domingo, 31 de maio de 2009

A educação, um dente de profundas raízes e a curva de Gauss


No dia da manif dos 50 ou 70 mil – isto parece que está em quarto minguante, apesar da mobilização feita na blogosfera – a SIC-N convidou a sua especialista para a educação. Havia que ouvir quem sabe.
Mas, coitada, desta vez não esteve lá para fazer mais uma reportagem. Tinham acabado de lhe arrancar um dente, deu conta. Dou por certo que isto terá capítulo próprio na próxima reedição do seu best-seller Bilhete de Identidade.
Claro que ela é pela avaliação, nisto não está com os sindicatos, antes mais a favor da curva de Gauss e não sei quê. Ou pensam vocês que ela faz a coisa por menos? Curva de Gauss, registem.
Mudou logo de assunto, mas a curva de Gauss dá um toque de classe.
Mas está tudo errado. Porque isso da avaliação com fichas a preencher, nem pensar. Para a Madame Mónica a avaliação é subjectiva e assim terá que ser. Não é que discorde dela em absoluto, que isso da objectividade, nesta matéria, é coisa do domínio da metafísica. Mas fosse a ministra ou os secretários de estado a afirmá-lo, e teríamos o Nogueira a esgrimir mais que os conhecidos argumentos contra.
Mas, pergunta a entrevistadora – parece que ainda atordoada com a curva de Gauss – será que isto, esta crise, é uma fatalidade?
Que sim, afirma Madame Mónica que invoca para o efeito Afonso Henriques para concluir que a crise tem razões tão profundas como as do dente que lhe tinham arrancado. Por isso é absolutamente pessimista. Aqui nem a curva de Gauss lhe valerá.
Cereja em cima do bolo em que, como regra, se transformam as análises de Dona Mónica: para ela, há uma questão de fundo, de legitimidade. A ministra não foi eleita pelo Parlamento quando, segundo ela, os ministros deveriam ser recrutados entre os deputados eleitos. E fosse assim - deduzo eu - todas as políticas seguiriam sem qualquer contestação legítima. Ministro eleito é que é.
D Mónica não desenvolveu o tema. E foi pena. Aguardemos pela extracção do próximo dente, que não será nenhum do siso. Onde já vão eles!

4 comentários:

Milu - miluzinha.com disse...

Ena! Ficou de molho só porque lhe arrancaram um dente? Até parece que tem dentes de cavalo!

lino disse...

Curva de Gauss? Essa não é aquela chamada de "normal", que costuma ser substituída pelo dedo indicador quando a "coisa" do tó está numa exponencial negatiava?

2MOPinto disse...

É isso.
Também a mim parece que a actual Educação entrou em contra-curva e cabe na cova de um dente.
A culpa é do Gauss?
É da Ministra?
É "do" Nogueira?

Que nada!
A culpa é da subida abrupta das temperaturas.
...que até podem ser eleitorais.

iolanda ventura disse...

..."Também a mim parece que a actual Educação entrou em contra-curva e cabe na cova de um dente"..concordo e afirmo que daqui a 10 anos, por mais pequeno que seja o dente, ainda vai sobrar espaço!Há 30 anos que se tem vindo a trabalhar para a (des)educção neste país; reformas e mais reformas, sem uma verdadeira avaliação da anterior, é preciso é seguir em frente com as pseudo ciências da educação que descobriram,que desenvolver a memorização e o raciocínio das "nossas crianças" causa traumas irreversíveis! Camões, Fernando Pessoa ou D.Dinis foram enfiados na gaveta do esquecimento colectivo...resultado, criámos um país sem raízes e sem cultura que está bem patente no "desnorte" da classe política.
Os professores mais velhos, mal amados,tranformaram-se em "velhos do restelo", alvos a abater, os culpados da infelicidade da nação, e são avaliados por um sistema em que quem tem menores hablitações pode avaliar os que estão no topo! Gostava de ver este sistema noutra classe profissional!
"Os professores nunca foram nem querem ser avaliados",dizem muitos,mas então e aqueles que para passar do 7º para o 8º escalão tiveram que fazer e defender um trabalho de índole científico/pedagógica? E os que fizeram "exame de estado" após o estágio? Talvez tenham emigrado, pois principalmente pelos sindicatos, nunca foram lembrados!!!
Culpados? Somos todos, pois até os pais, em vez de exigirem "competências", exigem "notas" e a estatística far-se-á no FUTURO!