terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A retórica fernandezista

“No fundo ficou provado que em Portugal são raros os que se mantêm fiéis aos seus princípios e numerosos os que preferem adaptar-se aos tempos que correm, gracejando ou desculpando-se, conforme for mais conveniente.
Vivemos os anos que vivemos num regime autoritário, e vivemos esses anos todos com uma oposição bem mais anémica do que seria natural, porque já éramos assim. E porque muitos acham que ter princípios é ser dogmático e sectário, quando exactamente é o contrário: quem tem princípios sabe guiar-se em terrenos pantanosos sem sacrificar o essencial, quem não os tem apenas sabe ser autoritário ou servil em função das conveniências do momento.”
Citação do editorial de 30-12-08, a propósito da declaração do PR sobre o Estatuto dos Açores.

Ufa!

Alguém percebeu alguma coisa?
Bom, uma coisa ficou assente, com esta tirada do inenarrável José Manuel Fernandes, director do Público. Ele, que assim escreve, deve ser uma das raras pessoas – raras como escreve – que têm princípios. Não faria qualquer sentido que, escrevendo o que escreve, não se auto-incluí-se entre as raras pessoas que têm princípios.
Mas de que princípios falamos? Não sabemos, mas seguramente que são os dele, com óbvia exclusão dos princípios dos outros. Aliás, terão os outros princípios, quando JMF fala de uns raros que têm princípios, permitindo a conclusão que os outros os não têm?
Mas admitamos que os outros – os tais que, não sendo raros, são, consequentemente, a maioria – também (Concede, JMF? Sim? Obrigado!) têm princípios. Como sair daqui? Quais os princípios mais cotados? E avaliam-se como?

Este jogo é lixado.
Porque só se pode concluir que JMF é um homem com princípios. E pessoa rara, porque raros são os homens com princípios.
Por outro lado, a maioria, não tem princípios. E de novo ficamos lixados, porque na ignorância do que perde a maioria sem os princípios de JMF.

Esta queda para o vanguardismo é, de certeza, um princípio que lhe ficou de outros temos. Os outros, serão afins?
Imagem caçada no blog Ecos da Falésia

Como relatar uma verdade incómoda

Sobre as vendas de jornais generalistas, ontem divulgadas pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, a Lusa escreve, no que respeita ao Público e ao Diário de Notícias:

“Com vendas muito semelhantes, o PÚBLICO e o "Diário de Notícias" registaram, no entanto, tendências contrárias, com o diário da Sonae a manifestar a única queda do segmento (menos 0,6 por cento) e o DN a melhorar 11,3 por cento.”

Já o Público, na sua edição papel de hoje, relata assim as coisas:

“Em terceiro lugar surge o Público, com quase 42 mil exemplares. Segue-se o Diário de Notícias (41 mil exemplares), que registou uma melhoria face aos 37 mil contados no período homólogo.”

Se não fosse a Lusa, como é que se saberia que o Público está em queda?
Já agora: o título da notícia é “Jornais generalistas vendem mais em 2008”. Mas para isso nenhum contributo deu o Público.
Isto de ser oposição a torto e a direito nem sempre rende, se é que alguma vez renderia.

Polícias e ladrões

Duas agências bancárias foram hoje assaltadas ali na zona de Mem Martins. E temos um popular a lamentar-se, na SIC N, porque, num e noutro caso, a polícia chegou, como é hábito, depois do assalto, atrasada.
Ora, como hoje os assaltos se fazem num clic, sem conversas, bom seria que se alterasse o código ético dos gatunos, mais ou menos nestes termos: todo o gatuno, sob pena de perder a respectiva licença, fica obrigado a informar o seu próximo assalto, com a antecedência suficiente, na esquadra local.
Eu compreendo a reacção do popular mas, sem esta condição ética, como evitar que a polícia chegue depois?

Aquilino - Para ficar na família, ouvi a Bual


Uma forcinha para a Isabel Laginhas


sábado, 27 de dezembro de 2008

"Um homem sem qualidades"


“Uma zona de baixas pressões sobre o Atlântico desloca-se para leste, em direcção a um anticiclone situado sobre a Rússia; não denunciava ainda qualquer tendência para o evitar, e dirigia-se para norte. Os isotermos e os isóteros cumpriam as suas obrigações. A temperatura do ar mostrava uma relação normal com a temperatura média anual, com as dos meses mais frio e mais quente e com a oscilação mensal aperiódica. O nascer e o pôr do Sol e da Lua, as fases desta última, de Vénus, dos anéis de Saturno e muitos outros fenómenos significativos correspondiam às previsões dos anuários da astronomia. O vapor de água no ar tinha atingido a sua tensão máxima e a humidade relativa era fraca. Para usar uma expressão que, apesar de um tanto antiquada, serve na perfeição para dar a realidade dos factos: era um belo dia de Agosto do ano 1913.”

