sábado, 22 de novembro de 2008

Olha o Público…


“Portugal ocupa o oitavo lugar no ranking de um estudo europeu sobre a eficácia do ensino superior em 17 países da OCDE, que aconselha o país a aumentar a formação ao longo da vida e a atrair mais estudantes estrangeiros. O relatório Ranking de sistemas universitários: cidadãos e sociedade na era do conhecimento foi elaborado por três especialistas do Lisbon Council, um centro de estudos sobre assuntos europeus, em Bruxelas. Portugal “situa-se no meio da classificação global em todos os itens”, à frente de países como a França e a Alemanha.

Uma notícia de primeira página? Querias. Um rectangulozinho no lado esquerdo de uma página par, a 18. Em 21-11-08. Sim, que a primeira página, quanto a ensino, continua arrendadada à Fenprof.

11 comentários:

2MOPinto disse...

Armando

Para quem diz não pertencer ao PS nem ter segundas intenções, sejam elas quais forem, é notório que só tens reparos a fazer aos professores (sindicatos incluídos) porque não aceitam - com razão ou sem ela - o modelo de avaliação e uma crítica à Dra. Manuela F. Leite. Reparo que, sobre a actuação do PS, enquanto partido e/ou enquanto governo, nem uma crítica, por muito leve que seja. O que nos vale é que tu és independente…
Agora, o motivo é o não terem dado o destaque devido – segundo a tua visão do assunto – a uma opinião do Lisbon Council sobre a qualidade do Ensino Superior em Portugal apesar de estarmos a meio do ranking, entre 17 países, apesar de estar à frente de países como a França e a Alemanha.
Confesso que, sendo eu leitor de jornais e seguidor da realidade que nos rodeia, é a primeira vez que tenho notícias deste “Lisbon Council”. Sendo assim permito-me perguntar: Este organismo é assim tão importante e, por isso, as suas opiniões merecem um destaque de tal modo que retirem da “montra” dos jornais a Fenprof, num momento em que, segundo tu mesmo reconheces, o tema “Avaliação dos Professores” marca a agenda político-partidária?
Mais ainda: Estás a querer dizer que a Comunicação Social arrenda, usando palavras tuas, espaço à Fenprof em detrimento do PS/Governo? Basta ver o tempo de antena concedido pelas TV’s à conferência conjunta dos Ministros Silva Pereira e M. de Lurdes Rodrigues aquando da apresentação das alterações ao modelo de avaliação.
Para além disso, no mesmo dia e após o Telejornal, a RTP cumpriu, uma vez mais, o seu papel de “serviço público”( ia a escrever “Voz do Dono” mas achei melhor não o fazer) e concedeu mais uma entrevista à Ministra da Educação.
Concluindo: Era só o que faltava, vermos o PS/Governo a clamarem contra a desigualdade no tratamento informativo! Basta seguir os telejornais e folhear os jornais…
Entretanto, hoje – dia 22 de Novembro - ficámos a saber que o amigalhaço do Ministro da Economia participou numa organização dos Economistas na qualidade de responsável pela mesma, ao mesmo tempo que a Lei que rege a Autoridade da Concorrência – porque fiscaliza as Ordens Profissionais - proíbe, e de forma bem clara, tal situação.
De igual modo é público que, ao mesmo tempo que Manuel Sebastião tem funções importantes no Ordem dos Economistas, a Autoridade da Concorrência aplicou coimas a outras Ordens Profissionais. Será que o Sr. Manuel Sebastião consegue ser isento?
Ainda que o consiga ser, aquela máxima de que “ À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecê-lo” está cada vez mais actual.
Todos sabemos que este Sr. Manuel Sebastião tem experiência de situações análogas a esta. Basta recordar que quando era supervisor do Banco de Portugal participou em negócios com o Sr. Manuel Pinho quando este era administrador do BES.
Decerto que, para o PS/Governo e afins, tais situações são perfeitamente naturais.
Ou não tivesse o Sr. Manuel Sebastião frequentado a mesma universidade de Barack Obama, segundo nos informou, todo contente, o Sr. Manuel Pinho…
Aqui cabe-me perguntar: Por que razão os colegas de Eça de Queirós ou António Lobo Antunes, por exemplo, não foram todos escritores? É estranho, não é?

Um abraço.

Dulcineia disse...

hummm....Fiquei com curiosidade de conhecer quais as variáveis ou critérios para mensurar a efcácia do ensino superior. Ensino superior q, em m/opinião, continua tão distante da realidade empresarial. A incentivar o crescendo do número de doutorandos - ou por falta de saídas/alternativas profissionais ou por "promessas" de cargos,às vezes, à revelia da eficácia (mérito) dos envolvidos.
Merecia mais do q a pág 18 e ser mais esclarecedor. Quanto à temática dos Profs, já estou saturada de tanto protagonismo e interrogo-me, não será uma manobra para esconder muita coisa muito mais grave? enfim, oremos!
Só espero não ter contribuído para a classificação do meio da tabela do tal ranking de SU...

