quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FdP, no plural.


Olhando os recibos, de Dezembro passado para Janeiro: mais 4.00 na taxa do IRS e mais a sobretaxa de 3.50%.
Olhando os valores líquidos – os brutos não me interessam – tenho menos 235€ por mês. E não sei se já está tudo.

FdP!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Boémio?

Uma revolução pacífica e consequente assenta em cabeças, não nas armas ou na força. Sabemos bem quais as cabeças a que se deve uma revolução pacífica e consequente como foi o 25 de Abril.
E uma coisa parece caracterizar tais cabeças: não foram longe nas suas carreiras, algumas foram convidadas a sair e a outras foi mesmo negada a comezinha justiça, por aqueles que a tais cabeças deviam o poder e a promoção social por si alcançados.
Mas houve quem, apenas conhecido pelo seu mero militarismo, sem uma ideia conhecida, tenha sido premiado de forma vergonhosa, bastos anos depois de ter optado por uma atividade profissional bem mais rentável e para o que lhe eram úteis as tais virtudes militaristas. E chegou ao topo, embora com negação de mérito para tanto por parte de alguns dos seus camaradas mais próximos, aqueles a quem muito se deve.
Mas o mito estava criado e havia que preservá-lo. Para adocicar uma vida privada pouco recomendável para a farda, passou a ser chamado, poeticamente, de militar boémio.
Fosse eu, e não passaria de um bêbedo putanheiro.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Os octávios

Andava com esta na tola já há uns tempos: falar dos octávios, uma espécie começada com um exemplar agora mais afastado, e cuja existência parece longe de estar ameaçada, pois cada vez temos mais octávios.
Um octávio caracteriza-se por dar a entender que sabe coisas que mais ninguém sabe, coisas que poderiam causar terramotos se fossem dadas a conhecer.
Para que todos acreditem estar mesmo no âmago de segredos de estado, um octávio recorre sempre, junto dos seus diretos interlocutores, à expressão “vocês sabem bem do que estou a falar”. Por outro lado, ou porque não sabe assim tanto, ou não os tem os sítio para contar, um octávio tem também como expressão recorrente o “vocês não me puxem, pela língua”.
O original era um tipo assim para o tosco, com que a gente se divertia e, recolhido às lides agrícolas, eu tinha os octávios por extintos, isto é, octávio era só um: o machado e mais nenhum. Mas este octávio fez escola e temos hoje octávios licenciados, o mais célebre dos quais será um comentador desportivo que usa exatamente os mesmo tiques do original, o ferreira a dias, e uns ex-qualquer coisa, com origem mais saliente na pejota, sejam eles moitas, ou flores, ou barras na costa. Este tem mesmo clube de fãs no FB, qual estrela.
Sabem fazer pela vida, os octávios: são contratados como gargantas fundas mas têm o cuidado de não se espalharem, e nunca nada de novo se saberá a partir das suas gargantas. Mas há muitos que os ouvem, na expectativa de uma escorregadela que nunca chega. Uma fraude, os octávios de agora, a provar que não há nada como o original.
Larga as vacas, machado, e desbronca estas cópias.

Holocausto


Hoje é o Dia Internacional da Memória do Holocausto. E nenhuma referência nos noticiários. Idem nos jornais online com exceção de uma referência indireta por causa de um disparate de Berlusconi para quem a Mussolini nenhumas culpas devem ser assacadas. Felizmente que os seus compatriotas, na altura, pensaram, e bem, de modo diferente, executando-o.
Mas grandes são as loas hoje, nos jornais e noticiários, a um militar com vida muito longe de ser exemplar. Um mero buldogue para quem a razão não ia além da força bruta. Que alguns se atrevem a classificar como herói. Ora a morte de alguém não deve justificar tudo, para que seja possível distinguir o bem do mal.