Inicia-se assim o primeiro volume.

É de imaginar que muito gozo darão as quase 1300 páginas que vão seguir-se, mesmo que a leitura comece num dia em tudo contrário àquele belo dia de Agosto.

Nota: O segundo na classificação de Ípsolon (Público) quanto aos editados em 2008.

Patxi Andion - Rogelio

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Patxi Andion - Nos pasaran la cuenta

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Patxi Andión - 20 Aniversario

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Patxi Andion - Samaritana

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A galopar - Paco Ibañez y Rafael Alberti

Las tierras, las tierras, las tierras de España
las grandes, la sola desierta llanura
galopa caballo cuatralbo, jinete del pueblo
que la tierra es tuya

A galopar, a galopar, hasta enterrarlos en el mar (bis)

A corazón, suenan, suenan, resuenan
las tierras de España en las herraduras
galopa caballo cuatralbo, jinete del pueblo
que la tierra es tuya

A galopar, a galopar, hasta enterrarlos en el mar (bis)

Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie
que es nadie la muerte si va en tu montura
galopa caballo cuatralbo, jinete del pueblo
que la tierra es tuya

A galopar, a galopar, hasta enterrarlos en el mar (bis)


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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Uma boa escolha

Diogo Nuno Infante de Lacerda (Lisboa, 28 de Maio de 1967) é encenador e actor português.
Ingressou em 1988 na Escola Superior de Teatro e Cinema, concluindo em 1991 o Curso de Formação de Actores.
Estreia-se no espectáculo As Sabichonas de Moliére, dirigido por Ruy de Matos no Teatro Nacional D. Maria II (1989). Trabalha no Teatro Experimental de Cascais com Carlos Avilez (1989 - A Morte de Danton de Buchner; 1990 - Rei Lear de Shakespeare; 1992 - Os Espectros de Ibsen). Com Rui Mendes, em 1990, participa em Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare e As Suaves Alegrias da Felicidade Conjugal de Anton Tchekov. No Teatro Aberto interpreta Brecht em Ópera dos Três Vinténs (1992), participando também nas peças O Tempo e o Quarto de Botho Strauss (1993), Alguém Olhará por Mim de Frank MacGuiness (1994) e Quase de Patrick Marber (1999), sempre sob a direcção de João Lourenço. No Teatro Nacional D. Maria II salienta a participação em Rei Lear, na encenação de Richard Cottrell (1998).
Recentemente integrou o elenco das peças Romeu e Julieta de Shakespeare, encenado por John Retallack no Teatro São Luiz (2006); O Assobio da Cobra de Nuno Costa Santos, dirigido por Adriano Luz (2006, Teatro São Luiz); Laramie de Moisés Kaufman, que também dirigiu, no Teatro Maria Matos (2006); A Dúvida de John Patrick Shanley, encenação de Ana Luísa Guimarães (Teatro Maria Matos, 2007), Hamlet de Shakespeare, encenação de João Mota (Teatro Maria Matos, 2007).
Encenador, dirigiu no Teatro da Trindade O Amante de Harold Pinter (1992) e Segredos de Richard Cameron (1993); para o Teatro Villaret, Odeio Hamlet de Paul Rudnick (1996); para o Teatro São Luiz, Um Vestido para Cinco Mulheres de Alan Ball (1997); para o Teatro Nacional D. Maria II, O Jardim Zoológico de Cristal de Tennessee Williams (1999); para o Teatro Maria Matos Laramie de Kaufman (2006).
Estreou-se no cinema com Nuvem de Ana Luísa Guimarães (1992) - Prémio de Melhor Jovem Actor e Se7e de Ouro. Participou depois em filmes de Jorge Paixão da Costa (1994 - Adeus Princesa), João Botelho (1994 - Três Palmeiras), Luís Filipe Rocha (1995 - Sinais de Fogo), Joaquim Leitão (1997 - Tentação), Lúcia Murat (2000 - Brava Gente Brasileira), Leonel Vieira (1998 - A Sombra dos Abutres; 2001 - A Bomba), Ruy Guerra (2004 - Portugal S.A.), George Felner (2005 - Manô), entre outros, obtendo popularidade com Sweet Nightmare de Fernando Fragata (1998) e Animal de Roselyne Bosch (2005).
Para a televisão teve participações em diversas séries e novelas. Estreia-se em Por Mares Nunca Dantes Navegados (1991) e, seguidamente, aparece em A Banqueira do Povo (1993), Aquela Cativa que Me Tem Cativo (1995), Riscos (1997), Os Lobos (1998) ou Jornalistas (1999). A novela Jóia de África (2002) deu-lhe um terceiro Globo de Ouro, desta vez na qualidade de Melhor Actor de Ficção Televisiva. Trabalhou ainda como apresentador para a RTP1, nos programas Pátio da Fama (1995), As Canções da Nossa Vida (1999), Quem Quer Ser Milionário (2001) e Cuidado com a Língua (2006).
Vencedor dos Globos de Ouro como Melhor Actor de Cinema, em 1996 e 1998, salienta a nível internacional o Prémio das Nações Unidas em 1995; o Festival de Gramado atribuí-lhe o Prémio de Melhor Actor pelo seu desempenho em A Sombra dos Abutres, em 1999, ano da sua promoção como Shooting Star pela European Film Promotion.
Desempenhou a função de Director Artístico do Teatro Maria Matos desde 2006 até 2008, de onde se demitiu por falta de verbas para a conclusão dos seus projectos.
Diogo Infante será o próximo director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, avança a imprensa desta terça-feira. A saída do actor da direcção do Teatro Municipal Maria Matos estará relacionada com o convite que ja lhe teria sido endereçado.
in Wikipédia

