terça-feira, 18 de novembro de 2008

“Isto é muito clarinho…”

... afirma ele, para quem é questão fechada que o modelo de avaliação dos professores seja suspenso. Aliás: deitado para o caixote do lixo porque, o que ficar suspenso, corre o risco de ainda cair em cima de alguém. E isso não é o que se pretende.

E como a ministra faz questão de o manter, então, adianta, haja quem resolva o conflito, mexendo na equipa ministerial. A contento de quem representa, claro. Nem mais.

Como se se estivesse entre iguais no que à legitimidade respeita. Como se a política da educação ficasse agora ao cuidado dos sindicatos, mas não do governo que, para o efeito, representa todos e não apenas alguns, como é corolário do voto.

Ora, se fosse assim, votava-se nas legislativas para quê? Para, depois de escolhido um partido, aprovado um programa na AR, virem os sindicatos dizer que isso do voto, da escolha maioritária, não vale de nada?

Como diz o outro, que raio de democracia seria esta? E radical é quem?

6 comentários:

Catarina disse...

Aplique-se o modelo de avaliação, alterando e acrescentando o que for necessário, a seu tempo....mas comecemos por pôr a máquina a funcionar.

Beijinhos,
Kika.

AFilgueiras disse...

Olá.
Desejo felicidades e que continues.

Mas devo dizer que em Democracia a unanimidade é muito perigosa, ainda bem que há vozes discurdantes dentro do actual poder politico e partidário só é pena haver tão poucas.

Há muita gente arragada ao tacho...

Beijinhos

A. Filgueiras

2MOPinto disse...

Sobre este assunto, entre muitas "pérolas" que tenho lido, li um comentário de um Sr. que responde pelo nome de Leonel Moura, que disse mais ou menos isto: Com estes professores e com estes sindicatos Portugal não vai a lado algum.
Tirando o facto de aquele Sr. ser alguém ligado ao PS, sobra que, segundo ele, os muitos milhares de professores que ultrapassaram - e pela esquerda - os sindicatos estão de tal forma errados que deveriam ser reciclados. Isto concluo eu, até porque a reciclagem está na moda e as lavagens ao cérebro estão de volta.
Sem esquecer que a virtude está no meio, segundo diz o Povo, recordo aquela mãe que ao ver o filho a marchar com o passo trocado dizia que todo o regimento marchava mal, com a excepção do seu querido filho, obviamente.
Salvo melhor opinião, parece-me que em Portugal o facto de alguém ser eleito lhe permite dizer e/ou fazer aquilo que muito bem entende, esquecendo as pessoas que são afectadas pelas suas decisões. Julgam-se uns iluminados.
Nunca erram. Nunca têm dúvidas.
Só que depois lembramo-nos de um Mário Lino e do aeroporto que da Ota passou para Alcochete, sem que ele tirasse as devidas consequências.
Ou de um Manuel Pinho, autêntico campeão de ministeriais asneiras, sendo a última (?) a nomeação de um seu amigalhaço para a Autoridade da Concorrência.
Ou de um Correia de Campos que fechou serviços antes de abrir os alternativos, com nítidos prejuízos para as populações; alguém que - aquando na Oposição - travou uma cruzada contra as taxas moderadoras e depois, já ministro, decretou que os internados nos hospitais as pagassem também.
Ou até de um José Sócrates, que enche a boca com rigor e exigência (para os outros!), sabendo nós de que forma ele adquiriu o seu "canudo".
Poderia falar também no Código de Trabalho que este governo aprovou, esquecendo as ferozes críticas que o PS fez no tempo de Bagão Félix.
Mais haveria para dizer, mas termino recordando que, em Portugal, os nossos governantes nunca erram e nunca têm dúvidas.
São uns iluminados, portanto.

A. Moura Pinto disse...

Mário

Indo ao fundamental e que tem a ver com o meu texto:

1. Se dispensarmos a recente receita da MFL, em democracia vai-se a votos para escolher um governo. Este faz sufragar um programa na AR e, naturalmente, deve levá-lo à prática. Se não for assim, temos o direito de nos sentir defraudados e de julgar tal governo em conformidade nas eleições seguintes.

2. Não nego o papel dos sindicatos, nomeadamente no que tem a ver com o que sejam os interesses dos seus associados e sua defesa mas, repito, a legitimidade dos sindicatos não pode confundir-se com a do governo, isto é, não são os sindicatos a definir o que o governo deva fazer. Podem influenciar pelos meios ao seu alcance, mas não impôr.