A traição da UGT


Como sou fraco em desenho, vou explicar-me assim, por palavras.
A troika manifesta uma pressa inaudita para que se baixe o número de dias a considerar para cálculo de indemnização por despedimento dos trabalhadores. E apenas por uma razão: porque há pressa em despedir, porque outra razão não pode haver. De facto, se não houvesse pressa em despedir, também não haveria pressa em fazer aprovar a medida.
E isto porque, feita a aposta na desvalorização dos custos do trabalho, nomeadamente para que seja garantida a tão desejada e apregoada competitividade, nada como proceder deste modo:
- reduzir o custo a suportar com os despedimentos, para o que interessa reduzir o número de dias a considerar no cálculo das respetivas indemnizações e, então, despedir.
- proceder de seguida a novas admissões aproveitando uma reserva de mão de obra disponível e amansada por aquilo que é a atual taxa de desemprego, a par do desespero causado pelas medidas de austeridade.
Neste contexto, é possível despedir a custos bem mais baixos a mão-de-obra mais idosa e, em geral, mais bem remunerada, e que será substituída por outra mais jovem, mais qualificada, mais barata e mais dócil. E já agora: uma mão-de-obra menos interessada em qualquer processo de sindicalização.
O resultado é então: redução dos custos de trabalho para as empresas, desemprego definitivo para os mais idosos, futuro menos interessante para os novos ativos, perda de influência dos sindicatos, perda da coesão e solidariedade entre os trabalhadores. Um regresso ao passado.
A UGT não quis ver isto que todos veem, pelo que traiu quem nela confiou. Agora, em desespero de causa, tenta remediar o mal que está feito. Inutilmente.
 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O regresso aos mercados... (5)


Fotos de Alfredo Cunha
... ou o regresso ao passado.


O regresso aos mercados... (4)


Fotos de Alfredo Cunha
... ou o regresso ao passado.

O regresso aos mercados... (3)


Fotos de Alfredo Cunha
... ou o regresso ao passado.

O regresso aos mercados... (2)


Fotos de Alfredo Cunha
... ou o regresso ao passado.

O regresso aos mercados... (1)


Fotos de Alfredo Cunha
... ou o regresso ao passado.


De que ri a Menina Tildinha?



Era o PREC, com todos a caminho do socialismo, CDS incluído. Por isso não são de estranhar estes slogans que fotografei na zona de Lisboa e que fez sorrir a Menina Tildinha.

Uma homenagem a Maria Lamas


Estaremos em 1974. Numa homenagem a Maria Lamas, no Teatro Vasco Santana. Levei a máquina, o que me permitiu reter um grupo de excelência, para além da homenageada: Casimiro de Brito (poeta), Lopes-Graça (compositor), José Gomes Ferreira (escritor), Costa Ferreira (ator) e Rogério Paulo (ator). Infelizmente subsiste apenas o primeiro

A reciclagem segundo o SMAS de Loures


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Recentemente dei a conhecer aos SMAS de Loures que os contentores para papel e cartão, aqui na zona onde vivo, estavam atafulhados há longas semanas. E valeu a pena a iniciativa: os SMAS de Loures levaram, há dias, os contentores em causa e fiquei sem motivos para reclamações. Claro que não acredito que valha a pena continuar a reclamar, pois ainda sobram dois contentores. A reciclagem que se lixe.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Menezes atravessa o rio


menezes
Reservado para o quê?
O gaiense por acidente
“Foi aqui [Porto]que estudei, foi [aqui] que fiz o meu curso de medicina, foi [aqui] que iniciei a minha vida profissional, foi aqui que dei as primeiras consultas…"
O impoluto que fala do que sabe
“Quero dizer a todos os outros que tenham a vontade de avançar que não hesitem, que não esperem vagas de fundo, que não joguem jogos de bastidores, que tenham a coragem, a determinação, a lisura, de dizer ao que vêm e o que querem fazer…”
O provinciano irrecuperável
“Que não comuniquem pelos jornais, nomeadamente pelos jornais da capital, comuniquem no Porto, com o Porto, para o Porto.”
Mas as criancinhas, Senhor...
O candidato promete “pôr as crianças do Porto a aprender Mandarim e Hebraico e a levá-las à ópera uma tarde por semana”.
O cineasta dos efeitos especiais
Numa homenagem a Manoel de Oliveira o Porto, segundo Menezes, “quer ver os melhores da cinematografia, como Clint Eastwood, Martin Scorcese e Woody Allen”.
Dicas no PÚBLICO de 20-01-2013

Toma e embrulha, Cavaco!


cavaco
Eu acautelaria as costas.
“Este governo não concluirá o seu mandato se os partidos que apoiam o Governo, ou o próprio Governo, não quiserem. Disso não há dúvida”, afirmou Passos Coelho no primeiro debate quinzenal do ano 13 na AR.
E está tudo claro. A CRP pode lá ter qualquer coisita sobre os poderes presidenciais, mas isso é um pormenor para um mais que impreparado PM. Que não se enxerga.
Mas Cavaco merece isto. E pior.