Quando entra o Arre-Haga

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A moral de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda (e não só)

No ponto em que estou, Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, vindo de Caçarelhos para Lisboa, já me parece apanhado pelo demónio. Ele que, até agora, exibia uma sabedoria moralista, assente em costumes bem antigos. Sempre os melhores, segundo os moralistas.
Já vai a alfaiate lisboeta, abdicando do seu traje de “calças rematando em polainas de madrepérola” cujo feitio copiara das do seu casamento, está a atirar-se à irmã daquela que libertou de relação adúltera, parecendo estar prestes a trair a sua D Teodora Figueiroa.
Vou continuar. Mas cheira-me que isto me recorda o dito “sou de moral duvidosa porque duvido da moral dos outros”.
Verei, retomando a leitura.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Faleceu Eartha Kitt - "I don't care"

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Eartha Kitt - "Santa Baby"

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Eartha Kitt - "Where Is My Man"

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Eartha Kitt - "Smoke Gets In Your Eyes"

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Eartha Kitt - "C'est Si Bon"

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Um exemlo de desonestidade intelectual

Alunos fogem para o privado. Nos últimos 10 anos, foram encerradas 4056 escolas
Os últimos números do Ministério da Educação revelam que em apenas dez anos Portugal perdeu quase 200 mil estudantes pré-universitários e mais de quatro mil escolas. Só no ensino secundário são menos cem mil alunos.
De acordo com a publicação "A Educação em números" do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, de 1997 até 2006 há menos 188.669 estudantes inscritos nos ensinos pré-primário, básico e secundário em Portugal, uma redução de 9,6%. Ou seja, em média, na última década perderam-se quase 20 mil alunos por ano. A diminuição é ainda maior quando olhamos apenas para o ensino público pré-universitário que perdeu 229.310 alunos - menos 13,6%. Em sentido contrário encontra-se o ensino privado que ganhou 40.644 novos estudantes - um aumento de 14,3%.
Contas feitas, o público perde alunos devido à queda da natalidade e à absorção de cerca de 40 mil estudantes pelo privado. O Estado tinha, em 2006, menos 230 mil alunos do que 10 anos antes.
O maior papel dos privados pode ser uma explicação para a redução do número de alunos, mas a maior responsbilidade será a diminuição na taxa de natalidade que tem vindo a cair desde o início da década de 80.
Fonte: JN de 24/12/08
Comentário
A manterem-se as políticas educativas actuais, a sangria de alunos do público para o privado vai intensificar-se. Existe a percepção, na opinião pública, de que as escolas públicas estão uma confusão. Os pais reconhecem cada vez mais os malefícios das pressões politicas e administrativas para a fabricação do sucesso estatístico. Reconhecem, também, a crescente erosão da autoridade dos professores das escolas públicas. Essas são as principais razões por que há cada vez mais famílias a optarem por pagar a educação dos filhos. Em breve, as escolas públicas, sobretudo nas cidades, tornar-se-ão instituições que servem preferencialmente os alunos oriundos dos meios mais desfavorecidos. Os outros fugirão para as escolas privadas sempre que haja alternativas credíveis. Bem pode MLR dizer que a política educativa do Governo é de esquerda. Será...Mas o que ela não pode negar é a evidência das consequências. As escolas públicas estão a ficar cada vez menos inclusivas. Haverá, em breve, dois sistemas: um para os ricos e a classe média alta e outro para os pobres.
O título do JN é "Secundário perde 25% dos alunos em 10 anos". Este blog, também uma referência para o auto-retrato de muitos professores, titula de modo bem diferente. Depois acrescenta-lhe uma nota que é uma perfeita desonestidade intelectual. Quem comenta assim, como pode avaliar o comentário que, sobre um texto, peça a um aluno?

