de pilhagem.
Desconfia do instante em que começas a ficar orgulhoso da tua solidão; no momento seguinte desperta em ti o desejo de encontrar pessoas.”
Arthur Schnitzler, in “Relações e Solidão”, editora Relógio d’Água

Lendo Arthur Schnitzler


“Uma mulher prudente dizia-me um dia: os homens sabem sempre muito bem aquilo que conseguiram alcançar connosco; mas não têm geralmente nenhuma ideia de tudo aquilo que não alcançaram.”
Arthur Schnitzler, in “Relações e Solidão”, editora Relógio d’Água

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

(a carta da paixão), Herberto Helder


(a carta da paixão)
Esta mão que escreve a ardente melancolia da
idade
é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra a
sua queimadura desde os recessos negros
onde
se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se. O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, a lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça : essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponta a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços, a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a carne. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce : eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.
 
Herberto Helder em "Ou o Poema Contínuo"

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Leituras em dia: "Solte os Cachorros" de Adélia Prado


“Linhagem é no banheiro que se tem. Sozinho é que o pedigree mostra o rabo. Mesmo porque linha é não perder o respeito nem de si, nem dos outros, só isso, simples. Descobri quando o capiau chegou pra mim e disse, como se lesse a ata da coroação: “Dona, inda que mal pergunte, com o perdão da palavra, ondé mesmo que fica a latrina qu’eu tô obrando mole e solto hoje que tá uma derrota”.”
E sai um sorriso.
Escrevendo prosa ou poesia, quero atingir a poesia, meu objetivo é a poesia”, afirmou em tempos Adélia Prado.
Já agora: um livro adquirido por 2€ na livraria da editora Livros Cotovia.

Os bonobos e a reforma do Estado.


Como os bonobos reformam o seu Estado, inspirados no documento de Portas.


Do eduquês ao examês...


Aumenta-se o número de alunos por turma, mas isso é um pormenor.
Colocam-se na mesma sala alunos de diversos anos, com o mesmo professor, mas isso pouco importa.
Exige-se que os professores andem de escola para escola, no mesmo mega agrupamento, mas isso só faz bem à saúde.
Desinveste-se no ensino especial, mas há que atacar nas gorduras do estado, e aquilo era um luxo.
Importante que é que se volte aos exames da quarta classe, e que os professores sejam submetidos a exames. Porque a qualidade do ensino, as condições em que se ensina, são questões menores, apenas importantes para os mais desfavorecidos, assunto estranho ao primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1º barão e 1º Visconde de Nossa Senhora da Luz, aliás Nuno Crato, teórico do eduquês, agora rendido ao examês.
 

Loures: Costa e Bernardino: a mesma luta.

Diz Jerónimo que o PCP é o partido dos trabalhadores e do povo, defendendo intransigentemente os seus interesses. O PS, ui!, um aliado da direita, a direita que há que combater de forma consequente, a bem do povo, dos interesses dos trabalhadores, da classe operária, dos pequenos comerciantes, das pequenas e micro empresas.
Mais: o PCP é um partido da maior coerência, incapaz de trair os interesses de quem representa, sempre na busca de um futuro radioso.
Por isso chumbou o PEC4, sabendo o que vinha a seguir. Por isso oferece-me aqui em Loures uma parceria gloriosa: Bernardino e Costa. Estes dois, amigados na forma de um acordo pós eleitoral. Costa que veio das Caldas da Rainha onde já não podia ser eleito e o coreano Bernardino, uma parelha que nem ao diabo lembraria. Mas lembrou.
Porra para o diabo que já nem ele nos vale.
 


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Parafusos...