A. Moura Pinto disse...

Mário
Se de facto estás interessado vai a www.lisboncouncil.net/ . Não há um português entre os membros, a julgar pelos nomes. Pode não significar nada, mas eu sei lá.

Na comunicação social sigo o Público – apesar de tudo – e a SIC Notícias, em primeiro lugar.
Sei, por isso, de quem têm sido as primeiras páginas e as cartas ao director, sabendo que quanto a estas se tem que fazer selecção entre as muitas que são enviadas.

Na SIC Notícias, mais vezes lá vejo M Nogueira e outros do lado da mesma barricada que a ministra. Mas esta contabilidade nem me interessa, que não é isso que interessa aqui.

O Público poderia não ter dado a notícia. E eu nem daria por ela. Mas exibindo-a, parece – apenas me parece – que poderia ter chamada na primeira página, no mínimo maior destaque. Porque quase te juro que seria assim se Portugal estivesse no fundo da tabela. Não respeita o meu ponto de vista? Tens esse direito, como eu tenho direito ao meu.

E é isto o que tem a ver com o caso e que tb te deveria preocupar quando comentas.

Porque, de facto, não sei onde entram aqui o Sebastião, o seu amigo ministro – desculpa lá que sejam amigos e que o confessem – o Lobo Antunes, o Eça.

Estranho, ainda, o teu começo “para quem se diz não ser do PS e não ter segundas intenções…”.
Porque não aceito para ninguém o anátema partidário, isto é, que se desvalorize uma opinião por causa da cor partidária. Depois, eu nunca diria que tenho segundas intenções. Porque tenho intenções, pontos de vistas, sem qq ordinal a classificá-las. E espero que, para isso, ainda não seja necessário ser autorizado.

Um abraço

A. Moura Pinto disse...

Dulcineia

Podes tirar as dúvidas ou esclareceres-te melhor em

www.lisboncouncil.net

Está lá o relatório.

Dulcineia disse...

Obrigada. Estive a ver os critérios e continuo quase na mesma - será que o acesso tem a ver com o número de universidades privadas, muito bem pagas,(algumas, com cursos que nem ao Diabo passava pela cabeça)que facilitam o numerus clasulus (e, mesmo assim o NC de medicina (19,8 deverá alterar a média)?. Principalmente o que li nas pags 5 e 6, contraria o que se observa - Não vejo muito que tenhamos quadros bem preparados para os desafios sociais e económicos (quando o desafio é grande, vejo quadros estrangeiros). Embora o estudo admita a influencia de factores externos, como o rápido crescimento economico após 1985. Acho que, qdo tiver tempo, a m/curiosidade sociologica vai-se encarregar de ler para perceber estes dados, de compará-los por exemplo, com o que dizem no início da alemanha. Valeu, pelo "espicanço" da curiosidade em perceber como se conseguem determinadas estatísticas - por exemplo, outro dia uma amiga surpreendeu-se qdo lhe disse sermos um dos países com mais elevado empreendorismo. Até lhe dizer que temos muitos "empresários" a trabalhar a recibos verdes e a receberem liquidos 350€, muito abaixo do SMN... mas números, são números.

2MOPinto disse...

Armando

É por demais evidente que tu tens todo o direito a ter opiniões e não é isso que está em causa.
Apenas reparo que não consegues fazer uma única crítica ao PS/Governo por isso te dei aquele exemplo, que considero grave, e que demonstra a pouca transparência que existe na nomeação para altos cargos no Estado, onde parece que vale tudo.
Parece que tu não sabes, mas eu repito: O Ministro da Economia deu, para além de outras justificações para nomear o Sr.Manuel Sebastião, o facto de ele ter frequentado a mesma universidade de Barack Obama.
Se tu achas que um ministro pode fazer esta afirmação, então estamos conversados.
Eu até acredito que, para ti, o PS/Governo não mereça um reparo. Se for o caso felicito-te, porque tens um governo que faz tudo como tu achas que deve ser feito.

Um abraço.

A. Moura Pinto disse...

Mário

Criticar ou não o PS/Governo é uma opção minha, coisa a que tenho tb direito. Se eu não te peço que o defendas, porque entenderás que eu tenha a obrigação de o criticar? A mim cabe escolher aqui os temas e muito livremente.

Por outro lado, a alhos não se pode vir com bugalhos. E o assunto do texto que publiquei nada tinha a ver o ministro da Economia e o seu amigo Sebastião. E é isto a que não acho piada alguma, que se faça uma misturada, quando certamente há melhores argumentos para se ser contra.

Mas para que não penses que fugiria ao assunto, se fosse esse o assunto, sempre te digo que tb o ministro não deveria utilizar argumentos daquela natureza - o da universidade de Obama -, sem prejuízo de poder ter o Sebastião qualificado para o cargo, por outras boas e mais adequadas razões e que ele tb adiantou, mas parece que preferes esquecer, porque parece que dá mais jeito o argumento caricato. E eu nunca pegaria na circunstância de serem amigos para desvalorizar a valia pessoal para o cargo, caso ela exista. A menos que agora a amizade já seja um pretexto (preconceito) a ter em conta, valha o amigo o que valer. Nisto, parece-me, temos mesmo pontos de vista bem diferentes.