E quem e por que silencia?

Parvoíce Apenas Ou Um Retrato Fiel Dos Tempos?
Posted by Paulo Guinote
Novo vídeo colhido em plena aula,
neste caso na Escola do Cerco, coloca-nos perante o dilema de perceber se isto não passa de uma parvoíce ocasional de adolescentes a precisarem de emoções fortes, se é o sinal de um tempo em que já não existe qualquer tipo de respeito e distanciação numa sala de aula.
Olhando o vídeo assim como aprece no site do JN não me aprece que, em algum momento, a professora sentisse que estava mesmo a ser ameaçada. Nota-se apenas que achou que a brincadeira estava a ir longe de mais.
Para mim o mais grave mesmo é o ar de business as usual que transparece das seguintes passagens da notícia:
Amanhã, a presidente do Conselho Executivo vai chamar os alunos à escola e abrir um procedimento de inquérito, por causa de um incidente disciplinar que teria sido “resolvido” internamente se não tivessem sido captadas e imagens que circulam na internet.
Colhida de surpresa, a responsável, Ludovina Costa, não conteve a interjeição “Que chatice!”, quando se deu conta da “gravidade” e da “irresponsabilidade” do caso.
Não tivesse galgado os muros da escola, situada numa zona socialmente problemática, o episódio morreria como “uma brincadeira de fim-de-período que mais ou menos toda a gente fez”.
Quanto ao resto, claro que
alguma consequência os actos devem ter, mas quantos casos a sério, sem armas de plástico, não se passam por aí que ficam em silêncio?

Saia uma punição simplex. Que tal uma auto-punição?

Educação
Mário Nogueira defende punição para alunos que apontaram arma de plástico a professora

25.12.2008 - 12h34 Lusa
O porta-voz da plataforma sindical de professores, Mário Nogueira, defendeu hoje o apuramento de responsabilidades e a punição dos alunos que apontaram uma arma de plástico a uma professora durante uma aula, na escola do Cerco, Porto, considerando que "este acto não pode passar em claro"."É uma atitude clara de indisciplina, totalmente inaceitável e inadmissível. Deve haver um processo de apuramento de responsabilidades e uma punição disciplinar dos alunos envolvidos", afirmou Mário Nogueira. De acordo com a edição de hoje do "Jornal de Notícias", um grupo de alunos do 11º ano da escola do Cerco, no Porto, apontou uma arma de plástico à professora, durante a aula, exigindo a atribuição de uma nota positiva no final do primeiro período. A professora acabou por abandonar a sala de aula, avisando os alunos de que iria marcar falta disciplinar a toda a turma, num episódio que foi filmado por telemóvel e já está a circular na Internet. Em declarações à Lusa, o porta-voz da plataforma que reúne os onze sindicatos do sector defendeu que "a punição dos alunos deve ser exemplar, sem ser excessiva", para evitar que este tipo de acontecimentos se repita. Segundo o JN, a presidente do conselho executivo da escola do Cerco decidiu abrir um inquérito, tendo agendado para amanhã a audição dos alunos, apesar de desvalorizar a gravidade do caso. Citada pelo jornal, a responsável garante que a turma é constituída por "alunos normais e simpáticos, dos quais todos os professores gostam", tendo-se tratado apenas "de uma brincadeira de fim de período que mais ou menos toda a gente fez" e que ficaria resolvida internamente, caso não tivessem sido captadas as imagens que circulam na Internet. Para Mário Nogueira, a presidente do conselho executivo "faz mal em desvalorizar este caso, mesmo que se tenha tratado de uma brincadeira" dos estudantes. "Há brincadeiras que, pura e simplesmente, não são admissíveis. Os professores não estão nas aulas para brincar e os alunos também não podem estar", afirmou. Até ao momento ainda não houve nenhuma reacção oficial por parte do Ministério da Educação a este episódio. Em Março deste ano, um outro episódio de indisciplina numa sala de aula chocou o país, cujas imagens foram captadas por telemóvel e disponibilizadas na Internet, mostrando uma aluna a agarrar e insultar a professora na escola secundária Carolina Michaelis, também no Porto, depois de esta lhe ter confiscado o telemóvel. O caso chegou ao Tribunal de Família e Menores, que acabou por arquivá-lo, tendo a aluna sido punida com a transferência de escola e 30 horas de trabalho comunitário.
in Público