Cantinho da memória…


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… que a máquina fotográfica também registou.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cão é cão. Ponto!


cão
Um cão de raça potencialmente perigosa – um conceito legal – atacou uma criança de 18 meses que morre, segundo autopsia, por causa dos ferimentos provocados pelo animal.
Como mandam as regras, o cão deve ser abatido. E nasce um clamor nas redes sociais a favor do animal, tendo já lido por aqui isto: “Se se abate um cão por ter morto um ser humano, porque não se abate um ser humano por ter morto um cão?”
O fundamentalismo chega a isto. Cão e homem são a mesma coisa, esquecendo-se que o homem, enquanto ser inteligente, está obrigado a um código de conduta e, por isso, é penalizado, legalmente, por aquilo que seja a sua ofensa aos direitos dos animais. Porque os animais têm direitos, claro que têm. Mas, contrariamente aos homens, os animais não têm deveres ou obrigações. E isso exatamente porque falamos de seres que apenas a idiotia fundamentalista quer equivaler.
Que fazer então ao dito cão? Mandá-lo para a cadeia, mesmo sem julgamento, e julgamento justo? Para um reformatório? Fazê-lo frequentar estágios de sociabilidade? Ou, por que não, dar-lhe a lista dos peticionários para poder ferrar à vontade sem que haja reclamações?
Uma coisa é certa: o cão não teve culpa, apenas porque não é possível assacar culpas a um ser irracional. Mas está em causa um valor: o da segurança. E é por isso que um cão, agora perigoso – de novo um conceito legal – deve ser abatido.
A quem me quer comparar com um cão, apenas espero não o ter pela frente quando se trate de optar entre mim e um cão. Porque, nesse caso, sentir-me-ei melhor com o que possa ser a atitude do cão, por ser cão e a mais não ser obrigado.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

“Carta a minha Mãe”


Teresa Beleza
Teresa Pizarro Beleza
Mãe, sabes que agora em Portugal mandam uns senhores que estão a dar cabo do Serviço Nacional de Saúde? E que dizem que é por causa de uma tal troika, que agora manda neles? Lembras-te da “Lei Arnaut” que, segundo ele mesmo diz, tu redigiste, depois de muito pensares e estudares sobre o assunto, com a seriedade e o empenho que punhas em tudo o que fazias? Lembras-te das nossas conversas sobre as necessidades de toda a gente em Portugal ter acesso a cuidados de saúde básicos de boa qualidade e de como essa possibilidade fizera em poucos anos baixar drasticamente a mortalidade materna e infantil, flagelos nacionais antigos, como uma das coisas boas que se tornaram realidade depois de 1974 e com a restauração da democracia? Lembras-te de quando eu te dizia que eras tão mais socialista do que “eles”, os do Partido Socialista, e tu te zangavas porque não era essa a tua imagem e a tua crença? E quando eu dizia que o ministro António Arnaut era maçon e tu não acreditavas porque ele era (e é) um homem bom – e para ti a Maçonaria era a encarnação do Diabo… Mãe, tu, que te dizias e julgavas convictamente monárquica, católica, miguelista, jurista cartesiana (isso era eu que te dizia e que penso que eras, também), que conhecias a Bíblia e Teilhard de Chardin como ninguém e me ensinaste que Deus criara o homem e a mulher à Sua imagem, quando pronunciou o fiat, porque assim se dizia no Génesis… Tu que dizias que o problema dos economistas era que não tinham aprendido latim… e me tiravas as dúvidas de português e outras coisas, quando me não mandavas ir ao dicionário, como eu agora mando o meu Filho… Tu que foste o meu ‘ Google’, às vezes renitente, quando este ainda não existia… Sabes que agora manda em Portugal gente ignorante e pacóvia, que nem se lembra já de como se vivia na pobreza e na doença, que julga que o Estado se deve retirar de tudo, incluindo da Saúde, e confunde a absoluta e premente necessidade de controlar e conter o imenso desperdício com a ideia de fechar portas, urgências claramente úteis social e geograficamente…”
E continua, no PÚBLICO de 10 de Janeiro de 2013

A tiro, se necessário.