... faltar-me-ão noutro sítio, mas tenho 3 magníficos no pé direito, valorizando imenso este esqueleto. Situação ao dia de hoje, quando já se pode fazer humor com estas coisas.

domingo, 20 de outubro de 2013

Leitura em curso: "Austeridade - A História de Uma Ideia Perigosa"

Para aguçar o apetite, após duas dezenas de páginas…
“Transformámos a política da dívida numa moralidade que desviou a culpa dos bancos para o Estado. A austeridade é a penitência – a dor virtuosa após a festa imoral -, mas não vai ser uma dieta de dor que todos partilharemos. Poucos de nós são convidados para a festa, mas pedem-nos a todos que paguemos a conta.”
E
“O facto de pura e simplesmente não funcionar é a primeira razão pela qual a austeridade é uma ideia perigosa”
O autor apresenta-se assim:
“Nasci em Dundee, na Escócia, em 1967, filho de um talhante e de uma agente de aluguer de televisores (sim, nesse tempo, as TV eram tão caras que a maioria das pessoas alugava-as). A minha mãe morreu quando eu ainda era novo, e fui entregue aos cuidados da minha avó paterna. Cresci numa (relativa) pobreza e houve alturas em que fui mesmo para a escola de sapatos rotos. A minha educação foi, no sentido original da palavra, bastante austera. Os rendimentos domésticos eram um cheque do governo, nomeadamente uma pensão do Estado, e entregas ocasionais do meu pai, trabalhador braçal. Sou um filho da Providência. Também tenho orgulho nesse facto.
Hoje sou professor de uma universidade da Ivy League americana. Probabilisticamente falando, sou um exemplo tão extremo da mobilidade social como qualquer outro. O que possibilitou que me tornasse o homem que sou hoje foi exatamente aquilo a que hoje se atribui a culpa de ter criado a crise: o Estado, mais especificamente, o chamado Estado-Providência irrealista, demasiado grande, paternalista e fora do controlo.”
 
Até a canalha no poder perceberia isto, se não fosse canalha ao serviço de quem provocou a crise: a banca, os mercados, o que lhe queiram chamar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Bonobolândia vai subscrever dívida portuguesa

Segundo o PÚBLICO de hoje, o governo está a pensar emitir dívida em dólares, sobretudo para atrair investidores dos EUA.
Sabendo disso, a Bonobolândia reagiu prontamente, através do aqui seu ministro das finanças a lembrar que também aquele reino tem disponibilidades em forte moeda para subscrever dívida portuguesa.
Uns amigalhaços, os bonobos.

 

Bonobo reage a Cavaco...

"O quê? Cavaco Silva foi apenas depositante do BPN, sem qualquer outra relação? E as ações, um investimento em que fez uma pipa de massa em mais-valias, de forma estranha, não contam?", pergunta este bonobo...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Estão bem da tola?


Reação de um bonobo quando soube que entre os livros mais vendidos temos:
Na ficção: José Rodrigues dos Santos, Valter Hugo Mãe, Dan Brown, Miguel Sousa Tavares e E. L. James.
Na não ficção: “Acreditar, Rezar, Amar”, “A Dieta dos 31 Dias”, “O Meu Programa de Governo”, “Eu Sara, Me Confesso” entre outras mais merdices.
E vocês estão mesmo bem da tola? - perguntou.
Embatuquei.

Antes fod...

A opção de dois bonobos quando a SIC-N pôs no ar o pateta José Gomes Ferreira... agora mesmo.
Gente inteligente, estes bonobos, que sabem como ocupar bem o seu escasso tempo.

Um bonobo de cara à banda...


O que deixa um bonobo de cara à banda…
“Ler o “Ulisses” do Joyce é um exercício de sadomasoquismo” (José Rodrigues dos Santos)
“Não nos podemos esquecer que temos no Parlamento forças revolucionárias” (Luís Amado)
“Estou apaixonado pelo meu livro. Durmo com ele na cama.” (Valter Hugo Mãe)
“Sócrates foi pior que Salazar” (Nuno Melo)

Reação de um bonobo ao OE 2014...

Fónix!, reagiu um bonobo quando conheceu o OE para 2014 da responsabilidade da canalha que nos governa.