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

É pró Guinness, é pró Guinness… só mais uma!


E, afinal, até seria fácil de mais.
De facto, segundo consta, a assinatura do abaixo-assinado através da internet era possível a quem não fosse professor. Na blogosfera há quem se gabe, não sendo professor, de o ter feito. E gozado com isso.

Mas dá que pensar como é que é possível montar toda a logística para mais de 100 mil manifestantes e depois, quanto ao abaixo-assinado, que poderia ser ampliado com recurso à fraude, se fica pelas 60 a 70 mil, segundo dados da Fenprof. Como explicar este recuo do número dos contestatários do modelo de avaliação? Ou será que os das manifestações é que estavam exagerados?
Que faltará agora para este tipo de recordes? O do professor há mais tempo sem dar aulas? O do maior número de ofensas a uma ministra?
Vá lá, que é pró Guinness. Valha o que valer.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mas que lata...Tenha vergonha, Sr Silva!

Este senhor deputado está a repetir ali na SIC-N um argumento já antes utilizado para justificar a sua proposta para a não realização de votações parlamentares às sextas-feiras. Para que se possam esconder as baldas conhecidas. E isso, diz ele candidamente, porque os deputados residem ao longo do país, por isso as famílias... coitadas. E coitadinhos dos representantes do povo.

Mas ninguém lembra a este senhor - que às mordomias de deputado, faz acrescer boas receitas como advogado, nomeadamente junto do Governo Regional da Madeira - que, por exemplo, muitos portugueses se deslocam semanalmente para Espanha para trabalhar, deixando por cá as famílias que, muito provavelmente, não conseguem visitar nos fins-de-semana porque não pod€m?
E que situação idêntica às dos sacrificados representantes do povo se passa com muitos professores porque colocados bem distantes das suas residências permanentes ou de família?

Quererá este senhor trocar de papéis, já que vergonha na cara é algo que lhe é estranho?

Bia - Uma artista de palmo e meio







Só com muito jeito e muito treino...

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La Gauche c'est Moi.


Rapinada do blogue dos marretas

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Bento de nome, tanoeiro de profissão

Fica num prédio térreo e muito degradado a oficina do Sr Bento, ali em Loures, na estrada nacional que corta a cidade.

Actividade duramente atingida pelo inox e o plástico, sem que nunca estas referências apareçam nos rótulos das garrafas. Segundo estes, o vinho continua a estagiar em pipas de carvalho. No entanto, o tanoeiro Bento aguenta o local, mas ocupando-se mais com uma cadela que decidiu asilar-se na sua modesta oficina que com a profissão que abraçou desde sempre.

Ferramentas e mais ferramentas de uma actividade exercida com muita pancada, à força de braços e umas poucas pipas de alguma excepcional encomenda ou, então, resultado da inércia de quem se habituou a não estar quedo.

Uma actividade em extinção, porque há muito parada no tempo. Com a reforma – já aparenta idade para isso – desaparecerá a oficina do Sr Bento tanoeiro.

Perguntei-lhe se a autarquia já se terá interessado por aquele espólio, se terá demonstrado interesse em preservar a memória de uma tão milenar actividade.

Que não. Esperemos que um dia não se pergunte qual é a árvore que dá ou dava pipas.
fotos amp

A oficina do Sr Bento tanoeiro


A oficina do Sr Bento tanoeiro


A oficina do Sr Bento tanoeiro


A oficina do Sr Bento tanoeiro


Houve tempos em que...