25 abril
A cultura que vamos fazendo à volta dos brandos costumes que parece nos caracterizam e uma revolução que, sem um tiro, derruba uma ditadura de quase 50 anos, são o lastro para que surjam e se mantenha a gente canalha que a todos vai desgraçando, em proveito de uma casta de outros canalhas, os canalhas mandantes, ocultados na sombra.
Soubesse tal canalha que tinha direito a um tiro na testa no desempenho do poder depois de perdida a legitimidade, face ao que prometeu e faz, e tudo mudaria de figura.
E pela presente declaro que compreenderei a atitude de quem, a tiro, se queira libertar da canalha, dela nos libertando.
PS
Foram eleitos, claro. Mas, mandadas as promessas e programas às urtigas, a legitimidade para governar foi com eles, também para as urtigas.

Já temos a décima. Aleluia!


Camarate
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove… dez. Dez comissões de inquérito ao caso Camarate, um acidente de 1980. E isto vai continuar. Tem que continuar.
No entanto, ali na rampa de acesso ao condomínio, continuam por despejar os contentores que apelam à reciclagem. Por ineficiência de quem cobra caro e não faz o que deve: os Serviços Municipalizados de Loures, a obrigar a que se esteja muito atento nas eleições autárquicas que aí vêm.
De qualquer jeito, quando os parlamentares não tiverem mais nada que fazer que não seja esmifrar mais algum à conta de certas comissões, como é o cado desta décima, não esqueçam: há ali uns contentores para despejar.
PS
Como me lembro. Do apartamento 5 acompanhei a turba multa que regressava do Coliseu do Porto, subindo a Sá da Bandeira. E a quem perguntava o que se tinha passado, era paulada. Em pessoas e em viaturas. A avioneta tinha caído momentos antes, o comício foi anulado. Sobre alguém teria que recair a raiva daquela canalha.

Expectativas frustradas


Queiró
Manuel Queiró, militante do CDS, futuro Presidente da CP

Eu alimentava uma grande expectativa quanto a este lugar de Presidente da CP que, escreve-se nos jornais, é tida pela empresa pública mais difícil de gerir.
E vejamos quais os meus méritos, ou as minhas vantagens comparativas: 
a) muitas viagens feitas, desde muito cedo, na linha da Beira Alta, primeiro no percurso Nelas – Figueira da Foz e, mais tarde, nos percurso Nelas-Lisboa (Santa Apolónia); 
b) um período de cerca de 5 anos com viagens semanais na linha do Norte no percurso Lisboa (Santa Apolónia) – Porto (Campanhã ou S Bento); 
c) umas boas dezenas de viagens na carruagem- cama entre Porto (Campanhã) e Lisboa (Santa Apolónia);  
d) pelo menos uma viagem Porto (Campanhã) a Paris (Austerlitz); e) inúmeras deslocações nos suburbanos (linhas de Cascais e Sintra); 
f) comensal habitual dos bares e carruagem-restaurante dos comboios utilizados, sem esquecer as estações;
 g) largas dezenas de idas aos cais de embarque para receber ou despedir-me de familiares, amigos ou colegas; 
h) inúmeros atravessamentos de passagens de nível com ou sem guarda; 
i) um gosto enorme em montar e brincar com comboios elétricos ; 
j) o meu Pai fez tropa no Batalhão dos Sapadores dos Caminhos de Ferro, em Campo de Ourique e Entroncamento;
l) participante ativo naquelas cenas de comboios que seguiam a almoços ou jantares festivos, com a malta a rodopiar entre mesas, cantando;
m) exímio assobiador da canção "Apita o comboio"...

E, além disso, ainda hoje consigo reproduzir a mensagem que se ouvia em Campanhã a seguir a um sinal sonoro : “Atenção… o comboio que acabou de entrar na linha número 4 é o rápido procedente de Lisboa e terminou a sua marcha; os senhores passageiros com destino a Porto (S. Bento) têm comboio na linha número 1 e os senhores passageiros com destino à estações… e Braga têm comboio na linha número 3.”
Mas de que me valeu este currículo face a outros bem melhores mas que não são dados a conhecer?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A vida é…

fantasia
… uma fantasia. Ou pode ser? Ou deve ser?