A bonobolândia


O bonobo é um chimpanzé pequeno, talvez o que mais se aproxima do homem em comportamentos, particularmente no que se refere ao seu desempenho sexual - desempenho criativo -, porque as fêmeas são recetivas ao sexo mesmo fora do período fértil, sendo as relações sexuais também usadas para apaziguar conflitos, adquirir estatuto social, manter afetos, excitação e reduzir o stresse.
Um reino aparte, a bonobolândia.

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Estou vivo e escrevo sol", acreditem que sim!


A chamada surge no visor do telefone como anónima, mas era domingo e um pouco antes das dez da manhã. E apenas por isso rompi com a regra de não atender tais chamadas, admtindo não se tratar de uma daquelas com que tentam infernizar-nos a vida, para nos impingirem isto ou aquilo.
“Bom dia… é da casa do Armando?” Sim, confirmei. “O Armando está?” Está, respondi. “E posso falar com ele?” Está mesmo a falar com o Armando, esclareci. Mas quem fala? “É a L… e que alívio ouvir-te”. E porquê? “Porque um conterrâneo teu me perguntou se eu sabia que tinhas morrido”. Cala-me essa boca, pedi… E a conversa continuou, comigo a olhar aqui o meu lado esquerdo, um dia carregado de sol. Talvez por isso só hoje recordei o que se passou ontem, acabado de me levantar. O dia estava excelente, o sol brilhava… E talvez por isso me tenha ocorrido então o “Estou vivo e escrevo sol” do António Ramos Rosa, confirmando, para os devidos efeitos, que estou. A sério que estou.

sábado, 12 de outubro de 2013

Um euro de boa leitura...


… Verdade. Foi quanto me custou a “Menina Else” de Arthur Schnitzler de quem apenas conhecia “A Ronda”.
No caso estamos perante um drama psicológico já levado ao palco pela Cornucópia, escrito de um modo muito original e aliciante, cento e poucas páginas por um euro, na livraria da editora Cotovia, a seguir à Cervejaria Trindade, indo do Chiado. Pode-se beber uma imperial e depois comprar um livro, ou vice-versa. E livros baratos e não manuseados é ali. Bons livros.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Leituras em dia: "Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo..."


Uma diversão, muito útil, retomando a ideia de um livro de Galileu. Neste da Raquel Gonçalves é D Quixote quem questiona e põe em questão o saber comum de Sancho, assim como o mais elaborado, mas ainda não científico, saber de Simplício.
Um gozo que vale a pena.

- Sabes o que é um metro? [pergunta D Quixote]
Sancho ouvira falar que nas cidades pessoas havia que se movimentavam como toupeiras, cavando túneis debaixo do chão para de um lugar ir a outro lugar. Mas era assunto que nunca aprofundara, pois muita falta de ar lhe fazia só de nele pensar. Abanou a cabeça em sinal de negação.
D Quixote, não se dando por vencido, insistiu:
- Um metro é padrão de comprimento, de distância…
- Um metro… Ah! Um metro é uma vara de um metro – exclamou Sancho, quando um derradeiro raio de luz incidiu na sua cabeça.
- Sancho, meu bom Sancho… Pensa se o tempo aquece: o comprimento da vara maior fica. Pensa se o tempo arrefece: o comprimento da vara menor fica. Então um metro não é sempre um metro?
Sancho ficou agradado com a recomendação, assim ele entendeu o discurso. E logo ali jurou só comprar fazenda para calça nova em dia de Verão e de Sol quente.
D Quixote continuava:
- Admito que o comprimento de uma vara possa parecer-se com um metro padrão, mas, Sancho, não deves confundir “aproximação” nem com “rigor” nem com “precisão”. Acredita no que te digo.
Sancho acreditou. Olhou as calças vestidas que coçadas estavam mas rasgão não tinham. Precisão? Bom, precisão teria, se já fosse governador, deputado ou mesmo ministro, o que, em rigor, ainda não era.
- Acredita, Sancho, que um metro é o comprimento de onda da risca vermelho-alaranjada do crípton 86. E se me queres perguntar alguma coisa, fala agora, pois a tudo tentarei responder.”