Manuel Alegre afirma-se como candidato da renovação
[13.12.2005]
Manuel Alegre afirmou-se hoje como candidato da renovação, recusando ser um candidato presidencial "de protesto" e criticando a "atitude de superioridade" de Francisco Louçã em relação à esquerda. "A minha candidatura não é uma candidatura de protesto" disse Alegre no debate, na RTP, com o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda. "Francisco Louçã tem uma tendência para uma certa superioridade em relação à esquerda. Eu não faço juízos morais dessa natureza", afirmou Alegre.
Aqui, no site da campanha.

Que raio de azar virem a lembrar-se disto agora

Clicar para ler o panegírico ao BPP [Agência BBDO]

Quem diria que o insuspeito homem de esquerda — da verdadeira, a da Bayer —, sempre pronto a atacar qualquer suposto desvio à linha justa e a fazer uma ampla coligação com os órfãos de Trotsky, Brejnev e Enver Hoxha, seria capaz de acreditar no capital financeiro? Ai o maroto, ainda por cima precisamente em relação ao “banco das grandes fortunas”?Pois é, de Manuel Alegre seria de esperar tudo — menos isto. Cantar Che Guevara em poesia, desancar o PS, caçar perdizes ou coelhos em ambiente bucólico, declamar com voz grave Os Lusíadas, etc., etc., etc., é habitual e ninguém se surpreende. Mas, no meio de tudo isto, Manuel Alegre ainda ter tempo para nos alertar para os perigos de salvar bancos, quando por “um par de Purdeys” (as Roll-Royce das espingardas) andou a cantar loas ao banco de João Rendeiro, mostra um amor desmesurado pela caça — e uma profunda convicção de que em política não há memória.
In Câmara Corporativa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

BPP - Tudo seria uma questão de fé, de milagres

Muitos de nós, naquelas circunstâncias de necessário alívio, procuramos ocupar o tempo com leituras, em geral curtas e ligeiras, sacando de um jornal, de uma revista.

A alternativa seria ficar a olhar a porta fechada, os azulejos em redor. Ora, nada como aproveitar o tempo.

Hoje saiu-me a Única do Expresso de 30-08-08. Era Verão e termo de férias para tanta gente, bronzeados em exibição.

O anúncio das páginas 4 e 5, desta vez, é um texto com assinatura de João Cutileiro, como antes, talvez depois, teve assinaturas de gente a vários títulos brilhante.

Neste formato de publicidade o convidado redigia um texto – pelo menos emprestava a sua assinatura – texto adequado a que, em notas com chamada para o texto, o pagante – o BPP – informasse ao que andava, os valores que prosseguia, as garantias que dava, tudo numa manobra de sedução em direcção a um público muito restritos. Que isto de fortunas não é para todos.

Vamos ao caso.

Título: Sem título, técnica mista
Texto: No século XIV, Giotto, com a idade que tenho hoje terá dito que já tinha ganho o suficiente para comprar umas quintas e deixar um bom dote às filhas. 1*1
(*1Giotto era famoso pela sua fealdade e as filhas ainda mais.)

Nota 1 (BPP)
Entenda-se bens e dinheiro. O Banco Privado Português só trata de dinheiro.

Nota minha
Safavam-se as filhas que herdassem as quintas. Mas feias e sem quintas… seriam piores que uma sexta-feira negra.
Verdade que Giotto e as filhas ficaram muito lá para trás, fora do alcance do BPP. Uns sortudos.

Continuando…

Um século depois é estimado que Miguelangelo vendia uma peça média por um valor que chegaria para manter durante um ano o exército privado de Lourenço de Medicis. *2
(*2Lourenço pagava muito mal (2) aos seus soldados.)

Nota 2 (BPP)
Prática corrente em muitos bancos que, ao contrário do Banco Privado Português, não têm a Estratégia do Retorno Absoluto, que garante aos seus clientes valorizações reais e potenciais muito competitivas, assim como a conservação do capital investido.

Nota minha
Foi ao Google, e dou com isto:
Envolvidos na sua aura de mistério e exclusividade, os Hedge Funds são fundos de investimento que podem utilizar um conjunto alargado de técnicas e estratégias de investimento na perspectiva de obter um retorno não relacionado com a conjuntura económica ou com a evolução dos mercados financeiros.Muito simplesmente, são fundos que perseguem o objectivo do retorno absoluto, independentemente da direcção dos mercados.”