Primeiro a justiça e não o assistencialismo

Bruto da Costa
(…)
Coerente com a sua filosofia de base, o Governo só tem para apoiar as famílias mais duramente atingidas medidas assistencialistas. No domínio da protecção social, o “plano de emergência” tenta cobrir os ombros com o pano que falta para os pés. O mesmo se passa com o emprego: políticas minimalistas tentam dissimular um problema que só o crescimento económico devidamente orientado pode ajudar a resolver.
Entretanto, as instituições particulares de solidariedade social não têm mãos a medir com uma procura que ultrapassa a sua capacidade de resposta, mesmo a de natureza assistencial.
Importa que sejamos claros: medidas e políticas assistencialistas, embora insuficientes, são necessárias, na ausência de outras mais humanas e ditadas pela justiça. É preciso que se continue a fazer o que se faz e que se faça mais, mesmo que na mesma linha. O drama está em considerar o existencialismo como um ideal que enobrece os governos.
(…)
Alfredo Bruto da Costa - PÚBLICO, 07-01-2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

Espigas com tranças


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Três das cinco que retenho na cozinha. Que se mantêm há dezenas de anos, intactas, como se o tempo não tivesse passado por elas, talvez porque trabalhadas por ti. Onde? Em Pêra, para mim há muito uma terra de afetos e onde, por isso mesmo, passámos um dia, junto de amigos do peito.

Ai, béu, béu!


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João Aibéo é o representante do MP no processo Casa Pia. Pessoa capaz de uma surpreendente tirada. De facto, quando agora uma designada vítima vem refutar as acusações que fez antes, o Dr João Aibéo afirma, com espanto meu: “Como precisa de dinheiro para a droga, é uma pessoa fácil de comprar.” [PÚBLICO de 04-01-2013]
E agora as perguntas são estas, da minha parte: quem pagou a droga antes, quando a designada vítima acusou os réus em julgamento? Ou apenas agora é que a designada vítima não é credível?
Mas que droga!

sábado, 5 de janeiro de 2013

BB também quer passaporte putiniano


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“Se os que têm poder neste país são suficientemente cobardes e sem vergonha para matarem os elefantes, então decidi que vou pedir a nacionalidade russa para sair deste país, que se tem tornado em nada mais que um cemitério para animais.”
Pronto. França perderá a sua mais proeminente defensora dos animais. A mulher de Putin vai largar o casaco de vison. O pessoal passa a vegetariano. E eu deixo de ter paciência para aturar estas merdices. Ficamos todos numa boa.
Já agora: a madame ficou lixada porque um tribunal ordenou o abate de dois elefantes a quem fora diagnosticada tuberculose. Um crime de lesa pátria.

Os miseráveis


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Como foi possível ter sentido estima por uma besta que ousa afirmar “Ele [Hollande] sabe que amo muito o vosso Presidente Vladimir Putin e que esse sentimento é recíproco. Disse-lhe que a Rússia é uma grande democracia e que o seu primeiro-ministro não se refere a um cidadão como sendo um miserável.”
Um canalha que se confessa também admirador do Presidente tchetcheno, Ramzan Kadirov, aliado de Moscovo, acusado por organizações internacionais de mandar assassinar e torturar os seus opositores e de ser responsável por outras violações dos direitos humanos, segundo o Público de hoje.
E queixa-se de o primeiro-ministro francês o ter chamado de miserável? Foi pouco.

Modo de ver


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Poderia ser uma sugestão a que visse as coisas a cores, ou uma proteção contra o brilho de uns olhos, de modo a poder fixá-los bem de frente e, assim, poder por eles entrar na tua alma.
Fosse para o que fosse, conservo-os comigo. Porque sinto que me podem um dia fazer falta.

O mau serviço dos SMAS de Loures


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Antes do Natal, alertei a JF de Santo António dos Cavaleiros para o facto de, há longas semanas, estarem atulhados os contentores destinados a papel e cartão da Av Luís de Camões. Isto numa altura em que as coisas se tornam ainda mais complicadas.
A autarquia, em resposta, lamenta que assim seja e informa que não se cansa de reclamar as altas taxas que se pagam para a recolha de resíduos sólidos para se ter um serviço tão lamentável por parte dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Loures.
A foto exibida foi tirada hoje, tudo continuando na mesma quanto aos 3 contentores de papel / cartão da referida avenida. No entanto, ainda segundo a resposta que me deu a JF de Santo António dos Cavaleiros, na cidade de Loures mal se notou a quadra natalícia no que respeita a esta matéria. O que vale dizer haver filhos e enteados.
Ora torna-se necessário começar a recordar estas coisas de modo a que possam ter consequências eleitorais. Isto sem prejuízo de alguém ter de chamar a atenção da Câmara Municipal de Loures que, a comportar-se assim, deita por terra o empenho para que todos apostemos na reciclagem. De facto, a CM de Loures parece estar em contra-ciclo com o civismo dos moradores.
Na mesma altura, uma notícia dava conta de que o Banco Alimentar Contra a Fome conseguiu trocar umas toneladas de papel e cartão por outras toneladas de alimentos, mas isto deve ser coisa irrelevante para os responsáveis pela autarquia de Loures.