3. Ora, perante a disponibilidade da Ministra para ouvir e, admito, para fazer convergir até onde seja possível – pois havia “pressões” nesse sentido -, o que acontece é que a Fenprof entende que só negoceia com condições prévias: a suspensão do modelo. E levou a ameaça até ao fim, como hoje se sabe. Isto, para mim, é inconcebível, a menos que se aceite que a ministra deva vergar-se aos sindicatos, às suas exigências e nada mais.

4. Em confirmação do que se “adivinha” quanto ao ambiente, ontem, numa mesa-redonda da SIC Notícias, temos a confissão de que o ambiente nas escolas é de cortar à faca, mas nas salas dos professores. E foi explicada a razão. Nas escolas em que a avaliação avançou (já está concluída a burocracia das fichas que cada escola desenhou como entendeu mais adequado) chegou a hora da verdade: avaliar. E temos os candidatos à avaliação a levantar todos os obstáculos possíveis ao acto porque temem as consequências. Porque, verdade se diga, uma avaliação tem que ter consequências, como condição para valer a pena teimar nela.
E é por isso, por a avaliação estar prestes a iniciar-se nalgumas escolas, que há urgência em acabar com ela de vez. Recordarás que a ministra ia dizendo que a avaliação estava a decorrer em todas as escolas, embora a ritmos diferentes e com algumas dificuldades de percurso.

5. Verdade que se vai dizendo que os professores não recusam a avaliação. Mas vê texto posterior, ilustrado com imagens, para veres de que falam alguns quando se trata de avaliação.

6. Com este assunto nada tem a ver Pinho, Lino ou o diploma de Sócrates. Mas, tendo ido o aeroporto para Alcochete – e deves saber que quem mais contestou a Ota foi quem nela apostou durante anos e deixou estudos para o efeito – o que não seria se Lino mantivesse a Ota? Aí, desculpa, seria uma espécie de M Nogueira. Não sei que consequências deveriam derivar da mudança de opinião. A demissão do ministro? A alternativa Ota era do governo e de governos anteriores e sabes bem que Alcochete aparece bem depois.

7. Quanto a Correia de Campos, hoje é quase unânime, à direita e à esquerda, que se perdeu o melhor ministro da saúde de sempre. Mesmo com erros. Claro que esqueceste a guerra com a ANF e a OM, como nunca antes houve. E no interesse de quê? Mas de uma coisa podes estar certo: não se insista nas medidas que garantam a sustentabilidade financeira do SNS e verás onde vamos parar. Que isto de serviços públicos, tendencialmente gratuitos – e entendo que devem sê-lo – têm sempre os contribuintes numa ponta, a equilibrar o orçamento, queiras ou não. Depois é só decidir quanto queremos que nos descontem para isso.

Um abraço

2MOPinto disse...

Armando

0 - Declaração de interesses:
Eu não sou professor nem penso vir a sê-lo.

1 - A Ministra da Educação foi sincera ao ponto de dizer que "perdeu os professores mas ganhou a população" e esta frase é por demais sintomática da consideração que tem pelos professores ou seja, a ministra desde logo assumiu o confronto com os professores.

2 - A Avaliação dos professores é feita pelos professores titulares e convém recordar como apareceram estes professores titulares.

3 - Para a Avaliação dos professores contribui a análise de um professor de biologia a uma aula dado por um professor de matemática, por exemplo.


4 - Se a ministra apenas se preocupa em fazer cumprir o programa de governo entendo que deve ir até ao fim mas, já agora, o governo que cumpra também a baixa de impostos que nos prometeram e as alterações também prometidas às normas mais gravosas do Código Laboral, por exemplo.

5 - Acho muita graça aos comentários que se fazem quando algum grupo profissional reclama contra o corte de direitos ou a negação de perspectivas da sua carreira profissional. Será que alguém aceita de ânimo leve que lhe "vão ao bolso", com o argumento de que somos um país pobre, quando, se olharmos para "cima", vemos as mordomias - algumas quase obscenas - de alguns arautos da "poupança para os outros"? Posso dar alguns exemplos, se necessário.

6 - Sobre Mário Lino e a Ota, recordo o célebre " Em Alcochete, "jamais" ( em frances e tudo), mais algumas patetices tal como aquela em que afirma que no Sul não há nada, que é um deserto.

7 - Correia de Campos, o melhor Ministro da Saúde de todos os tempos, apesar dos erros. Pois foi. Só que esses "erros" custaram a vida a alguns doentes e o nascimento de alguns bebés nas ambulâncias porque ele preocupou-se mais em reduzir os custos do que com a saúde das pessoas. Repito que ele mandou fechar serviços antes de abrir outros que estavam previstos no estudo por ele encomendado.
Ele não saiu devido às guerras com a ANF ou a OM mas sim devido aos protestos das populações. Aqui, Leonel Moura diria também que com estas populações Portugal não vai a lado algum...