E mais: “Investir nos melhores fundos do Mundo dentro do conceito de “investimento alternativo de retorno absoluto”, ou seja, através de uma inovadora estratégia de “fundo de fundos” com activos de correlação zero entre si e do tipo long-short. Ou seja, com remuneração positiva de médio prazo garantida e com médias de até 40% anuais.”

Complicado? Só para quem não acredita em promessas de especialistas. Porque isto é, sobretudo, uma questão de fé, uma clara aposta em milagres. No caso de Lourenço, terá havido levantamento de rancho?

A continuar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

BPP - Tudo seria uma questão de fé, de milagres (continuação)

No romantismo houve uns filhos da P*2 que começaram a espalhar que os artistas não precisavam de ganhar dinheiro e que, se gostassem dele, não eram bons artistas.
(*3: profissão milenar, meritória e mercenária, qualidades não extensíveis aos filhos)
Já no século XX, Stravinsky terá dito no seu forte sotaque *4:
I LUV MUNY
3 (*4: russo)
Picasso andava sempre com uma maleta cheia de dólares
4. *5
(*5: mas era durante a guerra)


Nota 3 (BPP)

Paixão obviamente partilhada pelo Banco Privado Português, um dos mais capitalizados no seu segmento, com capitais próprios de cerca de 200 milhões de euros.

Nota minha
E quando agora se vai a partilhas, que temos para partilhar? O I para um lado, o LUV para o outro, o MUNY para o galheiro. *
(* ir para o galheiro, o mesmo que ir por água abaixo.)

Nota 4 (BPP)
Ou seja, não dependia de ninguém a não ser dele próprio. Algo com que o Banco Privado Português se identifica, visto ser conhecido pela sua independência face a qualquer interesse que não sejam os seus clientes
.

Nota minha
Pois era. Agora depende dos milhões de todos, a bem dos seus clientes.

Mais tarde Brigitt Nielsen na declaração de IRS colocou como deficiente a cargo o Director da Metropolitan Opera House.
Em Londres, amigos bem informados
5 garantira-me que quando apresentavam artistas uns aos outros, em vez de pérolas de beleza metafísica, só discutiam percentagens, safadezas e truques de galeristas e/ou editores. *6
(*6: só falavam de dinheiro)

Nota 5 (BPP)
E amigos assim valem literalmente ouro no caso do Banco Privado Português, o único banco em Portugal a dedicar-se ao Private Banking, que entende como Global Wealth Management (activos financeiros, imobiliário, aconselhamento fiscal, arte e seguros), não esquecendo áreas tão importantes e decisivas como o Corporate Advisory e o Private Equity.

Nota minha
Poderia repetir, que não tenho dicionário à mão? Mas topo essa do escapamento *, perdão, aconselhamento fiscal.
(* o mesmo que escapadela, mas não rima.)

Mais longe do Everest, mais perto das nossas Penhas Douradas, há uns poucos de anos, num restaurante, em voz alta, doutra mesa para a minha, um Presidente de Câmara perguntou-me: “Oh Cutileiro, mas para que é que você quer tanto dinheiro?” 6
“Simples: para poder mandar à M *7 os Presidentes de Câmara, que me chateiam” *8
(*7: local nauseabundo para onde se manda aqueles que nos incomodam)
(*8: E outros Senhores que também me chateiam).

Nota 6 (BPP)
Questão semelhante nunca seria colocada pelos nossos Private Bankers cujo talento para criar dinheiro está à disposição nos seguintes contactos…

Nota minha
Talento testado, cliente… arruinado.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Graças a Brassens

Entre muitos que acompanho aqui, a começar pela obrigatória Câmara Corporativa que fez as escolhas de mais uma viagem.

Viagens na Minha Terra

• Rui Branco, «Os portugueses têm boas razões para pensar que as desigualdades não se curam com políticas de esquerda»?

• António Dornelas, Se isto não é promover o progresso social…

• A. Moura Pinto, Georges Brassens - Les copains d'abord

• Eduardo Pitta, EM QUE FICAMOS?

• J.M. Coutinho Ribeiro, Largo do Caldas esvazia-se...