Sim, vinho fino, não do Porto…


011
Gostaria de recordar a alma caridosa que me ofereceu esta garrafa de que reproduzo o teor do rótulo:
Escola Secundária do Rodo – 25 anos de Ensino Agrícola – Vinho Fino – Colheita Particular – Ano 1973.
O que sei é as gentes da Régua preferem a expressão Vinho Fino a Vinho do Porto. Porque de Porto nada tem.

Para rir ou para chorar?


010
Houve uma época com coisas assim: comprava mais duas ou três garrafas para pôr de lado. Sem qualquer critério, numa aposta com ou contra o tempo. Tenho por ali umas dezenas e já deu para perceber que algumas passaram de tinto a… branco. Agora ou as gozo ou as lamento, dependendo do tempo ter estado a favor ou contra…
Veremos então o que sai daqui deste Collares – Chão Rijo das Caves Visconde de Salreu, sem indicação do ano, mas que na altura custou 121$00 num supermercado.
Vai dar para rir ou para chorar? Para já vou decantar…

O pirolito e a cerveja


009
Um dia houve que integrar no contexto do sagrado sacramento do matrimónio uma relação que, para o tempo e lugar, era escandalosa: um já prolongado acasalamento fora das regras, ao arrepio das bênçãos do Senhor, coisa que incomodava as beatas consciências da minha terra.
E lá aconteceu. Casamento nestas circunstâncias teria que ser realizado fora dos dias e horas habituais e, no caso, foi marcado para as 7 da manhã, talvez para evitar mirones, talvez para a tradicional boda se ficar pelo mero pequeno-almoço. Pois de gente muito pobre se tratava.
E assim sucedeu. As alturas e cinturas do noivo e da noiva deram logo para que alguém, brincando, comparasse aquela união à do pirolito com a cerveja, aquele em garrafa esguia e esta em garrafa da Sagres, que por lá não se conhecia outra marca. Graça a que outro respondeu de forma mais acertada, porque mais substancial: o que é preciso é que a ficha ligue à tomada.
E é o que dá não haver nada para fazer, salvo arrumar as garrafas que andam por aqui.

Uóti?


008
Ao dar uma volta por garrafas, surge-me esta que alguém me ofereceu.
E isto é o quê? Terá prazo de validade mesmo não sendo indicado?

Os meus cachimbos


007
O que resta, que uns esgotaram-se pelo uso, outros ficaram perdidos ou esquecidos aqui ou ali.
Companheiros de dezenas de anos, obrigados a permanente disponibilidade, porque grande era o prazer sentido. Outros dirão que era o vício. Que fosse, mas era então um bendito vício.
Abandonados desde Julho de 2011, primeiro por razões imperiosas, depois por decisão voluntariamente assumida.
Não nego que uma ou outra vez sinto o desejo, mas procuro não sentir a falta. Nem do sabor, nem do prazer que o cheiro provocava a terceiros, nem dos muitos piropos que lhes fiquei a dever.
Tudo tem o seu tempo. Os meus cachimbos também. Mas ficam por ali. Porque durante muitos anos era eu quem ia pendurado num cachimbo, num dos meus cachimbos. Por isso eram importantes, muito importantes.

Gourmet caseiro


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Feijão verde português. Azeite e vinagre portugueses. A pescada, aos costumes, disse nada. E estava indocumentada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Gourmet caseiro e nacional


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Jantar gourmet caseiro, com os seguintes ingredientes:
 
- Curgete cultivada em Portugal
- Cebola e alhos portugueses
- Tiras de bacon de porco português, segundo o BI
- Uma cabeça de piripiri de origem desconhecida, sem BI
- Azeite português
- Vinho branco português
- Sem sal, nem corantes, nem conservantes
 
Confecção sem truques, rápida. Resultado saboroso, um pouco picante. Sem as mariquices da haute cuisine.

Système Roskopf

 

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Na altura, recordo bem, reagi dizendo que na minha terra se usava a expressão “isto é roscofe (ou roscove)” para depreciar uma coisa. Uma coisa roscofe (ou roscove)não prestava. No entanto, este relógio com “Système Roskopf” impôs-se pela elegância dos ponteiros, pela numeração romana, pela patine com que o tempo o marcou. Já não sei a que propósito o recebi como prenda.