8 - O SNS não é sustentável, dizem, tal como não o era a Segurança Social e por isso criaram uma lei mais penalizadora das pensões de velhice que até contém um factor de sustentabilidade, que a cada ano que passa vai reduzindo o valor da pensão. É um castigo por querermos viver mais tempo.
O problema é que não há dinheiro, dizem, para essa duas Entidades mas todos temos conhecimento das elevadas reformas pagas a quem, simplesmente, ocupou altos cargos e até para o BPN se desencantam uns elevados milhões.
Imaginem o que seria se houvesse dinheiro...
É assim que querem que o Povo compreenda e aceite as restrições que nos são impostas?
Entretanto, a pessoa que, em Portugal e neste momento, mais personaliza a incapacidade e a mediocridade vem dizer que o desemprego de longa duração se deve ao "generoso subsídio de desemprego"...
Este Sr. Vítor Constâncio é um cómico. Só lamento que as suas anedotas custem uns largos milhões ao Erário Público.

9 - Eu não comento as declarações de Manuela Ferreira Leite. Eu compreendo tudo o que venha do PSD e/ou do CDS mas já nãi aceito que um partido que se diz Socialista actue desta forma.
Bem sei que a diferença entre o PS e o PSD é mínima, para não dizer que é nula, mas enquanto se intitularem de "socialistas" manda o decoro que se comportem como tal.

A. Moura Pinto disse...

Mário
Respondo retomando os teus pontos, seguidos de 1.
0 - Declaração de interesses:
Eu não sou professor nem penso vir a sê-lo.

01 – Também não sou professor, nem sou candidato a ministro. Também, já agora, não sou do PS.

1 - A Ministra da Educação foi sincera ao ponto de dizer que "perdeu os professores mas ganhou a população" e esta frase é por demais sintomática da consideração que tem pelos professores ou seja, a ministra desde logo assumiu o confronto com os professores.

1.1 Quando lhe afirmaram ter perdido os professores, naturalmente que teria que dizer que ganhou alguma coisa. E nos fóruns que fui havendo sobre o assunto, pelo que se vê na comunicação social, pelo que podes ver aqui na blogosfera, é verdade que ganhou muita gente para o seu lado. Ou será que admites que apenas o PM está ao seu lado?

2 - A Avaliação dos professores é feita pelos professores titulares e convém recordar como apareceram estes professores titulares.

2.1 – Como apareceram os titulares? Existe um estatuto de carreira que prevê o posto de titular a que se candidatou quem preenchia os requisitos fixados. Espero que não penses que se trata de comissários políticos.

3 - Para a Avaliação dos professores contribui a análise de um professor de biologia a uma aula dado por um professor de matemática, por exemplo.

3.1 Se quisesse brincar, diria que com esta pões em causa as capacidades de que os professores se arrogam. Mas eu mesmo, sem ser professor, saberia analisar a capacidade de planeamento de uma aula, a capacidade pedagógica, eu sei lá. Claro que avaliação não se ressume a isto, mas por vezes dá jeito pegar em circunstâncias assim pró caricato. Quando se tratou das aulas de substituição – espero que recordes a guerra que isso deu – também na AR se caricaturou com o exempo de uma professora de matemática, de saltos altos, a dar uma aula de educação física. E hoje… o caso está assumido. A questão não era dar a aula específica, mas manter os alunos ocupados com alguma coisa útil. E podes crer que os pais agradeceram a medida.
E já agora: se o que referes fosse um obstáculo de monta, então nada como acabar com qq avaliação, menos ainda com uma avaliação externa, como alguns reclamam, pois aí quem viesse de fora estaria capacitado para quê?

4 - Se a ministra apenas se preocupa em fazer cumprir o programa de governo entendo que deve ir até ao fim mas, já agora, o governo que cumpra também a baixa de impostos que nos prometeram e as alterações também prometidas às normas mais gravosas do Código Laboral, por exemplo.

4.1 Admito que possas penalizá-los por estes incumprimentos. Mas querias juntar mais um à lista?

5 - Acho muita graça aos comentários que se fazem quando algum grupo profissional reclama contra o corte de direitos ou a negação de perspectivas da sua carreira profissional. Será que alguém aceita de ânimo leve que lhe "vão ao bolso", com o argumento de que somos um país pobre, quando, se olharmos para "cima", vemos as mordomias - algumas quase obscenas - de alguns arautos da "poupança para os outros"? Posso dar alguns exemplos, se necessário.

