sábado, 13 de dezembro de 2008

Devagar o dia...


















Devagar, o dia anuncia-se
pelas árvores. Conto
os ramos, um por um,
perco-me e recomeço
a contar os ramos, um por um.
São assim as árvores.
Reparo que o dia lhes tocou
as copas,
como, rápidas, as asas
incandescentes
dos pássaros.
António Mega Ferreira in Os Princípios do Fim
Foto amp

3 comentários:

Dulcineia disse...

Adorei o arrendilhado da árvore... Obrigada pela partilha da foto! E fez-me lembrar, uma outra árvore de um local em Lisboa de q gosto muito e recomendo visitar (tem exemplares unicos e seculares em portugal). Em direcçaõ ao Palácio da justiça (lado oposto do El corte ingles) existe um espaço q só há uns anos soube estar acessível ao publico (porque tem segurança á porta), onde funciona um serviço da UTL (?). É lindo, tiram-se umas fotos incríveis e dá para ter afectos por determinadas espécies (eu criei afecto com uma planta/arvore baixa e redonda, com folhas exuberantes mas, indo ao seu interior toda ela é uma teia de ramos, tipo crochet, a indicar uma "esterilidade" q contrasta com o exterior).E se, tiverem tempo, perguntem perlo Rui Romão (o agrónimo-jardineiro) q recuperou aquele jardim, indaguem da disponibilidade dele em vos "apresentar" os habitantes daquele jardim.
As plantas são um exemplo para mim: sem pedirem nada, sem reclamarem, durante anos, séculos, estão sempre a doar, a contribuir para a qualidade do nosso ar... mesmo com todos os disparates que lhes fazemos... há seres q, em silêncio, nos dão um exemplo...E, com aquelas fotos, acho que a veia poética que existe em todos nós, se revelará...

A. Moura Pinto disse...

Mas esta é uma árvore muito modesta, aqui do meu bairro.
Mas soube-se colocar a jeito para a foto, mesmo no inverno.

Dulcineia disse...

As árvores são árvores, onde quer qu estejam... a foto depende sempre da sensibilidade de quem as vê e como as vê... e esta foto está MESMO de parabéns... cada um de nós dará a sua leitura... a mim, lembrou-me outra árvore e, ao mesmo tempo esta parece dizer: está inóspito e frio, vou fazer um véu dos meus ramos, uma teia fininha para me proteger, para me abraçar...