Seria relógio para me manter atento permanentemente ao seu funcionamento, pois a corda, mesmo esticada, não dava para muito.

Mas não foi por isso que a minha vida teve acidentes de percurso com hiatos, ou mesmo paragens, em que não cresci. Porque o relógio, com o seu “système roskopf”, apontava a (o) norte, sempre que o punha a andar. E só parava por alheamento meu. Por culpa minha.

E hoje voltei a dar-lhe corda quando me lembrei que há muito não tenho um norte. E o “système roskopf” respondeu bem: tic-tac, tic-tac.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Saban e Sá Bank

A vida não prescinde do reviver de factos passados, sem que nos reste, infelizmente, mais que rebobinar a memória que deles temos e, com isso, colarmo-nos a uma saudade que muitas vezes dói. Ao fazê-lo agora, para fora de mim, presto tributo a quem bem merece esta dolorosa contrapartida: a confissão de fraquezas muito tardiamente assumidas e, assim, uma confissão sem direito a perdão. Porque assumo que há coisas sem direito a perdão.
Na sua “Ideia de Europa”, George Steiner escreve “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados por gangsters de Isaac Babel” e, mais adiante “Quem desejasse conhecer Freud ou Karl Kraus, Musil ou Carnap, sabia perfeitamente em que café procurar, a que Stammtisch tomar lugar. Danton e Bobespierre encontraram-se uma última vez no Procope. Quando as luzes se apagaram na Europa, em Agosto de 1914, Jaurés foi assassinado num café. Num café de Genebra, Lenine escreveu o seu tratado sobre o empiriocriticismo e jogou xadrez com Trotsky.”
Eu sempre gostei de cafés, de estudar em cafés, de fazer pausa em cafés, lendo ou conversando. Sempre incapaz de aguentar apenas estar, sem nada que me ocupe. Por isso, em geral, tenho que ler, seja o que for, a menos que se trate de entrar para… sair de seguida.
E era assim também naquele café. Entrava, sacava de algo para ler, até que a partir de certa altura comecei a saltar linhas, a recomeçar a leitura, disfarçadamente atento a entradas e saídas e, entre umas e outras, aos olhares que começámos a cruzar. E, tendo-me habituado a isso, doíam as ausências e passaram a ser muito longos os fins de semana. Mas bastavam-me os olhares, que estes se mantivessem…
E comecei a ir ao café agora para te ver ou para penar a ausência de uns olhos negros, risonhos e malandros, quase escondidos por cabelo azeviche e rodeados de uma pele bem morena, tudo formando um delicioso conjunto exótico, que me deixava confuso e me obrigava a olhar para trás e para os lados para me garantir que era eu quem tu, feiticeira, querias… hipnotizar. No entanto, mesmo somando às cenas de café as espreitadelas a partir de uma janela que começou a estar aberta a certas horas, eu hesitava, não acreditava, pois tudo poderia ser mera coincidência. Aquilo não me poderia estar a acontecer, apenas por o ter por excessivo.
Depois de jantar o café tinha uma bem mais reduzida afluência e quase juro que foi por mero acaso que uma noite reparaste que também nessa altura do dia por lá parava. E um dia desconcertaste-me quando, com tanta mesa disponível, escolheste uma junto à minha e, uma eternidade de segundos depois, me perguntas se podias ler um suplemento do jornal – era O Jornal – que tinha de lado. Juro que eu disse que sim, pois que poderia ter dito? Mas a partir daí não sei reproduzir a conversa, certamente com gaguejares da minha parte.
Ficaste a então a saber que me ausentava nos fins de semana e perguntaste se me poderias esperar no regresso, logo no imediato fim de semana. E que vivo tenho o retrato de quem, sentada num banco da estação, livro sobre os joelhos, me aguardava. Era tudo demais para mim.
Foi este o início da coisa mais bonita que me aconteceu e que eu soube estragar uns tempos depois. Com danos apenas do teu lado, na altura. Dos meus queixei-me mais tarde, bem amargamente.
Tudo quando, definitivamente, uma luz se apagou na janela, a quinta a contar da direita, que dava para o Saban que, reparei então, passou a um Sá Bank. Estavam perdidos os locais de encanto que insistiram, no entanto, em ficar a atormentar-me com a memória que deles guardei. Até hoje.