5.1 Mas não é isso que para mim está em causa, embora isso sejam algumas das consequências do processo porque, não duvides, a falta da qualidade de ensino tem muito a ver com a garantia de que todos chegam ao topo da carreira independentemente do mérito. E aqui ou tratamos todos por iguais ou não. Se for não, claro que uns beneficiarão na comparação com outros. Mas é assim em todo o lado.

6 - Sobre Mário Lino e a Ota, recordo o célebre " Em Alcochete, "jamais" ( em frances e tudo), mais algumas patetices tal como aquela em que afirma que no Sul não há nada, que é um deserto.

6.1 Mas repito que isto não vem a propósito. Mas, já agora, porque exiges à ministra que recue quando dás tanto realce do recuo de Lino?

7 - Correia de Campos, o melhor Ministro da Saúde de todos os tempos, apesar dos erros. Pois foi. Só que esses "erros" custaram a vida a alguns doentes e o nascimento de alguns bebés nas ambulâncias porque ele preocupou-se mais em reduzir os custos do que com a saúde das pessoas. Repito que ele mandou fechar serviços antes de abrir outros que estavam previstos no estudo por ele encomendado.
Ele não saiu devido às guerras com a ANF ou a OM mas sim devido aos protestos das populações. Aqui, Leonel Moura diria também que com estas populações Portugal não vai a lado algum...

7.1 Há números sobre nascimentos nas ambulâncias, por cada ano. Só terás que os consultar, para veres que nascimentos nas ambulâncias foram notícia na altura, pelo que estava em causa. Julgo que percebes bem as estratégias de quem luta para vender um jornal ou conseguir certo share nas audiências. Agora, temos a avaliação, depois da onda de crimes.
Mas sabes como se evitam eventuais nascimentos nas ambulâncias? Colocando uma maternidade em cada localidade. Ir-se-ia contra recomendações da OMS e era só pagar para isso.
No entanto, o que encerrou, encerrado está. Mas perdeu-se Correia de Campos. Escreveu há pouco um livro. Talvez valesse a pena lê-lo.
Vens com o L Moura pela segunda vez. Mas isso não é comigo, que não o citei para nada.

8 - O SNS não é sustentável, dizem, tal como não o era a Segurança Social e por isso criaram uma lei mais penalizadora das pensões de velhice que até contém um factor de sustentabilidade, que a cada ano que passa vai reduzindo o valor da pensão. É um castigo por querermos viver mais tempo.
O problema é que não há dinheiro, dizem, para essa duas Entidades mas todos temos conhecimento das elevadas reformas pagas a quem, simplesmente, ocupou altos cargos e até para o BPN se desencantam uns elevados milhões.
Imaginem o que seria se houvesse dinheiro...
É assim que querem que o Povo compreenda e aceite as restrições que nos são impostas?
Entretanto, a pessoa que, em Portugal e neste momento, mais personaliza a incapacidade e a mediocridade vem dizer que o desemprego de longa duração se deve ao "generoso subsídio de desemprego"...
Este Sr. Vítor Constâncio é um cómico. Só lamento que as suas anedotas custem uns largos milhões ao Erário Público.

8.1 Tenta perceber isso: o que no OE sai pelo lado das despesas tem que entrar pelas receitas. Estas são, na sua quase totalidade, impostos. Estes, sabes bem, saem dos bolsos de todos, enquanto contribuintes. Agora é só optar.
A Segurança Social funciona em sistema de redistribuição: o que entra sai, ano a ano, embora se tenha criado um Fundo de Estabilização que possa responder – não vai ser fácil – à cada vez maior longevidade dos pensionistas, à baixa taxa de natalidade. Do que vou sabendo, a preocupação é tentar estabilizá-la pelo mais dilatado período de tempo, mesmo que à conta de cortes (sacrifícios). Mas qual a receita alternativa? Deixar que se esgote e declarar falência?
Eu não diria o que disse VC. Mas duvidas tu que há quem se pendure no subsídio de desemprego, recusando alternativas de emprego?
Nunca destes com anúncios de “empregado precisa-se”? E procura saber, num Centro de Emprego, com desempregados inscritos, se toda a oferta de trabalho das empresas tem resposta.

9 - Eu não comento as declarações de Manuela Ferreira Leite. Eu compreendo tudo o que venha do PSD e/ou do CDS mas já nãi aceito que um partido que se diz Socialista actue desta forma.
Bem sei que a diferença entre o PS e o PSD é mínima, para não dizer que é nula, mas enquanto se intitularem de "socialistas" manda o decoro que se comportem como tal.

9.1 E que seria isso de se comportarem como tal? Mas fiquemos por aqui neste tema do ensino, que já se saiu bem dele. Vêm aí as eleições, o povo julgará.

Um abraço