• João Galamba, Mais inocentes e A insustentável leveza da inocência

• João Pinto e Castro, Desventuras da marca Espanha

• José Manuel Dias, Notícias que não são notícia

• Miguel Silva, A livre circulação de pessoas

• O Meu Olhar, Manuel Alegre

• Paulo Ferreira, Um docinho Alegre

• Paulo Pedroso, Avaliação: os sindicatos estavam a ver se passavam os dias e Faz de conta que é uma espécie de avaliação

• Rui Pena Pires, Três questões sobre a crise e E é isto a renovação da esquerda?

• Sofia Loureiro dos Santos, Plataforma de esquerda

• Teófilo M., O delírio

• Tomás Vasques, O canto e as armas

• Valupi, Alegretes

George Brassens - Quand on est con

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Georges Brassens - Jeanne

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Georges Brassens - La mauvaise réputation

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Georges Brassens - Les copains d'abord

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Madoff... Não será culpa do Constâncio?

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Consumidores só cortam no supérfluo

Analisados os 20 grandes sinais da crise, o Público informa que “os portugueses só estão a cortar em coisas supérfluas como as viagens de férias, os carros ou a lingerie, e estão cada vez mais consumir a consumir low cost, a comprar marcas brancas, a comer em casa, a dormir em motéis e a usar transportes públicos”.

Mas muito cuidado nos cortes na lingerie. Há limites e nem tudo é supérfluo.

Ele fala, fala, fala mas eu não o vejo a fazer nada...

Apelidam-no de histórico. Há mesmo quem o dê como fundador do PS, o que não é verdade. Mas é mediático, tem mesmo boa imprensa. Alguma desta – a imprensa – é mesmo capaz de lhe dar mais destaque – no mínimo o mesmo – que dá às medidas que integram o plano governamental de combate à crise.
Afirma-se um combatente de causas. As sociais. Sabendo que nunca terá a responsabilidade de ser uma alternativa de poder e de lhe ser exigido que implemente as que integram o seu paradigma, seja isso o que for.
Devendo ao seu partido tudo o que na sua carreira política fez desde o 25 de Abril, é com os seus adversários políticos que se conluia. Sabendo que, objectivamente, isso lhe poderá retirar votos. Se não for esse o resultado, é o seu desejo, sobretudo quando agora admite a criação de novo partido como uma das saídas para alianças espúrias.
Se tal acontecer, Alegre tem a oferecer-nos o cenário da muito provável ingovernabilidade.
Um político a tempo inteiro, sem responsabilidades no partido ou no governo, já deveria ter reparado – tempo não lhe faltará - que é romantismo a mais apostar numa convergência à esquerda. E convergência com quem e sobre quê?
Afirma que “É preciso que parte da força eleitoral da esquerda não se vire contra si mesma nem contra as outras esquerdas”. Mas que tem andado a fazer e com que objectivos deu cobertura e foi mesmo a cereja sobre o bolo do Encontro das Esquerdas – BE, renovadores comunistas e independeentes – que não exactamente o voltar as costas para as demais e mais representativas esquerdas?
Bem faz quem não lhe dá troco. Mas já é tempo de o trocarem por alguém.

Robert Wyatt

COMICOPERA

O que me levou há tempos atrás deste álbum foi esta frase

Comicopera é o mais belo dos discos, cantado pela mais triste das vozes”.

Canções de amor, de perda, de guerra, de paz, entre crenças e utopias, em inglês, italiano, em castelhano e mesmo numa língua que é só dele.

Como não conhecia então R Wyatt, foi com o COMICOPERA que fiquei a saber que:

- passou nos anos 60 pelos Soft Machine e formou a seguir os Matching Mole, banda com curta duração porque, numa festa em casa de amigos, decidiu atirar-se da janela de um terceiro andar, ficando paraplégico; e deixou a bateria para explorar a doçura de uma voz, frágil e única;

- esteve com 8 anos de idade em Portugal e tentou andar descalço como as outras crianças; veio com a mãe, encarregada de elaborar um guia do país para a série “The Young Traveller”; por isso ou não, o seu álbum “A Short Break” inclui fotografias de Portugal do início dos anos 50;

- confessa ter estado permanentemente embriago quando fez “Comicopera”…abençoado álcool.

“It’s that look in your eyes,
telling me lies.
So many promises broken.
What can I do?
What should I do?
Try to love you
Just as you are?”

Eu diria: não sei, não…

Robert Wyatt - at last i am free

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ROBERT WYATT - Sea Song

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