A. Moura Pinto disse...

Dulcineia

Deve ser isso. Conseguimos influenciar os dados e os resultados, mais: comprámos o estudo. E aqui entre nós: eu participei na colecta.

Que aquela malta do estudo é uma cambada de incompetentes, desonestos e de isenção abaixo de cão. As diversas escalas elaboradas foram todas aldrabadas.

Mas temos que reconhecer que houve quem pagasse mais para ficar em melhores lugares.

E eu concordo: não temos quadros para coisa alguma. Ainda ontem examinei alguns e chumbei-os todos. Uns incompetentes. Fosse qual fosse a matéria, nem imaginas como eles estavam. Chumbei-os e ponto final.

E quanto a empresários a 350 euros, nem te digo nada. Nunca conheci outros, e mais: esses até ganham bem acima daqueles que aqueles que conheci e conheço.

2MOPinto disse...

Armando

Reconheço que me enganei quanto ao teu blogue e penitencio-me por isso mas tu também tens culpa.

Passo a explicar:

1 – Tu começas um dos teus textos sobre a avaliação dos professores com a frase “Vamos ser sérios” e eu, na minha boa fé, também li “Vamos ser isentos”.

2 – Como tu depois também dizes que não és do PS, mais reforçou a minha convicção de que tratarias os temas políticos de forma isenta.

Posto isto quero também dizer-te que os alhos só se misturam com bugalhos, segundo tu dizes, porque te convém. Qualquer pessoa - isenta, claro! - que leia o que escrevi concordará que a mistura não é assim tão fora do contexto.
Se aquilo que escrevi fosse no sentido de concordar contigo, os alhos até de poderiam misturar com figos que tu aplaudirias na mesma.
Mas enfim. Fiquei, uma vez mais, elucidado.

Por isso, e ainda que – passe o exagero - venhas a terminar os teus textos com um “Tudo pelo Governo. Nada contra o Governo”, tal já não me surpreenderá, até porque a Liberdade existe para isso mesmo.


Um abraço

Dulcineia disse...

Ãrmando,
Não estava numa de má língua, rs
Apenas a tentar interpretar os números.Não se trata de estudos encomendados mas de perceber as variáveis e o modo como são tratadas; contextualizá-los na realidade que nos cerca.apenas isso

A. Moura Pinto disse...

Mário
Eu não busco aqui a isenção como valor absoluto. Porque somos sempre influenciados ou condicionados, pelo menos, pelos princípios que defendemos, por aquilo em que acreditamos, pelos conhecimentos que temos sobre as matérias que abordamos. Mas devemos tentar, claro, ser isentos.

Ser sério, é coisa diferente. Diria que, substancialmente, é estarmos de boa-fé. Quanto a isto, e no texto que referes, o que se passa é que, ultrapassadas as dificuldades ou obstáculos mais badalados, outros saltam para que se fique na mesma: o sistema de avaliação é para suspender (leia-se: mandar para o lixo). Aliás, depois disso até já se foi mais adiante: acabada a avaliação, há que contestar tb o Estatuto da Carreira Docente até porque, de facto, uma coisa está ligada á outra. E isto foi afirmado de forma muita clara.

Ora quem está assim num processo negocial não é sério.

Concluindo: ser ou não isento nada tem a ver com ser ou não ser sério.

Quanto a misturar alhos com bugalhos, imagina que eu, quanto ao mesmo tema – avaliação dos professores – utilizava como argumentos que a) M Nogueira há muito que não dá uma aula e que, por isso, pode ter interesse pessoal no status quo ou que, por isso, há muito não sabe o que se passa nas escolas ou que b) se trata de alguém com a lata de pretender que não lhe fosse descontado um dia de greve, com o pretexto de que, no dia da greve, era sindicalista e não professor, ao ponto de ir discutir, sempre a perder, de instância em instância, até ao Supremo Tribunal Administrativo?

Ora, se argumentasse assim, naturalmente que me poderia ser perguntado o que é que isso tem a ver com aquilo que ele defende sobre a avaliação, com a valia dos seus argumentos.

Acontece que tu foste bem mais longe, ao trazer para aqui o caso do ministro da economia e do Sebastião e que, nem de longe, tinham algo a ver com o tema.

Escreves tu que qualquer pessoa isenta concordará que a tua mistura não está fora do contexto. Deixando o caso da isenção – pelo que fica atrás – eu não me atreveria a tanta convicção, de que todos os isentos concordariam contigo.

Depois isto

“Se aquilo que escrevi fosse no sentido de concordar contigo, os alhos até de poderiam misturar com figos que tu aplaudirias na mesma”

é um processo de intenção, isto é, tu permites-te adiantar a minha reacção quanto a algo que não existiu. E os processos de intenção destinam-se, fundamentalmente, a pôr em causa a seriedade de alguém, à falta de melhor argumento. Acho que não te fica bem, nem fica bem a ninguém.

Um abraço