sábado, 27 de dezembro de 2008

"Um homem sem qualidades"


“Uma zona de baixas pressões sobre o Atlântico desloca-se para leste, em direcção a um anticiclone situado sobre a Rússia; não denunciava ainda qualquer tendência para o evitar, e dirigia-se para norte. Os isotermos e os isóteros cumpriam as suas obrigações. A temperatura do ar mostrava uma relação normal com a temperatura média anual, com as dos meses mais frio e mais quente e com a oscilação mensal aperiódica. O nascer e o pôr do Sol e da Lua, as fases desta última, de Vénus, dos anéis de Saturno e muitos outros fenómenos significativos correspondiam às previsões dos anuários da astronomia. O vapor de água no ar tinha atingido a sua tensão máxima e a humidade relativa era fraca. Para usar uma expressão que, apesar de um tanto antiquada, serve na perfeição para dar a realidade dos factos: era um belo dia de Agosto do ano 1913.”

Inicia-se assim o primeiro volume.

É de imaginar que muito gozo darão as quase 1300 páginas que vão seguir-se, mesmo que a leitura comece num dia em tudo contrário àquele belo dia de Agosto.

Nota: O segundo na classificação de Ípsolon (Público) quanto aos editados em 2008.

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